Conhal do Arneiro

Santana (Nisa), Abril de 2026
O Trilho da Mina de Ouro do Conhal (PR9 NIS) desenrola-se na freguesia nisense de Santana, que, no Censos 2021, tinha 277 habitantes, 74,7% dos quais com 65 anos ou mais, o que a revelou como a freguesia com maior percentagem de idosos em Portugal. É constituída por três pequenas povoações (Monte do Arneiro, Monte do Duque e Pardo) e tem uma densidade populacional de 10,2 hab./km².

Casas tradicionais, no Monte do Duque, perto do Centro Interpretativo do Conhal,
na antiga escola primária (Plano dos Centenários), onde tem início o percurso

A freguesia de Santana situa-se na zona norte do concelho, junto ao rio Tejo, que lhe proporciona uma paisagem e vistas belíssimas, sobretudo, junto às Portas de Ródão.


Um dos ramais do percurso vai até à Ilha do Cabecinho, através de uma ponte pedonal que foi destruída pelos temporais do último Inverno, o que inviabilizou essa parte do passeio. Descemos, então, até ao Tejo e ao cais do Pego das Portas, atravessando a Ribeira do Vale, por outra ponte pedonal suspensa, e seguindo pelo Trilho dos Burros, assim chamado porque era o único meio de transporte que por ali conseguia subir e descer, carregado de azeitona. Depois, fomos em direcção ao Arneiro e, pelo ramal do Castelejo, subimos até à zona mais elevada, de onde pudemos ter uma vista mais ampla do Conhal.

A Área Arqueológica do Conhal, também referida como Conhal do Arneiro, ocupa mais de 90 hectares delimitados pelo Ribeiro do Arneiro, pela margem esquerda do Tejo e pelas Portas de Ródão (Serra das Talhadas). Consiste numa extensa escombreira, constituída, essencialmente, por colossais aglomerados de seixos rolados de quartzito (designados localmente como "conhos", daí o nome "conhal"), com configuração cónica arredondada ou formando extensas fiadas, com mais de 100 metros de extensão e 5 metros de altura (as "conheiras"), testemunho da exploração aurífera levada a cabo pelos romanos. Trata-se dos sobrantes de uma exploração mineira de ouro aluvionar, pela técnica de ruina montium ou arrugia, descrita por Plínio, o Velho, na sua História Natural. Esta técnica consistia em desmanchar os depósitos detríticos auríferos, servindo-se da força motriz da água. A água utilizada no desmonte e posterior lavagem dos sedimentos e evacuação dos estéreis seria transportada, desde a Ribeira de Nisa, em canal ou canais (corrugi) escavados nas encostas da Serra das Talhadas até depósitos (piscinae ou stagna) situados a montante das formações a desmontar. A jusante, havia tanques de decantação e lavadouros ou canais de lavagem (agogae), onde as pepitas eram separadas do cascalho e areia. Neste processo, as pedras maiores eram retiradas manualmente e empilhadas onde não estorvassem. Próximo do extremo norte do conhal, o Castelejo, um relevo de 15 metros de altura, ocuparia uma posição central entre os canais de evacuação.
A excelência do ouro proveniente do leito do Tejo foi exaltada por diversos autores da antiguidade. Provando a qualidade do minério alentejano, D. João III terá mandado fazer um ceptro em ouro extraído deste rio, e Vasco da Gama uma cruz, mostrando, assim, aos venezianos que, em Portugal, havia metal mais precioso do que o do Oriente. No que respeita ao Conhal, estima-se que tenham sido extraídas cerca de 3 a 3,5 toneladas de ouro, com destino à capital do Império Romano. Ferro, aço e prata foram igualmente metais explorados nas margens do Tejo. A exploração mineira terá continuado, com menor expressão, na Idade Média, sobretudo, durante o domínio muçulmano. Isso explica que o canal ou levada que fornecia água ao Conhal do Arneiro seja conhecido localmente como Vala dos Mouros.

O percurso, circular, levou-nos de volta à antiga escola primária, situada nas imediações da Igreja Matriz de Santana (também conhecida como Igreja Paroquial do Arneiro).












































