Homessa








Crato, Dezembro de 2017

"Daquela vez que dei de caras com a janela para a minha alma"

Intervenção de Mário Belém na 2.ª edição do PASSOD'ARTE International Busker Festival - Festival Internacional de Artistas de Rua, Crato, 29 de Junho-1 de Julho de 2017.

#TBT: Cushendall, 2005


Cushendall (Condado de Antrim, Irlanda do Norte, Reino Unido), Dezembro de 2005

Em qualquer conferência, congresso, encontro ou reunião de âmbito internacional, é hábito mostrar, aos participantes que vêm de fora, as belezas locais. É um dos privilégios da vida académica.





Em Belfast, não estivemos sequer três dias completos, e o trabalho era muito, mas, na véspera da partida, tirámos uma parte da tarde para passear pela costa. A ideia era chegarmos até à Calçada dos Gigantes, mas, como os dias, em Dezembro, são demasiado curtos, começou a escurecer na zona de Cushendall, e ficámos por ali. Perdi um cromo para a colecção, mas vivi a experiência de um verdadeiro pub de aldeia, com cozinha nos fundos, fogão a lenha e dona atarefada, com a festa que estavam a preparar para a noite. Passou o tempo a reclamar com o marido, que assoberbava com tarefas, às quais ele se esquivava como podia. Às tantas, virou-se ela para nós e refilou, com ar bonacheirão e uma pronúncia irlandesa muito marcada: "I married the wrong man!".



O pub era o Johnny Joes (McCollums), mais bem comentado aqui. Ainda me arrisquei a sair para o frio, para ver o que conseguia enxergar no escuro, mas não passei da igreja irlandesa (Cushendall Church of Ireland) que ficava mais abaixo.









Aqui, a tal vista para a Escócia:

The wall


Belfast (Irlanda do Norte, Reino Unido), Dezembro de 2005

As nossas colegas não nos levaram a ver os murais políticos, mas não puderam impedir-nos de ver o muro. O Muro de Belfast, eufemisticamente chamado Linhas de Paz, constituiu, em toda a sua extensa fealdade, um murro no estômago de quem acreditava que, após a queda do Muro de Berlim, estes vestígios bélicos não tinham lugar na Europa da prosperidade e da mobilidade. A minha colega psicóloga ainda tentou argumentar que as barreiras psicológicas são mais graves, mas as palavras dela pareceram-me muito insignificantes, face àquela extensão absurda de betão e lata, portões e arame farpado. Não há argumentos que resistam ao carácter físico de um muro que exibe a sua força.
As barreiras psicológicas também lá estavam, claro, encarnadas nas casas de costas voltadas: católicos e protestantes não se queriam nem ver, transitavam em ruas diferentes e preferiam a vista do muro, nas janelas das traseiras.
Disseram-nos que era melhor assim, para conter ânimos mais exaltados, sobretudo em dias de festa e de muita bebida, quando os portões tinham de ser fechados, antes que descambasse tudo num morticínio.
Eles lá saberão, quem sou eu para ajuizar, mas a verdade é que perdi, nesse dia, grande parte da ingenuidade que ainda tinha sobre o projecto europeu.















Coreto de Portalegre


Portalegre, Dezembro de 2017

Segundo o que aqui diz, o Coreto de Portalegre foi mandado construir em 1876, por João Real da Costa Cabral, foi inaugurado a 23 de Setembro do mesmo ano e é hoje propriedade da Câmara Municipal de Portalegre. Fica no Jardim da Avenida da Liberdade, ou do Tarro, quase escondido entre as árvores. Tem planta octogonal com 2,33 m de lado e 1,48 m do solo, altura a que está o pavimento de argamassa de cimento. Tem as paredes forradas a azulejo, grade em ferro fundido, escadaria própria, cobertura em chapa lisa, estrutura em ferro e está electrificado.









Náufrago


Parque das Nações, Lisboa, Novembro de 2017

Um São José de azulejos T2:19






Valência de Alcântara (Cáceres, Espanha), Junho de 2008

Cada álbum antigo que abro me comprova que os meus novos interesses não são assim tão novos, que já antes me tinham despertado a atenção. E, pelo meio de dúzias de cataventos, ou vistas da Penha, ou castelos, ou placas de rua, lá aparece um painel de azulejos de que eu já nem me lembrava.
Acima, um marco, junto à fronteira de Galegos, com duas imagens de Santa Maria de Guadalupe, a juntar às de Nossa Senhora dos Remédios, para provar que uma tradição que parecia tão portuguesa não se esgota aquém fronteiras.


Portalegre, Março de 2008


Portalegre, Junho de 2013

La noche






Crato, Dezembro de 2017

Intervenção de Rocío Matosas na 1.ª edição do PASSOD'ARTE International Busker Festival - Festival Internacional de Artistas de Rua, Crato, 2016.

#TBT: Belfast, 2005


Belfast (Irlanda do Norte, Reino Unido), Dezembro de 2005

A primeira vez que Belfast passou por aqui, foi pela mão dos meus alunos Ana e Pedro, que ali viveram alguns meses, como estudantes Erasmus, no início de 2005. Poucos anos antes, uma grande amiga tinha-me relatado a sua experiência pessoal, de uma visita à cidade, na década de 1990, que lhe tinha deixado, sobretudo, um grande incómodo, pelas medidas de segurança, que, à época, nos pareciam tão estrangeiras à Europa da paz e da prosperidade: em particular, as forças de segurança que patrulhavam as ruas de metralhadoras em riste e um clima de sobressalto constante.


Albert Clock

Pelos meus alunos irlandeses, que iam chegando todos os anos, ao abrigo do protocolo com a Queen's University (Belfast), tentava saber notícias da cidade e obter a confirmação da má impressão que tinha dela. No entanto, aqueles jovens, tão cheios de vida, só lamentavam o clima chuvoso, porque, de resto, transmitiam-me a imagem de uma cidade animada, cheia de bares e festas. Sim, havia alguma insegurança, mas tinham aprendido a viver com ela e a tirar o melhor partido daquilo que a vida tinha para lhes oferecer. Eram católicos, todos os meus alunos irlandeses, tanto os que chegavam de Belfast como os que vinham de Limerick (República da Irlanda), davam-se todos bem e evitavam falar de antagonismos de base religiosa, como se nem sequer existissem.


Grand Opera House

Foi pela Ana e pelo Pedro que comecei a ver a cidade com outros olhos: os monumentos, os pubs, a Universidade, as tradições, a política, os murais políticos, e outros pólos de atracção turística, como Armagh e Dublin.




City Hall

Em Dezembro de 2005, no âmbito do tal projecto inter-institucional, fui com os meus colegas a Belfast, onde pude rever por mim mesma as imagens que me tinham sido enviadas. A chuva foi uma constante, assim como o frio e os tons cinzentos, que a cidade tentava contrariar com pinturas de cores garridas.




St Mary's University College

As nossas colegas locais, duas senhoras de meia-idade, levaram-nos, nos intervalos das sessões de trabalho, a passear por Belfast, enquanto nos narravam as suas próprias vivências da cidade: o porto e os estaleiros, onde foi construído e de onde zarpou o Titanic; as casas dos bairros operários, minúsculas, nas quais não cabiam mais de duas camas e onde chegavam a viver famílias de 12 pessoas (os que não cabiam nas camas, dormiam sentados em cadeiras); o sotaque tão típico e que tantos dissabores lhes tinha causado, quando foram estudar para Inglaterra.






O porto, como era antes da renovação, com as famosas gruas Sansão e Golias

Por alguma razão que não nos quiseram contar (e que não insistimos em querer saber), evitaram mostrar-nos os murais políticos. Levaram-nos, sim, a ver as ruas comerciais e algumas atracções turísticas: City Hall, Albert Clock, Belfast Castle.


Belfast Castle

No castelo, fizemos o nosso jantar do encontro, que foi simultaneamente um jantar de Natal, com coroa, cracker, e tudo aquilo a que tínhamos direito, como carne assada, gravy, cranberry sauce, pudding e o resto, regado com um tinto chileno. Acabou tudo em alegre animação, connosco a sermos chamados para o bailarico que saltou dos jantares das mesas e salas adjacentes, cheias de irlandesas super-produzidas, mas já muito bêbedas (elas e eles), a atirarem com as sandálias de saltos altíssimos para poderem dançar melhor.