Shukubô

Shukubô é uma excelente forma de recuperar de uma viagem muito longa e, simultaneamente, conhecer o Japão tradicional. Consiste em ficar alojado num mosteiro budista, usufruindo da hospitalidade dos monges e podendo experimentar a sua cozinha vegetariana Shôjin-ryôri e participar nas cerimónias religiosas. Sessenta dos mais de 100 templos da montanha sagrada de Kôyasan, na prefeitura de Wakayama, oferecem esta possibilidade.
Kôyasan, ou Monte Kôya, foi instituído por Kôbô-Daishi Kûkai, em 816, como o centro espiritual do Budismo Shingon, escola esotérica que pratica a fusão do budismo e do xintoísmo. Integrado numa rede de locais de peregrinação, foi classificado, em 2004, como Património da Humanidade (curiosamente, na Embaixada do Japão, em Lisboa, disseram-me ser um lugar sem qualquer importância turística...).


Banryutei

O maior jardim de pedra do Japão (2349 m2) situa-se no interior do mosteiro central, Kongôbuji. Simboliza dois dragões a emergirem de um mar de nuvens. É constituído por 140 peças de granito e areia branca.


Figuras de culto no cemitério de Okunoin

As imagens, esculpidas em pedra, são decoradas com aventais coloridos e, por vezes, gorros de lã. São homenageadas, tal como os túmulos, com ramos de pinheiro japonês.


Chinelos à entrada de um templo

Como em qualquer interior tradicional japonês, não se entra nos templos com o calçado da rua, que deverá ser substituído por chinelos fornecidos para o efeito.


Um jantar vegetariano Shôjin-ryôri

Confeccionado sem uso de carne, peixe, alhos ou cebolas. Consiste em sopa Miso, diferentes variedades de Tôfu, vegetais fritos (Tempura), crus e em pickles, algas, arroz e chá verde.


Alguns templos no complexo de Garan

Manual de Sobrevivência no Louvre

Como ver a Mona Lisa: toda a técnica em 4 fases

1 - Entrada na sala: Requer uma pré-determinação particular, uma motivação longamente amadurecida, mas no essencial não apresenta qualquer dificuldade.



2 - Aproximação ao local da pintura: A célebre máxima "a esperança é a última coisa a morrer" não surte aqui qualquer efeito. É mesmo preciso ser um bocadinho maluco. Contudo, no essencial, esta fase também não apresenta qualquer dificuldade e podemos aproximar-nos sem problemas.



3 - Posicionamento: Nesta fase toda a obstinação já não chega. É a altura em que se leva cotoveladas, empurrões e em casos extremos alguns pisões. Aqui devemos tornar-nos leves e maleáveis e, considerando sempre um horizonte virtual, devemos manter-nos o mais verticalmente possível e deslocarmo-nos com o restante magote de gente, sem contrariar a corrente de sentido aleatório que existe em frente à pintura.
Com a maior discrição, em suma, sem perder a cabeça, fazemos como toda a gente e colocamo-nos de frente para o local da pintura.



4 - Ver a pintura: Neste momento é necessária toda a atenção e muita paciência. Mantendo a mesma posição face ao local da pintura, devemos concentrar-nos no entanto nas pessoas que estão à nossa volta, sobretudo se forem asiáticos, e particularmente japoneses que estejam por perto. É mesmo necessário anteciparmos os seus movimentos e as suas intenções, sendo aqui que reside a emoção e mesmo toda a beleza desta nossa iniciativa. O alvo da nossa atenção deverá ser, estatisticamente, um japonês de meia idade, que se apresenta muitíssimo apressado, por vezes mesmo a correr com a restante família atrás (mulher e dois filhos - um com aspecto ocidentalizado e outro com cabelo à punk). Este japonês deverá trazer na mão direita um objecto prismático, um pouco maior que a própria mão, cor de alumínio ou preto baço. Devemos fazer todos os possíveis e os impossíveis para nos colocarmos perto deste homem.
ET VOILÀ!! A enigmática Mona Lisa!!



Nota: Para ver outras peças neste museu, poderá ser necessário utilizar técnicas totalmente diferentes. Por agora deixamos apenas o exemplo da Vénus de Milo, para a qual devemos levar um assistente (na figura, em segundo plano, a pessoa que está por baixo).



Texto e imagens de Rui Cambraia

Estes romanos são loucos!

Um dos aspectos mais fascinantes das viagens é o contacto enriquecedor com as diferenças culturais, com a consequente relativização de tudo aquilo a que estamos habituados e a construção de novas representações cognitivas de nós mesmos e dos outros. Porém, certas diferenças culturais teimam em colidir com hábitos e rotinas automatizadas. Entre elas, encontram-se os hábitos higiénicos.
Ninguém perde muito tempo a pensar naquilo que faz na casa de banho. É essencialmente um espaço de intimidade e introspecção, onde cada qual pode, inclusivamente, entregar-se a devaneios e actividades paralelas, como ler, cantar e planificar o dia-a-dia. O conceito de casa de banho é, para cada pessoa, um dado adquirido na sua vida.
Ao longo da minha, tive oportunidade de me confrontar com muitas variantes culturais do dito conceito, desde a horta da tia da terra até à sanita ao canto da cozinha da prima de um velho pátio alfacinha. Somos um país de contrastes, é verdade, mas, nas últimas décadas, os hábitos de higiene e as leis que regem a construção civil têm provocado uma progressiva normalização. Embates sérios, tenho-os tido lá fora.
O primeiro tive-o em França, quando, numa casa particular, pedi para ir à casa de banho e me deram uma toalha e dirigiram-me à "salle de bain" propriamente dita, porque, como em todas as casas antigas, o "wc" ficava num compartimento próprio, geralmente contíguo. Três meses vivi eu em Bordéus, na pensão do velho Trou Normand, ao estilo "wc sur le palier", a passear rolos de papel higiénico no corredor...
Daí para a frente, tenho-me divertido a constatar as diferenças e, rapariga precavida, a testar o equipamento previamente. Já encontrei um pouco de tudo, dentro das variantes locais do conceito ocidental.
Às vezes, vou prevenida. Antes de ir para a Escandinávia, tinha lido duas descrições curiosas, uma sobre os bidés finlandeses:

«No quarto de banho é frequente encontrar um objecto não identificado. Próximo da retrete encontra uma espécie de chuveiro que substitui o nosso bidé. O aparelho está ligado ao lavatório e só conseguirá pô-lo a funcionar se abrir a torneira da bacia» (Mariana Oliveira, "Finlândia" in Público, 02/08/03, suplemento Fugas, p. 3).
A outra, do meu amigo Vítor Santos, nas suas saudosas Crónicas de Copenhaga (2002, ms., capítulo 3), sobre os duches lá em cima, e aquele hábito terrível que faz qualquer pessoa sentir-se passar num ápice de Cinderela a Gata Borralheira:

«As casas de banho são normalmente pequenas e não têm banheira, correndo a água do duche directamente para um ralo no chão. E há sempre em todas as casas de banho um instrumento desses com que se limpam em Portugal os vidros dos carros nas estações de serviço ou que usam os profissionais das limpezas para limpar janelas (como se chama tal coisa?), com que se limpa o chão depois de tomar duche.»
Nenhum mortal consegue perceber por que é que aquelas almas, tão ricas e evoluídas, ainda não integraram conceitos tão simples como uma base de chuveiro e uma cortina, já para não falar de uma cabine de duche... O resultado prático é ter de lavar a casa de banho depois de a utilizar, caso contrário a mesma fica impraticável.
São coisas pequeninas, mas que fazem perder a paciência e um tempo precioso (só dão vontade de rir à distância).
Por exemplo, em 3 semanas na América do Norte, nunca encontrei duas torneiras que funcionassem da mesma maneira: umas para a direita, outras para a esquerda, umas para cima, outras para baixo, para fora, para dentro,... Uma manhã, em Toronto, estive a pontos de desistir de tomar banho, depois de uma luta inglória com o manípulo.
Este ano, no País de Gales, perdi cerca de meia hora à procura do interruptor do duche eléctrico, até me aperceber de um cordelinho suspenso a meio do tecto da casa de banho. Resumindo, de cada vez que queria ligar ou desligar a corrente de água tinha de pôr o braço de fora da cortina e, consequentemente, molhar o chão todo.
Já para não falar das diferenças das loiças sanitárias. Sabiam que nos Estados Unidos, nas casas de banho públicas, há algumas sanitas maiores, para gente muito grande? Apercebi-me disso a primeira vez que, desde a infância, tive dificuldade em lá chegar...
Mas o meu último fascínio são as casas de banho japonesas. E não falo já das sanitas "Japanese style", cuidadosamente evitadas, umas pequenas bacias no chão, para onde, de cócoras, tem de se fazer pontaria. Nem das grandes banheiras para banhos comuns ou dos longos toucadores das casas de banho públicas, onde as coquetes japonesas retocam a maquilhagem (se não for aí, é no metro, nos cafés, em qualquer lado). Deliciosa é toda a tecnologia ao serviço dos hábitos de higiene ocidentalizantes, os secadores de mãos futuristas, ou, mais mecânicos, os tubos de abastecimento de água, que, colocados sobre a tampa do autoclismo, permitem o aproveitamento da água para lavar as mãos, antes de se escoar, por um buraquinho, para dentro do reservatório.
Mas verdadeiramente divinos são os tampos de sanita TOTO. Impõem respeito, é como estarmos sentados aos comandos de uma nave espacial: nunca sabemos qual dos botões nos vai ejectar para o espaço. As versões bilingues são mais tranquilizantes, mas roubam toda a emoção da descoberta de mais uma função insuspeita: spray, bidé, secador, aquecimento do tampo, aquecimento da água, oscilação do jacto, desodorização ou, cúmulo do requinte, som de autoclismo, para maior privacidade! Encontram aqui descrição detalhada (em inglês) e ilustrada do funcionamento do equipamento.


Praga, 13/08/02

«Vamos para Praga, sempre há-de estar melhor do que aqui». Estávamos, havia quase hora e meia, resguardadas no portal de uma igreja, no Parque da Cidade de Budapeste, a ver a chuva torrencial fazer fumo e rios no empedrado do chão. Metemo-nos ao caminho, debaixo dos impermeáveis e com água até aos tornozelos, rumo à estação de Nyugati pu. (pu. é, para felicidade dos estrangeiros, o diminutivo de pályaudvar).
Eu esperava ansiosamente por aquela viagem no 374 Pannonia, o comboio que parte de Bucareste e atravessa toda a Europa Central, até Praga. O nome deixava-me imaginar algo de Transiberiano, de Expresso do Oriente. Mas a chuva persistente roubou parte do encanto da viagem. O resto dele foi destruído pelas várias incursões dos guardas fronteiriços. Controle de passaportes à saída da Hungria, à entrada na Eslováquia, à saída da Eslováquia, à entrada na República Checa. Os eslovacos, em particular, eram uns brutos, estilo soviético da velha guarda. As camas dos beliches eram confortáveis, mas as paragens, as invasões fiscais e a intensa humidade não nos deixaram pregar olho.



Desembarcámos na Estação Central de Praga (Hlavní Nádraží), ainda antes das 6 horas do dia 12 de Agosto, uma manhã cinzenta, chuvosa e desagradável. Arrastámos a bagagem pelas ruas desertas, até ao Hotel Imperial, na Na Poříčí, perto da Náměstí Republiky (Praça da República), e fomos resguardar-nos no abrigo de uma paragem de autocarros, enquanto fazíamos tempo para a abertura dos cafés e para o check-in no hotel.
O tempo não estava para passeios, nem para nada. Decidimos fazer uma visita guiada, em autocarro fechado, para ficarmos com uma panorâmica geral da cidade, e fomos descansar.
O dia seguinte amanheceu estranho. Toda a madrugada fora marcada pela chuva, pelas sirenes persistentes e pelos helicópteros que sobrevoavam a cidade. Tomámos o pequeno almoço no café do hotel, o Kavarna Imperial, no meio de uma belíssima decoração Arte Nova, e saímos à aventura.
A chuva tinha abrandado e havia muita gente na rua, mas o ambiente não era acolhedor. Parecia que tínhamos aterrado no meio de uma guerra: as sirenes não paravam, uma voz séria fazia-se ouvir, em checo, pelos altifalantes espalhados pelo centro da cidade e havia polícias e soldados por todo o lado. Estranhámos, sobretudo, o afã dos habitantes, que, ajudados por soldados, enchiam sacos de areia e isolavam portas e janelas com espuma de poliuretano. Abordámos um rapaz com cara de estudante e de falar inglês e perguntámos-lhe o que é que dizia a voz nos altifalantes. Ele respondeu-nos, muito calmamente, que era a protecção civil a exortar a população a evacuar a zona baixa, porque as comportas das barragens tinham sido abertas e esperava-se que o rio galgasse as margens e inundasse todo o centro da cidade. Mas faltavam ainda umas duas horas, ou mais. Começámos então a reparar em pormenores como as fotocópias de mapas da cidade afixadas por todo o lado, com as zonas críticas assinaladas, e as lojas que estavam já todas a fechar. Dirigimo-nos até ao Vltava, que corria forte e escuro. Nas margens, o exército, com camiões e tanques de guerra, montava barreiras de aço em locais críticos.



Pelas 10 da manhã, a Ana Isabel quis voltar ao hotel, para buscar um casaco, porque o tempo estava a arrefecer. Quando lá chegámos, era a confusão: tinham recebido ordens para evacuar o hotel. Fomos arrumar as nossas coisas e descemos com as bagagens para o café, de onde tinham já desaparecido mesas e cadeiras, e aí esperámos, sentadas no chão, juntamente com os outros hóspedes, pelo transporte que nos havia de levar a um centro de evacuação. Era tudo malta nova, porque aquele era um hotel jovem, tipo pousada de juventude. Esperámos horas. Pela uma e meia, trouxeram-nos cestos de pão e croissants, para entretermos a fome.
Cansadas de esperar, e depois de nos darem instruções e um mapa, eu e a Ana Isabel resolvemos ir a pé até ao Gymnázium Prof. Jana Patočky, que ficava alguns quarteirões acima. Era uma escola secundária, fechada para as férias de Verão, onde estavam a ser recolhidos os habitantes do centro e os hóspedes dos hotéis menos estrelados. O exército veio distribuir sacos-cama, cobertores e camas de campanha e a protecção civil trouxe mais sandes, sumos e fruta. Pernoitámos, com um grupo de 20 espanhóis, numa sala de aula, de onde tinham tirado mesas e cadeiras, e lavámo-nos com Dodots nos lavatórios das casas de banho. Não conseguimos dormir, é claro, quer porque os espanhóis ressonavam imenso, quer porque as sirenes, os helicópteros e a chuva não davam tréguas.
A manhã tinha cara de dia seguinte, e ninguém sabia muito bem o que ia encontrar lá fora. Os checos não largavam a televisão, que transmitia ininterruptamente notícias e imagens da catástrofe que assolava toda a Europa Central. Alguém falou nas maiores cheias dos últimos 500 anos.



Ao longo da manhã, foram chegando mais pessoas, sobretudo idosos, com o que conseguiram tirar de casa, à pressa, as gaiolas dos passarinhos e os cachorros. Apareceram também os jornalistas, para as entrevistas de circunstância. Fiquei admirada com os checos: muito sérios, muito dignos, muito sofridos, mas sem a lamechice das reportagens portuguesas de catástrofes. Impressionaram-me muito, assim como a organização da Protecção Civil, do exército e dos populares (único senão: a falta de informação numa língua estrangeira acessível para a grande quantidade de turistas que se encontravam na cidade). Recordo, particularmente, o encarregado do nosso Centro de Evacuação: a simpatia, a dedicação e o poder de liderança. Tentei imaginar o resultado de uma situação daquelas em Portugal: os gritos, a histeria, a desorganização, os inquéritos para apuramento de responsabilidades, o caos.
No final da manhã, pedimos autorização para ir dar uma volta, para apanhar ar e ver o que se passava lá fora. Grande parte da zona baixa estava inundada, as últimas pessoas eram evacuadas de barco, os patos e os cisnes do rio nadavam felizes e contentes pelas ruas. O nosso hotel tinha a cave inundada e toda a zona estava sem electricidade e sem gás.
Nessa tarde, fomos recolocadas na colina de Strahov, numa residência universitária, onde partilhámos com um casal de jovens suecos um pequeno apartamento de 2 quartos, casa de banho e kitchenette. As instalações eram óptimas, mas as deslocações estavam um tanto limitadas: não havia metro e parte da cidade estava interditada. Mas, pasme-se, todos os transportes disponíveis eram gratuitos!
Deixámos Praga 3 dias depois, no meio de um clima de solidariedade e de reconstrução: bombeava-se água dos andares baixos, limpavam-se as ruas, o comércio da zona antiga ia reabrindo e o tempo melhorava, lentamente.



Ligações de interesse:
> Český rozhlas - Povodně: página em checo, mas com muitas ligações para vídeos e fotos das cheias.
> Záplavy 2002: álbuns de fotos das cheias.

Trem do Pantanal

Enquanto este velho trem
Atravessa o Pantanal,
As estrelas do Cruzeiro fazem um sinal
De que este é o melhor caminho pra quem é como eu,
Mais um fugitivo da guerra.

Enquanto este velho trem
Atravessa o Pantanal,
O povo lá em casa espera que eu mande um postal,
Dizendo que eu estou muito bem e vivo
Rumo a Santa Cruz de la Sierra.

Enquanto este velho trem
Atravessa o Pantanal,
Só meu coração está batendo desigual.
Ele agora sabe que o medo viaja também
Sobre todos os trilhos da Terra.

Paulo Simões / Geraldo Roca
(Interpretação de Almir Sater, Doma, Som Brasil/RGE 308.6025, 1982)


A Grécia em destaques (IV): os calhaus

Antiga Corinto

Sítios arqueológicos
Há-os por todo o território continental e ilhas, de diferentes épocas, mais ou menos bem conservados. Regra geral, subsistem no local as pedras: esculturas, baixos-relevos, frescos e mosaicos foram retirados e encontram-se em museus, na Grécia ou no estrangeiro, juntamente com todo o tipo de objectos encontrados.
A Acrópole de Atenas é imponente. Situada numa elevação, domina toda uma cidade plana e cinzenta. Junto à Acrópole, o Areópago, a rocha do tribunal dos deuses; em frente, o monte Licabetos; em baixo, a cidade. O Parténon é inconfundível, com a brancura gritante das suas colunas sólidas. Curiosamente, era um templo muito colorido, como de resto a generalidade da arte helénica; o tempo é que se encarregou de limpar a pedra, devolvendo-lhe a brancura original. Transformado pelos turcos em armazém de pólvora, o Parténon explodiu, no século XVII, tendo sido reconstruído depois, com o que foi possível aproveitar. Também o Erecteion, com as suas cariátides, o Templo de Atena Nike, à entrada, o teatro de Dionísio, na encosta, todo o complexo, enfim, é digno de visita atenta.
Ainda em Atenas, a Ágora antiga, a Ágora romana e uma quantidade de pequenas escavações, aqui e ali.
Dos muitos outros sítios arqueológicos que visitei, destaco o de Delfos. Absolutamente impressionante, a situação geográfica, com uma paisagem de cortar a respiração. O complexo foi todo cuidadosamente reconstruído; as pedras não aproveitadas encontravam-se alinhadas, como peças de dominó. Episódio curioso: ao tentar identificar os vários edifícios pelas ilustrações do guia, dei-me conta de que o templo de Apolo, totalmente reconstruído na fotografia dos anos 80, encontrava-se, ao vivo, em 2000, em construção! Apercebi-me de que, como já tinha suspeitado noutros locais, as investigações devem ter provado que a reconstrução não estava exacta, pelo que o templo foi cuidadosamente desmontado e remontado, como uma construção Lego.

Delfos

Museus
Os mais importantes na Grécia são, sem dúvida, os de arqueologia. O maior é o Museu Nacional, em Atenas, com uma colecção impressionante de vestígios de várias épocas e civilizações, de entre as quais se destacam a cicládica, a micénica, a helénica clássica e a romana. Grande quantidade de estelas fúnebres, de jóias (entre elas, as do Tesouro de Atreu), de objectos do quotidiano, vidros e faianças, e de esculturas, com grande incidência de "mulas sem cabeça". Aprendi que a estatuária era uma indústria florescente entre gregos e romanos e que havia um grande cuidado não só com a realização como com a reciclagem das peças. Ou seja, estátuas de políticos mortos ou depostos e de senhores que não as tinham podido manter eram reaproveitadas para novos donos: escolhiam o corpo que mais lhes agradava, a cabeça que mais se lhes assemelhava, faziam-se as trocas e os retoques necessários e nascia nova obra. Eram negócios prósperos, os estaleiros de escultura!
Por entre salas e salas e salas profusamente recheadas, encontram-se peças absolutamente incríveis, de grande beleza, técnica e delicadeza, algumas com mais de 4000 anos!
Grande, também, o museu de Eraklion, em Creta, com o espólio das escavações de Cnossos e grande destaque para as civilizações cretenses, a minóica em particular.
Os maiores sítios arqueológicos têm espaços onde estão expostas as peças que não foram recolhidas pelos grandes museus. Assim, há museus na Acrópole e na Ágora antiga de Atenas, em Delfos, em Corinto, em Epidauro, etc. O de Delfos é pequeno (16 salas), mas tem peças belíssimas. Entre elas, uma estátua de Antinoos. Antinoos era um jovem egípcio (um kouros) de beleza estonteante, por quem o imperador Adriano se perdeu de amores. De tal forma que, quando o moço morreu prematuramente, aos 18 anos, afogado no rio Nilo, o imperador, transtornado, elevou-o à categoria de um deus, ordenando a colocação de imagens suas em lugares públicos de todas as grandes cidades do império romano. A estátua do museu de Delfos ainda congrega amontoados de visitantes em seu redor e suscita olhares lascivos e suspiros, de admiradores de ambos os sexos.

Antinoos

Uma aventura em Viena

Não gosto de estereótipos, não acredito que os portugueses usem todos suspensórios, que os americanos sejam todos burros e que as espanholas se perfumem para não se lavarem. Na relação com os estrangeiros, acho tão verdade que os alemães sejam todos xenófobos como que os portugueses sejam todos acolhedores. Pessoalmente, encontrei alemães muito hospitaleiros em Berlim, espanhóis muito abertos aos portugueses em Madrid e brasileiros mais cépticos no Rio de Janeiro. A minha teoria é que, em todo o lado, é preciso dar-lhes tempo, para eles nos conhecerem melhor e nós a eles. Talvez por isso, por no total ter lá passado mais tempo, é que guardo piores recordações de França (das relações interpessoais, entenda-se).

A Stephansdom reflectida nos vidros espelhados do edifício da Zara

Lembra-me um fim de tarde em Viena, quando eu e a Ana Isabel decidimos aproveitar os últimos raios de sol e a calidez da tarde para darmos um passeio, a pé, ao longo do Ring. É uma avenida circular muito bonita e muito sóbria que contorna e delimita o centro histórico da cidade, ladeada por palácios, igrejas e edifícios muito imperiais e muito cuidados. Íamos andando e conversando, comentando a hospitalidade, a simpatia e a eficiência dos austríacos (por acaso, também a excelência do clima, e nos dias que se seguiram foi o que se viu...). Jantámos perto da pensão e fomos dormir, felizes como dois passarinhos.
Na manhã seguinte, acordámos com um pecúlio de cerca de um euro e meio, manifestamente insuficiente para dois cafés matinais na cidade mais cara da Europa central. Aprendemos nesse dia, à nossa custa, que nunca, mas nunca, se deve deixar acabar o dinheiro no estrangeiro, nem confiar excessivamente na rede de caixas ATM. Descemos a Mariahilfer Straße, uma grande rua comercial que vai dar ao centro, e parámos no primeiro banco, para vermos todos os ecrãs Multibanco rirem-se dos nossos cartões e das nossas caras. Entrámos na agência e fomos extremamente mal recebidas pelo funcionário, que reclamou por os cartões não estarem assinados, desdenhou dos nossos bilhetes de identidade e exigiu passaportes a sério. Ainda argumentámos com a União Europeia, o tratado de Schengen, mas nada. Voltámos à pensão para buscarmos os passaportes, que, por acaso, tinham ficado como caução do quarto, que ainda não tínhamos pago. A dona não achou muita graça, mas foi sensível aos nossos argumentos. Regressámos ao banco e dirigimo-nos a outro funcionário, a quem relatámos o episódio anterior. Este foi mais atencioso, desculpou-se pelo colega, aceitou os nossos bilhetes de identidade, mas não os cartões Multibanco, porque não estavam assinados. Quem é que lhe garantia que não os tínhamos roubado? Aconselhou-nos a assiná-los e a dirigirmo-nos a outra agência, de preferência do Banco de Áustria, porque ali já não teríamos sorte nenhuma, que eles não queriam ser cúmplices de um presumível caso de falsificação de assinaturas.
Andámos mais uns quarteirões até à agência mais próxima do Banco de Áustria, onde as máquinas tiveram a mesma reacção (soubemos, mais tarde, que tinha havido uma avaria nos sistemas, que inviabilizava as comunicações internacionais). Pedimos ajuda a uma funcionária, muito simpática, que nos disse não poder fazer nada; a alternativa seria um cash advance com o cartão de crédito. Infelizmente, naquela agência, o sistema Visa estava avariado havia uns dias, teríamos de nos dirigir à agência mais próxima, mesmo no centro, na Stephansplatz, junto à catedral de Santo Estêvão, a Stephansdom. E lá fomos, ao longo da Mariahilfer, que é enorme, cheias de calor, de fúria e de fome. Só conseguimos arranjar dinheiro para comer pelo meio-dia, e depois de termos desembolsado uns contos de reis em comissões de Visa.

Palácio de Schönbrunn

Duas doses de Schnitzel mit Kartoffelsalat acalmaram-nos os ânimos e os estômagos, e resolvemos dar continuidade ao programa do dia: uma tarde no Schloß Schönbrunn. Era o palácio de Verão da família imperial, em tempos no campo, hoje na periferia da cidade. Os quartos da imperatriz Maria Teresa, o escritório do imperador Francisco José, a Gloriette da Sissi, uns jardins lindíssimos, cheios de esquilos, que vêm comer às mãos dos turistas, e uma funcionária muito simpática, que nos confirmou que a hora de fecho do bengaleiro, onde deixámos todos os nossos haveres, era às 17h30.
Pelas 17h20, já refeitas dos aborrecimentos da manhã e com a confiança restaurada nos austríacos, nos esquilos e no Apfelstrudel, descemos o jardim, para encontrarmos o palácio fechado (e com ele o bengaleiro). Entrámos em pânico, batemos a todas as portas, sem resultado, até que pedimos ajuda ao porteiro, que, a contra-gosto, lá saiu do portão e, pesadamente, se encaminhou para o palácio (atenção que, num palácio com aquelas dimensões, todas as distâncias são enormes). A moça simpática estava na sala de convívio, com os outros funcionários, a beber café. Quando a confrontámos com a disparidade entre o horário de fecho e a hora a que ela, efectivamente, tinha abandonado o local de trabalho, argumentou que não havia mais ninguém, que os outros visitantes se tinham já todos ido embora... Os nossos pertences estavam encafuados numa arrecadação...
Não, não é só em Portugal que estas coisas acontecem. Mas também não foi por isto que fiquei com má impressão dos austríacos. Prefiro lembrar-me da senhora da bilheteira da DDSG, que ficou tempos a conversar connosco, a mostrar-nos a colecção de euros e a procurar moedas repetidas para nós.

A Grécia em destaques (III): as ilhas

Praia de Matala, Creta

Creta
A maior das ilhas gregas, acima do Norte de África. Devido à sua situação geográfica, teve, desde sempre, grande importância histórica. Berço da civilização minóica, alberga as ruínas do palácio de Cnossos, cuja escavação esteve a cargo de um grupo de jovens e ricos aventureiros do início do século XX, que, no espaço de um (!) mês, puseram à vista a maior parte dos vestígios (que não conseguiram estragar com as pressas). Mesmo assim, provêm de Cnossos achados impressionantes, entre faianças, frescos e jóias, em exposição no Museu Arqueológico de Eraklion, a capital da ilha. Importantes são também os sítios arqueológicos de Phaistos e Gortys, no último dos quais foi encontrado o famoso código da lei. Mais interessantes em Creta, quanto a mim, são as influências turcas e venezianas, em cidades como Rethymnon e Chania, na parte ocidental da ilha. E ainda os curiosos túmulos romanos escavados nas rochas da praia de Matala, que serviram de abrigo aos hippies que para aí foram viver, nos anos 60 e 70.

Porto de Rethymnon, Creta

Rodes
A ilha mais oriental do Dodecaneso, muito próxima da costa turca, teve grande importância geo-estratégica, no tempo das cruzadas. A capital, a cidade de Rodes, possui uma belíssima cidadela medieval (Património da Humanidade), e pouco mais do que isso: o resto da cidade é preenchido com ruas apinhadas de hotéis, restaurantes e lojas para turistas. É um paraíso de férias para jovens escandinavos, que bebem e cantam nas esplanadas noite fora (até a polícia aparecer para acabar com a festa). Não é, decididamente, um bom sítio para descansar. À entrada do porto, duas colunas encimadas por, respectivamente, um veado e uma corça marcam o local onde assentariam os pés do mítico Colosso de Rodes, uma das sete maravilhas da Antiguidade. Destaque, ainda, para a cidade de Lindos, uma perolazinha de casinhas caiadas que se estendem por uma encosta, até à praia. E uma curiosidade: um pequenino santuário, no cimo de um monte, 297 degraus acima da praia de Xaraki. Depois de íngreme escalada, soube que aquele é um santuário onde as mulheres gregas vão pedir fertilidade, graça que, uma vez obtida, é paga atribuindo ao bebé o nome do santo que a concedeu (Trampiko ou Trampika, consoante o sexo). Não sei como é que o nome soa em grego, mas escusado será dizer que fiquei muito feliz por não ter visto a minha família aumentar, nos meses que se seguiram.

Colosso de Rodes

Mar vão?

Marvão

Aqui se despenharam horizontes
que os séculos sorveram.
Na lenta criação da rocha
– a abrir caminho –
ampliou-se a luz,
e a vibração do ar
sonorizou o espaço.

De infindas lonjuras temporais
foram desabando os céus
por sobre a ignição do território,
chegando até aqui
a assombração do magma
que a terra lubrifica
– e que no caos conduz
ao incêndio do granito,
ao deflagrar do mundo.

Em busca da sua própria glória,
espraiando-se ao longo
da incandescente pele da geografia,
este mar rochoso aparelhou-se
para o espesso rumo da eternidade
com o obstinado vagar
dos minerais.

Aqui as pedras falam
– mas só a quem conheça
a sua língua lenta
e assombrosa.

Júlio Henriques
Cadernos Periféricos, nº 5: Da permanente ameaça do Progresso,
Porto da Espada, Marvão, 2004 (contra-capa).

Marvão
Foto de Ivan Bohátka

Praia de Pedrógão

As férias!!!
Tudo começou por sermos um grupo de amigos que estuda em Portalegre.
Depois dos exames estava tudo a pensar em praia, férias, noitadas… e foi então que nos juntámos para planearmos umas férias "baratuchas"...

Onde vamos?
Pensámos logo em alugar um apartamento para todos, mas o dinheiro era escasso. Foi numa conversa com outro amigo adepto do campismo, que optámos por escolher um parque de campismo em Portugal para fazermos as nossas férias.

Praia... campo...
Como éramos 7, as hipóteses eram muitas: Algarve, Costa Alentejana, mais acima...
Como a Marufas era de Pedrógão Grande, conhecia melhor as praias perto de Leiria e falou-nos da Praia de Pedrógão, fartando-se de apregoar o seu parque de campismo de 3 estrelas!!! Já estávamos fartos de a ouvir!...

Praia de Pedrógão

A viagem...
E fomos para a Praia de Pedrógão. Partimos de Portalegre com malas para uma semana de férias, que mais parecia para 3 meses.
Fomos com um amigo do Balsa, o Mano que era estudante da Academia Militar. De carrinho até ao Entroncamento, para nos encontrarmos com a Joana e os pais, que iam levar a filha para férias.

Praia!...
Chegámos lá e aquilo era... fantástico! Um parque com bar, restaurante (tudo muito barato), com supermercado, casas de banho com espelhos e chuveiro, sítios para lavar a loiça e perto das tendas havia umas torres de cimento com 1 metro de altura com tomadas para carregar telemóveis e outras coisas mais. Fantástico!

Então e a praia?...
A praia fica do outro lado da rua. É só sair do parque e atravessar a rua que encontramos uma praia linda! Um pouco fria à tardinha, mas muito quente de dia.

Parque de campismo

Aiaiaiai...
Como bons portugueses que somos, queremos ficar logo bronzeados no primeiro dia!
Nas primeiras horas da manhã foi um luxo de protector solar, mas depois do almoço (pelas 15 horas) foi a loucura do bronzeador!
Depois de quase 7 horas de sol, descobri que tinha o maior escaldão da minha vida! Estávamos tão inchados que nem nos reconhecíamos uns aos outros! "Creminho!", gritava eu, para me darem o creme Nívea ou outro qualquer... Durou-nos a semana toda! E foi o primeiro e o último dia que fomos à praia... todo o dia!

Namoros!!...
A Tê queria "curtir" as férias, mas trazia na bagagem o "ex" dela, o Ju. Enquanto que o Balsa e a Marufas davam vida à canção "The Love Boat" e a Tê e o Mano iam lançando olhares melosos um ao outro, eu aturava os ataques de ciúmes e existencialismo do Ju... Ai!

Comidinha!
Como era a primeira vez que íamos para um parque de campismo, pensávamos que faríamos sempre as refeições nas tendas. Por isso, comprámos milhentas latas de conservas, fruta, sumos, arroz, levámos panelas, tachos, um fogão pequenino e gás... Resumindo, levámos uma tenda só para a comida.
Como o restaurante era a 3 euros a refeição e com sobremesa e café eram 5 euros, decidimos levar a comida de volta para Portalegre e começámos a comer no restaurante...

Noitadas!
Fomos à discoteca "Stress-less" que tinha a pior música de toda a minha vida! Mas o mais engraçado foi a salsada de culturas que encontrámos, nunca antes vista por estes belos olhos. E o que me fez mesmo rir foram as várias maneiras de dançar desta miscelânea de gentes. Juro! Parecia que estávamos num filme. Matrix! Muitos movimentos eram iguais aos do Matrix!!!

Praia de Pedrógão

Ladras!!!
Esta juventude...
A Joana queria comprar um biquíni num mercado diário que há à entrada da praia. Coisas muito baratas! Enquanto ela foi experimentar um, a Marufas foi buscar outro e deu-lhe para ela experimentar. Ficou com dois no vestiário... A senhora da banca foi lá, a Joana disse que não lhe servia e deu-lhe um dos biquínis. A Marufas entrou no vestiário enquanto que a Joana se vestia, agarrou no biquíni que lhe deu e meteu-o na mala! Ao sairmos da banca, disseram-me. Fiquei vermelha! Acho que corri dali para fora, pois estava com medo de levar um "arraial de porrada" daquela gente toda!!! Os outros é que a fazem e eu é que fico com cara de parva! Pelo menos a Joana ganhou uma prenda...
Mas ainda não acabou!
Durante as férias este exercício de "levar ao bolso" contagiou o grupo e todos queria provar que eram capazes de levar uma recordação para casa, sem pagar...
A Joana "levou" um baralho de cartas de uma loja, o Balsa uns chinelos de praia para a Marufas, de uma mercearia, a Marufas repetiu a proeza e "levou" um conjunto de pires e chávena para a mãe do Balsa... Acho que foi só. Eu não consegui, pois pensava sempre no que me podia acontecer se fosse apanhada! Ai!

Conselhos
> Não levem muita comida para a Praia de Pedrógão, pois podem lá comprar coisas muito baratas e as refeições dentro do parque também são baratas, bem servidas e de fazer crescer água na boca...
> Não gastem o dinheiro em discotecas, pois há bares muito "catitas" que merecem ser conhecidos
> Há sempre (ou quase sempre) aeróbica na praia, pela manhãzinha! Se se conseguirem levantar cedo...
> Levem um colchão ou dois (dos de espuma) mais fortes, pois em muitos sítios do parque o chão é muito duro e há pedras.
> Esta praia parece que não queima, mas é como a Nazaré: queima e muito! É preciso muito cuidado! Não façam como nós e abusem do protector e não do Sol...

Muitas coisas mais se passaram, mas não posso revelar, pois iria expor muitas vidas e a minha poderia correr perigo...

Texto de Ana "Péu"

A Grécia em destaques (II): as serras

Canal de Corinto

Peloponeso
É uma península, ligada pela Natureza ao sul da Grécia, e dele separada pelo Homem, pelo canal de Corinto. O dito canal foi uma das maiores obras de engenharia do final do século XIX, concebido para ligar o mar Egeu ao Golfo de Corinto, encurtando assim o tempo de navegação entre o Adriático e o Egeu. Actualmente, a largura do canal é insuficiente para a passagem segura de navios de maior porte, pelo que é essencialmente usado para cruzeiros turísticos. Corinto alberga ainda o sítio arqueológico da antiga Corinto e o respectivo museu. A uma distância aceitável, encontramos o sítio arqueológico de Micenas, com as ruínas do palácio, a Porta dos Leões e os túmulos do tesouro de Atreu, onde foi encontrada, no meio de um espólio magnífico (em exposição no Museu Nacional de Arqueologia), a famosa máscara de ouro que se diz ser de Agamémnon. Ainda na zona da Argólida, o complexo de Epidauro, com o santuário de Asclépio e o teatro, em belíssimo estado de conservação, com uma acústica excepcional.

Teatro de Epidauro

Ática
A região do sul, onde fica Atenas, tem muitas praias, mas pouca areia, pelo menos que eu tivesse visto. A Grécia foi dotada pelos deuses com um mar divino, límpido, calmo e quente, mas a areia deixa a desejar, variando entre areão grosso, acinzentado, e grandes calhaus. Areia fina e clara, que me asseguraram haver, nunca vi. Na ponta sul, no cabo Sounion, o santuário de Poseidon oferece uma vista fabulosa. Numa das colunas do templo, a assinatura vândala de Lord Byron, que, depois de ter sucumbido aos encantos de Sintra, foi arrastado para a Grécia pelo fulgor romântico das lutas pela independência. Apreciei, em particular, as estradas de montanha, com vistas incríveis; o peixe grelhado, fresquíssimo; a maneira de cozinhar o polvo (primeiro cozido e depois grelhado), que o torna muito suave e saboroso; a salada grega, com ingredientes tipicamente mediterrânicos (tomate, cebola, pimento, pepino e alface), temperados com azeite, orégãos e queijo feta; a riqueza dos olivais, imensos, com oliveiras centenárias, cujos troncos assumem diâmetros descomunais (faziam, para aí, 5 de mim).

Templo de Poseidon, Sounion. «Byron», na primeira mancha castanha a contar de baixo

InterRail 2003 / Mediterrâneo (II)

Corfu
Passei quatro dias fantásticos nesta pequena ilha grega. É um local paradisíaco de águas cristalinas e sol radioso, o local ideal para descansar uns dias, que foi o que aconteceu, tendo aproveitado para conhecê-lo melhor. Aluguei um carro (na Grécia nota-se logo que se praticam preços bastante inferiores, na sua maioria, aos praticados em Itália), e sem dúvida que este constitui o melhor meio para visitar a ilha, apesar de as estradas serem estreitas, sinuosas e de fraca qualidade. Esta não possui monumentos dignos de relevo, mas tem muitas praias fantásticas com paisagens de cortar a respiração, desde que se saiba encontrá-las. Gostei muito do artesanato e da gastronomia, sendo que nas localidades do interior, mais afastadas da costa, os preços praticados são bastante inferiores, pelo que devem ser a melhor opção. Nesta ilha voei num barco (depois de pagar 30€, claro!). Era um barco de borracha com uma asa delta acoplada e um motor para impulsão. Foram apenas quinze minutos, mas a paisagem que se tem das alturas (o piloto disse que estivemos a 600 metros de altura, mas ainda hoje eu acho isso muito improvável, apostaria mais nos 300 metros) recompensa largamente o investimento inicial. Não se vê a ilha toda, mas dá para ver o outro extremo da costa, a uns dez quilómetros de distância. Vi também umas danças tradicionais chamadas Sirtaki que me agradaram muito. Adorei a coreografia... feita a um ritmo alucinante!

Palaiostratiska, em Corfu, onde o azul da água se confunde com o azul do céu

Patras
É uma das principais portas de entrada marítimas do continente grego. A arquitectura não é nada de especial, mas enquanto espera pelas ligações por comboio e se se sentir com forças para subir as incontáveis escadarias até ao Castelo (de origem medieval), a visão de lá é deslumbrante. Vê-se o porto, os barcos e uma linha de montanhas ao longe excelente para tirar fotografias. Decidi entrar nalgumas igrejas locais, de estilo Bizantino. Comi um pouco de pão oferecido à entrada e observei como são as suas missas e sermões religiosos. São completamente diferentes dos da Europa Ocidental, mais vivos, têm mais cor e notei também um maior fervor religioso. Aliás, a própria aparência exterior em abóbada e a ornamentação dos templos é muito rica e distingue-se perfeitamente dos nossos templos religiosos.

Atenas
Foi o ponto mais afastado de Portugal em que me encontrei. Eu por mim continuava até à Turquia, que creio ser um local fabuloso com uma cultura completamente distinta da nossa (apesar das notícias nos meios de comunicação, não creio que haja grande perigo em viajar para esta região, desde que se vá acompanhado), mas como os meus companheiros de viagem não tinham mais dias livres, tive de fazer marcha-atrás, para grande pena minha. Atenas tem quatro milhões de habitantes, como se pode constatar através da vista da Acrópole: um imenso manto branco de construções em todas as direcções, vendo-se o mar a este (a uns vinte quilómetros de distância) e o Monte Lycabetus a Oeste. É imprescindível uma visita a este monumento de importância mundial, símbolo da cultura helénica, da qual somos herdeiros. É uma pena esta ter sido bombardeada e quase completamente destruída por uma esquadra turca há cerca de trezentos anos, mas o que restou permite-nos ainda sonhar com esse dias que já fazem parte do passado. A entrada é 12€, mas eu não paguei e inclusive fiz duas visitas, pois na primeira não consegui ver tudo. A estratégia utilizada foi entrar pela saída. Envolve alguns riscos, mas quando um InterRailer vê o dinheiro a voar a cada instante, tem-se outra perspectiva das coisas. Só em água gastei à vontade mais de 50€!! A área envolvente é imensa e possui centenas de pontos de interesse a visitar, apesar de em muitos casos se notar não haver conservação das ruínas que subsistiram até aos dias de hoje. No entanto, devo fazer uma ressalva. Por causa de os Jogos Olímpicos de 2004 serem realizados em Atenas, a cidade é um imenso estaleiro. Inúmeros monumentos e fachadas de edifícios encontram-se cobertos por andaimes e a serem restaurados, estando nalguns casos encerrados e inacessíveis, como foi o caso do Museu Nacional. O melhor meio de transporte é o metro, e, novamente, o meu conselho é o mesmo: se for adepto de correr riscos, poupe nos bilhetes de metro, pois a fiscalização é ainda mais reduzida que em Roma.

No topo da Acrópole, em Atenas. Uma pena existirem andaimes por toda a parte

Impressões da viagem
O balanço global foi muito positivo. Regressei cansadíssimo, mas cheio de boas recordações. Mesmo os momentos menos agradáveis, quando são recordados, são-no sempre com um misto de nostalgia e deslumbramento pela forma como se resolveram (ou não!). E é engraçado que quanto mais afastado de casa estava, mais longe queria ir... e ao mesmo tempo, crescia dentro de mim um sentimento muito português chamado saudade por tudo o que tinha deixado para trás. Talvez por isso, as notícias chegadas de Portugal eram sempre recebidas com alguma emoção e os frequentes encontros com compatriotas nossos em cada cantinho por que passei eram sempre momentos especiais. Não sei se o Portugal de tanga de que alguns falam tanto existe mesmo, ou se não fará parte de um equívoco intencional para ocultar outras coisas, essas bem reais. Mas que havia imensos portugueses a passear pela Europa, isso posso confirmar que havia. Eu gastei, no total, perto de 1200€, mas reconheço que poderia ter poupado bastante dinheiro. O problema é que, infelizmente o "savoir-faire" vem depois e não antes dos acontecimentos. Por esse motivo, é fundamental esboçar um plano de viagem, ver muito bem o que se quer fazer e até onde se pretende ir, levar bebida e alguma comida perecível para os primeiros dias e fazer um orçamento do que se pretende gastar. Deve-se levar roupa leve e prática (mas não muita), umas sandálias de qualidade (para evitar as bolhas que vêm com as constantes deambulações pelas cidades) e deve-se ter sempre um sorriso nos lábios, mesmo ao perdemos uma ligação por comboio... afinal, férias são férias!
A provar que de facto é uma boa alternativa às tradicionais férias algarvias em que uma pessoa passa uma substancial parte do dia estendido ao sol como os lagartos, está a minha pretensão de fazer nova viagem este Verão. Desta feita, pelo norte da Europa. A nível histórico, as cidades do norte têm legados culturais diferentes, talvez menos ricos que as suas congéneres do sul e a cultura europeia no seu conjunto apresenta muitas similitudes, mas se de facto acabar por ir, sei que vão ser de novo momentos inesquecíveis. Lá bem no fundo, viajar de InterRail é uma pequena aventura, feita à escala das nossas modernas sociedades. A diferença é que depois de todas as grandes explorações estarem feitas, a única que resta por fazer é ao interior de nós mesmos. Esse é o melhor "souvenir" que podemos trazer destas viagens pelo estrangeiro...

(1ª parte)

Texto e fotos de Pedro Luís Laima Bicho

Fáilte romhat go hÉire!

Castelo de Bunratty

A Irlanda é um país muito bonito. Tem muitos castelos do século XII. Os castelos ficam nas cidades de Limerick, Dublin, Bunratty, Cork, entre outras. O país é frio, porque chove quase todos os dias e faz muito vento. Mas a paisagem na Irlanda é bonita e verde.
As pessoas na Irlanda são simpáticas e gostam de música e de dançar. Desde Março há proibição de fumar nos bares, restaurantes e discotecas.
Cliffs of Moher é um penhasco muito bonito, porque é muito grande. Fica no oeste da Irlanda.
Na Irlanda, as pessoas falam inglês e irlandês.

Cliffs of Moher

A Irlanda fica perto da Inglaterra, mas longe de Portugal. A Irlanda é um país muito bonito, tem muitos rios e serras. Dublin é a capital. A Irlanda tem muitas casas antigas e lojas, muitos bares e discotecas.
No nosso país, jogamos hurling e gaelic football, comemos batatas, bacon e legumes, bebemos Guinness, chá e whiskey, vamos à igreja no domingo, ouvimos muitas bandas: U2, Corrs, Dubliners, The Pogues, Westlife.

Textos de Aisling McGrory, Imelda McFlynn, Clare Fleming, Miranda Havlin, Liz Curtin, Mary-Claire O'Neill e Vera Sebold

Vítejte v České Republice!

A República Checa fica no centro da Europa e é muito bonita. As pessoas são muito simpáticas e falam checo. Praga é a capital.
Praga é uma cidade antiga, muito bonita, com igrejas, palácios, a ponte de Carlos, a catedral de S. Vito. O relógio astronómico fica na Praça Antiga (Staroměstske Náměstí).
Na República Checa há muitos castelos e igrejas. A República Checa tem três rios importantes: Labe, Vltava e Morava. As florestas são muito grandes e lindas.
Todas as pessoas conhecem as termas da República Checa. A água mineral das termas é muito boa. Mattoni é uma bebida muito boa: é uma água mineral de Karlovy Vary. O festival de cinema é também aí. Os bolos típicos de Karlovy Vary compram-se nos mercados das termas.

Karlovy Vary

A bebida e a comida são muito baratas. A cerveja é a bebida nacional, é muito boa e barata. Nós bebemos a cerveja em copos grandes e o café também.
A República Checa tem duas partes importantes: Morava e Čechy. Morava é a região do vinho. Duas grandes cidades de Morava são Ostrava e Brno. Ostrava é uma cidade moderna, de estudantes, tem muitos clubes, teatros e centros comerciais. A rua Stodolni é o lugar favorito para os estudantes quatro dias por semana. Discotecas e concertos são ali.
A capital de Morava é Brno. Brno é uma cidade antiga e muito bonita também. Brno é o centro de fábricas de metalurgia.

Brno

Texto de Lenka Vintrová, Lenka Tomaštiková, Ivona Vašková, Veronika Hutrová e Ivan Bohátka

¡Bienvenido a las Islas Canarias!

As ilhas Canárias são umas ilhas que ficam no Oceano Atlântico, perto de Marrocos e da República Democrática Saharaui. A ilha mais perto fica a 80 Km de África.
São 7 ilhas e 5 ilhotes. Os nomes são: Gran Canaria, Fuerteventura e Lanzarote, com 5 ilhotes, La Graciosa, Lobo, Roque Alegranza, Roque del Este e Roque del Oeste. Estas ilhas são do distrito de Las Palmas. As outras ilhas são Tenerife, La Palma, La Gomera e El Hierro. Estas ilhas são do distrito de Santa Cruz.

Praia de Las Canteras

Eu moro na ilha da Gran Canaria. Na Gran Canaria moram umas 800 mil pessoas. A capital é Las Palmas de Gran Canaria e tem mais 14 cidades. Na capital há uma praia muito famosa, Las Canteras. É uma praia que fica na cidade, com 3 Km, onde vão quase todos os canários, porque o sul é um ghetto cheio cheio de turistas e não é muito bom. As praias como El Inglés, Maspalomas e Puerto Rico são muito bonitas, mas estão muito cheias de hotéis, e isto é feio, mas o sul da ilha é bonito.
No centro da ilha é muito fixe para acampar, há muitas árvores e é muito verde.

Dunas de Maspalomas

Nas Canárias há um clima subtropical, e a temperatura média é de 20-25 graus.
As Canárias foram conquistadas pela Espanha no século XV, e ainda são da Espanha. Não ficaram muitas coisas das culturas canárias, mas ainda há alguma coisa, como comida, peixe, alguns molhos, alguns nomes, palavras, jogos, etc. Os vinhos são típicos, assim como o rum. Cultiva-se tomate. As bananas são muito famosas.

Texto de Heri Rendón