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Windwijzers (2)


Amesterdão (Holanda), Agosto de 2023

Como prometido, os galos. São muito comuns, sobretudo em igrejas, como símbolo cristão do arrependimento (de Pedro, que três vezes negou o Mestre) e da vitória da luz (da madrugada) sobre as trevas. O primeiro, porém, encima a Munttoren (aqui), enquanto a Capela de Santo Olavo (Sint-Olofskapel) exibe um cata-vento em forma de bandeirola (aqui).



No entanto, são os galos que mais se destacam sobre os edifícios religiosos.


Na torre da Oude Kerk, literalmente, a Igreja Velha (aqui)


Na torre da Zuiderkerk, literalmente, a Igreja do Sul (aqui)


Numa das torres da Posthoornkerk, oficialmente, Igreja
Paroquial de Nossa Senhora da Imaculada Conceição (aqui)



Sobre a Nieuwe Kerk, literalmente, a Igreja Nova (aqui)

Ainda encontrei outros, de simbologia mais aguerrida, como o leão real holandês (do brasão de armas do Condado da Holanda e, mais tarde, dos Países Baixos), sobre, respectivamente, o Rijksmuseum (aqui) e a Estação Central (aqui), e um Tritão armado, no cimo da Torre Montelbaan (aqui).




(Imagem mais nítida, aqui)


(Contornos mais claros, aqui)

Windwijzers (1)


Amesterdão (Holanda), Agosto de 2023

Quando o vento sopra em Amesterdão, levanta memórias de um passado glorioso. Isto porque, a par dos galos (lá iremos), são os navios que povoam os telhados da cidade.
Acima, o cata-vento da Scheepvaarthuis, acompanhado pela bandeira nacional e pela da cidade, vermelha e negra com três cruzes de Santo André. O mesmo símbolo pode ser visto sobre o Waag, abaixo.




Outra bandeira, mais simples (aqui)

Embarcações, há-as de várias formas, como as seguintes:


Sobre a Schreierstoren (aqui)


Mesmo atrás (aqui)


Sobre o edifício da Bolsa de Valores (aqui)

No entanto, o navio mais conhecido (e o mais imponente) é o que encima o Palácio Real. Habitualmente, pode ser visto aqui, mas, em Dezembro, foi retirado para restauro e levado para o interior do palácio, onde assume, este Verão, um lugar de destaque na exposição "Hoog! Kijk omhoog. Een dak vol verhalen" ("Look up! A roof full of stories to tell"), de 29 de Junho a 22 de Setembro.


Agosto de 2023


18 de Dezembro de 2023 (foto: ANP/Alamy Live News, daqui)


18 de Dezembro de 2023 (foto: ANP/Alamy Live News, daqui)


26 de Junho de 2024, durante a antestreia para a imprensa (foto: Xinhua/RSS, daqui)

Gevelstenen (4)






Amesterdão (Holanda), Agosto de 2023

Com este último lote, termino a apresentação das pedras de fachada que encontrei em Amesterdão. Fidalgos, cavaleiros e castelos, como o malogrado Castelo Egmond, e o escudo de armas da cidade de Riga (Letónia).





Para terminar, dou maior destaque a uma que já tinha passado aqui e arrumo com as suas congéneres a da Scheepvaarthuis.



Gevelstenen (3)




Amesterdão (Holanda), Agosto de 2023

As pedras de fachada perderam a sua função original no final do século XVIII, sob o domínio francês, quando Napoleão mandou introduzir o sistema de numeração das casas. Algumas pedras perderam, literalmente, a fachada, com a demolição dos edifícios, mas não se perderam, que a cidade logo lhes arranjou lugar numa espécie de comunidades murais. Há várias espalhadas pela cidade, mas eu só me cruzei com esta parede (aqui), que acolhe nove, uma das quais escondida pelo guarda-sol e que recuperei do Google Maps.
De seguida, as imagens possíveis das pedras na fachada, a partir das duas fotos acima, com ligação para a história de cada uma.


O Sol


A casa em Vreest


O pelicano


A família de Noé a caminho da Arca


A coroa imperial sustentada por dois mercadores


A leoa, o marco e o navio: um rébus alusivo à descoberta, por um navio da Compa-
nhia Holandesa das Índias Orientais (VOC), do Cabo Leeuwin, na Austrália



A Lua


A broca, usada na construção civil e naval


A bóia de sinalização (pormenor de imagem daqui)

Esta parede faz parte da rota das pedras de fachada do centro medieval da cidade (De Wallen).

Amsterdam highlights: De Dam


Amesterdão (Holanda), Agosto de 2023

A Dam é a praça central de Amesterdão, no coração da sua zona histórica. Como o próprio nome indica, desenvolveu-se na localização original do dique no rio Amstel, construído no século XIII e em torno do qual cresceu a cidade. A zona tornou-se um centro de actividade comercial e governativa, como localização da doca, do mercado, da casa de pesagem, da câmara municipal e da bolsa de valores.
Com o aterramento parcial da foz do rio, no século XIX, a praça perdeu a frente de água, ficando rodeada de terra e, subsequentemente, de edifícios.





O edifício mais monumental da Dam é o Palácio Real. Foi construído, entre 1648 e 1665, em plena época áurea da cidade, para albergar a câmara municipal. O projecto, em estilo clássico holandês, foi da autoria do arquitecto e artista Jacob van Campen; a supervisão da obra, do arquitecto municipal Daniël Stalpaert; as esculturas, da oficina de Artus Quellijn. Um grande número de pinturas foi encomendado a Govert Flinck. Após a sua morte, uma tela de grandes dimensões foi comissionada a Rembrandt, mas acabou rejeitada. Entre os vários artistas que realizaram obras para aquele que foi, à época, o maior edifício não religioso da Europa, contam-se Ferdinand Bol, Jan Lievens, Nicolaes de Helt Stockade, Jan Gerritsz van Bronckhorst, Thomas de Keyser, Cornelis Holsteyn, Jacob Jordaens e Willem Strijcker.
O edifício albergou a câmara municipal até 1808, quando foi transformado em palácio real, para Luís Napoleão Bonaparte, eleito pelo seu irmão como Luís I da Holanda. É, hoje, um dos três palácios reais dos monarcas neerlandeses.



À direita do palácio, ergue-se a Nieuwe Kerk (Igreja Nova), construída, no século XV, em estilo gótico, para funcionar como segunda igreja paroquial da cidade, consagrada a Santa Maria e a Santa Catarina. Em 1979, foi cedida a uma organização cultural e, desde então, funciona como igreja cerimonial e espaço de exposições e recitais de órgão. A Nieuwe Kerk é o lugar de sepultamento dos heróis navais neerlandeses e foi o cenário do último casamento real, em 2002, e da investidura do actual monarca, em 2013.







Continuando, em sentido horário, encontramos na Dam outros edifícios de relevo e de renome: os grandes armazéns De Bijenkorf (construídos entre 1912 e 1915), o Grand Hotel Krasnapolsky (fundado em 1865) e o Monumento Nacional, um cenotáfio erigido, em 1956, para homenagear as vítimas neerlandesas da Segunda Guerra Mundial e dos conflitos armados e missões de paz subsequentes. À esquerda do palácio, e em sentido anti-horário, encontramos o museu de figuras de cera Madame Tussauds Amsterdam, fundado em 1970, e um museu da cadeia americana Ripley's Believe It or Not!, inaugurado em 2016.



É uma praça muito animada, com muitos turistas, pombos, bicicletas e eventos de todo o tipo.

Gevelstenen (2)


Amesterdão (Holanda), Agosto de 2023

As pedras de fachada ostentam, normalmente, uma imagem com uma inscrição ou, às vezes, apenas uma data. Algumas ilustram o nome ou a profissão do proprietário, outras têm nomes de pessoas famosas ou de destinos comerciais distantes; outras, ainda, exibem uma divisa pessoal ou familiar, uma citação bíblica ou até uma piada ou um trocadilho.
São uma tradição que se mantém viva e que tem evoluído com o tempo, havendo ainda quem as encomende e quem as faça. O escultor Hans 't Mannetje foi um dos autores contemporâneos mais reconhecidos e solicitados para esse fim.
As pedras de fachada são, habitualmente, esculpidas em pedra natural, mas também as há em terracota e até em madeira de carvalho; na origem, eram policromadas, e muitas ainda o são.