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Ideogramas mágico-religiosos


Juromenha (Alandroal), Janeiro de 2026

A religiosidade alentejana, em sentido lato, está muito patente nos elementos decorativos usados para protecção das casas, que vão desde os painéis hagiográficos até uma grande variedade de símbolos com função apotropaica, ou seja, que visam afastar o mal. Geralmente, encontramo-los junto às aberturas para o exterior, como portas, janelas e chaminés. Não lhes tenho prestado grande atenção (salvo esta magnífica decoração, em Vaiamonte), mas, já há tempos, deixei-me fascinar pela investigação de Luís Lobato de Faria. Em Juromenha, tive a sorte (sim, porque não levava o passeio planeado e não sabia que, todos os domingos de manhã, há visitas guiadas gratuitas à fortaleza) de encontrar o Luís e de poder usufruir do seu vasto conhecimento. Foi com ele que explorei os ideogramas mágico-religiosos da Igreja de Nossa Senhora do Loreto (aqui, na Figura 25) que agora mostro.
O nicho (antiga janela?) acima está protegido por duas rosetas hexapétalas. Abaixo, sobre uma porta, a cruz da Ordem de Avis (um tipo de cruz florenciada, com quatro flores-de-lis nas extremidades dos braços), acompanhada por dois lauburus (conhecidos como cruz basca ou tetrasquel, um tipo de suástica), quatro dos quais protegem os quatro cantos de uma janela.







Já na ombreira de outra porta se encontra o que parece ser uma cruz pátea (também cruz patada, um tipo de cruz templária ou cruz de Malta), dentro de um círculo, e um pentáculo (pentagrama, ou estrela de cinco pontas, dentro de um círculo).





Os símbolos representados são muito antigos (alguns deles remontam à Idade do Bronze) e a todos se atribuem propriedades mágicas de protecção contra o mal. Mas disto percebe mais o Luís Lobato de Faria, a quem muito agradeço a visita fora do horário e as valiosas explicações.

Paredes soteropolitanas

Mural da autoria de Marcos Costa, O Cabuloso, realizado em 2022 e renovado em 2025.
Pormenor do trabalho do artista Carlos Kahan, realizado em 2022.
Mural criado em 2022, por Robinho Santana.
Trabalho de 2025, assinado por Máquina de Louco, Raxa Kuka e Bigod O Sapo.
Mural realizado em 2023 por Maria Mariô.


Trabalho de Raiana Britto, realizado em Junho de 2025.
"Oxum: cidade das mulheres", obra realizada em Setembro de 2016, para o projecto MURAL, por Nila Carneiro.



Salvador (Bahia, Brasil), Agosto de 2025

Terreiro dos Bijos






Castelo de Vide, Outubro de 2024

Podia faltar-lhe uma letra, mas não falta. O nome vem-lhe da família Bijos, nobre, de origem provavelmente espanhola, talvez judaica. Contudo, em 1668, António Carrilho Bijos identifica-se como cristão velho, no requerimento que dá abertura ao seu processo de habilitação para familiar do Santo Ofício.



Getto (2)






Łódź (Polónia), Setembro de 2006

Em 1939, os habitantes judeus em Łódź ultrapassavam 231.000. No início da Segunda Guerra Mundial, vários milhares fugiram para o Leste, muitos deles para a União Soviética; foram poucos os que conseguiram escapar para a Europa Ocidental e, daí, para fora do continente.
A ocupação da cidade pelas forças alemãs teve início no dia 9 de Setembro de 1939, após a capitulação da resistência local. A 9 de Novembro, Łódź foi incorporada numa nova subdivisão administrativa da Alemanha nazi, a Reichsgau Wartheland, e, a 11 de Abril de 1940, a cidade foi renomeada Litzmannstadt, em homenagem a Karl Litzmann, general alemão e membro do partido nazi, notabilizado pela vitória na Batalha de Łódź de 1914 e falecido em 1936.
Imediatamente após a ocupação, começaram a ser implementadas medidas repressivas contra a população: a afixação de editais com proibições e imposições sucedia-se a ritmo diário, os ocupantes prenderam representantes da intelectualidade e do clero, proibiram a imprensa de língua polaca, encerraram igrejas e escolas católicas, destruíram o monumento de homenagem a Tadeusz Kościuszko, incendiaram as sinagogas e atacaram duramente a comunidade judaica. Os judeus viram-se, sucessivamente, proibidos de exercer actividade comercial, de passear na Rua Piotrkowska (renomeada como Adolf-Hitler-Strasse) e nos parques municipais e de utilizar transportes públicos, assim como foram obrigados a andar na estrada, para cederem o passeio aos alemães, a usar braçadeiras identificativas e, mais tarde, a Estrela de David. Além disso, foram sujeitos a trabalhos forçados, espancamentos e humilhações várias.


Imagem daqui


Imagem daqui


Mapa daqui

As medidas de segregação culminaram com a separação física da população: em Fevereiro de 1940, foi decidido reservar a zona mais pobre da cidade para alojar toda a comunidade judaica, que foi forçada a mudar-se para aí, após a expulsão dos moradores polacos e alemães. Essa zona, que compreendia a jurisdição de Bałuty e a Cidade Velha, assim como o Cemitério Judaico, foi vedada e isolada do resto da cidade. Quando os portões foram fechados, a 30 de Abril de 1940, viviam, no Ghetto Litzmannstadt, 163.777 pessoas, numa área de 4,13 km2.
Inicialmente, os judeus sentiram-se aliviados, com esperança de que o confinamento lhes proporcionasse protecção contra os frequentes roubos e ataques de que eram vítimas. Além do mais, a liderança de Chaim Mordechaj Rumkowski, chefe do Conselho de Anciãos, o corpo de polícia judaico e até a circulação de moeda própria transmitiam uma sensação de normalidade, apesar das condições de vida que depressa começaram a degradar-se, atingindo níveis desumanos.







O gueto de Łódź tornou-se um enorme campo de trabalho, com cerca de 95% da população adulta (e até crianças pequenas) empregada em 117 oficinas, produzindo fardas, vestuário, estruturas de madeira e metal e equipamentos eléctricos para o exército alemão. A elevada produtividade, que enchia os bolsos da administração alemã, foi a causa da longevidade do gueto, que se manteve em funcionamento até ao Verão de 1944.
Pelo segundo maior gueto nazi, passaram mais de 200.000 pessoas, contingente que incorporou os habitantes judeus das cidades e aldeias vizinhas, assim como cerca de 20.000 judeus da Áustria, Checoslováquia, Luxemburgo e Alemanha, trazidos no final de 1941, juntamente com mais de 5.000 ciganos da região de fronteira austro-húngara. Aproximadamente, 45.000 habitantes do gueto de Łódź morreram de fome, frio e emaciação e cerca de 145.000 foram assassinados nos campos de extermínio. Estima-se que apenas 5.000 a 12.000 judeus de Łódź tenham sobrevivido à guerra, mas os números exactos são desconhecidos.




Actualmente, estes edifícios estão assim

Após o final da guerra, Łódź desempenhou as funções de cidade capital, enquanto Varsóvia era reconstruída. Quando chegou a sua vez de receber cuidados, os projectos de planeamento urbano privilegiaram a construção de zonas residenciais periféricas, de inspiração soviética, para onde foi realojada a população da Cidade Velha, que ficou abandonada e parada no tempo. Consequentemente, o centro da cidade e as áreas históricas perderam importância e degradaram-se.
Em 2006, quando lá estive, era ainda visível o mau estado dos prédios de habitação mais antigos, alguns dos quais tinham pertencido ao gueto. Nos últimos anos, as autoridades locais desenvolveram um projecto de reabilitação do centro da cidade, no âmbito do qual muitos edifícios antigos foram renovados. O melhor exemplo de reabilitação urbana em Łódź é o complexo da Manufaktura.



Estrada de Benfica


Benfica, Lisboa, Dezembro de 2022

A Estrada de Benfica foi, em tempos, a Estrada Real n.º 82, até o Edital Municipal de 8 de Junho de 1889 a integrar na toponímia lisboeta. Tinha início no Largo de São Sebastião da Pedreira e terminava junto às Portas de Benfica, onde começava a Estrada Real que, já em território da actual Amadora, bifurcava nos sentidos Lisboa-Sintra e Lisboa-Mafra. O Plano Rodoviário Nacional de 1945 integrou-a na Estrada Nacional 249 (N 249), que ligava Lisboa a Sintra. Com a construção da 2.ª Circular, o troço urbano da EN249 foi desclassificado e o seu início passou a localizar-se nas Portas de Benfica; mais tarde, com a construção do IC19 e o alargamento da rede de auto-estradas, a partir de 1985, toda a EN249 se tornou obsoleta.
Foi ao longo da Estrada de Benfica que cresceu e se organizou a freguesia.

"Benfica surge como aldeia desde o século XIII, em redor da igreja primitiva de Nossa Senhora do Amparo. Próximo do actual Sete Rios, instalaram-se em 1399 os dominicanos, nos paços reais doados pelo Rei D. João I. Havia, assim, como que dois pólos na freguesia de Benfica e, para distinguir a zona dos paços reais e depois do convento dominicano, esta vai surgir referida como Benfica-a-Nova, ou Benfica de Baixo. O crescente povoamento da região ao longo dos tempos deu origem ao aparecimento de novos lugares: Calhariz no século XIV, Cruz da Pedra no século XVI e, entre estes dois pontos da espinha dorsal que era a Estrada de Benfica, surgiram mais tarde outros núcleos." [BENFICA (Sítio de). In Santana, Francisco & Sucena, Eduardo (dir.) (1994). Dicionário da História de Lisboa. Lisboa: Carlos Quintas & Associados.]
O desenvolvimento urbanístico da capital veio encurtar-lhe o traçado, fazendo-a começar, primeiro, na Praça de Espanha, depois, perto do Jardim Zoológico. Hoje, tem quatro quilómetros, a maior parte deles reservada a transportes públicos e a peões, ao longo dos quais passamos por palácios e lojas de bairro, cafés e jardins, escolas e agências bancárias, a Igreja Paroquial, o cruzeiro e o chafariz setecentista que trazia até à freguesia as águas do aqueduto; e, sobretudo, uma arquitectura marcada pelo encontro (confronto?) de épocas e estilos.
Percorri-a, há dias, entre as Portas de Benfica e o cruzamento do Fonte Nova, e deixo aqui alguns apontamentos.




Vila Ana e Vila Ventura















Rua Direita (5)


Linhares da Beira (Celorico da Beira), Agosto de 2022

A Rua Direita de Linhares serpenteia pela aldeia, passa pelo Largo da Misericórdia e pelo Pelourinho, antes de chegar a este ponto. Pelo caminho, muitos apontamentos interessantes, como a casa com janela manuelina que mostro abaixo.