Escandinávia e mais além: ligações de interesse



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Os fiordes:
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> Jostedalsbreen National Park: centro de visitantes de Breheimsenteret
> Jostedalen Breførarlag: visitas guiadas ao glaciar de Jostedalen, para os mais aventureiros

Os transportes:
* Ligações marítimas e fluviais:
> Fjord 1 / Fylkesbaatane: ligações fluviais no Sognefjorden
> Travel Information: informações e horários de autocarros, barcos e ferries da região de Sogn og Fjordane
> Viking Line; Silja Line; Eckerö Line; Nordic Jet Line; Tallink; Linda Line: ligações internacionais

* Comboios:
> Scanrail: comboios na Escandinávia
> NSB: comboios noruegueses
> Flåmsbana: comboio que percorre a linha férrea de Myrdal a Flåm
> SJ: comboios suecos
> Tåg Plus: horários dos comboios suecos
> Linx: comboio rápido entre Oslo e Estocolmo
> VR: comboios finlandeses

* Autocarros:
> Nor-way Bussekspress: autocarros noruegueses
> ExpressBus e Matkahuolto: autocarros finlandeses

O alojamento:
> Scandinavian City Hostels: página oficial das pousadas de juventude na Escandinávia
> Norske Vandrerhjem: pousadas de juventude na Noruega
> Sveriges Vandrarhem i Förening: pousadas de juventude na Suécia
> Destination Stockholm: 47 hotéis à escolha, em Estocolmo
> Suomen Retkeilymajajärjestö: pousadas de juventude na Finlândia
> Lomaliitto: alojamento e recreação na Finlândia

As igrejas de Vik

Num domingo de sol, resolvemos, contra todas as recomendações das funcionárias do posto de turismo, ir dar um passeio a Vik. Um passeio deveras arriscado, porque, aos domingos de manhã, não existe ligação entre Balestrand e Vik e, ao fim da tarde, o percurso inverso é igualmente complicado.
Assim, fomos de autocarro até Dragsvik, onde apanhámos o ferry para Vangsnes, e fizemos uma belíssima caminhada de 11 km até Vik, ao longo do fiorde, embevecidas com a vista e com as framboesas silvestres que cresciam nas estreitas bermas da Rv 13, a muito turística estrada panorâmica da região dos fiordes.
Em Vangsnes, ainda vimos, ao longe, a atracção local, a estátua de Fridtjov den frøkne, o destemido rei viking, oferecida em 1913 pelo imperador alemão Guilherme II, grande admirador das sagas nórdicas. Felizmente, a estátua, de 12 metros de altura, sobre um pedestal de 10,5 m, erigida numa elevação, vê-se bem da estrada, o que nos evitou um desvio no percurso, já de si longo e sinuoso.
Chegámos a Vik cansadas e cheias de calor, que o domingo fazia jus ao nome. Vik é uma vilazinha agrícola, situada numa planície entre a margem sul do Sognefjorden e as montanhas, sede da divisão administrativa de Vik i Sogn, que, com as suas 5 subdivisões (Arnafjord, Vik, Vangsnes, Feios e Fresvik), contava, em 2002, cerca de 2 900 habitantes. A sua principal atracção são as igrejas.
A igreja nova data de 1877. Em madeira, pintada de branco, com o telhado negro, lembrou-me as muitas igrejas semelhantes que encontrei na Nova Inglaterra, aí construídas pelos imigrantes do norte da Europa.



Não foi, pois, esta igreja que nos fez percorrer tão duros caminhos. Campo fora, encontramos a Hove Steinkyrkje, o mais antigo edifício de pedra da região de Sogn, construída em meados do século XII.



Atenção, que as datações, por aquelas bandas, nunca são de fiar. Esta mesma igreja foi restaurada por volta de 1880, no âmbito de um episódio histórico deveras curioso. Em finais do século XIX, o arquitecto e protector do património histórico Peter Blix (1831-1901) resolveu restaurar o Håkonshallen, em Bergen, para o que pôs um anúncio no jornal, encomendando pedra idêntica à original. Recebeu uma resposta oferecendo pedra já em blocos, o que o fez desconfiar da sua origem e quis conhecer a sua proveniência. Ficou, então, a saber que a mesma vinha de uma igreja medieval, de uma terriola perdida, a que a população, encantada com a construção de uma igreja nova e moderna, não dava o mínimo valor, tendo-a vendido, por 400 coroas a um construtor local, que se preparava para a demolir. Blix tomou o caso em mãos e, não conseguindo dissuadir a população de demolir a igreja, acabou por a adquirir. Tornou-se, imediatamente, protector do património local de Vik, onde, não longe desta, havia ainda outra pérola da arquitectura medieval: a Hopperstad Stavkyrkje.



Este tipo de igrejas de madeira é particularmente característico da Noruega. Stavkyrkje quer dizer, literalmente, algo como «igreja de vigas erguidas», já que a construção é suportada por uma estrutura de postes de madeira cravados na terra. Estas igrejas eram construídas em pinho e impregnadas de alcatrão, o que lhes dá um cheiro muito característico. Calcula-se que, na Idade Média, havia cerca de mil igrejas deste tipo espalhadas pela Noruega, originalmente católicas, convertidas ao luteranismo pela Reforma de 1536. O novo culto, exigindo instalações à altura, abandonou este tipo de construção. Actualmente, subsistem 28 destas igrejas no país.
A de Vik foi construída por volta de 1130 (o que não quer dizer rigorosamente nada, pois, como seria de esperar, ardeu e foi reconstruída diversas vezes ao longo da sua história -- experimentem contar a quantidade de sensores de fumo e de extintores estrategicamente colocados no interior da igreja), esteve em uso até à conclusão da igreja nova, em 1877, e foi restaurada por Blix, em 1890, igualmente às suas próprias custas e de acordo com o traçado original.
A igreja é extremamente bonita, cheia de pormenores delicadamente esculpidos na madeira, para além de alguns graffiti medievais, em forma de inscrições rúnicas. É rodeada por um cemitério, também ele muito interessante.
Interessante foi também o regresso a Balestrand, cheio de percalços e desencontros. Nada que a simpática boleia de um casal de italianos não tenha desenrascado.

Para cá e para lá: muita terra, muita água, muito ar...

Aviso à navegação: este texto assemelha-se, em tudo, à espada d'El Rei D. Afonso Henriques. Se não estiverem sequiosos de informação sobre viagens na Escandinávia, limitem-se a ver as imagens e a sonhar...

Se observaram com atenção o nosso itinerário e tiveram em consideração as distâncias reais envolvidas, aperceberam-se, com certeza, de que elas implicaram uma grande quantidade de deslocações e de tempo despendido com as mesmas.
Para evitar mais uma deslocação (circular, ainda por cima), optámos por voos com destino e proveniência diferentes, ou seja, fomos de Lisboa para Oslo e voltámos de Helsínquia para Lisboa. As companhias aéreas, desde há algum tempo, possibilitam este tipo de trajectos, sem aumento dos custos, relativamente a uma ida e volta normal, desde que, obviamente, tenham ligações regulares aos destinos pretendidos. Nas agências de viagens, costumam torcer o nariz a estas esquisitices, mas, com alguma insistência,... A maioria das grandes companhias de aviação já o fazem, é questão de escolher pelas tarifas. Nós fomos com a KLM, com escala em Amesterdão (oh, Amesterdão!...). Correu tudo sobre asas, só um pequeno reparo ao catering (estão a ver aquele anúncio radiofónico em que um passageiro diz: "Não quero mais nada, obrigado. A metade do amendoim deixou-me satisfeito"?). Pois é, cada vez mais, quem vai para o (m)ar deve abastecer-se em terra...
Nos centros urbanos, utilizámos sempre os transportes públicos (autocarros, eléctricos e metro). Os cartões para turistas (Oslo Pass, Bergen Card, Stockholmskortet, Helsinki Card, Tallinn Card) são uma boa opção, pois permitem, pelo período contratado (1, 2 ou 3 dias), utilizar toda a rede de transportes públicos e ainda ter entradas gratuitas na maior parte dos museus e obter descontos em muitos eventos culturais.
Na Noruega, os transportes, apesar de carotes (como tudo, de resto -- parece uma nova forma de exploração viking dos povos do sul), são bons e alguns percursos são fascinantes. De comboio, fizemos a linha de Bergen (linda!), de Oslo a Myrdal (cerca de 4h30, 5h00 de viagem), onde apanhámos o Flåmsbana, o comboiozinho que percorre, dizem, uma das linhas férreas mais bonitas do mundo, de Myrdal a Flåm. A paisagem é deslumbrante, ao longo de cursos de água, por entre montanhas, florestas, quedas de água (uma, com direito a "photo stop") até chegar ao Aurlandsfjorden. 20,20 Km, numa horinha de viagem muito bem aproveitada.



Em Flåm, apanhámos o Express Boat para Balestrand (cerca de 1h30). Três dias depois, fizemos o resto da viagem, até Bergen (cerca de 4 horas). A companhia que explora as ligações fluviais no Sognefjorden, a Fjord 1 / Fylkesbaatane, disponibiliza ferries, barcos rápidos (para trajectos maiores) e, no Verão, excursões organizadas, como aquela que fizemos ao glaciar. Tem um site internético muito informativo, com todas as ofertas disponíveis, para turista ver, e ainda horários e tarifas (estes, em norueguês).



O trajecto de Flåm a Bergen é fascinante, quase 6 horas de viagem, a uma velocidade alucinante, ao longo de uma paisagem maravilhosa.
De Bergen, voltámos a Oslo (cerca de 6h30, 7h00 de viagem), no comboio nocturno, em couchette, porque já tínhamos feito parte da viagem de dia (vale, francamente, a pena, que a paisagem é linda) e sempre poupámos uma noite de dormida. Em Oslo, apanhámos o comboio rápido para Estocolmo, explorado pela companhia ferroviária sueca: o Linx, uma espécie de Alfa a preços de TGV. Cinco horas de viagem, num dia chuvoso, nada a salientar.



De Estocolmo a Helsínquia, fizemos a viagem nocturna da Viking Line, a bordo do Mariella, um navio titânico, de oito andares, com casinos, restaurantes, bares, discotecas, corredores imensos, com cabinas muito confortáveis (recomendo vivamente a nossa opção -- a cabina mais barata, interior, com duas camas em beliche e casa de banho totalmente equipada, um luxo). Partida às 16h50, chegada às 9h55, hora finlandesa (Estocolmo +1, Lisboa +2). A viagem diurna, consta que é fascinante, porque o trajecto atravessa o arquipélago de Åland (um dos mais bonitos do mundo, ao que dizem), com escala em Mariehamn. Mas a viagem nocturna é mais concorrida, pela animação, pelas fenomenais bebedeiras e pelos namoricos que aí se arranjam. Sim, que a maior parte daquela malta faz a viagem por duas razões: a diversão e o açambarcamento de bebidas alcoólicas, mais escassas e caras em terra (as ilhas Åland são zona franca). Apercebi-me de que muitos fazem a viagem de noite e apanham o barco da manhã, de regresso a casa, carregadinhos de cervejas!
O mesmo vale para os passeios a Tallinn, capital da Estónia, uma cidade lindíssima, património da Humanidade (de que vos falarei um dia), onde os finlandeses se vão abastecer a preços de Leste.
Há várias companhias a operarem as ligações marítimas: a Viking Line e a Silja Line são as maiores. Para Tallinn, há ainda a Eckerö Line, a Nordic Jet Line, a Tallink -- nós fomos de catamaran com a Linda Line (1h25 de viagem), mais barata e com horários mais convenientes para nós.



De Helsínquia, fomos de comboio para Savonlinna (cerca de 5 horas), o destino mais turístico do lago Saimaa (o maior dos ditos mil). Porém, encontrámos tudo muito calmo, que a época baixa, na Finlândia, começa a 15 de Agosto, com o regresso às aulas e à chuva.
Para darmos uns passeios ali à volta, que o lago bem o merece, alugámos um carrito: 103 € / dia!
Comboio para Lappeenranta (2h30, 3h00 de viagem, a Rússia mesmo ali ao lado e um dia muito chuvoso e desagradável), onde pernoitámos, antes de tomarmos o autocarro para o aeroporto de Helsínquia, cheiinhas de saudades de casa e do sol e ansiosas por um belo passeio em Amesterdão...

Reservas: de Lisboa, levámos apenas os bilhetes de avião e da ligação Estocolmo-Helsínquia (comprada na Nordictur, o agente oficial, em Portugal, da Viking Line e do turismo escandinavo), porque, nos fins de semana, aquelas viagens esgotam depressa. Das restantes ligações, fomos tratando à medida que chegávamos a cada poiso, uma de cada vez, com calma. Os alojamentos, reservámo-los quase todos com antecedência, por e-mail, deixámos só em aberto os últimos dias na Finlândia, que decidimos com a preciosa ajuda de uma funcionária do posto de turismo finlandês em Helsínquia.
Só mais uma nota, para elogiar o empenho nórdico na informação e no apoio ao turismo. 5 estrelas!

Entre Balestrand e Valhalla

Quando decidimos explorar o Sognefjorden, pensámos fixar-nos em Flåm, mas duas palavrinhas num imeile ("Sorry. Full") obrigaram-nos a alterar os planos. Já nem sei bem como nem porquê, resolvemos atravessar o fiorde para norte, equacionámos a proximidade ao Jostedalbreen, as ligações a Vik e Bergen e optámos por Balestrand.



Balestrand é uma terra pequena, à beira do Sognefjorden, encaixada entre montanhas, com glaciares ao fundo e florestas a perder de vista. O skog é uma instituição local, com percursos mais ou menos bem organizados para caminhadas (peçam informações no posto de turismo, mas comprem o mapa colorido, não vão na treta da fotocópia em pb, que nos fez andar em círculos durante horas -- bom, sempre aproveitei para colher framboesas).



A vila em si tem um porto pequeno, com uma magnífica vista sobre o fiorde, uma igreja anglicana dedicada a Santo Olavo, construída em madeira, nos finais do século XIX, ao estilo norueguês (Stavkyrkje), um hotel enorme, também de madeira, de estilo suíço, que parece tirado de um filme dos anos 20, um Aquário, três restaurantes (que só servem até às 21h -- um deles funciona, depois dessa hora, como bar), um supermercado, uma ou duas lojas para turistas, mais um ou dois hotéis menos estrelados, uma escola, um edifício moderno onde funciona a câmara municipal e o posto de polícia, e pouco mais, que nós víssemos.
De resto, vivendas de madeira, com os seus jardinzinhos, muito bem cuidados, muito floridos (no Verão, pelo menos). Consta que Balestrand, devido à sua situação geográfica privilegiada, é, de há muito, um pólo de atracção e inspiração para artistas e, actualmente, também para turistas, mas mantém-se uma terrinha sossegada.



O hotel grande tem uns jardins à beira da água, com uma vista fabulosa, onde se dão belíssimos passeios ao serão, desde que se ignore o aviso "For guests only". É claro que não íamos delapidar os nossos eurinhos portugueses nas diárias brutais do Kvikne's Hotel: as pousadas de juventude (Vandrerhjem) revelaram-se, na Noruega como na Finlândia, uma excelente opção (relação qualidade/preço, asseio, sossego, acessibilidade) -- agradeço o conselho à Fabienne e à Karen. A propósito, se a opção vos agradar, não se esqueçam de tirar, em Portugal, o cartão de alberguista, que sempre dá mais uns descontos nas diárias. E digam lá se não ficámos bem instaladas? A frente do edifício pertence ao hotel Kringsjå, a pousada fica na parte mais recuada, à esquerda (reparem no pormenor da varanda individual para cada quarto, com vista para o fiorde...):



Os passeios ao serão, em Balestrand, são memoráveis: em Agosto, o pôr-do-sol parece interminável e prolonga-se numa luminosidade fantasmagórica, numa neblina de um azul indescritível, que deixa imaginar velhos drakkars a velejarem para Valhalla. Às onze da noite, era possível andar na rua sem iluminação pública e até ler e escrever!
E não vos falo do meu cantinho favorito: uma rocha de onde se tem uma vista absolutamente feérica, onde se ouve o bater lento da água, sem ondas nem marés, onde a água é muito verde e muito límpida, onde as algas trepam pelas rochas até à superfície, como pequenas florestas aquáticas, e ficam a boiar, na linha de água e na minha memória.

Fjorden og skogen

O maior fascínio da Noruega está, inegavelmente, na beleza natural.
Os fiordes aparentam ser rios, de caudal variável, que serpenteiam entre montanhas de granito e florestas. Na verdade, são sulcos escavados, ao longo dos tempos, pelo degelo dos glaciares (que vai aumentando progressivamente, com o aquecimento global). O mais espantoso é que a altura impressionante que as montanhas atingem acima do nível da água é idêntica à profundidade submersa!



Com tantas montanhas e glaciares, a Noruega tem a costa toda ela recortada por fiordes. A escolha é variada, mas, para quem não conseguir decidir-se, há sempre a possibilidade de um cruzeiro costa acima, de Oslo ao Cabo Norte. Esta alternativa não nos seduziu, por um lado, pela ideia de ficarmos presas numa embarcação durante mais de uma semana, numa zona de clima muito instável, e, por outro lado, pela enormidade de euros que essa opção envolveria. Assim, a escolha recaiu no Sognefjorden, o maior fiorde do mundo (204 km de comprimento e 1308 m de profundidade) e em alguns dos seus afluentes (Aurlandsfjorden, Esefjorden, Færlandsfjorden...), o que nos permitiu múltiplos passeios deliciosos, por água e por terra.



Sediadas em Balestrand, demos um pulinho ao Supphellebreen e ao Bøyabreen, dois braços do Jostedalbreen, o maior glaciar da Europa continental (487 km2). Impressionante, toda aquela quantidade de gelo azul (percebi, finalmente, o significado de "azul glaciar"), branco e cinzento (quando sujo pelos sedimentos arrastados), que vai escorrendo, pingando, devagar ou, pontualmente, derrocando em avalanches (como uma, pequena, a que tivemos o privilégio de assistir), aumentando, pouco a pouco, o caudal do fiorde. Aconselho, vivamente, uma visita ao Museu do Glaciar, didáctico e interactivo.



Água a escorrer é o que não falta nas montanhas norueguesas, por entre uma quantidade impressionante de florestas, selvagens, naturais e, sobretudo, limpas, onde abundam o musgo, os cogumelos e as bagas silvestres. As amoras são amargas, agora as framboesas...



Fiquei rendida às "skogadas", os nossos passeios de fim de tarde nos bosques, à doçura das framboesas silvestres e à variedade de cogumelos.



Atenção: nas páginas internéticas, não se esqueçam de procurar uma bandeirinha inglesa, ou outra forma de opção linguística. Se não, uma no cravo outra na ferradura, que é como quem diz, com uns conhecimentozinhos de alemão e de inglês, vão ver que até dá para perceber qualquer coisita, que o norueguês não é nenhum bicho de sete cabeças!

Hilsen fra Norge

A Noruega é paisagem, o resto são cidades.
Não pretendo com esta afirmação diminuir o interesse das últimas, mas sim superlativar a beleza natural do país.
Oslo não é uma cidade assim tão feia, que se veja num dia -- este é o tipo de conselhos que me põem os cabelos em pé: acredito que espaços que aglomeram e atraem milhares ou milhões de pessoas alguns pontos de interesse hão-de ter, ou então muito estúpidos devem ser os habitantes locais que não os souberam criar e se contentam em viver estupidamente num sítio feio e desinteressante.
Oslo (com quase meio milhão de habitantes) tem igrejas, museus (muito Munch, muito Munch... e muitos gritos... Aconselho visitarem a Galeria Nacional e o Museu Munch, para terem uma panorâmica mais abrangente da obra do pintor), a fortaleza e o castelo medieval (Akershus slott), o fiorde, o apelo da água, omnipresente.



De barco, chega-se facilmente a Bygdøy e à península de Bygdøynes, onde acumularam alguns museus interessantes (um dos quais, o museu vivo -- Norskfolke Museum --, que não visitei, mas me afiançaram depois ser um dos melhores dentro do género), entre outros:
> o museu do barco viking (Vikingskipshuset), onde se podem observar 3 dos ditos (que em tempos serviram de túmulos, que a turfa e a terra fria conservaram) e explicações detalhadas sobre a vida dos vikings, com as quais tentam provar que os tipos eram sobretudo comerciantes, que até contribuíram para o desenvolvimento de alguns territórios invadidos!;
> o museu Kon-Tiki (Kon-Tiki museet), onde se pode ver a dita jangada e o Ra II, das expedições lideradas por Thor Heyerdahl;
> o museu Fram (Frammuseet), onde se pode visitar o navio onde Amundsen e companhia fizeram as famosas expedições ao Árctico e à Antárctida.
Todos muito bem ilustrados e documentados. Impressionante é ver barcos e navios, alguns de tamanho considerável, metidos dentro de casa (ainda não tinha eu visto o Vasa, em Estocolmo...). Imaginem uma espécie de Museu dos Coches, mas, em vez de coches, com naus e caravelas, e talvez fiquem com uma ideia daquilo que eu quero dizer.
Bom, tenho de confessar que, com muita pena e contra a minha política, acabei por ficar só um dia e uma manhã em Oslo (ainda deixei por ver o parque de estátuas de Vigeland, que me dizem ser belíssimo). Mas é que o apelo da natureza era mais forte, e só tínhamos destinado uma semana para a Noruega.
De Oslo não posso, pois, falar muito mais. Mas ainda conseguimos enfiar quase 3 dias em Bergen (agradeço o conselho à Karen).
É uma belíssima cidade, infelizmente, muito mais turística, confusa e suja que Oslo, mas, também, mais bonita. Encaixada entre sete montanhas e sete fiordes, o seu ex-libris é Bryggen, o porto alemão (classificado pela UNESCO como património da humanidade), que, entre os séculos XIV e XVIII, fez parte da liga hanseática. Era arduamente defendido pelos comerciantes alemães, que tinham leis duríssimas, que impediam, nomeadamente, qualquer contacto com os nativos noruegueses -- imagino como deviam ser amigáveis as relações de vizinhança...



E ainda:
> a fortaleza medieval, com a torre de Rosencrantz e o Håkonshallen;
> os bairros antigos, ainda com casas de madeira, muito bem conservadas;
> o monte Fløyen, com o seu funicular Fløibanen, de onde se tem uma magnífica vista da cidade;



> o mercado de peixe ao ar livre (Fisketorget), no porto, onde se apanham barrigadas de salmão, marisco, caviar e bagas variadas;
> os vários museus (mais Munch, mais Munch, e não só, é claro! Destaco o Museu de Arte e também um pequeno museu vivo, o Gamle Bergen, simpático);
> a sua característica mais marcante: a intensa pluviosidade (cerca de 219 dias por ano). Mesmo assim, ainda conseguimos apanhar umas abertas simpáticas.

Se puderem, aproveitem e vão, à confiança!

Primeira incursão por terras dos vikings

Equipa de exploradores: eu e a Ana Isabel.
Duração da expedição: de 6 a 25 de Agosto de 2003.
Itinerário: Lisboa – Oslo – Balestrand – Bergen – Oslo – Stockholm – Helsinki – Tallinn – Helsinki – Savonlinna – Lappeenranta – Helsinki – Amsterdam – Lisboa (com várias incursões e excursões adicionais).



Catástrofes (naturais ou não): nenhuma, desta vez.
Condições climatéricas: variáveis, desde o muito bom até ao relativamente mau (não cheguei a usar o biquini, mas também não precisei da capa impermeável -- um guarda-chuva fracote deu conta do recado, sempre que se justificou). Com "relativamente mau", quero dizer, concretamente, alguns dias cinzentos e até mesmo chuvosos (42% do total). Uma chuvinha pouco apreciada pelos veraneantes, mas necessária para manter os níveis de humidade que permitem a manutenção de uma quantidade impressionante de florestas -- a tal chuvinha que fez muita falta em Portugal, a avaliar pelas notícias que ia tendo de casa.
Espólio: 10,5 rolos fotográficos e muitas imagens (visuais e não só) que pretendo converter num formato jpeg cerebral compatível com a minha memória (que já não é o que era).

Porquê...?
... Amsterdam: porque seria um pecado não aproveitar uma escala de quase 6 horas, numa tarde lindíssima, para conhecer uma cidade muito interessante e ainda visitar o museu Van Gogh, associando-nos, assim, à comemoração dos 150 anos do pintor.
... Primeira incursão: porque me sinto cada vez mais decidida a aceitar um determinado convite para ir conhecer mais um pouquinho das terras nórdicas, em particular um país que sobrevoei no regresso, e que me pareceu muito interessante (¿vale?).

Pormenores? Muitos, a seu tempo. Como diria o meu velho amigo de infância Woody Woodpecker, "don't go away, I'll be back soon with another cartoon! Ah ah ah ah ah!"

Uma formiguinha na Grécia

A Grécia é um país de excessos: demasiado bonito, demasiado montanhoso, demasiado quente (em Agosto, claro, sina de professora -- 2000, a propósito), tem demasiadas ilhas (incontáveis), demasiado mar (nenhum ponto do seu território dista mais de 75 km da costa), demasiados mares (Jónico, Egeu e Mediterrâneo), demasiados vestígios arqueológicos (que, ao fim de três dias, passado o respeito inicial, acabamos a apelidar familiarmente de "calhaus"), demasiados turistas... A comida é demasiado boa (as moussakas, senhor, as moussakas... e o kataifi, o tzatziki, o peixe, a fruta...), o vinho retsina demasiado mau (essência de Sonasol Verde, segundo a Ana Isabel), o mar demasiado azul, tépido, calmo e límpido, os condutores demasiado maus (alguém me há-de explicar as estatísticas que põem Portugal no top da sinistralidade rodoviária), a língua e o alfabeto demasiado complicados...
No entanto, logo ao segundo dia, o que mais se insinua, demasiado persistente e irritante, é um som de fundo que penetra nos nossos ouvidos e faz todo o percurso interno até atingir cada um dos nossos neurónios. Nas avenidas atenienses, é abafado pelo tráfego automóvel, nas ruas mais pequenas, pelo bulício do comércio de uma cidade meio indefinida entre o Ocidente e o Oriente. Mas basta tomarmos as ruelas da Plaka, que sobem até à Acrópole, determo-nos um pouco na Ágora antiga, talvez a beber um Frappé (Nescafé gelado), numa esplanada, à sombra de uma latada, ou sairmos da cidade e embrenharmo-nos pelo campo, e lá vem ele, como que exalado das árvores e do calor. Um cri-cri elevado a uma potência com muitos zeros, capaz de liquidificar o cérebro a qualquer um. Uma análise mais atenta dos troncos das árvores (por alguém menos míope que eu) revela uns insectozinhos camuflados, quase imperceptíveis na forma, que não no conteúdo: Cicada fraxini, de seu nome científico.
Apesar de todo o amor universal que me merece qualquer ser vivente, não consegui deixar de sentir uma satisfaçãozinha interna ao pensar que, chegado o Inverno, todos aqueles bichinhos que tanto cantavam haviam de dançar como o Zorba...

Viagem na terra delas

Foi no domingo bem cedo,
Depois da mandriação,
Qu'eu mais a minha amiga Ana
Fomos até Mamporcão.

Saímos do vale viçoso
Inda não era meio-dia,
Fomos pela estrada fora
Vendo o que o mapa dizia.

Armámos de envergadura
Ir p'lo caminho às avessas,
Cuidando chegar a horas,
Esperámos, para não ter pressas...

Mesmo com o mapa ao contrário,
Chegámos cedo de mais,
Depois de andarmos perdidas
Por entre hortas e animais.

À mendiga de uma sombra,
Topámos com uma oliveira,
Onde tirámos retratos
Quase meia hora inteira.

Chegada a hora da festa,
Ajuntou-se o pessoal:
O monte era uma beleza
E a comida divinal!

Depois a prosa à sombrinha,
Sericaia e melancia
E os parabéns à Clara,
Que mais um ano fazia.

Agora é que eu compreendo
Esta gente de Lisboa
Que já não quer outra coisa:
No monte é que a vida é boa!

Quero deixar em remate,
Em jeito de conclusão,
Um beijinho à Ana Cravo
Por tão grande inspiração.

E um grande abraço à Clara
P'las velas que não contei,
P'la amizade e a paciência
P'rò que ela sabe e que eu sei...

O Danúbio azul


Prova A


Prova B

O Danúbio não é azul. Pelo menos, nunca lhe vi tal cor. Não que não fosse já prevenida: a minha amiga Ana Margarida já me tinha avisado que, mito antigo ou poluição moderna, o rio era mais esverdeado.
Vi-o pelo primeira vez em Viena, em Agosto do ano passado, logo no segundo dia da minha estada ali. Tenho um certo fascínio pelos cursos de água em torno dos quais cresceram as grandes cidades (e pelos rios que correm por todas as aldeias). Em Viena, o Danúbio é uma referência incontornável. No primeiro dia, vi o canal, que atravessa o centro da cidade, mas, no dia seguinte, senti a necessidade de ir conhecer o rio.
O Danúbio é tudo menos azul: verde, geralmente, cinzento ou acastanhado, quando o tempo o exige. E exigiu-o muitas vezes, enquanto eu lá estive, que acertei em cheio num dos piores Agostos que a Europa central viveu nos últimos 100 anos, pelo menos. Mas isso é história para outra lareira...
É um rio impressionante, com um caudal largo e poderoso. Em Viena, está quase todo domesticado, canalizado entre margens trabalhadas, absolutamente paralelas. Mas guardo uma doce recordação de um fim de tarde na ilha, sentada à beira-rio, a ver o pôr-do-sol tingir a água de tons rosados...
Porém, o meu contacto com o Danúbio não se ficou pelas margens: num dia chuvoso, embarquei num hydrofoil com destino a Budapeste.
O trajecto faz-se por vários desníveis, compensados por comportas que, pontualmente, exigem paragens de cerca de 30 minutos, enquanto se faz a reposição do nível da água. A mais impressionante impõe uma descida de 18 metros.
O percurso é bonito, entre florestas, uma aldeia aqui, um castelo ali, uma cidade maior, de vez em quando, como Bratislava. Em território eslovaco, o rio recupera o seu estado selvagem, com margens irregulares e ilhotas, imenso e imponente. Mas continuava acinzentado, como o tempo, de resto.
Na Hungria, a paisagem fica magnífica: montanhas, montes, vales, tudo muito verde, Esztergom, Vác... e uma belíssima entrada em Budapeste, recebidos pelo inconfundível Parlamento (que se confunde imenso com o londrino) e pela Ponte das Correntes (Széchenyi lánchid).
Também em Budapeste, o rio é incontornável. Aconselho vivamente os passeios pelas muitas pontes, de dia ou de noite. Se algum dia o virem azul, não se esqueçam: tirem-lhe o retrato e enviem-mo, que isso era algo que eu gostava de ver... Eu e a minha amiga Ana Isabel, grande companheira de viagens, para quem deixo aqui um grande beijinho.

Budapeste e a santidade

Há dias, procurando informação cibernética para as minhas próximas férias (está quase, está quase!), deparei-me com uma curiosidade, que me lembrou outros destinos:

«Let's Go Picks Weirdest religious relic: The light-up right hand of St. Stephen in Budapest.»

Em Agosto do ano passado, aquando da minha passagem por Budapeste, chamou-me igualmente a atenção a dita relíquia. Vi-a num dia em que fui visitar a Basílica de Santo Estêvão (Szent István, em húngaro). É um monumento sumptuoso, entre o neo-clássico e o neo-renascentista (dois arquitectos sucessivos...), com uma grande cúpula (22 m de diâmetro por 96 m de altura) e um interior ricamente decorado, todo em mármore de várias cores (cerca de 150 tipos de mármore diferentes). Foi totalmente destruída pelos bombardeamentos dos aliados, durante a IIGG, e encontra(va)-se ainda em obras de reconstrução.
Num primeiro impacto, o que mais me impressionou foi a figura de um enorme huno (perdão, magiar, que eles recusam tão bárbara ascendência) de grandes bigodes e espada à cinta, em mármore branco de Carrara, no altar, onde é habitual encontrar mártires judeus ou figuras religiosas com ar piedoso.
Parece que, afinal, na Idade Média, para se ser santo, bastava ser sanguinário o suficiente para matar um punhado de infiéis. O rei Estêvão, além de ter sido coroado pelo próprio Papa, foi canonizado 45 anos depois de morrer. Canonizado foi também o filho, o príncipe Imre (Emericus, em latim, Américo, em português), que mais não fez que deixar-se assassinar por um inimigo político. A mãe, essa, não passou de beata (se bem que, entretanto, já lhe tenha ouvido chamar santa). A beata Gisela tem direito a uma pequenina relíquia, aparentemente um ossinho da mão ou do pé, que 50 florints fazem iluminar por dois minutos, para deleite dos crentes. Mais significativa é, de facto, a relíquia do marido: o rei guerreiro tem a sua mão fechada (a Santa Direita), negra e ressequida à disposição dos fiéis. A 50 fl cada 2 minutos, entenda-se.



A santa família húngara foi, de resto, uma família alargada: o braço direito do rei, o bispo Gellért (Geraldo), foi atirado pelos inimigos, dentro de um barril, do cimo do monte de Buda (onde hoje existe um monumento em sua homenagem) até ao Danúbio. Converteu-se no primeiro mártir cristão húngaro, consequentemente canonizado (pelos vistos, na corte do rei Estêvão era canja).

Agora, alguns dados históricos, para que não pensem que isto é só conversa fiada:

Estêvão I (c. 969-1038): nascido Vajk, filho do duque Géza (bisneto de Árpád, grande líder da tribo magiar e fundador da nação húngara) e de Sárolta (filha de um chefe tribal). O seu pai foi convertido ao cristianismo por Santo Adalberto, Bispo de Praga, e fez-se baptizar, em 974, juntamente com o filho, cujo nome foi, então, mudado para Estêvão (István). Em 996, casou com Gisela, filha do duque Henrique II da Baviera e irmã do futuro Imperador Henrique III. Em 997, sucedeu ao pai, após a morte deste. Deu início a um processo de unificação dos povos da região húngara e intensificou a evangelização do território. Organizou os magiares nas linhas do feudalismo germânico e acentuou a base religiosa da nova sociedade, para o que contou com a ajuda dos monges beneditinos, aos quais auxiliou na construção de vários mosteiros. Recebeu a coroa da Hungria e o título de Rei Apostólico das mãos do papa Silvestre II, no Natal do ano 1000. A coroa real húngara é até hoje venerada como relíquia e como símbolo da nacionalidade (a coroa, só por si, tem também história que chegue... Se pedirem muito, eu conto.).
Diz-se que dedicou a vida a fazer do seu reino, tanto quanto possível, uma imagem do Reino dos Céus (!!! Naquela época, não estou a imaginar bem como...). Deixou por escrito normas de governo para o seu filho e herdeiro, Américo, o qual não chegou a reinar, pois faleceu antes do pai.
Após a sua morte, a 15 de Agosto de 1038, desencadearam-se revoltas variadas e lutas sucessórias. Henrique III da Alemanha tentou anexar a Hungria, mas ao rei Estêvão acabou por suceder o sobrinho Pedro (1038-1046). A sua esposa, Gisela, retirou-se para uma abadia de beneditinas, levando uma vida de santidade.
Foi canonizado a 20 de Agosto de 1083, tornando-se o santo padroeiro da Hungria, celebrado anualmente no dia 20 de Agosto (dia de Santo Estêvão, transformado pelo regime comunista em Dia da Constituição). Da celebração, constava, tradicionalmente, uma procissão com a exibição da Santa Direita, encontrada miraculosamente preservada, aquando da abertura do túmulo, em 1083.

São Geraldo: bispo e primeiro mártir da Hungria. Abraçou a vida religiosa na Ordem Beneditina e em pouco tempo chegou ao serviço de abade do mosteiro. A Providência Divina levou-o de Veneza, na Itália, para ser o educador de Santo Américo, filho do rei Estêvão da Hungria. Voltando de uma viagem à Terra Santa, passou pela Hungria e a pedido do rei assumiu a missão de evangelizar com o seu grupo aquela nação, tendo sido nomeado bispo, nas fronteiras da Hungria, Roménia e Jugoslávia. Com a morte do rei, começou a luta pelo poder e ele lutou pela paz onde reinava a discórdia. Um dos pretendentes não só era contra o bispo, mas cultivava o ódio pelo Cristianismo.
Numa viagem em socorro do povo com a fé ameaçada, foi preso e apedrejado até à morte pelos inimigos da fé, em 24 de Setembro de 1046 (estranha omissão do episódio do barril...).

Ou, nas palavras de alguém mais credenciado do que eu (ou do que os duvidosos sites brasileiros de santinhos que consultei -- entre outras fontes, é claro):
Mensagem do Santo Padre João Paulo II por ocasião da celebração do milénio do Cristianismo na Hungria
Carta Apostólica do Santo Padre ao Povo Católico da Nação Húngara por ocasião do encerramento do "Milénio Húngaro"

Albufeira, Niagara Falls e Las Vegas

Ainda sobre Albufeira, convém frisar que todas as verdades absolutas têm o seu quê de relativo.
Dizia-me há dias a Anna, a minha aluna finlandesa, que Albufeira a tinha decepcionado bastante: esperava sol, praia e natureza, e em vez disso caiu em cheio num dos centros turísticos mais explorados de Portugal. «Parecia que estava em Las Vegas! Mas, pelo menos, quando fui a Las Vegas sabia ao que ia e com o que podia contar. Aqui, senti-me enganada».
Lembrei-me da impressão que tive, quando, em Agosto de 2001, fui conhecer as famigeradas cataratas do Niagara. Aproveito para fazer minhas as minhas próprias palavras e cito o relato que então fiz, por carta, ao Vítor:

«Este Verão, lá atravessei os Estados de Vermont e Nova Iorque na senda das famosas cataratas do Niagara. Um dos lugares mais bonitos do mundo, que regista o recorde mundial de venda de rolos fotográficos, e, ainda, um dos mais românticos, verdadeiro paraíso de lua-de-mel. Confirmei isso mesmo nas muitas fotos que encontrei nos diversos sites internéticos sobre turismo.
Chegámos já tarde, por volta das dez da noite. Lembro-me da primeira impressão, à chegada, e da minha exclamação: «This is freakin’ Las Vegas!» (trad. port. «Esta porra é mas é a Feira Popular!»). Nunca vi tanto local de diversão junto: ele eram casinos, casas de jogos, comboios fantasmas, casas do terror, museus do horror (não percebi a fixação temática, tão pouco conforme ao publicitado romantismo do local), Hard Rock Café, MacDonalds, Burger King (com um Frankenstein gigantesco em cima do telhado), pipocas, hot dogs, uma multiplicidade de lojas de souvenirs (alces, polícias montados, bandeiras canadianas, copos, chávenas, porta-chaves, mil e um itens com a imagem das ditas cataratas -- que sempre existiam, afinal). Tudo isto rodeado por uma cintura de restaurantes, hotéis, supermercados e outlet shoppings. O mais romântico que encontrei foi uma capela decorada a néon, que realizava casamentos instantâneos e oferecia serviço completo, limusina incluída. Limusinas era, de resto, o que mais se via por lá: as maiores parecia terem a capacidade de um T4. E serviam também para empatar o trânsito, que, por volta da meia-noite, era mais intenso que o tarantantam da Calçada de Carriche em hora de ponta.
Inenarrável. Tive de tirar uma fotografia, porque, como eu já esperava, o pessoal cá teve dificuldade em acreditar no meu relato. Só visto!



E as cataratas? Perguntas tu, com certeza, e perguntaram eles. Depois do jantar, lá fomos à procura das ditas, na esperança de as encontrarmos antes da meia-noite, hora a que desligam a iluminação nocturna (outra das atracções turísticas do local -- é assim tipo fonte luminosa colorida, ou fonte cibernética, como se diz agora). Demorámos bem uma hora para conseguir estacionar o carro e saímos a correr, na esperança de lá chegar antes da meia-noite. Nada feito: nós a chegarmos ao miradouro e as luzes a apagarem.
E as cataratas lá estavam, impávidas e imponentes, mais ainda na escuridão. Mil pés de largura por 162 pés de altura, a debitarem 40 milhões de galões de água por minuto, a acreditar na informação turística. E isto só a Ferradura canadiana, sem contarmos com as cataratas americanas, um largo véu de água e neblina. São uma força da natureza, uma coisa impressionante. Tudo isto do outro lado da estrada, ao alcance de uma zebra. Para cá, ficava o caos nocturno, a que as cataratas pareciam perfeitamente indiferentes, e as pessoas a elas.
De manhã, era o corrupio para o Maiden of the Mist, o barco (que são na realidade dois ou três) que faz o percurso junto às cataratas, e onde se gastam os tais rolos de fotografias (que, por sinal, há à venda por todo o lado). Milhares e milhares de pessoas amontoavam-se, primeiro, junto às bilheteiras, depois, de impermeável azul e máquina fotográfica em punho, no cais, como que à espera do cacilheiro.
Não nos apeteceu. Aquilo era missão para horas e horas de seca, a manhã ia alta e tínhamos ainda muito pó de estrada que comer. Deixámos as cataratas para trás, lindas, imponentes, indiferentes, e partimos, rumo a novas aventuras.»



Sim, Albufeira anda lá perto. E não vos falo aqui de Rodes, que a prosa já vai longa -- fica para uma próxima oportunidade. Aproveito só para deixar muitos, muitos beijinhos para os meus companheiros da saga norte-americana, a Ana, o Carlos e a Audrey.

Albufeira

Uma verdade absoluta, para o ser, precisa de ser sujeita ao método experimental. E precisa, sobretudo, de resistir ao tempo e à experimentação.
Este último fim de semana, pude comprovar novamente, por intensa experimentação, que a felicidade tem fortes probabilidades de depender de três factores: um sol radioso, uma espreguiçadeira e uma piscina.
Agradeço ao meu irmão o patrocínio da experiência.