Memòria futura (33)


Barcelona (Catalunha, Espanha), Junho de 2026

As paredes de Barcelona exibem inúmeras placas de homenagem a eventos e pessoas que se notabilizaram pelo seu mester ou convicções.


Pere Virgili i Ballvé


Rómulo Gallegos, que, como o mundo é pequeno, foi autor de Doña Bárbara,
romance convertido numa telenovela que marcou a minha infância



Joan Amades i Gelats


Carles Pi i Sunyer


Busto do actor Iscle Soler, da autoria do escultor Pablo Gargallo
(1918)





Andreu Nin


CCCB


Josep Domènech i Estapà

Mas não são só as paredes: também no chão se celebram lojas e equipamentos históricos, em frente à respectiva porta.











Esta última placa, quase a pisei, no campus da Universidade Autónoma de Barcelona, em Bellaterra.


Bellaterra (Barcelona, Catalunha, Espanha), Junho de 2026

Solar do Unhão


Salvador (Bahia, Brasil), Agosto de 2025

Construída sobre aterro, no sopé da falha geológica de Salvador, esta antiga quinta consiste num conjunto que integra o Solar do Unhão, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, um cais de desembarque privado, fonte, aqueduto, chafariz, senzala, armazéns e um alambique com tanques. Embora situado praticamente dentro da cidade, era um complexo agro-industrial com a estrutura típica de um engenho de açúcar. Foi também um entreposto comercial, de cujo cais era despachado o açúcar produzido em alguns dos engenhos baianos.



O terreno foi doado aos padres beneditinos, em 1584, por Gabriel Soares de Sousa. Em 1690, residiu no local o Desembargador Pedro Unhão Castelo Branco, que vendeu a propriedade, em 1700, a José Pires de Carvalho e Albuquerque, o Velho, que ali estabeleceu morgado, conduzindo a propriedade à sua fase áurea. Com o declínio da economia açucareira, o Solar foi arrendado, período em que passou por um processo de relativo declínio. No início do século XIX, a propriedade pertencia a António Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Visconde da Torre de Garcia d'Ávila, sendo utilizada como residência urbana da família.



O Solar é constituído por três pisos: o rés-do-chão ou térreo, o piso nobre, cujo acesso se faz por uma ponte de quatro arcos, e o segundo andar, que foi construído no final do século XIX. Na ponte de acesso ao solar, existem barras de azulejos policromados de ornamentação barroca, produção de Lisboa de 1770/80.



A planta da capela (1794) é típica das igrejas matrizes e de irmandade do começo do século XVIII, apresentando, porém, a particularidade de possuir nave e capela‐mor da mesma largura e altura. Já a fachada, em estilo rococó tardio, data, provavelmente, do século XIX.



O chafariz, do século XVIII, que era originalmente alimentado pelo aqueduto, é uma bela peça barroca em arenito escuro, formado por uma carranca de onde jorra a água, e duas conchas sobrepostas. Também na fonte situada à esquerda da capela existia, até há alguns anos, uma carranca de pedra.



Com o tempo, a quinta foi mudando de vocação. Há relatos de que o alambique ainda funcionava, em 1853. Porém, aí foram instaladas fábricas sucessivas, nomeadamente, de produção de rapé (entre 1816 e 1926), derivados de cacau e manufacturas e oficinas diversas. Em 1928, foi convertida em trapiche, depósito de mercadorias destinadas ao porto de Salvador e de combustíveis. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu de quartel aos fuzileiros navais.





Em 1943, o conjunto foi classificado pelo então Serviço do Património Histórico e Artístico Nacional. Porém, em 1952, esteve em risco de ser dividido pelo traçado da Avenida de Contorno, sendo salvo por um projecto alternativo do engenheiro e arquitecto Diógenes Rebouças. O Solar do Unhão foi, então, adquirido pelo Governo do Estado para sediar o Museu de Arte Moderna da Bahia. Após um trabalho de restauração com projecto da arquitecta Lina Bo Bardi, o MAM foi inaugurado, no Solar, em 1963, oferecendo oito salas de exposição, teatro-auditório, sala de vídeo, biblioteca especializada e banco de dados (visita virtual aqui).



O Solar do Unhão tem uma localização privilegiada, entre pequenas praias, com uma vista espectacular para a Baía de Todos os Santos e a vizinhança do conjunto de casas populares da Gamboa de Baixo, uma pequena favela conhecida como Comunidade do Solar do Unhão.



21.º Portalegre JazzFest






Portalegre, Julho de 2026

O Sexteto de Jazz de Lisboa (Mário Laginha, Mário Barreiros, Tomás Pimentel, Edgar Caramelo, Ricardo Toscano e Francisco Brito), há mais de 40 anos, sempre em grande.

Papa-unescos (XXVIII)


Barcelona (Catalunha, Espanha), Junho de 2026

(56) Obras de Antoni Gaudí (Espanha)

Foi um saltinho a Barcelona, para mais trabalho do que passeio. A Sagrada Família, só a vi ao longe, e o mais que consegui foi um cheirinho da Casa Milà e da Casa Batlló. Terei de voltar, lá terá de ser.



Memória futura (32)


Salvador (Bahia, Brasil), Agosto de 2025

A Cidade Baixa tem também grande quantidade de monumentos, que homenageiam tanto figuras histórico-políticas como a cultura popular.
Em frente ao Mercado Modelo, aos pés do Elevador Lacerda, fica o imponente conjunto monumental em homenagem ao Visconde de Cairu. José da Silva Lisboa (1756-1835), primeiro Barão e Visconde de Cairu, foi um importante economista, parlamentar, orador e político brasileiro, nascido em Salvador. A escultura, inaugurada em 2 de Julho de 1923, é da autoria de Pasquale de Chirico, que realizou diversos monumentos públicos na cidade.





Próximo deste, encontra-se o Monumento à Cidade do Salvador, também conhecido como Fonte da Rampa do Mercado. Informação no local esclarece: "Fonte da Rampa do Mercado. Obra de autoria do escultor Mário Cravo Jr., a fonte luminosa é composta de escultura em fibra de vidro com estrutura metálica interna. É também chamada de Monumento ao Povo da Bahia. Desde que começou a ser montada, no local onde ficava o primitivo Mercado Modelo, destruído por um incêndio, causou curiosidade devido às suas formas arredondadas. Foi inaugurada em [13 de Janeiro de] 1970". Em 21 de Dezembro de 2019, o monumento foi consumido por um incêndio, restando apenas a estrutura de metal que o sustentava. A obra foi, posteriormente, recuperada, devolvida à sua forma original e reinaugurada em 11 de Janeiro de 2023. Placa no local refere que a forma da escultura remete para as velas dos barcos saveiros que atracavam na rampa do mercado. Pessoalmente, à primeira vista, vi nela um biquíni.





Atrás do Mercado Modelo, encontra-se o busto em bronze de Arnaldo Pimenta da Cunha (1881-1956), engenheiro, político e professor universitário, primeiro prefeito de Salvador nomeado em carácter efectivo no primeiro Governo Vargas, entre 1931 e 1932. A obra é da autoria de Ismael de Barros, discípulo de Chirico, e foi inaugurada em 1957. O pedestal foi, entretanto, substituído.





De onde se encontra, o busto parece observar atentamente o imponente conjunto escultórico designado Arena da Capoeira. Projectada pelo arquitecto e urbanista André Moreno, "a estrutura é composta por quatro arcos de 12 metros de altura, que simbolizam os berimbaus, o instrumento musical fundamental da capoeira, unindo-se no topo para formar a cabaça. Entre esses arcos, dez esculturas em bronze, sobre pedestais de concreto, retratam mestres capoeiristas tocando seus instrumentos, em uma homenagem viva aos grandes nomes que moldaram essa arte". No centro, dois mestre jogam capoeira, rodeados por outros oito, sobre pedestais onde se conta as suas histórias. Os homenageados (os mestres capoeiristas Pastinha, Bimba, Besouro, Noronha, Waldemar, Canjiquinha, Gato Preto, Caiçara, Aberrê e Totonho) foram escolhidos por votação online. A obra foi inaugurada em 4 de Julho de 2024.











Mais à frente, na Avenida Contorno, a Estátua dos Irmãos Pereira, também da autoria de Pasquale de Chirico, datada de 1954. O monumento é composto por três estátuas em bronze sobre pedestal tríplice em betão revestido com placas de granito rosado. No pedestal, encontram-se inscrições alusivas aos homenageados e o símbolo da República, também em bronze. Os três irmãos soteropolitanos, Manuel Vitorino Pereira (1853-1902, médico, professor catedrático e político, foi presidente do estado da Bahia, senador federal, vice-presidente e presidente interino do Brasil), José Basílio Pereira (1850-1930, padre católico, escritor, tradutor e teólogo) e António Pacífico Pereira (1846-1922, médico, professor catedrático e escritor, foi director da Faculdade de Medicina da Bahia e um dos fundadores da Academia de Letras da Bahia), foram figuras de relevo na história baiana.