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Aquém e além do Carmo


Salvador (Bahia, Brasil), Agosto de 2025

Ao fundo do Largo do Pelourinho, começa a subida para o Carmo. A Ladeira do Carmo é uma rua estreita, íngreme, empedrada, castiça e colorida, que desemboca junto à Igreja da Ordem Terceira do Carmo, mesmo ao lado da Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo.

Início da Ladeira do Carmo, à esquerda.
Igreja da Ordem Terceira do Carmo, construída entre 1788 e 1860.
À sua esquerda, a Igreja e o Convento do Carmo.
O Convento começou a ser erguido em 1586, na colina então conhecida como Monte Calvário, ao norte de Salvador, e é um dos maiores e mais antigos da Ordem do Carmo no Brasil. A Igreja do Carmo foi construída no início do século XVII, em estilo neoclássico. No contexto da guerra contra os holandeses, o complexo serviu como quartel-general das forças de resistência, durante a invasão holandesa de Salvador, entre 1624 e 1625: o primitivo convento foi ocupado pelas tropas portuguesas e a igreja transformada em paiol. Foi na Igreja do Carmo, na sala onde fica a sacristia, que os holandeses se renderam e se retiraram da cidade, em Maio de 1625, após serem derrotados pelas tropas luso-espanholas (vigorava, então, a União Ibérica). O actual convento teve a sua construção iniciada em 1681 e, a partir da década de 1970, funcionou aí uma unidade hoteleira de luxo, creio que do Grupo Pestana.



Desde a sua implantação, o Carmo tornou-se um marco de referência na cidade em crescimento: quando, em 1594, Cristóvão de Aguiar Daltro fez construir uma capela em honra de Santo António, todo o bairro que se desenvolveu em seu redor ficou conhecido como Santo António Além do Carmo. O bairro de Santo António compreende a área que vai da Cruz do Pascoal, no Barbalho, ao Largo de Santo António Além do Carmo (oficialmente, Largo do Barão do Triunfo).



A Cruz do Pascoal, ou Oratório Público da Cruz do Pascoal, foi construída, em 1743, por Pascoal Marques de Almeida, natural de Lisboa, em devoção a Nossa Senhora do Pilar. É constituída por uma coluna de secção octogonal encimada por um nicho inspirado nas torres sineiras das igrejas baianas do início do século XVIII, onde fica exposta uma imagem de Nossa Senhora do Pilar. O oratório é praticamente todo revestido a azulejos portugueses azuis e brancos e é cercado por um gradil de ferro, colocado em 1874, para sua maior protecção.

Continuando pela Rua Direita de Santo António, a principal do bairro.




Centro de Convivência Irmã Dulce dos Pobres - OSID.
Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão dos Homens Pardos, ou Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão, ou Igreja da Ordem Terceira da Beata Maria Virgem de Nossa Senhora da Conceição dos Irmãos Pardos do Boqueirão, iniciada em 1726.




Até à década de 1980, o bairro de Santo António era sinónimo de modernidade e irreverência, abrigando artistas famosos, como Caetano Veloso e Gilberto Gil. No entanto, embora apresentasse uma série de atractivos culturais, entrou em processo de degradação. Com a tomada de consciência da necessidade de preservação do património histórico, iniciou-se a reforma da Igreja de Santo António. A partir daí, o bairro desenvolveu-se sem perder o seu charme, através de um processo de preservação que, ao contrário do que aconteceu com o Pelourinho, ocorreu de forma natural e contínua, permitindo uma ocupação comercial e turística gradual, harmonizada com a tranquilidade de um bairro residencial.



A Igreja de Santo António Além do Carmo surgiu, em 1594, como uma pequena capela, mas foi passando ao longo dos séculos por diversas ampliações e reformas, sendo reconstruída em 1813. No século XX, foi o local de baptismo e comunhão de Santa Dulce dos Pobres.
À importância histórica do bairro acresce que foi o centro da resistência à tentativa de invasão holandesa de 1638, conduzida por Maurício de Nassau, que viu as suas tropas repelidas ao fim de 40 dias de cerco. A Igreja de Santo António abrigou a resistência aos ataques holandeses e, após a vitória, o Padre António Vieira utilizou o seu púlpito para pregar o sermão "À beira das trincheiras que, por 40 dias, defenderam a cidade contra as tropas de Nassau".



O Forte de Santo António Além do Carmo remonta à primeira das invasões holandesas (1624-1625). O governador-geral Diogo Luís de Oliveira (1626-1635) ordenou ao Engenheiro-mor e dirigente das obras de fortificação do Brasil a construção de trincheiras. Alguns denominaram esta fortificação como Baluarte de Santiago. Em 1638, o forte foi reforçado e foi palco da resistência contra a tentativa de invasão conduzida por Nassau. A estrutura actual foi iniciada em Novembro de 1695, no governo-geral de João de Lencastre (1694-1702), e concluída em 1703, no de D. Rodrigo da Costa (1702-1705). Em posição dominante sobre a colina, o Forte de Santo António Além do Carmo defendia a entrada Norte da cidade e cruzava fogos com o Forte do Barbalho, com o qual cooperava. Em 1813, ocorreu um grande desmoronamento na colina junto ao baluarte Norte, após o que, em 1830, o imóvel foi transferido para a jurisdição do Ministério da Justiça, que aí instalou a Cadeia da Correção. No final de 1863, foi transformado em prisão civil, depois Casa de Detenção, desactivada em 1976. Entre 1997 e 2006, o Forte foi alvo de extensas obras que o salvaram da ruína e o converteram num espaço cultural, o Forte da Capoeira – Centro de Referência, Pesquisa e Memória da Capoeira da Bahia, instituição que tem por objectivo preservar e promover a Capoeira.

Vista para o porto e a Baía de Todos os Santos.

Um São José de azulejos T6:3










Alandroal, Outubro de 2023


Terena (Alandroal), Outubro de 2023














Juromenha (Alandroal), Janeiro de 2026

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco


Salvador (Bahia, Brasil), Agosto de 2025

Do lado esquerdo do complexo constituído pela Igreja e Convento da Ordem Primeira de São Francisco, encontra-se a Igreja da Venerável Ordem Terceira da Penitência do Seráfico Padre São Francisco da Congregação da Bahia, cuja construção teve início em Janeiro de 1702, sob projecto atribuído ao mestre Gabriel Ribeiro. Destaca-se, no conjunto, pela opulência da sua fachada em estilo barroco de inspiração espanhola (com características de churrigueresco, ou barroco mexicano), única no Brasil.



A igreja é um templo de nave única, com planta inspirada em modelo jesuítico amplamente difundido em toda a arquitectura religiosa brasileira. A decoração interna primitiva, em estilo barroco, foi substituída na sua maior parte, entre 1827 e 1828, por seis altares laterais e uma capela-mor em estilo neoclássico com talha dourada, que constituem o principal trabalho do mestre entalhador José de Cerqueira Torres, ainda em excelente estado de conservação. De sua autoria são também a talha das tribunas, do arco do cruzeiro, da caixa do órgão, dos púlpitos, da grade do coro e os caixotões do tecto da nave. A douração foi contratada, em 1830, com Franco Velasco, a quem são também atribuídas as pinturas do tecto da nave, inseridas nos caixotões. A igreja foi reconsagrada e reaberta em 4 de Julho de 1835. Uma belíssima colecção de fotografias dos detalhes do interior da igreja, de Rogério P. D. Luz, pode ser vista aqui e aqui.





Entre as várias dependências da igreja dignas de visita, contam-se a sacristia, o museu e a Sala da Mesa (imagem acima), onde se reuniam os membros da confraria da Ordem Terceira, ao redor de uma enorme mesa e cadeiras em madeira de jacarandá. Evidencia-se também o trono usado pelo rei D. João VI e pelos imperadores D. Pedro I e D. Pedro II. Porém, o principal destaque vai para o grande acervo de azulejos portugueses, distribuídos por vários espaços do complexo, como as galerias, corredores e claustro, vindos de Portugal, e que retratam Lisboa antes do terramoto de 1755 e cenas do cortejo do casamento do infante Dom José e Dona Mariana Victoria de Bourbon, em 1729.

Os painéis mostram-nos o dia-a-dia no rio Tejo – os barinéis, os batéis, embarcações a remos e à vela e naus de três mastros, com pavilhões portugueses e holandeses – e na zona ribeirinha, enquadrada pelas colinas da cidade, edifícios com tectos cónicos, coches, grupos de nobres, membros do clero, a tropa com os chuços e as lanças em riste, o Arco dos Ingleses e o Arco dos Medeiros, o Palácio do Conde de Eiras e, em primeiro plano, as escadinhas de acesso ao Castelo de São Jorge. Vê-se também a Torre de Belém e, ao seu lado direito, um edifício quadrangular com quatro torres cónicas e uma escadaria frontal. No terreiro adjacente está em parada um batalhão do exército tendo como pano de fundo uma igreja e um mosteiro que só pode ser o Mosteiro dos Jerónimos.






No claustro, além de um relógio solar de 1736, encontramos uma capela dedicada a São Roque e uma impressionante colecção de lápides funerárias, sobre as sepulturas de fiéis endinheirados e dos irmãos da Ordem. Em meados do século XX, a municipalidade interditou essa prática, pelo que foi criado um ossário, numa cripta branca e luminosa.







Alminhas (20)






Chão da Velha (São Matias, Nisa), Novembro de 2025

Na base destas alminhas, está inscrita a data de 1954.

Um São José de azulejos T6:2








Aveiro, Julho de 2025


Cortegaça (Ovar), Julho de 2025












Praia de Mira (Mira), Julho de 2025