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Farol da Barra


Salvador (Bahia, Brasil), Agosto de 2025

O Farol da Barra, ou Farol de Santo António, é o farol mais antigo das Américas ainda em funcionamento e um dos ícones da capital baiana. Foi instalado em 1698, no interior do Forte de Santo António da Barra. Inicialmente, tinha um formato quadrangular, com uma lanterna de bronze envidraçada no topo, alimentada a óleo de baleia. A torre actual, de 1839, tem 22 metros de altura, é troncónica, em alvenaria, com lanterna e galeria, e foi pintada com riscas pretas e brancas. Em 1937, o sistema de iluminação "Barbier" (incandescente a querosene) foi substituído por luz eléctrica.

Farol de Santa Catarina


Figueira da Foz, Junho de 2022

O Farol de Santa Catarina é constituído por uma torre cilíndrica em ferro fundido com cerca de 10 metros de altura, com lanterna e galeria, tudo pintado de vermelho. Foi construído em 1888 e desactivado como ajuda à navegação em 1969. Sofreu obras de recuperação, incluindo substituição integral da chapa e dos varadins, em 2001.
Advém-lhe o nome de ter sido instalado no interior do Forte de Santa Catarina.



O Forte de Santa Catarina teve a sua construção iniciada cerca de 1590, sobre alicerces que se acredita remontarem ao reinado de D. João I (1385-1433).
"À época da Dinastia Filipina, em Outubro de 1585, alguns homens-bons da Câmara Municipal de Coimbra requereram a Filipe I de Portugal (1580-1598) a construção de um forte, a erguer à entrada da barra do rio Mondego, nos rochedos conhecidos como Monte de Santa Catarina. Em atenção a essa solicitação, as obras de edificação do forte terão sido iniciadas algum tempo depois, com recursos oriundos das rendas da vila de Buarcos, da Universidade de Coimbra, do Cabido e do Mosteiro de Santa Cruz."
O Forte apresenta planta no formato triangular, orgânica, adaptada ao terreno irregular sobre o qual se ergue. Foi criticada por apresentar um ângulo muito agudo nas faces de um dos baluartes, que poderia comprometer a defesa. Os restantes apresentam-se com faces em forma de cauda de andorinha. Na praça de armas, foram edificadas as casernas e a Capela de Santa Catarina - um oratório de planta quadrangular e tipologia maneirista, edificado por volta de 1598, com uma imagem da padroeira datando do século XVIII.
Ameaçou ruína por diversas vezes e sofreu obras de reforço, iniciadas em 1643, no contexto da Restauração da Independência. Nessa altura, foi aumentada uma das cortinas da fortificação, ampliando-lhe a artilharia para 15 peças de diferentes calibres.
Em 1888, foi aí instalado o farol.



O Forte tem uma história atribulada: foi saqueado por corsários ingleses, em 1602; foi ocupado pelas tropas napoleónicas, sob o comando de Junot, no contexto da Guerra Peninsular, em 1808; alguns meses depois, foi libertado por uma força constituída por duas dezenas de estudantes voluntários da Universidade de Coimbra, sob o comando do Sargento de Artilharia Bernardo António Zagalo e do Sargento de Infantaria Inácio Caiola, à frente de algumas centenas de populares; foi ocupado em seguida pelas forças do Almirante Charles Cotton, que, no comando da esquadra britânica ao largo da costa portuguesa, pôde dessa forma assegurar o desembarque seguro de 13.000 homens sob o comando de Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington, na costa de Lavos, a 1 de Agosto do mesmo ano.



O conjunto de Forte e Farol encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público, por Decreto de 1961.

Farol da Nazaré






Nazaré, Julho de 2019

O Farol da Nazaré, a que Garrett McNamara deu visibilidade mundial, está situado sobre a muralha do Forte de São Miguel Arcanjo. Desta vez, por motivos vários, não o pudemos visitar, limitando-nos a vê-lo de longe (e, como fiquei sem bateria, só consegui captar umas imagens ranhosas).

Farol da Ponta dos Capelinhos


Capelo (Faial, Açores), Agosto de 2019

O Farol da Ponta dos Capelinhos foi inaugurado a 1 de Agosto de 1903 e deixou de operar em 29 de Setembro de 1957, em virtude da grande erupção vulcânica. Dos dois pisos do edifício, o primeiro encontra-se soterrado pela areia, como tudo em redor. O próprio Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos foi construído debaixo do solo, pelo que não há quase nada que perturbe a solidão da paisagem.











A paisagem dos Capelinhos é uma das mais impressionantes que já vi: uma enorme extensão de areia negra e rocha encrespada sobre o mar. Pensar que a terra acabava junto ao farol e que foi o vulcão que fez surgir uma nova ilha e cuspiu a areia que viria a formar o istmo que a liga à Ilha do Faial, que assim se viu aumentada.













A área de erupção está classificada como paisagem protegida de elevado interesse geológico e biológico e integra a Rede Natura 2000, com o código PTFAI0004.

Farol do Cabo Carvoeiro


Cabo Carvoeiro (Peniche), Agosto de 2019

O Farol do Cabo Carvoeiro faz parte do grupo de seis faróis mandados edificar pelo alvará pombalino de 1 de Fevereiro de 1758 que criou o Serviço de Faróis em Portugal. Entrou em funcionamento em 1790, mas foi integralmente reedificado em 1886, tendo ficado com uma torre de 26,80 metros de altura, situada a 56,80 metros de altitude acima do nível do mar. Tem, actualmente, um alcance de 15 milhas.















Farol da Berlenga




Berlenga Grande (Berlengas, Peniche), Agosto de 2019

Vista de Peniche, num dia claro, a Berlenga parece um bolo com uma vela branca ao centro. Esse pino que se destaca no horizonte é o Farol da Berlenga.
O também chamado Farol Duque de Bragança estava previsto no alvará pombalino de 1 de Fevereiro de 1758, que o mandava edificar, mas só foi construído no século XIX, na sequência de uma portaria do Ministério da Fazenda, de 12 de Dezembro de 1836.
O farol entrou em funcionamento em 1842. Instalado numa torre com 29 metros de altura, o equipamento era constituído por um aparelho catóptrico, composto de dezasseis candeeiros de Argand, funcionando a azeite, com reflectores parabólicos, dando luz branca, eclipses de 3 em 3 minutos e relâmpagos de 10 segundos. Já tinha movimento de rotação activado por um mecanismo de relojoaria.







Foi sendo modernizado até que, em 1985, foi automatizado. A partir de 2000, todo o complexo passou a funcionar a energia solar, pelo que recebeu, em 2001, o Prémio Defesa Nacional e Ambiente, que tem como objectivo incentivar as boas práticas ambientais nas Forças Armadas Portuguesas. Desde 2009, trabalha com duas ópticas led, com um alcance de 20 milhas náuticas (37 km).





#TBT: Belém, 2005


Belém, Lisboa, Março de 2005

Tenho uma tia que viveu muitos anos na Ajuda, com o marido e a filha. Tive um tio que viveu vários anos em Angola, onde morreu, e de onde a mulher e os três filhos tiveram de retornar, nos anos 70. A bem dizer, o meu primo mais novo não retornou a lado nenhum, que ele nasceu em Luanda e nunca mais lá voltou. Vieram os quatro, não se pode dizer que de mãos a abanar, porque traziam um cãozinho, uma boneca e um bebé, nem sei bem quem carregava quem ao colo, mas não sobravam muitas mãos para segurarem malas. E foi assim que desembarcaram, acho até que em Alcântara, que ficava bem perto da Ajuda, onde a minha tia sempre teve as portas abertas para ajudar os parentes que dela precisavam, e não havia de deixar estes sem auxílio. Em boa hora chegaram, que tinha vagado uma casa lá na rua, ao chegar à Boa Hora, e a minha tia conseguiu instalá-los à sua beira, para melhor lhes ir valendo. É que até se viam uns aos outros da janela, e conversavam de um lado para o outro da rua, a minha tia no 3.º andar, os meus primos no rés-do-chão em frente. Era uma rua bem castiça.



E assim se tornou a Ajuda o segundo pólo da minha vida familiar, a par com a Amadora. Visitas de fim-de-semana, festas de aniversário, comemorações de Páscoa, Natal e Ano Novo faziam a família deslocar-se entre as diferentes casas das duas localidades. E o que eu gostava de ir à Ajuda! Até porque era a forma mais garantida de me encontrar com os meus primos mais novos, que os outros, sendo muitos, eram mais velhos, com outros interesses, espalhados pelo país e pelo mundo, uma geração de diferença. Éramos cinco, os mais novos: uma escadinha de garotos com intervalos de dois anos, o mais velho, já espigadote, o nosso ídolo, e o mais novo, ainda miúdo, sempre atrás dos crescidos. Eu era a do meio.







De entre as diversas actividades com que nos podíamos entreter, eu gostava particularmente das ocasiões em que um dos tios se propunha a descer connosco até Belém, onde havia tudo aquilo de que precisávamos para sermos felizes: rio, barcos, relvados, muito espaço para correr. Adorávamos jogar às escondidas por entre as pernas dos navegadores do Padrão dos Descobrimentos: o mais velho, corajoso, subia até ao Infante, enquanto nós nos ficávamos por figuras mais modestas. A última vez que lá estive, reparei que vedaram o acesso aos descobridores: uma aventura para a qual as gerações mais bem preparadas de sempre nunca se vão poder preparar. A segurança infantil tem o seu preço.


Belém, Lisboa, Agosto de 2005

Ainda hoje, Belém é uma das zonas de Lisboa onde mais gosto de passear, e foi a primeira que fotografei com a minha primeira câmara digital. Abri o álbum e lá estava tudo, o mesmo de sempre, sem surpresas: o rio, o Padrão dos Descobrimentos, a Torre de Belém (onde, curiosamente, nunca entrei), o farol a brincar, o Mosteiro dos Jerónimos, os jardins da Praça do Império.





De interesse mais recente, o Centro Cultural de Belém, com cujas linhas arquitectónicas sempre simpatizei.








Belém, Lisboa, Março de 2005