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#TBT: Kerimäki, 2003


Kerimäki (Savónia do Sul, Finlândia), Agosto de 2003

Passámos pela igreja de Kerimäki numa tarde de passeio pelos lagos. Construída em meados do século XIX, é considerada a maior igreja de madeira do mundo.
Dez anos depois, uma reorganização administrativa ditou a fusão de Kerimäki com Savonlinna.

Toinen Suomen sieni


Savonlinna (Finlândia), Agosto de 2003

Este tinha-me passado despercebido. Tenho de dar mais uma volta pelos álbuns, talvez por lá encontre mais.

Suomen sienet






Finlândia, Agosto de 2003

Estes encontrei-os nas minhas voltas por entre lagos e florestas, na região do lago Saimaa. Exactamente onde é que já não me lembro, talvez Mikkeli, ou mesmo Lappeenranta. Os últimos, recordo-me claramente que estavam junto a uma casa, debaixo da saída do algeroz.

Papa-unescos (I)


Torre de Belém, Lisboa (Portugal), Dezembro de 2007

Porque, no que diz respeito a jogos e colecções, vale tudo, e tendo-me apercebido de que a classificação da UNESCO é um critério forte na escolha de rotas e desvios e de que a lista é uma autêntica caderneta de cromos, comecei a dar forma a um, não sei se jogo ou colecção, que consiste em compilar os sítios classificados como património mundial que já visitei. E foram bastantes. Por aqui passaram já (ordenados alfabeticamente pelo nome do país onde se situam; no número, à esquerda, ligação para a página respectiva, no sítio da UNESCO):

(1) a Ilha dos Museus, em Berlim (Alemanha);
(2) o palácio e os jardins de Schönbrunn (Áustria);
(3) o centro histórico de Viena (Áustria);
(4) o conjunto histórico de Split e o palácio de Diocleciano (Croácia);
(5) a cidade velha de Dubrovnik (Croácia);
(6) o Parque Nacional dos Lagos Plitvice (Croácia);
(7) o centro histórico de Trogir (Croácia);
(8) a catedral de S. Tiago, em Šibenik (Croácia);
(9) o centro histórico de Salamanca (Espanha);


Fortaleza de Suomenlinna (Finlândia), Agosto de 2003

(10) o centro histórico de Cáceres (Espanha);
(11) o centro histórico de Tallin (Estónia);
(12) a fortaleza de Suomenlinna (Finlândia);
(13) o palácio e o parque de Versailles (França);
(14) as margens do Sena, em Paris (França);
(15) os caminhos de Santiago de Compostela em França, nomeadamente, no que diz respeito às basílicas e catedrais em Bordéus (França);
(16) o Porto da Lua, em Bordéus (França);
(17) a Acrópole de Atenas (Grécia);
(18) o sítio arqueológico de Delfos (Grécia);
(19) a cidade medieval de Rodes (Grécia);


Porta dos Leões, Micenas (Grécia), Agosto de 2000

(20) Meteora (Grécia);
(21) os monumentos paleocristãos e bizantinos de Tessalónica (Grécia);
(22) o santuário de Asclépio, em Epidauro (Grécia);
(23) o mosteiro de Osios Loukas (Grécia);
(24) o sítio arqueológico de Micenas (Grécia);
(25) Budapeste e as margens do Danúbio (Hungria);
(26) os locais sagrados e os caminhos de peregrinação nas montanhas Kii, nomeadamente, em Kôyasan (Japão);
(27) a medina de Marraquexe (Marrocos);
(28) a região natural e histórico-cultural de Kotor (Montenegro);
(29) Bryggen (Noruega);


Konpon Daitô, Kôyasan (Japão), Agosto de 2004

(30) o mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, em Lisboa (Portugal);
(31) o centro histórico de Évora (Portugal);
(32) o centro histórico de Praga (República Checa).

Para aqueles que não se conformam com a opinião dos especialistas, nesta época de faça-você-mesmo, há ainda a lista das Novas Sete Maravilhas, ao alcance de todos, por todas as vias. Contempla o Cristo Redentor, que também já passou por aqui. Por aí, não tenho eu muito mais sorte, que as outras que visitei não passaram de finalistas, como, por exemplo, a Torre Eiffel (tão bonita aqui) e a Acrópole de Atenas.


Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa (Portugal), Julho de 2006

O mais interessante é que ainda por aqui não passaram muitos outros, que este diário não anda ao sabor dos dias, mas da minha disposição. Está já na calha um Papa-unescos (II), cheiinho de lugares lindos (pelo menos, mais uns 15), de que ainda aqui não falei.

Finlândia, arte e design (II)

Mais do que pelas Belas-Artes, a Finlândia é conhecida pelo design. Actualmente, também, pela tecnologia e por um sistema de ensino de sucesso. Grandes nomes da arquitectura e do design produziram pequenos objectos que têm acompanhado várias gerações, nos últimos cem anos.
O Museu do Design, em Helsínquia, dá-nos uma panorâmica geral do que tem sido a criação dos objectos do quotidiano, pelos artistas finlandeses. O site do museu oferece uma galeria virtual, com as criações mais famosas, devidamente comentadas.
Alvar Aalto (1898-1976) será, talvez, o nome mais marcante. Arquitecto de sucesso, de cujo currículo consta, por exemplo, a Casa da Finlândia, um dos edifícios mais visitados de Helsínquia, dedicou-se igualmente a desenhar o mobiliário e os objectos que deveriam preencher os interiores que concebia. Para isso, juntamente com a sua mulher, a arquitecta Aino (Marsio) Aalto, Maire Gullichsen e Nils-Gustav Hahl, criou, em 1935, a Artek, uma empresa de mobiliário, têxteis, candeeiros e objectos de vidro.


Um dos objectos mais conhecidos de Alvar Aalto será, provavelmente, a Cadeira Paimio (1931-32), desenhada para o Sanatório de Paimio, também da sua autoria. Há quem queira ver na Cadeira Paimio uma resposta mais natural (em madeira) à Cadeira Wassily (1925), de Marcel Breuer. Outro objecto é, inevitavelmente, a Jarra Aalto (1936), também conhecida como Jarra Savoy. Foi concebida para um concurso de design, para a fábrica Karhula-Iittala, fez furor na Feira Mundial de Paris de 1937, e foi adquirida, juntamente com os direitos de design, pelo restaurante Savoy, de Helsínquia. Em termos práticos, Alvar Aalto nunca ganhou dinheiro com uma das suas criações de maior êxito, que ainda hoje é amplamente produzida e comercializada.


Aino Aalto (1894-1949) desenhou mobiliário, têxteis e objectos vários. Colaborou na criação da Jarra Aalto e produziu, em 1932, para a Karhula, um conjunto de copos e jarra em vidro ondulado, conhecido como Copos Aalto, que ganhou uma medalha de ouro na Trienal de Milão. Os Copos Aalto são vendidos ainda hoje, e, com ligeiras diferenças, produzidos por empresas como a sueca IKEA.
Kaj Franck (1911-1989) foi um designer versátil, que concebeu muitos objectos, em diversos materiais. Passou pela Artek, em 1940, e em 1945 era já o responsável artístico da Arabia (fundada em 1873). Para a Arabia, produziu a série Kilta (1948), que foi, na época, uma verdadeira revolução no conceito de serviço de mesa: peças livremente combináveis, fáceis de arrumar, mais versáteis e funcionais. Foi ainda responsável artístico da Nuutajärvi (fundada em 1793). Ganhou o Prémio Lunning, em 1955, e, em 1957, o Grande Prémio da Trienal de Milão e o Compasso d'Oro.


Tapio Wirkkala (1915-1985) é considerado um génio do design, extremamente versátil, cujas criações incluem um pouco de tudo, desde trabalho em vidro até notas de banco (as markkas finlandesas de 1955) e arte gráfica. Foi o coordenador artístico da Universidade de Arte e Design de Helsínquia, durante vários anos, e ganhou muitos prémios, de que se destacam três medalhas de ouro na Trienal de Milão de 1951 e outras três na de 1954. Na imagem, a jarra Kantarelli (1946), para a Iittala (fundada em 1881).
Saara Hopea (1925-1984), arquitecta de interiores, colaborou, nos anos 50, com Kaj Franck, na Nuutajärvi. Na imagem, copos empilháveis (1951-52), para a Nuutajärvi. O desenho destes copos habita o meu imaginário infantil, na versão em plástico da Domplex.


Bertel Gardberg (1916-) criou um novo conceito de design em metal. Foi um renovador nos domínios da joalharia e da cutelaria, por exemplo. Na imagem, bule para cacau (1955).
Eero Aarnio (1932-) começou a trabalhar com plástico no início dos anos 60. A sua Cadeira Ball (ou Globe) (1963) fez sensação na Feira de Mobiliário de Colónia de 1966. Outros sucessos, ainda hoje produzidos e comercializados pela Adelta, foram a Cadeira Bubble (1968), suspensa e transparente, e a Cadeira Pastil (1968), colorida e flutuante.
O design finlandês é um negócio florescente. O Grupo Iittala é um dos líderes do mercado dos artigos para a casa, tendo absorvido algumas das mais importantes marcas escandinavas: Arabia, Hackman, Iittala-Nuutajärvi, BodaNova, Höganäs Keramik, Rörstrand e Hoyang-Polaris.


Pessoalmente, o contacto mais intenso que tive com o design, na Finlândia, foi através da Marimekko. A empresa foi fundada em 1951, por Armi e Viljo Ratia, com o objectivo de passar desenho gráfico para têxtil e produzir uma linha simples de vestuário. À esquerda, o padrão Melooni (1963) de Maija Isola (1927-2001).
Em 1964, depois de Armi Ratia ter anunciado publicamente que a Marimekko não produziria tecidos florais, Maija Isola desenhou, em protesto, aquele que viria a ser o padrão mais conhecido da marca, o Unikko. Ainda em 2003, as enormes flores coloridas preenchiam as montras das lojas Marimekko, que se encontravam inundadas por todo o tipo de artigos da colecção, que iam do vestuário, aos têxteis domésticos, passando pelo material de escritório, pela cerâmica e por tudo o mais que se possa imaginar. Confesso que chegava a enjoar, mas não resisti a trazer uns pequenos souvenirs da lojinha de Savonlinna: um individual de mesa e um par de meias. Ainda me lembro do ar divertido da Ana Isabel, quando viu as minhas compras: «Tu és incrível: como é que, num cesto enorme de peúgas das cores mais improváveis, conseguiste encontrar o par mais desenxabidinho? Deviam ter-te feito um preço especial!».

Finlândia, arte e design (I)

O nome maior da pintura finlandesa é Akseli Gallen-Kallela (1865-1931). Fixei-o pela primeira vez, em Viena, quando vi uma pintura sua no Belvedere: uma composição de barras verticais paralelas, intitulada algo como Floresta Finlandesa. Não voltei a ver a obra, nem qualquer reprodução sua, mas o nome do pintor ia na bagagem, no ano seguinte, quando fui à Finlândia.
Gallen-Kallela foi essencialmente um nacionalista, e notabilizou-se pela ilustração da Kalevala, o épico nacional finlandês. Tem um museu fora de Helsínquia, que não visitei, mas pude apreciar um número razoável de obras suas no Museu de Arte Finlandesa, o Ateneum.
Outros nomes marcantes da pintura finlandesa são, por exemplo, Helene Schjerfbeck, Albert Edelfelt e Hugo Simberg, que já por aqui passou. Na escultura, a reter Wäinö Aaltonen.
Segue uma pequena escolha de obras da colecção do Ateneum. O site do museu oferece, aliás, uma apresentação detalhada e bem documentada de uma selecção das melhores obras.
O Ateneum está institucionalmente ligado à Galeria Nacional Finlandesa (Valtion Taidemuseo), juntamente com o Museu de Arte Contemporânea (Kiasma), o Museu de Arte Sinebrychoff e o Arquivo Central de Arte. O site da Galeria Nacional permite efectuar uma excelente busca por nome de autor e título de obra (em finlandês), na extensa base de dados dos seus vários museus.


Akseli Gallen-Kallela (1865-1931)
Rapaz com Gralha (Poika ja varis), 1884
Óleo sobre tela, 86 x 72 cm
Helsínquia, Ateneum



Albert Edelfelt (1854-1905)
Pôr-do-Sol em Kaukola (Kaukolan harju auringonlaskun aikaan), 1889-1890
Óleo sobre tela, 116,5 x 83 cm
Helsínquia, Ateneum



Ellen Thesleff (1869-1954)
Auto-retrato (Omakuva), 1894-1895
Lápis e sépia sobre papel, 31,5 x 23,5 cm
Helsínquia, Ateneum



Akseli Gallen-Kallela (1865-1931)
A Mãe de Lemminkäinen (Lemminkäisen äiti), 1897
Têmpera sobre tela, 85,5 x 108,5 cm
Helsínquia, Ateneum



Pekka Halonen (1865-1933)
Rebentos de Pinheiro Cobertos de Neve (Lumisia männyntaimia), 1899
Tela, 44,5 x 29,5 cm
Helsínquia, Ateneum



Hugo Simberg (1873-1917)
O Anjo Ferido (Haavoittunut enkeli), 1903
Óleo sobre tela, 127 x 154 cm
Helsínquia, Ateneum



Tyko Sallinen (1879-1955)
As Lavadeiras (Pyykkärit), 1911
Óleo sobre tela, 154 x 136 cm
Helsínquia, Ateneum



Helene Schjerfbeck (1862-1946)
Auto-retrato, Fundo Negro (Mustataustainen omakuva), 1915
Óleo sobre tela, 45,5 x 36 cm
Helsínquia, Ateneum



Wäinö Aaltonen (1894-1966)
Musica, 1926
Madeira dourada, altura sem a base 52 cm
Helsínquia, Ateneum

Tricks of the light



Costumo dizer que a Noruega me ofereceu as paisagens mais bonitas que tive oportunidade de apreciar, mas a verdade é que a Finlândia não se ficou muito atrás. O impacto que os fiordes provocam pela imponência da verticalidade tem um justo correlato no efeito estético da extensão plana dos lagos. Aquela imensidão de água, conjugada com os efeitos da luz setentrional, oferece imagens de uma grande beleza, que sempre inspiraram os artistas finlandeses.





Pintura de Hugo Simberg (1873-1917)
Spring Evening during Ice Break (Kevätilta jäänlähdön aikaan), 1897
Óleo sobre tela, 27 x 37 cm
Helsínquia, Ateneum

Estes romanos são loucos!

Um dos aspectos mais fascinantes das viagens é o contacto enriquecedor com as diferenças culturais, com a consequente relativização de tudo aquilo a que estamos habituados e a construção de novas representações cognitivas de nós mesmos e dos outros. Porém, certas diferenças culturais teimam em colidir com hábitos e rotinas automatizadas. Entre elas, encontram-se os hábitos higiénicos.
Ninguém perde muito tempo a pensar naquilo que faz na casa de banho. É essencialmente um espaço de intimidade e introspecção, onde cada qual pode, inclusivamente, entregar-se a devaneios e actividades paralelas, como ler, cantar e planificar o dia-a-dia. O conceito de casa de banho é, para cada pessoa, um dado adquirido na sua vida.
Ao longo da minha, tive oportunidade de me confrontar com muitas variantes culturais do dito conceito, desde a horta da tia da terra até à sanita ao canto da cozinha da prima de um velho pátio alfacinha. Somos um país de contrastes, é verdade, mas, nas últimas décadas, os hábitos de higiene e as leis que regem a construção civil têm provocado uma progressiva normalização. Embates sérios, tenho-os tido lá fora.
O primeiro tive-o em França, quando, numa casa particular, pedi para ir à casa de banho e me deram uma toalha e dirigiram-me à "salle de bain" propriamente dita, porque, como em todas as casas antigas, o "wc" ficava num compartimento próprio, geralmente contíguo. Três meses vivi eu em Bordéus, na pensão do velho Trou Normand, ao estilo "wc sur le palier", a passear rolos de papel higiénico no corredor...
Daí para a frente, tenho-me divertido a constatar as diferenças e, rapariga precavida, a testar o equipamento previamente. Já encontrei um pouco de tudo, dentro das variantes locais do conceito ocidental.
Às vezes, vou prevenida. Antes de ir para a Escandinávia, tinha lido duas descrições curiosas, uma sobre os bidés finlandeses:

«No quarto de banho é frequente encontrar um objecto não identificado. Próximo da retrete encontra uma espécie de chuveiro que substitui o nosso bidé. O aparelho está ligado ao lavatório e só conseguirá pô-lo a funcionar se abrir a torneira da bacia» (Mariana Oliveira, "Finlândia" in Público, 02/08/03, suplemento Fugas, p. 3).
A outra, do meu amigo Vítor Santos, nas suas saudosas Crónicas de Copenhaga (2002, ms., capítulo 3), sobre os duches lá em cima, e aquele hábito terrível que faz qualquer pessoa sentir-se passar num ápice de Cinderela a Gata Borralheira:
«As casas de banho são normalmente pequenas e não têm banheira, correndo a água do duche directamente para um ralo no chão. E há sempre em todas as casas de banho um instrumento desses com que se limpam em Portugal os vidros dos carros nas estações de serviço ou que usam os profissionais das limpezas para limpar janelas (como se chama tal coisa?), com que se limpa o chão depois de tomar duche.»
Nenhum mortal consegue perceber por que é que aquelas almas, tão ricas e evoluídas, ainda não integraram conceitos tão simples como uma base de chuveiro e uma cortina, já para não falar de uma cabine de duche... O resultado prático é ter de lavar a casa de banho depois de a utilizar, caso contrário a mesma fica impraticável.
São coisas pequeninas, mas que fazem perder a paciência e um tempo precioso (só dão vontade de rir à distância).
Por exemplo, em 3 semanas na América do Norte, nunca encontrei duas torneiras que funcionassem da mesma maneira: umas para a direita, outras para a esquerda, umas para cima, outras para baixo, para fora, para dentro,... Uma manhã, em Toronto, estive a pontos de desistir de tomar banho, depois de uma luta inglória com o manípulo.
Este ano, no País de Gales, perdi cerca de meia hora à procura do interruptor do duche eléctrico, até me aperceber de um cordelinho suspenso a meio do tecto da casa de banho. Resumindo, de cada vez que queria ligar ou desligar a corrente de água tinha de pôr o braço de fora da cortina e, consequentemente, molhar o chão todo.
Já para não falar das diferenças das loiças sanitárias. Sabiam que nos Estados Unidos, nas casas de banho públicas, há algumas sanitas maiores, para gente muito grande? Apercebi-me disso a primeira vez que, desde a infância, tive dificuldade em lá chegar...
Mas o meu último fascínio são as casas de banho japonesas. E não falo já das sanitas "Japanese style", cuidadosamente evitadas, umas pequenas bacias no chão, para onde, de cócoras, tem de se fazer pontaria. Nem das grandes banheiras para banhos comuns ou dos longos toucadores das casas de banho públicas, onde as coquetes japonesas retocam a maquilhagem (se não for aí, é no metro, nos cafés, em qualquer lado). Deliciosa é toda a tecnologia ao serviço dos hábitos de higiene ocidentalizantes, os secadores de mãos futuristas, ou, mais mecânicos, os tubos de abastecimento de água, que, colocados sobre a tampa do autoclismo, permitem o aproveitamento da água para lavar as mãos, antes de se escoar, por um buraquinho, para dentro do reservatório.
Mas verdadeiramente divinos são os tampos de sanita TOTO. Impõem respeito, é como estarmos sentados aos comandos de uma nave espacial: nunca sabemos qual dos botões nos vai ejectar para o espaço. As versões bilingues são mais tranquilizantes, mas roubam toda a emoção da descoberta de mais uma função insuspeita: spray, bidé, secador, aquecimento do tampo, aquecimento da água, oscilação do jacto, desodorização ou, cúmulo do requinte, som de autoclismo, para maior privacidade! Encontram aqui descrição detalhada (em inglês) e ilustrada do funcionamento do equipamento.

Järvet ja Metsät

Lago Saimaa

Lagos e florestas são o mais marcante na Finlândia, pelo menos no Verão. Mil, não sei se serão, mas são muitos e são muito bonitos. O lago Saimaa é o maior: um puzzle de água, ilhas, pântanos, florestas e lagos interligados. É também o mais turístico, o que não constituiu qualquer problema, visto que já lá chegámos na época baixa, mais chuvosa, é verdade, mas muito mais calma.

Helsínquia, catedral ao centro

Antes, sucumbimos aos encantos de Helsínquia, que nos prendeu mais um dia do que o planeado. Uma cidade costeira, muito marcada pela presença do mar, pontilhada por grandes parques. Gostei, em particular, do parque de Sibelius, que rodeia o monumento ao músico. Belíssimos, os reflexos do pôr-do-sol na escultura...
Uma nota também para o parque da Casa da Finlândia (Finlandia-talo), esta, da autoria de Alvar Aalto. No parque, encontrámos uma curiosa exposição sobre a arte do sol e do vento (um conjunto de esculturas com efeitos móveis e sonoros), outra de arte viva: um coelho em terra e relva (como uma escultura de areia), uma mandala de arbustos... E finlandeses que se passeavam, a pé, de patins, de bicicleta. Uma instituição local, os parques.
Monumentos: a catedral, na Praça do Senado, muito branca, muito clássica; a igreja ortodoxa (Uspenski), monumental, a maior da Europa, fora da Rússia; a igreja na rocha (Temppeliaukio); a fortaleza de Suomenlinna, uma das maiores fortalezas marítimas do mundo, classificada como património da humanidade.

Monumento a Sibelius

Selecção de museus:
> o Ateneum, museu nacional de arte, onde se destacam pinturas e desenhos de artistas finlandeses como Akseli Gallen-Kallela, Hugo Simberg, Helene Schjerfbeck, Albert Edelfelt, entre outros;
> o Museu de Arte e Design, imprescindível, uma bela mostra de design escandinavo;
> o Kiasma, museu de arte contemporânea, que deixámos por ver (o tempo não chegou para tudo...).

Lago Saimaa

E zarpámos para a região dos lagos. Ficámos sedeadas em Savonlinna, uma cidade pequena, calma e muito bem situada. O seu ex-libris é o castelo medieval de Olavinlinna (século XV), onde todos os anos, no Verão, se realiza o Festival de Ópera. Curiosos, os narizinhos das torres, que eram as instalações sanitárias da época (as águas do lago funcionavam como autoclismos).

Olavinlinna

Demos bastantes passeios pela zona dos lagos. Linda, a estrada turística de Punkaharju, com uma vista fenomenal entre lagos.
Último poiso, Lappeenranta. Um dia chuvoso, muito perto da Rússia: as vistas, o castelo, o cemitério de guerra, o memorial aos soldados finlandeses caídos em Viipuri, uma das maiores cidades da Finlândia, tomada pela União Soviética e rebaptizada como Vyborg.

Lappeenranta

E foi assim a Finlândia, sem Pai Natal, renas ou neve...

Escandinávia e mais além: ligações de interesse



Os países:
> Norway: página oficial do turismo norueguês
> Sweden: página oficial do turismo na Suécia
> Svenska Turistföreningen: The Swedish Touring Club
> Finland ou Bem-vindos à Finlândia: páginas oficiais do turismo finlandês
> Virtual Finland: Finlândia virtual
> Estonia: página oficial do turismo na Estónia
> Estonica: Encyclopedia about Estonia: o que há a saber sobre a Estónia
> Holland: página oficial do turismo na Holanda

As cidades:
> Oslo Promotion: página oficial do turismo em Oslo
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Lonely Planet: informações sobre Oslo em guias de viagem
> Bergen: página oficial de Bergen
> Bergen-Guide: guia de Bergen, muito completo
> Columbus Guides; Fodor's: informações sobre Bergen em guias de viagem
> Stockholm Stad: página oficial da cidade de Estocolmo
> Stockholm: página oficial do turismo em Estocolmo
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Lonely Planet: informações sobre Estocolmo em guias de viagem
> City of Helsinki e Helsinki: páginas oficiais da cidade de Helsínquia
> Helsinki Expert: página oficial do turismo em Helsínquia
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Lonely Planet: informações sobre Helsínquia em guias de viagem
> Tallinn: página oficial da cidade de Tallinn
> Digital Tallinn: Tallinn virtual
> Tallinn: portal do turismo em Tallinn
> In Your Pocket: informações sobre Tallinn em guias de viagem
> Amsterdam.nl: página oficial da cidade de Amesterdão
> Amsterdam: página oficial do turismo em Amesterdão
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Let's Go; Lonely Planet; Simply Amsterdam: informações sobre Amesterdão em guias de viagem

Os fiordes:
> Fjord Norway: tudo sobre a Noruega dos fiordes
> Fjords of Scandinavia: mais sobre os fiordes
> Sognefjord: página oficial do Sognefjorden
> Sognefjorden: o maior fiorde do mundo
> Fjordinfo: tudo sobre a região de Sogn og Fjordane
> Sogn og Fjordane: página desta região turística
> SognaFoto: fotos de toda a região que circunda o Sognefjorden
> The Fjords: Aurland - Flåm - Lærdal: página desta região turística
> The Fjords: actividades nos fiordes, na Primavera e no Outono
> Jostedalsbreen Nasjonalparksenter Stryn: página do parque nacional de Jostedalsbreen
> Jostedalsbreen National Park: centro de visitantes de Breheimsenteret
> Jostedalen Breførarlag: visitas guiadas ao glaciar de Jostedalen, para os mais aventureiros

Os transportes:
* Ligações marítimas e fluviais:
> Fjord 1 / Fylkesbaatane: ligações fluviais no Sognefjorden
> Travel Information: informações e horários de autocarros, barcos e ferries da região de Sogn og Fjordane
> Viking Line; Silja Line; Eckerö Line; Nordic Jet Line; Tallink; Linda Line: ligações internacionais

* Comboios:
> Scanrail: comboios na Escandinávia
> NSB: comboios noruegueses
> Flåmsbana: comboio que percorre a linha férrea de Myrdal a Flåm
> SJ: comboios suecos
> Tåg Plus: horários dos comboios suecos
> Linx: comboio rápido entre Oslo e Estocolmo
> VR: comboios finlandeses

* Autocarros:
> Nor-way Bussekspress: autocarros noruegueses
> ExpressBus e Matkahuolto: autocarros finlandeses

O alojamento:
> Scandinavian City Hostels: página oficial das pousadas de juventude na Escandinávia
> Norske Vandrerhjem: pousadas de juventude na Noruega
> Sveriges Vandrarhem i Förening: pousadas de juventude na Suécia
> Destination Stockholm: 47 hotéis à escolha, em Estocolmo
> Suomen Retkeilymajajärjestö: pousadas de juventude na Finlândia
> Lomaliitto: alojamento e recreação na Finlândia

Para cá e para lá: muita terra, muita água, muito ar...

Aviso à navegação: este texto assemelha-se, em tudo, à espada d'El Rei D. Afonso Henriques. Se não estiverem sequiosos de informação sobre viagens na Escandinávia, limitem-se a ver as imagens e a sonhar...

Se observaram com atenção o nosso itinerário e tiveram em consideração as distâncias reais envolvidas, aperceberam-se, com certeza, de que elas implicaram uma grande quantidade de deslocações e de tempo despendido com as mesmas.
Para evitar mais uma deslocação (circular, ainda por cima), optámos por voos com destino e proveniência diferentes, ou seja, fomos de Lisboa para Oslo e voltámos de Helsínquia para Lisboa. As companhias aéreas, desde há algum tempo, possibilitam este tipo de trajectos, sem aumento dos custos, relativamente a uma ida e volta normal, desde que, obviamente, tenham ligações regulares aos destinos pretendidos. Nas agências de viagens, costumam torcer o nariz a estas esquisitices, mas, com alguma insistência,... A maioria das grandes companhias de aviação já o faz, é questão de escolher pelas tarifas. Nós fomos com a KLM, com escala em Amesterdão (oh, Amesterdão!...). Correu tudo sobre asas, só um pequeno reparo ao catering (estão a ver aquele anúncio radiofónico em que um passageiro diz: "Não quero mais nada, obrigado. A metade do amendoim deixou-me satisfeito"?). Pois é, cada vez mais, quem vai para o (m)ar deve abastecer-se em terra...
Nos centros urbanos, utilizámos sempre os transportes públicos (autocarros, eléctricos e metro). Os cartões para turistas (Oslo Pass, Bergen Card, Stockholmskortet, Helsinki Card, Tallinn Card) são uma boa opção, pois permitem, pelo período contratado (1, 2 ou 3 dias), utilizar toda a rede de transportes públicos e ainda ter entradas gratuitas na maior parte dos museus e obter descontos em muitos eventos culturais.
Na Noruega, os transportes, apesar de carotes (como tudo, de resto -- parece uma nova forma de exploração viking dos povos do sul), são bons e alguns percursos são fascinantes. De comboio, fizemos a linha de Bergen (linda!), de Oslo a Myrdal (cerca de 4h30, 5h00 de viagem), onde apanhámos o Flåmsbana, o comboiozinho que percorre, dizem, uma das linhas férreas mais bonitas do mundo, de Myrdal a Flåm. A paisagem é deslumbrante, ao longo de cursos de água, por entre montanhas, florestas, quedas de água (uma, com direito a "photo stop") até chegar ao Aurlandsfjorden. 20,20 Km, numa horinha de viagem muito bem aproveitada.



Em Flåm, apanhámos o Express Boat para Balestrand (cerca de 1h30). Três dias depois, fizemos o resto da viagem, até Bergen (cerca de 4 horas). A companhia que explora as ligações fluviais no Sognefjorden, a Fjord 1 / Fylkesbaatane, disponibiliza ferries, barcos rápidos (para trajectos maiores) e, no Verão, excursões organizadas, como aquela que fizemos ao glaciar. Tem um site internético muito informativo, com todas as ofertas disponíveis, para turista ver, e ainda horários e tarifas (estes, em norueguês).



O trajecto de Flåm a Bergen é fascinante, quase 6 horas de viagem, a uma velocidade alucinante, ao longo de uma paisagem maravilhosa.
De Bergen, voltámos a Oslo (cerca de 6h30, 7h00 de viagem), no comboio nocturno, em couchette, porque já tínhamos feito parte da viagem de dia (vale, francamente, a pena, que a paisagem é linda) e sempre poupámos uma noite de dormida. Em Oslo, apanhámos o comboio rápido para Estocolmo, explorado pela companhia ferroviária sueca: o Linx, uma espécie de Alfa a preços de TGV. Cinco horas de viagem, num dia chuvoso, nada a salientar.



De Estocolmo a Helsínquia, fizemos a viagem nocturna da Viking Line, a bordo do Mariella, um navio titânico, de oito andares, com casinos, restaurantes, bares, discotecas, corredores imensos, com cabinas muito confortáveis (recomendo vivamente a nossa opção -- a cabina mais barata, interior, com duas camas em beliche e casa de banho totalmente equipada, um luxo). Partida às 16h50, chegada às 9h55, hora finlandesa (Estocolmo +1, Lisboa +2). A viagem diurna, consta que é fascinante, porque o trajecto atravessa o arquipélago de Åland (um dos mais bonitos do mundo, ao que dizem), com escala em Mariehamn. Mas a viagem nocturna é mais concorrida, pela animação, pelas fenomenais bebedeiras e pelos namoricos que aí se arranjam. Sim, que a maior parte daquela malta faz a viagem por duas razões: a diversão e o açambarcamento de bebidas alcoólicas, mais escassas e caras em terra (as ilhas Åland são zona franca). Apercebi-me de que muitos fazem a viagem de noite e apanham o barco da manhã, de regresso a casa, carregadinhos de cervejas!
O mesmo vale para os passeios a Tallinn, capital da Estónia, uma cidade lindíssima, património da Humanidade (de que vos falarei um dia), onde os finlandeses se vão abastecer a preços de Leste.
Há várias companhias a operarem as ligações marítimas: a Viking Line e a Silja Line são as maiores. Para Tallinn, há ainda a Eckerö Line, a Nordic Jet Line, a Tallink -- nós fomos de catamaran com a Linda Line (1h25 de viagem), mais barata e com horários mais convenientes para nós.



De Helsínquia, fomos de comboio para Savonlinna (cerca de 5 horas), o destino mais turístico do lago Saimaa (o maior dos ditos mil). Porém, encontrámos tudo muito calmo, que a época baixa, na Finlândia, começa a 15 de Agosto, com o regresso às aulas e à chuva.
Para darmos uns passeios ali à volta, que o lago bem o merece, alugámos um carrito: 103 € / dia!
Comboio para Lappeenranta (2h30, 3h00 de viagem, a Rússia mesmo ali ao lado e um dia muito chuvoso e desagradável), onde pernoitámos, antes de tomarmos o autocarro para o aeroporto de Helsínquia, cheiinhas de saudades de casa e do sol e ansiosas por um belo passeio em Amesterdão...

Reservas: de Lisboa, levámos apenas os bilhetes de avião e da ligação Estocolmo-Helsínquia (comprada na Nordictur, o agente oficial, em Portugal, da Viking Line e do turismo escandinavo), porque, nos fins de semana, aquelas viagens esgotam depressa. Das restantes ligações, fomos tratando à medida que chegávamos a cada poiso, uma de cada vez, com calma. Os alojamentos, reservámo-los quase todos com antecedência, por e-mail, deixámos só em aberto os últimos dias na Finlândia, que decidimos com a preciosa ajuda de uma funcionária do posto de turismo finlandês em Helsínquia.
Só mais uma nota, para elogiar o empenho nórdico na informação e no apoio ao turismo. 5 estrelas!

Primeira incursão por terras dos vikings

Equipa de exploradores: eu e a Ana Isabel.
Duração da expedição: de 6 a 25 de Agosto de 2003.
Itinerário: Lisboa – Oslo – Balestrand – Bergen – Oslo – Stockholm – Helsinki – Tallinn – Helsinki – Savonlinna – Lappeenranta – Helsinki – Amsterdam – Lisboa (com várias incursões e excursões adicionais).



Catástrofes (naturais ou não): nenhuma, desta vez.
Condições climatéricas: variáveis, desde o muito bom até ao relativamente mau (não cheguei a usar o biquini, mas também não precisei da capa impermeável -- um guarda-chuva fracote deu conta do recado, sempre que se justificou). Com "relativamente mau", quero dizer, concretamente, alguns dias cinzentos e até mesmo chuvosos (42% do total). Uma chuvinha pouco apreciada pelos veraneantes, mas necessária para manter os níveis de humidade que permitem a manutenção de uma quantidade impressionante de florestas -- a tal chuvinha que fez muita falta em Portugal, a avaliar pelas notícias que ia tendo de casa.
Espólio: 10,5 rolos fotográficos e muitas imagens (visuais e não só) que pretendo converter num formato jpeg cerebral compatível com a minha memória (que já não é o que era).

Porquê...?
... Amsterdam: porque seria um pecado não aproveitar uma escala de quase 6 horas, numa tarde lindíssima, para conhecer uma cidade muito interessante e ainda visitar o museu Van Gogh, associando-nos, assim, à comemoração dos 150 anos do pintor.
... Primeira incursão: porque me sinto cada vez mais decidida a aceitar um determinado convite para ir conhecer mais um pouquinho das terras nórdicas, em particular um país que sobrevoei no regresso, e que me pareceu muito interessante (¿vale?).

Pormenores? Muitos, a seu tempo. Como diria o meu velho amigo de infância Woody Woodpecker, "don't go away, I'll be back soon with another cartoon! Ah ah ah ah ah!"