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Outra volta, outra viagem



Era um projecto antigo, que acabou preterido a favor da Escandinávia. Alguma vez havia de ser, e foi este ano: uma volta pelo Benelux com o bónus de voltar a Paris e poder resolver alguns pendentes.

ACP #149 a #155


Malveira (dos Bois) (Mafra), Junho de 2020

Quem tem bons amigos, quem é? Se não fossem eles e elas, esta colecção não saía da cepa torta. Desta vez, foi a querida Susana que me presenteou com um conjunto de letreiros novos, recolhidos nas suas andanças.




Tornada (Caldas da Rainha), Junho de 2020




Carrazedo de Montenegro (Valpaços), Agosto de 2020

Há por aqui um pouco de tudo, desde azulejos em falta, OO de pernas para o ar, até a uma solução criativa para uma separação de palavras.




Contenças de Baixo (Santiago de Cassurrães, Mangualde), Setembro de 2020






Mourilhe (Mangualde), Setembro de 2020

E ainda dois repetidos, mas sempre muito bem-vindos.


Alfeizerão (Alcobaça), Junho de 2020


Luso (Mealhada), Setembro de 2020

E é assim que a colecção pula e avança! Obrigada, Susana!

ACP #127 a #130


Vila Nova da Rainha (Azambuja), Julho de 2015

O colega Pedro Figueira voltou à estrada e trouxe mais umas lembranças, que muito agradeço.


Aveiras de Baixo (Azambuja), Julho de 2015


Vila Velha de Ródão, Julho de 2015

Curiosa a forma como, nesta última, foram acrescentadas, manualmente, as letras em falta (ou não):




Em Nisa, indicando a direcção de Montalvão, Julho de 2015

E nova actualização da caderneta, que já conta com 130 letreiros em 101 localidades diferentes:

ACP #97


A-da-Gorda (Santa Maria, Óbidos), Setembro de 2014

Outra Dagorda que não esta. E a #74 revisitada, ambas cortesia do colega Manuel Campos Vilhena.


Caldas de Monchique (Monchique), Setembro de 2014

E, já agora, uma espreitadela à caderneta, que cresceu bem, desde aqui:

De volta da viagem



E foi assim, desta vez: 26 dias, 3 países, 4 estações do ano, cerca de 5.000 Km de voo e 3.000 Km de condução, mais de 2.500 disparos fotográficos e uma quantidade de coleccionáveis que ainda não consegui contabilizar. Uma oportunidade para rever lugares onde se foi feliz e velhos amigos (no fundo, não serão os amigos lugares aonde gostamos sempre de voltar? e vice-versa?), mas também descobrir novas paragens e novos amigos.
Desta vez, saltámos Berlim e fizemos a volta em sentido horário, a partir de Hamburgo: a azul, a ida; a vermelho, a volta; assinaladas a vermelho, as bases operacionais; a verde, os destinos de passeios e visitas várias.

ACP #67


Ourém, Fevereiro de 2012

Nova contribuição de MCV e nova espreitadela à caderneta:



Com tão boas contribuições, isto vai lá.

Colecções (XV)



Mais uma, amavelmente cedida pelo colega MCV, e um vislumbre da caderneta:

Mais uma volta, mais uma (grande) viagem





Foi assim a minha última viagem: a azul, a ida; a castanho, a volta; a verde, excursões, incursões e passeios vários. O círculo maior assinala as bases operacionais; o menor, destinos transitórios e pontos de interesse.
Três semanas, muitas centenas de fotografias, muitas impressões, muitos encontros e reencontros, muitos amigos. Como todas as viagens deviam ser.

Montenegro Blue

Com todas aquelas fronteiras à volta de Dubrovnik, andávamos cheiinhas de vontade de nos metermos num autocarro confortável, com um bom sistema de ar condicionado, e de irmos ver o que se passava do outro lado. Mostar foi a primeira opção: uma cidade martirizada, a renascer das cinzas da guerra, um velho bastião do império otomano ao sul, o Islão ali ao lado. Porém, e por estranho que pareça, as várias agências de viagem a operarem em Dubrovnik organizam as excursões nos mesmos dias da semana, e os dias destinados à Herzegovina já tinham passado. Restavam os passeios ao Montenegro.
Do Montenegro, sabia eu quase nada. Lembrava-me de que o Corto Maltese tinha por lá passado, em tempos de outra guerra. Sabia que tinha sido independente, até se unir à Sérvia e depois integrar a Jugoslávia, e que alinhava ainda com a Sérvia, para a guerra e para a paz.
Tínhamos duas excursões à escolha: uma ao longo da costa e outra que se aventurava pelo interior. Sabendo que as temperaturas subiam exponencialmente com o afastamento do litoral (até aos 51ºC registados em Mostar, dias antes), não tivemos grandes dúvidas.



Saímos logo de manhã, com um grupo heterogéneo, acompanhados por uma guia jovem, bonita e elegante (como a generalidade das croatas) e muito profissional. Esclareceu logo que não sofria de traumas de guerra, pelo que estava à disposição para qualquer tipo de perguntas. E foi desenrolando, em várias línguas, factos e episódios históricos e geográficos. Falou-nos das três Jugoslávias que se sucederam no século XX, da de Tito e da Grande Sérvia de Milošević. Do país ingovernável, pelas sete razões que Tito enumerava: 7 fronteiras, 6 repúblicas, 5 nacionalidades, 4 línguas, 3 religiões, 2 alfabetos e 1 partido político. De vez em quando parava, para mostrar, à esquerda e à direita, as provas da pobreza montenegrina, que comparava orgulhosamente com a rápida reconstrução croata: «E eles não sofreram uma guerra em casa. Nem um único bombardeamento! Eles é que nos atacaram a nós!». Aguentem-se agora, pois. E lá se foi a teoria sobre os traumas de guerra.
Se eu ainda tinha dúvidas, depressa as tirei, ao encetar com a senhora uma interessante conversa sobre a diversidade linguística da ex-Jugoslávia. Perfeitamente consciente de que uma língua é aquilo que o homem quiser, de que o que distingue uma língua de um dialecto é um mero decreto, de que as línguas unem-se e separam-se ao sabor das fronteiras políticas, quis ainda assim saber como é hoje encarada a identidade linguística na região. Tratou logo de me explicar que o servo-croata nunca existiu de facto, que tinha sido uma mera criação política: os croatas falam croata, os sérvios falam sérvio, os eslovenos, esloveno, os macedónios, macedónio e os bósnios, bósnio. Então e os montenegrinos? Ora, os montenegrinos falam servo-croata, claro. E ficámos conversadas.



Partimos de Dubrovnik, passámos por Župa Dubrovačka e pelo fértil vale de Konavle e saímos da Croácia, em direcção a Boka Kotorska, a baía de Kotor. O que mais aflige esta região montenegrina é a falta de água doce. Agora, como dantes, o abastecimento às populações é assegurado a partir de Dubrovnik. Escusado será dizer qual foi a primeira medida tomada pelos croatas a seguir ao primeiro bombardeamento.
A baía de Kotor oferece vistas muito bonitas, há até quem a considere o fiorde mais meridional da Europa. Na realidade, é o canhão (canyon) submerso de um rio, que sofreu o efeito de diversos processos geológicos. A baía é composta por vários pequenos golfos, ligados por canais.


As ilhas de Sveti Juraj e Gospa od Škrpjela

Em frente à localidade de Perast há duas pequenas ilhas, cada uma com uma igreja: a de Sveti Juraj (S. Jorge) e a de Gospa od Škrpjela (Nossa Senhora da Rocha). Tomámos um barquito que nos levou até à segunda.
A ilha de Gospa od Škrpjela foi construída artificialmente, reza a tradição, sobre navios afundados e pedras trazidas pelos marinheiros, para agradecer o bom sucesso das viagens. Lentamente, a ilha emergiu das águas e aí foi construída uma primeira capela, em 1452.


A igreja e o santuário de Gospa od Škrpjela

A actual igreja barroca, datada de 1632, foi ampliada por volta de 1725, com a adição de um santuário, com uma cúpula octogonal.
O interior da igreja ostenta 68 pinturas de Tripo Kokolja (1661-1713), artista barroco de Perast, algumas obras de origem italiana e um ícone de meados do século XV, pintado sobre madeira, representando Nossa Senhora da Rocha e o Menino, da autoria de Lovro Marinov-Dobričević, de Kotor. A igreja alberga ainda um pequeno museu.
Anualmente, na noite de 22 de Julho, os habitantes de Perast celebram uma festa, durante a qual são lançadas pedras em torno da ilha, para fortalecerem os seus alicerces.


Lovro Marinov-Dobričević, Gospa od Škrpjela, ca. 1452

Primeira incursão por terras dos vikings

Equipa de exploradores: eu e a Ana Isabel.
Duração da expedição: de 6 a 25 de Agosto de 2003.
Itinerário: Lisboa – Oslo – Balestrand – Bergen – Oslo – Stockholm – Helsinki – Tallinn – Helsinki – Savonlinna – Lappeenranta – Helsinki – Amsterdam – Lisboa (com várias incursões e excursões adicionais).



Catástrofes (naturais ou não): nenhuma, desta vez.
Condições climatéricas: variáveis, desde o muito bom até ao relativamente mau (não cheguei a usar o biquini, mas também não precisei da capa impermeável -- um guarda-chuva fracote deu conta do recado, sempre que se justificou). Com "relativamente mau", quero dizer, concretamente, alguns dias cinzentos e até mesmo chuvosos (42% do total). Uma chuvinha pouco apreciada pelos veraneantes, mas necessária para manter os níveis de humidade que permitem a manutenção de uma quantidade impressionante de florestas -- a tal chuvinha que fez muita falta em Portugal, a avaliar pelas notícias que ia tendo de casa.
Espólio: 10,5 rolos fotográficos e muitas imagens (visuais e não só) que pretendo converter num formato jpeg cerebral compatível com a minha memória (que já não é o que era).

Porquê...?
... Amsterdam: porque seria um pecado não aproveitar uma escala de quase 6 horas, numa tarde lindíssima, para conhecer uma cidade muito interessante e ainda visitar o museu Van Gogh, associando-nos, assim, à comemoração dos 150 anos do pintor.
... Primeira incursão: porque me sinto cada vez mais decidida a aceitar um determinado convite para ir conhecer mais um pouquinho das terras nórdicas, em particular um país que sobrevoei no regresso, e que me pareceu muito interessante (¿vale?).

Pormenores? Muitos, a seu tempo. Como diria o meu velho amigo de infância Woody Woodpecker, "don't go away, I'll be back soon with another cartoon! Ah ah ah ah ah!"