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Portalegre, Maio de 2026
por aqui, por ali e mais além








Portalegre, Maio de 2026
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Teresa O
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sexta-feira, junho 05, 2026
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Etiquetas: Alentejo, Efeitos de luz, Portalegre, Portugal, Vistas da Penha

Salvador (Bahia, Brasil), Agosto de 2025
Como já aqui expliquei, a cidade do Salvador foi, desde a sua fundação, estruturada em dois níveis: a Cidade Alta, institucional e política, e a Cidade Baixa, portuária e comercial.
Após a sua fundação, em 1549, no cimo da escarpa, a cidade começou a expandir-se em direcção ao mar, ocupando uma estreita faixa costeira, o chamado Bairro da Praia, com uma rua comprida que dividia o porto e as casas comerciais. Nascia, assim, a divisão de Salvador em cidades Alta e Baixa. Porém, a ligação entre essas duas partes da cidade sempre foi complicada. Com o tempo, foram abertas ladeiras e caminhos, construídos guindastes e, em 1873, foi inaugurado um dos principais ícones da cidade, o Elevador Lacerda, hoje totalmente integrado na paisagem e no quotidiano do povo soteropolitano.


O centro nevrálgico da Cidade Baixa é a Praça Visconde de Cayru (mais conhecida como Praça Cairu, apesar da actual designação de Praça Maria Felipa), onde se situa a estação inferior do Elevador Lacerda e o antigo prédio da Alfândega, no qual seria reinstalado o Mercado Modelo, depois do incêndio de 1969.


Cidade da Música da Bahia, o museu da música baiana, ao lado do Mercado Modelo
Após vários aterros sobre a Baía de Todos os Santos, foi construído, em 1920, o bairro do Comércio, para concentrar as actividades financeiras da cidade, com sedes de agências de exportação e de câmbio e instituições bancárias e financeiras.

Como principal acesso ao bairro do Comércio, foi projectada, pelo arquitecto Diógenes Rebouças, uma extensa estrada marginal, ao longo da orla costeira, desde o Campo Grande até à Praça Cairu, comummente conhecida como Avenida Contorno. Inaugurada em 1958, foi baptizada como Avenida Lafaiete Coutinho (ou suas variantes Lafayete e Lafayette), em homenagem a Lafayette Coutinho de Albuquerque (1906-1959), médico e Professor Catedrático de Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade da Bahia, empresário e deputado estadual e federal, entre outros cargos públicos. A avenida proporciona uma agradável caminhada, ao longo das praias da Baía de Todos-os-Santos, de um lado, e dos muros de contenção da encosta, do outro.

Praia da Preguiça

Comando do 2.º Distrito Naval da Marinha do Brasil

Do outro lado da estrada
Em frente ao Comando Naval, já ao chegar à Praça Cairu, a jóia barroca da Cidade Baixa, a Igreja Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia. A igreja original foi mandada construir por Tomé de Sousa, na altura da fundação da cidade, em 1549. Era uma capela de taipa de pilão, erigida na base da falésia, junto à linha de água. Porém, ao longo dos séculos, os sucessivos aterros para ampliação da zona portuária foram afastando o mar. A primitiva capela foi também substituída por soluções mais robustas. A igreja actual, o terceiro templo construído no local, foi erigida entre 1739 e 1849, mas consagrada em 1767. A edificação, engastada na rocha viva, foi projectada por Manuel Cardoso de Saldanha, arquitecto e engenheiro militar português. A construção foi, essencialmente, pré-fabricada em Portugal, pelo mestre pedreiro Manuel Vicente, em pedra lioz, e chegou ao Brasil, no lastro dos navios, em pedaços separados e numerados. O mestre pedreiro arquitecto Eugénio da Mota preparou as pedras e acompanhou o seu transporte para Salvador, ficando responsável pela edificação do monumento.
O interior da igreja, que não visitei, consta que possui a primeira demonstração mais completa do barroco de D. João V no Brasil. Segundo alguns historiadores, a fachada sofreu influência do Palácio de Mafra, com traços neo‐clássicos. Sobressai a implantação das duas torres na diagonal, a 45º em relação ao plano principal.

Ao que percebi (e é bem difícil perceber as designações e classificações soteropolitanas), a Cidade Baixa não está incluída no Centro Histórico de Salvador, conforme foi delimitado pela UNESCO. No entanto, faz parte do Centro Antigo de Salvador, que corresponde à área do Centro Histórico e seu entorno, num conjunto de dez bairros de valor histórico e cultural: Centro Histórico, Centro, Barris, Tororó, Nazaré, Saúde, Barbalho, Macaúbas, Liberdade (parte do espigão), Comércio e Santo António Além do Carmo (e, lá está, eu conto aqui 11, vale o que vale).
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Teresa O
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sexta-feira, maio 29, 2026
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Nisa, Maio de 2026
Fã que fiquei das paisagens e património do concelho, não perdi a oportunidade de participar em mais uma das caminhadas promovidas pela Câmara Municipal de Nisa, no âmbito do programa "Caminhos de Nisa ao Encontro do Património - Caminhadas 2026". Tratou-se, neste caso, da última da temporada: a partir daqui, o calor excessivo não permitirá aventuras ao ar livre; em Setembro haverá mais.
Numa caminhada circular, com cerca de 9,6 km, designada "À Descoberta da Ribeira de Nisa", pudemos explorar belíssimas paisagens naturais, atravessando o Couto do Cabeço da Ordem (de Cristo), seguindo ao longo do dique do Racheiro e da margem da albufeira e ribeira, até à ponte da Bruceira. Perto da antiga Central Hidroeléctrica, cruzámos a ribeira por uma passadeira de pedras (poldras), passámos pela Ermida de Santo André e seguimos pela Carreira Velha.

Ermida de São Lourenço



Ribeira de Nisa


Açude do Racheiro


Capela de Santo André

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Teresa O
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quarta-feira, maio 20, 2026
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Vilnius (Lituânia), Fevereiro de 2026







Vilnius (Lituânia), Março de 2026
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Teresa O
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quinta-feira, maio 14, 2026
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Etiquetas: Cataventos, Colecções, Lituânia

Castelo de Vide, Abril de 2026
Tantos anos depois, voltei ao Menir da Meada, desta vez, no âmbito do programa de comemoração do Dia Europeu da Cultura Megalítica, organizado pelo Grupo de Amigos de Castelo de Vide e pela Associação de Estudos do Alto Tejo, sob o tema "Monumentos megalíticos como parte de uma paisagem ritual". Do programa constava a inauguração da exposição "Fragmentos de uma Nova Vida: os vestígios materiais da cultura megalítica em Castelo de Vide", na Igreja de São João Baptista, antecedida pelas visitas ao Menir da Meada e à Necrópole Megalítica dos Coureleiros, guiadas pelos arqueólogos Jorge de Oliveira (Professor Catedrático aposentado da Universidade de Évora) e Nelson Almeida. Um privilégio, poder ouvir de viva voz, in loco, a história da exploração arqueológica destes monumentos, contada por quem a levou a cabo!

O Menir da Meada, classificado (agora, sim) como Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 16/2013, "é o mais impressionante monumento megalítico da região de Castelo de Vide, e o maior menir totalmente talhado pelo homem em toda a Península Ibérica. O monólito, com cerca de 4 metros de altura a partir do solo, 7,15 m de comprimento total e um diâmetro máximo de 1,25 metros, está implantado de forma isolada no patamar granítico do Rio Sever, fazendo parte de um conjunto de antas e menires deste material lítico, estes últimos implantados sequencialmente na linha de contacto entre granitos e xistos que delimita a mancha megalítica da Serra de São Mamede". Carvões recolhidos no interior da fossa de implantação, junto da sua base, submetidos a datação por radiocarbono e depois de calibrados, revelaram que este menir foi erguido entre 4810 e 5010 a.C., em pleno Neo-calcolítico. Trata-se assim do menir mais antigo até agora datado em todo o mundo. Descoberto em 1965, partido em dois, foi restaurado e levantado em 1993, por meio de um processo atribulado, coordenado pelo Professor Jorge de Oliveira, com o apoio de membros da comunidade. O dia da erecção foi devidamente documentado pela RTP.



Da Necrópole Megalítica dos Coureleiros, conhecia já a anta II (Monumento Nacional desde 1910) e a anta I (classificada como Imóvel de Interesse Público, em 1997). Desta vez, revisitei a anta II (acima) e pude fotografar o que resta da anta III (abaixo, também IIP, desde 1997).

Do outro lado da estrada, pude vislumbrar a anta IV da necrópole, também classificada como Imóvel de Interesse Público. Em tempos, foi-lhe adossada, à esquerda, uma casa, conhecida localmente como Casa do Judeu, hoje em ruínas. A anta foi "reutilizada como pocilga e os vãos preenchidos com pedra seca, entretanto removidos".
Em 1990, todas as antas da necrópole dos Coureleiros foram escavadas e estudadas pelo Professor Jorge de Oliveira, que nos deu preciosas explicações sobre o processo.


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Teresa O
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domingo, maio 10, 2026
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Etiquetas: Alentejo, Megálitos, Monumento Nacional, Portugal

Portalegre, Abril de 2026
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Teresa O
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quinta-feira, maio 07, 2026
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Etiquetas: Alentejo, Efeitos de luz, Lampiões, Portalegre, Portugal

Salvador (Bahia, Brasil), Agosto de 2025
Mais à frente, quase a chegar à Catedral, encontra-se o Monumento Zumbi dos Palmares, com escultura de bronze, da autoria da artista Márcia Magno, sobre o pedestal que antes sustentara a estátua de Tomé de Sousa, depois transladada para a Praça Municipal.

Zumbi foi um homem negro nascido livre no Quilombo dos Palmares, em 1655. Localizado na Serra da Barriga, na então capitania de Pernambuco (actual Estado de Alagoas), o Quilombo dos Palmares foi uma comunidade fundada por africanos e seus descendentes, fugidos da escravidão, que aí se refugiaram, a partir de 1580. Foi o maior quilombo da história do Brasil, tendo atingido o seu auge em 1690, quando a sua população contou com cerca de 30 mil habitantes, maioritariamente africanos fugitivos, mas também indígenas, caboclos e colonos portugueses marginalizados, como soldados que desertavam do serviço militar obrigatório.
A biografia de Zumbi é incerta e rodeada de mitos. Sabe-se muito pouco sobre ele, e mesmo o nome é controverso: existe a hipótese de que Zumbi não fosse o seu nome próprio, mas sim um título ou mesmo um epíteto (do quimbundo nzúmbi, «espectro; fantasma»). Uma versão, muito disputada, sustenta que, com cerca de 6 anos de idade, o menino teria sido capturado e confiado a um missionário, que o baptizou com o nome de Francisco, após o que recebeu os sacramentos, aprendeu português e latim e ajudava diariamente na celebração da missa, até fugir de volta para o quilombo, com 15 anos. Aos 20, tinha-se já notabilizado como um feroz e corajoso guerreiro, nas batalhas contra os portugueses, que tentavam destruir o quilombo. Por discordar de qualquer cedência aos colonizadores, antagonizou-se com o então rei do quilombo, Ganga Zumba, supostamente seu tio, o qual, por sua vez, reclamava uma suposta ascendência nobre no Reino do Congo. Zumbi afastou o líder, que veio a morrer em circunstâncias misteriosas, e assumiu o comando do quilombo e da resistência contra os portugueses. O ataque final contra Palmares ocorreu em Janeiro de 1694, quando foi tomada a Cerca Real (ou Mocambo) do Macaco, o principal núcleo de povoamento do quilombo. Ferido, Zumbi conseguiu fugir e viveu escondido no mato durante um ano e meio, atacando aldeias portuguesas, até que foi denunciado (supostamente, sob tortura) por um companheiro, emboscado, capturado e morto pelo capitão sertanista André Furtado de Mendonça e seus homens, a 20 de Novembro de 1695. A sua cabeça foi cortada, salgada e levada ao governador da Capitania de Pernambuco, Caetano de Melo e Castro, que a mandou expor em praça pública, para servir de exemplo a outros escravos. E aí ficou, no Pátio do Carmo, em Recife, no alto de um mastro, até completa decomposição, como prova da mortalidade de Zumbi.


Na sequência de uma ideia surgida na década de 1970, no âmbito dos movimentos sociais contra o racismo, o dia 20 de Novembro, data da sua morte, foi adoptado como o Dia da Consciência Negra, em 1995; em 2003, foi incluído no calendário nacional escolar; em 2011, foi instituído oficialmente como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra; e em 2024 passou a ser feriado nacional.
As placas afixadas no pedestal do monumento exaltam a liderança de Zumbi contra a injustiça racial e em prol da liberdade para todos, naquela que é designada a "primeira experiência democrática" do Brasil. No entanto, discute-se hoje que essa é uma versão romantizada da história: no Quilombo de Palmares, eram mantidas, de forma conservadora, as práticas culturais e sociais africanas das regiões de origem dos seus habitantes; o sistema político vigente era a monarquia, assente na estratificação social, com elites políticas e militares, no topo da hierarquia, e escravos, no fundo; era prática comum a diferenciação entre os escravos fugitivos, que chegavam aos quilombos pelos seus próprios meios, e aqueles que eram trazidos por incursões de resgate dos quilombolas, que iam às fazendas e vilas para "libertar" escravos (frequentemente, os que se recusavam a ir eram capturados, levados à força e convertidos em cativos, para trabalharem nas plantações dos quilombos); quem tentasse sair do quilombo ou comunicasse com pessoas consideradas inimigas era perseguido e executado. Enfim, não seria o sistema ideal, mas era o melhor que muitos conseguiam e a que almejavam, o que tornou Zumbi dos Palmares um símbolo de resistência.
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Teresa O
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terça-feira, maio 05, 2026
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Etiquetas: Brasil, Colecções, Comunicação e Artes, Homenagens
| La imagen es un lugar perverso. En ella se detiene todo aquello que ha de irse. La imagen suspende el curso, lo entorpece, nos entorpece. (Chantal Maillard) |