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Papa-unescos (XIII)


Rokuon-ji, mais conhecido como Kinkaku-ji, o Templo do Pavilhão Dourado,
Quioto (Japão), Agosto de 2004


(42) Monumentos Históricos da Antiga Quioto

É claro que quem vai a Quioto não deixa de visitar os seus locais mais bonitos, classificados pela UNESCO em 1994. Templos, santuários, jardins de grande beleza e imponência que evocam a antiga capital imperial, que o foi de 794 a 1868. Os monumentos são muitos e estão espalhados por diversas zonas da cidade e arredores. Creio que não chegámos a visitá-los todos, mas uma parte significativa.











Papa-unescos (XII)


Kōyasan, Monte Kōya (Prefeitura de Wakayama, Japão), Agosto de 2004

(26) Locais Sagrados e Rotas de Peregrinação nos Montes Kii (Japão)

Foi na sua 28.ª sessão anual, decorrida, na China, entre 28 de Junho e 7 de Julho de 2004, que o Comité do Património Mundial decidiu classificar como Património da Humanidade os locais sagrados da Península de Kii. Por essa mesma altura, andávamos, eu e a MJ, a preparar a nossa viagem ao Japão. Ela, sobretudo, que eu andava ocupada com a minha ida ao País de Gales, da qual chegaria directa ao avião que nos levaria ao outro lado do mundo. E foi por esta altura que ela ouviu falar em Kōyasan, e decidiu que seria o primeiro lugar que visitaríamos.
Ora acontece que, na época, os sítios de Internet japoneses eram muito pouco navegáveis, tinham quase nenhuma informação em línguas ocidentais e, quando ela tentava telefonar para algum número que descortinasse entre os caracteres japoneses, invariavelmente, atendia alguém que arranhava muito a custo o inglês, ou nem sequer isso. Percebemos, quando lá chegámos, que os japoneses, em geral, não dominavam o inglês, o que tornou a nossa comunicação com eles uma verdadeira aventura. Por telefone, então, era impossível.
Assim, pediu-me que, num dia em que estava menos ocupada que ela, fosse à Embaixada do Japão, solicitar informações e ajuda com a reserva de alojamento em Kōyasan. Fui recebida por um senhor de poucas falas e pouco interessado nos nossos problemas, que desvalorizou a importância do Monte Kōya ("É um monte com um templo em cima, só tem interesse para peregrinos e pessoas religiosas.") e me despediu de mãos quase a abanar.
A MJ ficou desiludida, mas não desistiu: iríamos na mesma, depois se via. Eu, ocupada que andava com os meus afazeres, não pensei muito nisso, até desembarcarmos em Osaca, sem termos onde passar a noite.




O templo Kongōbu-ji e o jardim de pedra Banryūtei

No aeroporto, dirigimo-nos ao balcão de informação turística, onde fomos recebidas por uma senhora muito competente que telefonou para o Turismo de Kōyasan e nos reservou alojamento num dos templos, em regime de Shukubō. Mudámos de cor, ao ouvirmos o preço da diária, mas, com uma viagem de cerca de 15 horas em cima e outra, até Kōyasan, pela frente, não discutimos.
De Osaca, apanhámos o comboio da linha de Kōya da companhia Nankai (página oficial aqui), até à estação de Gokurakubashi, de onde subimos, de funicular, até Kōyasan.
Já não me lembro como nos orientámos, mas conseguimos encontrar o templo onde íamos pernoitar. Era grande, bonito, calmo, os monges eram simpáticos e a comida boa, mas era demasiado caro. No dia seguinte, passámos no posto de Turismo, onde nos arranjaram alojamento mais barato, num templo mais pequeno.
Não me consigo já lembrar do nome de nenhum dos templos onde ficámos. Hoje, é bem mais fácil encontrar alojamento em Kōyasan, com esta página, que especifica até as características e as ofertas de cada templo. Nunca subestimar a referência a "Western-style toilets": além do conforto, por contraste com os "Japanese-style toilets", oferecem a experiência e a aventura dos tampos TOTO.


O templo Henjoden






Mais templos no complexo de Danjogaran (e mais aqui e aqui)

Shukubō é uma experiência muito interessante e enriquecedora e, para quem acabava de aterrar no outro lado do mundo, uma imersão na cultura japonesa e no Budismo Shingon. Os templos são construções antigas, de madeira; os quartos são tradicionais, com tatâmi no chão, futons que se desenrolam à noite, para dormir, e quimonos para os hóspedes se porem à vontade; a comida, shōjin-ryōri, é vegetariana, com algumas especialidades locais de tofu.
Na nossa primeira noite, no primeiro templo, o jantar foi servido na sala de jantar, grande, escura, com uma iluminação ténue, e quase silenciosa, com os hóspedes a comerem calados, acocorados no chão. Os monges trouxeram-nos os tabuleiros: várias tigelas e malgas, com comida aos pedacinhos. Agradaram-me particularmente uns aperitivos secos, no fundo de uma tigela, que me pus a debicar. Na mesa ao lado, estava uma família japonesa, pai, mãe e filho jovem adulto. Ao ver-me comer, a mãe chegou-se perto de nós e explicou, num inglês básico, que aquilo era a sopa, e que tínhamos de ir buscar a água fervente para deitar sobre os legumes desidratados. Foi connosco mostrar como se fazia e prontificou-se a esclarecer as nossas dúvidas de recém-chegadas. Foi por ela que soubemos que podíamos assistir às cerimónias religiosas da manhã.
A MJ deixou-se dormir, mas eu, ainda abananada com o jet lag, mal preguei olho e, pelas 5 horas da manhã, lá estava no sítio que a senhora me tinha indicado. Ela reconheceu-me (não era difícil, os outros hóspedes eram japoneses) e adoptou-me: mostrou-me como podia participar na cerimónia, acompanhou-me e elogiou a minha aprendizagem. Mais tarde, ela e o filho ensinaram-nos algumas palavras em japonês e deram-nos conselhos sobre coisas a ver e a fazer.
Durante os dois dias que passámos em Kōyasan, visitámos o complexo de Danjogaran e vários dos seus templos, e o cemitério de Okunoin, como já aqui contei.
Não falei sobre os monges, em geral jovens (eram os que falavam inglês, e, provavelmente por isso, os que estavam em contacto com os hóspedes), simpáticos e delicados. No segundo dia, ao serão, deixámos aberta a porta que dava para o jardim (esta porta) e a luz atraiu três vespas, que ficaram a esvoaçar à roda do candeeiro, no tecto. Ora, eu não as tinha convidado e, se fosse mais alta, tinha-lhes dado umas chineladas, que não me sentia capaz de adormecer com aqueles bichos a olharem para mim. Assim, fui pedir aos monges ajuda para resolver a situação. Intimamente, esperava vê-los pegar numa embalagem de insecticida, mas, budistas como eram, vieram dois com muita calma e delicadeza, atraíram as vespas para a suas mãos nuas e sopraram-nas de volta para o jardim.
O tal monte com o templo em cima, como mo descreveu o funcionário da embaixada, em Lisboa, é o local Budista Shingon mais venerado do Japão, e uma grande atracção turística, à época, sobretudo para japoneses, mas nem por isso deixámos de nos cruzar com um autocarro cheio de espanhóis, que encheram de salero e barulho aquelas paragens tão espirituais.






O cemitério de Okunoin

Papa-unescos (XI)


Alto Douro, Agosto de 2015

(41) Região Vinhateira do Alto Douro (Portugal)

Nunca naveguei o Douro, mas é projecto cá meu de que ainda não desisti. Um dia será. O que conheço do Alto Douro Vinhateiro é mesmo só de passagem, literalmente: de comboio, entre o Porto e a Régua; por estrada; e pelos bancos da escola, onde herdei a capacidade de identificar e descrever a vinha em socalcos, pelas encostas acima, e de apreciar a sua beleza geométrica.
Estas imagens, cacei-as em movimento, do autocarro da Auto Viação do Tâmega, à aproximação de Peso da Régua.











A Régua que conheço é esta, vista da A24, sobre a Ponte Miguel Torga: o rio, as casas na margem, as pontes.
A ponte mais próxima é a Ponte Ferroviária da Régua. Foi projectada para uma linha de caminho-de-ferro que nunca chegou a ser concluída, entre Lamego e Peso da Régua. Inaugurada em 1934, foi então adaptada a uso rodoviário, dando passagem ao trânsito entre Lamego e Vila Real.
Mais à frente, a Ponte Metálica, construída a mando do rei D. Luís I e inaugurada a 1 de Dezembro de 1872. Desactivada em 1949, devido ao estado de degradação do tabuleiro em madeira, foi reabilitada, no início de 2012, como ponte pedonal, unindo os concelhos de Peso da Régua e de Lamego, a pé ou de bicicleta.


Peso da Régua, Agosto de 2015






Lamego, Agosto de 2015

Papa-unescos (X)


Budapeste (Hungria), Fevereiro de 2007

(25) Budapeste e as margens do Danúbio (Hungria)

Este não é novo, por isso não serve para aumentar a minha lista. Já o tinha mencionado aqui, a propósito desta entrada, mas não lhe tinha feito jus à beleza. Por esse motivo, resolvi trazê-lo de volta.
Também eu lá voltei, depois da primeira visita, em Agosto de 2002. Essa tinha sido uma viagem algo acidentada, chuvosa, a antecipar o estado de calamidade que iríamos encontrar em Praga, mas, mesmo assim, permitiu-nos grandes passeios, pelo centro da cidade e também pela periferia, mais propriamente por Óbuda. Bati muitas chapas, nessa altura, mas todas analógicas, pelo que ainda não passaram por aqui (passarão, passarão).
É uma cidade muito bonita, que se construiu pela fusão de três cidades vizinhas: Buda com Óbuda e depois com Peste. A referência incontornável é o Danúbio, que tanto separa como junta, com as suas muitas pontes, as duas metades irmanadas da grande urbe. E é nas suas margens que podemos encontrar grande parte do que de mais bonito a cidade tem para oferecer.
É uma cidade que me é querida por mais uma razão: porque a visitei duas vezes, e percebi, assim que lá regressei, que ainda a conhecia, que ainda me sabia orientar pelas suas ruas, que ainda era um bocadinho minha.
Voltámos a Budapeste, no regresso de Baia Mare, para apanhar o avião para Lisboa. Na ida, não tínhamos visto nada, só o caminho para Debrecen, mas, no regresso, o chefe, que sabe programar muito bem as viagens, conseguiu organizar tudo de forma a termos quase um dia para visitar a cidade. Estava frio e chuvoso, ainda chegou a nevar, mas as abertas permitiram-nos uns passeios pela zona histórica.
Já disse, mas volto a dizer, que é uma cidade muito bonita, como só poderia ser, co-capital que foi do Império Austro-Húngaro: tem muitos edifícios históricos, monumentos, museus, enfim, é monumental.
Ficam aqui, como ilustração, algumas das poucas fotos permitidas pelas condições do clima e de luz, numa tarde curta de Inverno e numa manhã de neve.


Bastião dos Pescadores




Estátua do Rei Santo Estêvão I, de quem aqui já falei








Edifício do Parlamento, na margem do Danúbio


Estátua da Princesinha


Monte Gellért, nomeado em homenagem ao Bispo São Geraldo
(ou Gerardo), de quem também falei aqui

Papa-unescos (IX)


Budești (Roménia), Fevereiro de 2007

(40) Igrejas de madeira de Maramureş (Roménia)

São oito, as igrejas de madeira de Maramureş inscritas na lista da UNESCO. A única classificada que conheci foi a Igreja de São Nicolau, em Budești Josani, datada de 1643, cuja torre se distingue pelos quatro pináculos na base. Não entrámos, que a senhora de casaco vermelho que nos abriu o portão não tinha licença para tanto, nem tirou os olhos de cima de nós enquanto por lá andámos, a inspeccionar a perfeição da construção, o altar de Verão, em frente, e o cemitério.













Antes, tínhamos visitado a igreja do Mosteiro de Săpânța-Peri, que se gaba de ser a igreja de madeira mais alta do mundo, com uma torre de 78 metros. Não está abrangida pela classificação da UNESCO, porque é uma construção recente, erigida segundo as técnicas antigas, totalmente em madeira, sem um único prego de metal.
O mosteiro, dedicado a São Miguel Arcanjo, foi fundado em 1997, na aldeia de Săpânța, querendo homenagear e fazer reviver a antiga comunidade religiosa da vizinha localidade de Peri, antes no perímetro histórico da região de Maramureş e hoje em território ucraniano. A construção da igreja foi então iniciada, e estava perto do final, quando a visitei. Como vantagem, pude ver de perto pormenores da construção; a desvantagem era não ter ainda a decoração interna.










Săpânța (Roménia), Fevereiro de 2007

Papa-unescos (VIII)


Roma (Itália), Junho de 2014

(39) Centro histórico de Roma (Itália)

Um dos mais belos do mundo, sem dúvida, e por isso está inscrito na lista desde 1980. Não podia deixar que me ficasse a pesar na consciência, tendo eu pela frente uma espera de várias horas, em trânsito entre Pisa e Lisboa. Assim, a primeira coisa que fiz, ao aterrar em Roma, foi dirigir-me ao balcão de informação turística, para pedir um mapa e alguns conselhos. O mapa, venderam-mo, que por ali não se brinca; as informações, deram-mas, de bom grado, mas com algumas reservas: podia chegar ao centro da cidade, de comboio, no entanto, a viagem ia custar-me cerca de meia hora para cada lado e 28 euros, ida e volta; perto da estação terminal não havia nada de relevante, mas a duas estações de metro ficava o Coliseu; era um risco, para quem tinha um avião para apanhar, eu que avaliasse. E foi o que fiz: esta conversa acabou antes das 13h30 e o meu voo estava marcado para as 19h25, mas já sinalizado com um atraso (que ainda viria a ser maior); olhei para o mapa, procurei os sinais com a direcção da estação ferroviária e pus-me a caminho.
No comboio, estudei o mapa e concluí que duas estações de metro não era distância que me fizesse mossa, que eu sou moça que gosta de andar. Assim, ao chegar, saí da estação, procurei a direcção que tinha decorado e deixei-me ir, desviando-me ao sabor dos motivos de interesse que sobressaíam por cima dos telhados. E foi desta maneira que descobri que, bem perto da estação, fica a Basílica Papal de Santa Maria Maior, um dos monumentos que foram tidos em conta na avaliação da UNESCO. A quantidade de bandeiras do Vaticano, nas janelas vizinhas, de barreiras e de carabinieri fizeram-me suspeitar de que não sairia de Roma sem ver o Papa. Dirigi-me a um dos agentes da autoridade e perguntei-lhe o que queria dizer aquele aparato todo, ao que ele me respondeu que, sim, o Papa era esperado para uma missa, às 20h00. Que pena, tenho avião às 19h30, fica para a próxima! Soube depois, já em Lisboa, que um pequeno problema de saúde tinha impedido Sua Santidade de cumprir essa sua obrigação.
Continuei a descer até ao Coliseu: impactante, como agora se diz, colossal, disforme, no meio da cidade e do trânsito. Não entrei, que tinha medo de me atrasar, mas espreitei e vi o que podia.
Depois, deixei-me levar pelo que via à minha volta: admirei o Arco de Constantino e o Arco de Tito; subi o monte Palatino, até à Igreja de São Sebastião; contornei o Fórum Romano, fechado por motivo de greve (e ainda me ri com o comentário escrito à mão, em italiano, sobre a folha com essa informação, algo como "É por isto que o nosso país não vai para a frente": acho que me lembro de ter lido ou ouvido a mesma coisa, num dia em que, pela mesma razão, não pude visitar o Castelo de São Jorge, em Lisboa. Vão lá agora dizer que não há uma identidade europeia!). Segui, depois, pela Rua dos Foros Imperiais (Via dei Fori Imperiale), contemplando as ruínas de cada fórum que se me oferecia à vista: o de César, o de Nerva, o de Augusto, o de Trajano.
Entre a Coluna de Trajano e a Praça de Veneza, a chuva, que tinha estado intermitente, ao longo do passeio, ameaçou engrossar. As minhas costas começaram a acusar o peso de tudo o que eu não tinha enfiado na bagagem de porão, mini-computador incluído, e, apesar do conforto das minhas chinelas ortopédicas de modelo alemão, a perspectiva da chuva a cair-me nos dedos dos pés contribuiu para me decidir a regressar ao aeroporto. Ainda apreciei o Altar da Pátria e empreendi o caminho de volta.
No total, foram cerca de duas horas de passeio, que se desenrolou mais ou menos assim. E eu, que já era adepta das conexões longas, dei por muito acertada a minha decisão. Não vi o Papa, nem a Capela Sistina, a Fontana di Trevi, a Praça de Espanha, mas gostei muito da Roma que conheci.