Odense


O mercado

Passámos por Odense, numa manhã chuvosa, no caminho para Svendborg. Andámos às voltas por um mercado de rua, a ver se nos deixávamos tentar pela banca dos queijos, e fomos à procura da inevitável presença de Hans Christian Andersen: o bairro, a casa, o museu.






O bairro

É muito mimosa, aquela zona da cidade (confesso que também não conheci as outras). É caso para dizer que quem cresceu por entre aquelas casinhas pequeninas e de cores doces só poderia mesmo acabar a escrever contos mágicos. E ele que os achava coisa menor, sem importância, mais interessado que estava num lugar no panteão da literatura maior.


A casa

O museu tem um rico espólio de objectos pessoais do escritor e vastas exposições documentais sobre a sua vida, a sua obra e a sua época. A mostra de recortes de papel é fantástica: os trabalhos são de uma delicadeza e de um virtuosismo incríveis e os materiais em que foram feitos ainda lhes dão maior encanto. Papel de jornal, de embrulho, de lustro, tudo o que lhe vinha à mão servia para entreter os pequenos ouvintes, exactamente o tempo que durava cada história que ia contando.




Nos jardins do museu
Odense (Dinamarca), Agosto de 2007


Gostava de ter conhecido mais da cidade, mas a chuva estava desagradável, por isso seguimos viagem, assim que saímos do museu.

Faróis (2)




Farol do Cabo da Roca, Colares (Sintra), Setembro de 2010




Farol do Cabo Raso, Cascais, Setembro de 2010


Farol da Guia, Cascais, Maio de 2008


Farol de Santa Marta, Cascais, Agosto de 2011 (este já por aqui tinha passado)


Farol de São Julião, Oeiras, Setembro de 2010

A brincar, a brincar, dos dez da região de Lisboa já cá cantam cinco.


(imagem retirada daqui)

Faróis


Phare de la jetée des Pâquis (Feu des Pâquis),
Genebra (Suíça), Dezembro de 2006


Dizia eu, há dias, que gostava de coleccionar faróis. A bem da verdade, não colecciono, não, mas poucos passam por mim desapercebidos. Alguns, fotografo-os sempre que me cruzo com eles.
Colecção a sério, tem-na a Universidade da Carolina do Norte, que elaborou um directório de faróis, incrivelmente completo, com dados sobre mais de 14.800 faróis de todo o mundo. De Portugal, parece-me que tem até mais listados que a Direcção de Faróis. A de Anke e Jens também está bem arrumadinha.
Eu, se os coleccionasse a sério, saberia que este farol não se situa na Fiónia, mas sim na pequena ilha vizinha de Sprogø.


Sprogø fyr, Sprogø (Dinamarca), Agosto de 2007

Já o de Kronborg é difícil de confundir.


Kronborg fyr, Helsingør (Dinamarca), Agosto de 2007

E, de momento, mais três da Nova Inglaterra. Outros hão-de aparecer, que, eu, posta a vasculhar os álbuns, nunca se sabe o que vou encontrar.


Portsmouth Harbor Light, New Castle (New Hampshire, E.U.A.), Agosto de 2001
(mais aqui, aqui, aqui e aqui)



Whaleback Light, Kittery (Maine, E.U.A.), Agosto de 2001
Do outro lado da foz do rio Piscataqua (mais aqui, aqui e aqui)



Cape Neddick "Nubble" Lighthouse, York (Maine, E.U.A.), Agosto de 2001
(mais aqui, aqui e aqui)

Veřejné osvětlení


Praga (República Checa), Setembro de 2007

A volta e a viagem


Ferry entre a Alemanha e a Dinamarca

Quando comecei a publicar nesta chafarica, a ideia era ir dando conta (diário de bordo, pois) das minhas voltas, por aqui, por ali e mais além. Mais do que para as partilhar, para não me esquecer delas. Mas o tempo era sempre pouco e as viagens foram-se sucedendo, as fotos acumulando, e eu desanimei do meu propósito inicial. Aos poucos, fui esquecendo pormenores (e alguns, maiores). Um dia, lembrei-me que podia, assim como exercício, para me disciplinar, ir tirando os álbuns da prateleira, um a um: soprava-lhes o pó de cima (o que eu gosto desta metáfora) e trazia-os de novo à vida. Um destino por mês, que tal? (E sai mais um projecto adiado para a mesa do canto.)
Depois veio a fixação temática, as séries e as colecções, e dei por mim a vasculhar os ditos álbuns e a reencontrar interesses esquecidos. À boleia dos cataventos, regressei à Dinamarca, onde me voltei a cruzar com as portas de Ribe, que também as havia em Haderslev, e janelas, e praias, chuva, girafas, barcos, tanto mar. E foi-me saindo a Jutlândia, às golfadas, e a Dinamarca às arrecuas.
Ora, raios, se já aqui estou, por que não reconstituir a viagem de uma vez?


Schweriner See, o lago de Schwerin, do lado de Bad Kleinen (Alemanha)

Se bem me lembro (e lembro-me, até do Vitorino Nemésio, que isto já são muitos anos de navegação), foi num belo dia do Verão de 2007 que apanhámos os três um qualquer voo low cost para Berlim Schönefeld. A primeira coisa que fizemos, à chegada, foi ir à agência buscar a montada que nos havia de carregar nas três semanas seguintes. A segunda, uns cinco minutos depois, foi pagar a multa por excesso de velocidade (primeira lição do dia: os polícias alemães, por muito simpáticos que possam ser, não caem em choradinhos, não vale a pena argumentar com o jet lag ou com a influência nefasta da condução em países periféricos com elevados níveis de sinistralidade rodoviária).


O peixinho fumado do Torsten, em Hoppenrade (Bad Kleinen, Alemanha)

Dos muitos sítios por onde passámos, Berlim foi o único onde não tínhamos amigos à espera, pelo que um hotel baratucho teve de dar conta do recado. Dois dias de sol a explorar a cidade, um pulo a Potsdam, e seguimos para Hamburgo. No caminho, passámos pelo lago de Schwerin, para almoçar umas trutas e enguias fumadas memoráveis com uns amigos que viviam na zona.
Em Hamburgo, ficámos cinco dias em casa de uma amiga, em Volksdorf, de onde partíamos cada manhã, após um lauto Frühstück, à descoberta da livre e hanseática cidade e arredores. (Por essa altura, começou a chover.)


Fehmarnsundbrücke

Até que arrancámos para a Dinamarca, não sem antes fazermos um desvio pela hanseática cidade de Lübeck. Seguimos até à Fehmarnsundbrücke (podia chamar-lhe a ponte do estreito de Fehmarn, mas não tinha a mesma piada), que atravessámos para entrar na ilha alemã de Fehmarn, e seguimos para Puttgarden, onde apanhámos o ferry para Rødby, na ilha dinamarquesa de Lolland. Atravessámos a ilha de Lolland e a Guldborgsundbroen (sim, a ponte sobre o estreito de Guldborg), para entrarmos na ilha de Falster, que atravessámos, assim como as Farøbroerne, duas pontes que asseguram a travessia, sobre a pequena ilha de Farø, até à Zelândia, que por acaso também é outra ilha, mas isso agora já não interessa nada. Enfim, de ilha em ilha, pela E47 fora, chegámos à maior ilha da Dinamarca.


Farøbroerne

Na Zelândia, tínhamos um belo apartamento prometido, no centro de Copenhaga, que, poucos dias antes da partida, ficou indisponível. Valeu-nos, em cima da hora, outro amigo que nos ofereceu uma casa no campo, bem no centro da ilha, na zona de Ringsted, no meio dos campos de cereais, onde ficámos outros cinco dias. De lá partíamos todos os dias, já a manhã ia alta, após um lauto morgenmad, à descoberta da capital danesa e arredores. (Por essa altura, já eu tinha engordado uns três quilos.)


Allindemagle (Ringsted, Dinamarca)

E passeámos que nos fartámos, em Copenhaga e pela costa acima, até arrancarmos para a (ilha de) Fiónia. Atravessámos a Storebæltsforbindelsen (a ponte do [estreito] Grande Belt) e seguimos até Odense, para uma voltinha à chuva, antes de continuarmos para Svendborg, onde ficámos dois dias. Aí foi um fartote de mar, de veleiro de um lado para o outro, por entre ilhas.


Storebæltsforbindelsen

E seguimos para a Jutlândia (a parte continental da Dinamarca -- acabaram-se as ilhas), através da Nye Lillebæltsbro (a ponte nova do Pequeno Belt). Passámos por Kolding e Givskud e seguimos viagem.


À beira da estrada, à entrada da Fiónia (gostava de coleccionar faróis)

Ficámos quatro dias na Jutlândia, um alojados em Skodborg e três em Christiansfeld, de onde, após os pequenos almoços da ordem, partíamos para passear: Hejlsminde e Haderslev, num dia; Ribe e Esbjerg, noutro; Billund, no outro.


Nye Lillebæltsbro

E regressámos à Alemanha, depois de uma paragem em Åbenrå, para nos abastecermos das nossas especialidades nórdicas favoritas: queijo castanho norueguês e remolada dinamarquesa.
O queijo castanho norueguês (myseost, em dinamarquês; brunost, em norueguês), é um queijo feito de soro de leite, com um sabor adocicado, a caramelo. Pelo menos na nossa versão favorita, a Gudbrandsdalsost (também aqui). Os seus maiores produtores são a Tine e a Synnøve, que chegámos já a contactar, em vão, na esperança de conseguirmos um canal de exportação direitinho para o nosso frigorífico (valem-nos os muitos amigos na Dinamarca, e os serviços de correio).
Remolada é uma variante de maionese, excelente com fritos, carnes frias e o que mais vier. Encontra-se às vezes em Portugal: a última vez, nos supermercados ALDI, mas, mais frequentemente, nas estações de correios.


O pôr-do-sol em Großbeeren, já a chegar a Berlim

Esta última viagem foi a mais longa, de Christiansfeld a Berlim, com paragens em Åbenrå, Schleswig e Hamburgo. Na capital alemã, passámos as duas últimas noites e o último dia, memorável.
Com tempo, há-de passar tudo por aqui.

ACP #65


Alfeizerão (Alcobaça), Janeiro de 2012

Cortesia de MCV.

Legoland (2)

E passando ao que mais (me) interessa:


O maior: Mount Rushmore, um milhão e meio de peças LEGO


Fredensborg Slot: 264 janelas, as do rés-do-chão das alas norte e sul do
edifício central do palácio são constituídas por 218 peças cada



A380: escala 1:25, 320 cm de envergadura de asas, cerca de 75 mil peças


Nyhavn


Schloss Neuschwanstein


Kinkaku-ji
Billund (Dinamarca), Agosto de 2007

Legoland



Quem passa pela Jutlândia, não sei se não passará sem lá voltar, mas pelo menos não passa sem passar por Billund. A Legolândia foi, desde que me conheço, o maior incentivo para querer ir à Dinamarca, e foi a última visita que fiz antes de sair do país.


Hans Christian Andersen a receber os visitantes, perto da entrada do parque

A Legolândia é genial: carota, como são todos estes parques (foi só mesmo o preço que me conseguiu afastar da Disneylândia, em Tóquio), mas divertimento seguro, por horas e horas, para toda a família. Porque há para todos os gostos: montanhas russas e carrosséis variados, para quem é viciado na adrenalina; comboios, barcos e outros meios de transporte, para passear calmamente por entre as construções; zonas temáticas variadas, que tão depressa nos levam ao Faroeste como a um castelo medieval ou a uma ilha de piratas, um safari, um barco, o fundo do mar. A animação, confesso, eu passava, porque já nem tenho idade para isso nem nunca gostei de desafiar a gravidade. O que sempre me atraiu na Legolândia, e que não ficou nada aquém das expectativas, foram as construções: milhões de peças a darem vida a tudo e mais alguma coisa, desde figuras em tamanho natural a miniaturas de todo o tipo de edifícios e monumentos.


Exemplares da fauna do velho Oeste

Miniland, a zona nuclear do parque, é uma espécie de "Mundo dos Pequeninos", onde estão representados os principais monumentos da Dinamarca e do mundo, assim como réplicas de bairros, portos, aeroportos, sei lá eu. E grande parte deles são animados, mexem e tudo! Foi divertidíssimo reconhecer sítios onde já tinha estado: Bergen, Amesterdão, Quioto, Copenhaga...


Banquete no castelo

Para além de tudo o resto, o parque é muito bonito e verde, com a vegetação adequada a cada espaço, réplicas de jardins em Miniland e tudo. E tem lagos e cursos de água. Enfim, tem de tudo, excepto boa restauração, o que também é normal nestes sítios: um hamburger e uma cola e vamos lá montar o dragão, umas batatas fritas e vai mais uma volta no poço da morte...


Vista parcial

E depois pode-se sempre esperar que a família aumente para repetir a dose. Eu já estou a fazer planos para a próxima visita.


Billund (Dinamarca), Agosto de 2007