Pêssego e os mostrengos






Lisboa, Parque das Nações, Março de 2012

(O que eu não vejo não existe! O que eu não vejo não existe! O que eu não vejo não existe!)
Há muito(s) mais de onde vieram estes. Hei-de lá voltar com tempo.

Ruas de Cascais






Cascais, Agosto de 2011






Estoril (Cascais), Dezembro de 2011

Ponte romana de Monforte


Monforte, Março de 2009

Imóvel de Interesse Público, desde 1990. Não se sabe ao certo se é romana, mas é bonita, e isso (me) basta.

Castelo de Belver


Belver (Gavião), Março de 2012

Monumento Nacional desde 1910, o Castelo de Belver merece bem uma visita. Pelas vistas soberbas, pelo restauro impecável, pelo relicário da capela de S. Brás, pela árvore fantástica que domina o recinto.















Urban grey (19)


Amieira do Tejo (Nisa), Outubro de 2011

O mistério do foguetão de Carnaxide


Farol da Mama, ou Marca da Mama Sul, Carnaxide (Oeiras),
Abril de 2012


Sempre o conheci e já nem sei bem precisar desde quando lhe reconheço a função (talvez desde as aulas de Geografia do 7.º ano). Lembro-me de, ainda não vai há muito tempo, um amigo, de visita, me ter perguntado o que era aquilo, e de eu lhe ter respondido, sem pensar duas vezes, que era um marco geodésico. Verdade seja dita, nem para lá devo ter olhado, se não ter-me-ia apercebido da nova roupagem, ou pelo menos do aparato das obras. E não teria ficado tão surpreendida quando, recentemente, soube que era um farol, e o descobri travestido de foguetão do Tintim.



Na verdade, o foguetão de Carnaxide faz parte do sistema de balizagem de um dos principais canais de navegação do Estuário do Tejo, o Canal da Barra Sul. Conforme se pode ler no Regulamento da Autoridade Portuária de Lisboa, na página 65 da versão de 2008, "o eixo deste canal é definido pelo enfiamento dos faróis da Gibalta e Esteiro com a marca da Mama Sul" (sugestão bibliográfica encontrada aqui). Este alinhamento encontra-se esquematizado na seguinte imagem (retirada, juntamente com a legenda, daqui):


Representação esquemática das barras para orientação dos navios, à entrada
do Porto de Lisboa, e dos faróis que definem o alinhamento dessas barras


O meu equívoco não é, porém, singular: tenho-me vindo a aperceber de que é comum a oscilação entre as designações de marco (ou vértice) geodésico e de farol. Estranho é que as entidades competentes sejam omissas quanto à sua referenciação. A Direcção de Faróis não o lista como tal (talvez porque, oficialmente, é apenas uma marca de balizagem, como refere o Regulamento da APL), ao contrário da Revista da Armada, que o refere a páginas 145 da sua compilação de revistas do ano de 2006 como Farol da Mama (mas também como Marca da Mama). O Instituto Geográfico do Exército refere-o como vértice geodésico de 2.ª ou 3.ª ordem, mas o Instituto Geográfico Português omite-o dos resultados da busca na Rede Geodésica Nacional (surge, porém, na listagem do sistema ETRS89).



A conclusão que tirei é que a preguiça não compensa. E nem era preciso procurar muito para ler, na página da Junta de Freguesia de Carnaxide, que "o chamado «Foguetão de Carnaxide» [é] uma construção erigida na elevação de 145 metros de altitude junto a um marco geodésico existente na localidade". Pois é: não é um vértice com a função de farol, mas um vértice e um farol muito próximos. A imagem de satélite do Google já me tinha deixado de pulga atrás da orelha, mas uma fotografia amavelmente cedida pelo colega MCV veio tirar-me qualquer dúvida:


Setembro de 2007 (imagem de MCV)

E é assim que eu me lembro de o ter visto sempre, tal como também documentado aqui, aqui, aqui, aqui, ou mesmo aqui. Das obras, não me apercebi, nem da polémica acerca delas. A bem da verdade, também nunca me dei conta de que é iluminado desde 1995.
Pelo que me foi dado compreender, por diversas referências na Internet, as obras recentes tiveram, sobretudo, a função de elevar o farol, cuja visibilidade viria a ser comprometida pela construção de edifícios altos nas redondezas. Na verdade, a elevação e a nova pintura dão-lhe um aspecto mais consentâneo com um farol, mas as obras circundantes estão, aparentemente, paradas: depois de terraplanagem e construção de algumas infra-estruturas (arruamentos, iluminação pública e lugares de estacionamento), o local foi deixado abandonado (e, convenhamos, desfeado).
Finalmente, pela primeira vez, fui visitá-lo em Abril e pude confirmar a manutenção de um marco geodésico junto à base do farol (aparentemente, existe outro no topo):





E pronto, está desvendado o mistério, que afinal não era mistério nenhum. Quanto a mim, ganhei um farol para a colecção (e pensar nas voltas que dei à cabeça para perceber que raio era o Farol da Mama!), e novos motivos para o meu marco de sempre ser um marco incontornável na minha geografia.

Nota: Mais uma interessante galeria de fotos de faróis portugueses, aqui.

Inside out


Birmingham (Reino Unido), Abril de 2011

Calçada (9)


Lindos (Ilha de Rodes, Grécia), Agosto de 2000

Não é portuguesa, a calçada, está bom de ver, mas é bem bonita. Lembro-me da impressão que me causou, num fim de tarde em que nos lembrámos de explorar a cidade branca que avistávamos da praia de Haraki. Lembro-me da luz do fim do dia, na acrópole, da vista maravilhosa, e de descer, já de noite, pelas ruas estreitas, inclinadas e escorregadias, decoradas a preto e branco por seixos dispostos ao alto. Melhor de ver que de usar, confesso.
Apesar das diferenças na técnica e nos materiais, achei que ficava bem na colecção (que não o é, note-se).

Esmalte azul




Alter do Chão, Outubro de 2011

Caíram-me no goto, nos últimos tempos, as placas de rua esmaltadas, aparentemente, em voga, por estas bandas, na primeira metade do século XX. Gosto do azul-cobalto, da ferrugem, dos nomes dos homenageados, da ortografia, dos tipos de letra, do que aprendo (um facultativo é um médico).
Ao que parece, era um negócio florescente: consigo distinguir várias assinaturas diferentes, como "Freire-Gray", "V.a Ferrão L.da - Lx.a" e outra que me parece ser "F. (ou E.) de Souza & Silva - R. do Ouro (um número ilegível) - Lx.a".
Mais recentemente, surgiram umas imitações num qualquer material plástico, mas não é a mesma coisa. Nem nada.


Nisa, Fevereiro de 2012


Beirã (Marvão), Fevereiro de 2012






Gavião, Março de 2012


Portalegre, Maio de 2012


Figueira e Barros (Avis), Junho de 2011


San Pedro de los Majarretes (Valencia de Alcántara, Espanha), Maio de 2012

A bridge in Orleans County


River Road Covered Bridge, Troy (Vermont, E.U.A.), Agosto de 2001

Ponte sobre o rio Missisquoi, uma das lindas pontes cobertas do Vermont. Fica em North Troy, exactamente aqui. Mais informação e imagens aqui.