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Pedras grandes (8)


Castelo de Vide, Abril de 2026

Tantos anos depois, voltei ao Menir da Meada, desta vez, no âmbito do programa de comemoração do Dia Europeu da Cultura Megalítica, organizado pelo Grupo de Amigos de Castelo de Vide e pela Associação de Estudos do Alto Tejo, sob o tema "Monumentos megalíticos como parte de uma paisagem ritual". Do programa constava a inauguração da exposição "Fragmentos de uma Nova Vida: os vestígios materiais da cultura megalítica em Castelo de Vide", na Igreja de São João Baptista, antecedida pelas visitas ao Menir da Meada e à Necrópole Megalítica dos Coureleiros, guiadas pelos arqueólogos Jorge de Oliveira (Professor Catedrático aposentado da Universidade de Évora) e Nelson Almeida. Um privilégio, poder ouvir de viva voz, in loco, a história da exploração arqueológica destes monumentos, contada por quem a levou a cabo!



O Menir da Meada, classificado (agora, sim) como Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 16/2013, "é o mais impressionante monumento megalítico da região de Castelo de Vide, e o maior menir totalmente talhado pelo homem em toda a Península Ibérica. O monólito, com cerca de 4 metros de altura a partir do solo, 7,15 m de comprimento total e um diâmetro máximo de 1,25 metros, está implantado de forma isolada no patamar granítico do Rio Sever, fazendo parte de um conjunto de antas e menires deste material lítico, estes últimos implantados sequencialmente na linha de contacto entre granitos e xistos que delimita a mancha megalítica da Serra de São Mamede". Carvões recolhidos no interior da fossa de implantação, junto da sua base, submetidos a datação por radiocarbono e depois de calibrados, revelaram que este menir foi erguido entre 4810 e 5010 a.C., em pleno Neo-calcolítico. Trata-se assim do menir mais antigo até agora datado em todo o mundo. Descoberto em 1965, partido em dois, foi restaurado e levantado em 1993, por meio de um processo atribulado, coordenado pelo Professor Jorge de Oliveira, com o apoio de membros da comunidade. O dia da erecção foi devidamente documentado pela RTP.







Da Necrópole Megalítica dos Coureleiros, conhecia já a anta II (Monumento Nacional desde 1910) e a anta I (classificada como Imóvel de Interesse Público, em 1997). Desta vez, revisitei a anta II (acima) e pude fotografar o que resta da anta III (abaixo, também IIP, desde 1997).



Do outro lado da estrada, pude vislumbrar a anta IV da necrópole, também classificada como Imóvel de Interesse Público. Em tempos, foi-lhe adossada, à esquerda, uma casa, conhecida localmente como Casa do Judeu, hoje em ruínas. A anta foi "reutilizada como pocilga e os vãos preenchidos com pedra seca, entretanto removidos".
Em 1990, todas as antas da necrópole dos Coureleiros foram escavadas e estudadas pelo Professor Jorge de Oliveira, que nos deu preciosas explicações sobre o processo.



Pedras grandes (7)


Anta da Aldeia da Mata ou Anta do Tapadão, Aldeia da Mata (Crato), Fevereiro de 2013

A Anta do Tapadão é a maior e mais impressionante que encontrei por estas bandas. É, também, a mais completa e mais bem conservada, além de estar situada num terreno muito bonito, com uma vista belíssima. Está classificada como Monumento Nacional desde 1910.









Pedras grandes (4)




Anta das Penas ou da Serra das Penas, Cabeço de Vide (Fronteira), Outubro de 2008

Pedras grandes





Há já algum tempo que deixei de acreditar nas setas que indicam monumentos megalíticos. Umas vezes, obrigam uma pessoa a conduzir por caminhos de cabras, para depois chegar a uma propriedade privada, fechada, e não ter possibilidade de ver o monumento ao perto (ou de o ver de todo). Outras vezes, aparece uma única seta, no início da estrada ou caminho, e não há qualquer outra indicação, numa extensão de quilómetros. E numa paisagem muito pedregosa, como é o caso de algumas zonas da serra de S. Mamede, torna-se muito difícil distinguir, de dentro do carro, uma anta incompleta e tombada de um qualquer outro amontoado de pedras. Por isso, agora, quando vejo uma seta, até desvio o olhar, para não ter tentações.
Anteontem, não sei porquê, abri uma excepção. Talvez porque tenho boa impressão da relação que a Câmara Municipal de Castelo de Vide tem com o património arqueológico: regra geral, as indicações são muito precisas e completas. E lá fomos em busca do Parque Megalítico dos Coureleiros (IV-III milénios a.C.), onde havemos de voltar, para explorar melhor o local. Para já, ficam aqui registos das antas 1, abaixo, e 2, acima (são quatro, no total, segundo a CMCV; o IGESPAR refere uma quinta anta).



Desvios (IV)

Mais uma seta, com a certeza de que, se fosse como as outras, seria a última. Já parecia que os monumentos megalíticos tinham pernas! Mas este não, estava lá à nossa espera -- imponente, fálico, obelíxico.


Menir da Meada, Castelo de Vide, Setembro de 2008

Uma nota: estranhei que a Câmara Municipal o refira como Monumento Nacional, enquanto o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) o apresenta em vias de classificação. Quem se terá atrasado (ou adiantado)?

Eu não sei que tenho em Évora


Templo Romano, Novembro de 1995

Foi a minha primeira viagem verdadeiramente turística, isto é, fora do âmbito dos passeios e férias familiares, a primeira vez que o meu pai consentiu (a custo) que eu me afastasse do alcance da protecção parental. Foi a minha primeira visita de estudo, a que na época chamávamos excursão, andava eu na 4ª classe, em 1978.
Foi ainda a primeira vez que fiz uma viagem longa de autocarro sem enjoar, que comprei souvenirs para oferecer e que fiz um diário de viagem. Foi numa agenda de bolso que o meu pai me tinha dado, com uma capa castanha, publicidade à Mabor, no interior, e muita informação ilustrada sobre o código de estrada, os sinais de trânsito, pneus e distâncias. Não sei o que foi feito dela; recordo-me de a ter visto durante anos, sempre que fazia arrumações.
Lembro-me da letra infantil e do relato minucioso da Capela dos Ossos. Logo à entrada, a inscrição dantesca: «Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos» -- foi o suficiente para a Cristina, uma miúda muito morena e tímida, se ter recusado a entrar (e a ouvir as nossas descrições à saída). Eu anotei tudo: as caveiras, a penumbra, os esqueletos de história sinistra. E a Igreja de São Francisco, a Praça do Giraldo, o Templo de Diana, o centro histórico (classificado pela UNESCO, em 1986), as explicações da Senhora Dona Maria de Fátima e os comentários dos meninos.


Vista da cabeceira da Igreja de São Francisco, Abril de 2008

A Senhora Dona Maria de Fátima era a professora jovem, meio hippie, que nos veio libertar da repressão da arcaica Senhora Dona Maria Amélia, que nos chamava ursas (às vezes esquecia-se de que, em 1975, tinham transferido alguns meninos para a Escola Feminina nº 7, que então passou a chamar-se Escola Primária nº 1 da Mina), borboletas, quando estava contente, que nos dava uma e só uma valente reguada quando nos portávamos mal ou nos distraíamos, que nunca nos ensinou a cantar canções de Natal (só O meu chapéu tem três bicos e Eu perdi o dó da minha viola), nem a fazer prendas para o Dia da Mãe, mas que não descansou enquanto não nos pôs a ler, a escrever e a fazer contas como deve ser, para o que chegava a usar momentos de acompanhamento personalizado.
A Senhora Dona Maria de Fátima foi uma lufada de ar fresco, com o penteado à Elis Regina, as maxi-saias e as túnicas, as novas metodologias, o picotado, o recorte de papel e as pinturas murais que coloriram a escola. Eu liderei um grupo que pintou uma versão feminina dos Pigs in Space, dos Marretas, que insistia em emergir das camadas de tinta pastel com que anos mais tarde tentaram devolver algum decoro à escola -- só nos conseguiram calar quando demoliram as salas de alvenaria para instalarem uns absurdos contentores. Não usava a régua, mas teve de gritar muito, para conquistar o nosso respeito (ou, pelo menos, a atenção). Porém, alargou-nos os horizontes, dos subúrbios até aos limites fronteiriços, e levou-nos, na nossa primeira excursão, a Évora.


Claustro do Colégio do Espírito Santo (Universidade de Évora), Abril de 2008

Posteriormente, voltei a Évora diversas vezes, em trabalho ou passeio, mas sem nunca me deter muito. É a sina do que nos está perto. No mês passado fui lá novamente, em trabalho e de fugida. Ainda tirei três ou quatro fotos, já no caminho de regresso, depois do que, vasculhando o meu fundo arquivístico, encontrei mais algumas, para juntar às mais recentes.


Cromeleque dos Almendres, 1998/1999