Papa-unescos (XXIX)


Vilnius (Lituânia), Março de 2026

(57) Centro Histórico de Vilnius (Lituânia)

É um dos privilégios da minha profissão, poder viajar e conhecer lugares que, de outra forma, talvez não me chamassem a atenção. Foi assim com Vilnius, que tive a oportunidade de visitar em Março, logo após umas semanas de frio extremo (máximas de -18ºC) que, apesar de ter acalmado, ainda nos brindou com neve por todo o lado. Fosse pela neve, pela arquitectura, pela comida ou pela simpatia das pessoas, vim de lá com vontade de voltar.


Palácio dos Grão-Duques da Lituânia, visto de baixo e de cima, na foto do topo

Centro político do Grão-Ducado da Lituânia, desde o século XIII até ao final do século XVIII, Vilnius teve uma profunda influência no desenvolvimento cultural e arquitectónico de grande parte da Europa de Leste. Apesar das invasões e da destruição parcial, a cidade preservou um impressionante conjunto de edifícios góticos, renascentistas, barrocos e clássicos, bem como o seu traçado medieval e a sua paisagem natural.


A Torre de Gediminas, na colina do Castelo, de onde se tem uma vista soberba
do centro histórico


Entre os muitos edifícios históricos, destacam-se as igrejas. São, em geral, católicas, mas também de diversas outras denominações cristãs.


A Igreja de Santa Ana e, à sua direita, a Igreja de São Francisco e São Bernardino


A Igreja de Santa Parasceva, a mais antiga igreja ortodoxa oriental da Lituânia,
pertencente à Diocese Ortodoxa Russa da Lituânia



A Igreja de Santa Teresa e, à sua direita, ao fundo, a Porta da Aurora


A Catedral de Vilnius e a torre sineira


A Catedral Ortodoxa da Assumpção da Mãe de Deus (Theotokos)


Um dos pátios da Universidade de Vilnius, vendo-se a torre da Igreja de São João

Nova vida


Marvão, Julho de 2026

Após décadas de abandono, encontrei esta linda janela reabilitada e valorizada, integrada na fachada do novo Marvão Hotel & Museu. Assim, dá gosto!

Heavens above (95)








Portalegre, Junho de 2026






Portalegre, Julho de 2026


Marvão, Julho de 2026

12.º FIMM


Marvão, Julho de 2026

Do 12.º Festival Internacional de Música de Marvão, o ensaio geral para a gala de abertura, no pátio do Castelo de Marvão, com a Orquestra de Câmara de Colónia, dirigida pelo maestro Christoph Poppen, e com os solistas Juliane Banse (soprano) e Ruifeng Lin, um extraordinário virtuoso do violino.









E, ainda, um vislumbre do divino, com o Coro de Rapazes da Catedral de Colónia (Kölner Domchor), dirigido pelo maestro Alexander Niehues, na Igreja de Nossa Senhora da Estrela.





Mais aqui e aqui.

Memòria futura (33)


Barcelona (Catalunha, Espanha), Junho de 2026

As paredes de Barcelona exibem inúmeras placas de homenagem a eventos e pessoas que se notabilizaram pelo seu mester ou convicções.


Pere Virgili i Ballvé


Rómulo Gallegos, que, como o mundo é pequeno, foi autor de Doña Bárbara,
romance convertido numa telenovela que marcou a minha infância



Joan Amades i Gelats


Carles Pi i Sunyer


Busto do actor Iscle Soler, da autoria do escultor Pablo Gargallo
(1918)





Andreu Nin


CCCB


Josep Domènech i Estapà

Mas não são só as paredes: também no chão se celebram lojas e equipamentos históricos, em frente à respectiva porta.











Esta última placa, quase a pisei, no campus da Universidade Autónoma de Barcelona, em Bellaterra.


Bellaterra (Barcelona, Catalunha, Espanha), Junho de 2026

Solar do Unhão


Salvador (Bahia, Brasil), Agosto de 2025

Construída sobre aterro, no sopé da falha geológica de Salvador, esta antiga quinta consiste num conjunto que integra o Solar do Unhão, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, um cais de desembarque privado, fonte, aqueduto, chafariz, senzala, armazéns e um alambique com tanques. Embora situado praticamente dentro da cidade, era um complexo agro-industrial com a estrutura típica de um engenho de açúcar. Foi também um entreposto comercial, de cujo cais era despachado o açúcar produzido em alguns dos engenhos baianos.



O terreno foi doado aos padres beneditinos, em 1584, por Gabriel Soares de Sousa. Em 1690, residiu no local o Desembargador Pedro Unhão Castelo Branco, que vendeu a propriedade, em 1700, a José Pires de Carvalho e Albuquerque, o Velho, que ali estabeleceu morgado, conduzindo a propriedade à sua fase áurea. Com o declínio da economia açucareira, o Solar foi arrendado, período em que passou por um processo de relativo declínio. No início do século XIX, a propriedade pertencia a António Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Visconde da Torre de Garcia d'Ávila, sendo utilizada como residência urbana da família.



O Solar é constituído por três pisos: o rés-do-chão ou térreo, o piso nobre, cujo acesso se faz por uma ponte de quatro arcos, e o segundo andar, que foi construído no final do século XIX. Na ponte de acesso ao solar, existem barras de azulejos policromados de ornamentação barroca, produção de Lisboa de 1770/80.



A planta da capela (1794) é típica das igrejas matrizes e de irmandade do começo do século XVIII, apresentando, porém, a particularidade de possuir nave e capela‐mor da mesma largura e altura. Já a fachada, em estilo rococó tardio, data, provavelmente, do século XIX.



O chafariz, do século XVIII, que era originalmente alimentado pelo aqueduto, é uma bela peça barroca em arenito escuro, formado por uma carranca de onde jorra a água, e duas conchas sobrepostas. Também na fonte situada à esquerda da capela existia, até há alguns anos, uma carranca de pedra.



Com o tempo, a quinta foi mudando de vocação. Há relatos de que o alambique ainda funcionava, em 1853. Porém, aí foram instaladas fábricas sucessivas, nomeadamente, de produção de rapé (entre 1816 e 1926), derivados de cacau e manufacturas e oficinas diversas. Em 1928, foi convertida em trapiche, depósito de mercadorias destinadas ao porto de Salvador e de combustíveis. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu de quartel aos fuzileiros navais.





Em 1943, o conjunto foi classificado pelo então Serviço do Património Histórico e Artístico Nacional. Porém, em 1952, esteve em risco de ser dividido pelo traçado da Avenida de Contorno, sendo salvo por um projecto alternativo do engenheiro e arquitecto Diógenes Rebouças. O Solar do Unhão foi, então, adquirido pelo Governo do Estado para sediar o Museu de Arte Moderna da Bahia. Após um trabalho de restauração com projecto da arquitecta Lina Bo Bardi, o MAM foi inaugurado, no Solar, em 1963, oferecendo oito salas de exposição, teatro-auditório, sala de vídeo, biblioteca especializada e banco de dados (visita virtual aqui).



O Solar do Unhão tem uma localização privilegiada, entre pequenas praias, com uma vista espectacular para a Baía de Todos os Santos e a vizinhança do conjunto de casas populares da Gamboa de Baixo, uma pequena favela conhecida como Comunidade do Solar do Unhão.