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Ideogramas mágico-religiosos


Juromenha (Alandroal), Janeiro de 2026

A religiosidade alentejana, em sentido lato, está muito patente nos elementos decorativos usados para protecção das casas, que vão desde os painéis hagiográficos até uma grande variedade de símbolos com função apotropaica, ou seja, que visam afastar o mal. Geralmente, encontramo-los junto às aberturas para o exterior, como portas, janelas e chaminés. Não lhes tenho prestado grande atenção (salvo esta magnífica decoração, em Vaiamonte), mas, já há tempos, deixei-me fascinar pela investigação de Luís Lobato de Faria. Em Juromenha, tive a sorte (sim, porque não levava o passeio planeado e não sabia que, todos os domingos de manhã, há visitas guiadas gratuitas à fortaleza) de encontrar o Luís e de poder usufruir do seu vasto conhecimento. Foi com ele que explorei os ideogramas mágico-religiosos da Igreja de Nossa Senhora do Loreto (aqui, na Figura 25) que agora mostro.
O nicho (antiga janela?) acima está protegido por duas rosetas hexapétalas. Abaixo, sobre uma porta, a cruz da Ordem de Avis (um tipo de cruz florenciada, com quatro flores-de-lis nas extremidades dos braços), acompanhada por dois lauburus (conhecidos como cruz basca ou tetrasquel, um tipo de suástica), quatro dos quais protegem os quatro cantos de uma janela.







Já na ombreira de outra porta se encontra o que parece ser uma cruz pátea (também cruz patada, um tipo de cruz templária ou cruz de Malta), dentro de um círculo, e um pentáculo (pentagrama, ou estrela de cinco pontas, dentro de um círculo).





Os símbolos representados são muito antigos (alguns deles remontam à Idade do Bronze) e a todos se atribuem propriedades mágicas de protecção contra o mal. Mas disto percebe mais o Luís Lobato de Faria, a quem muito agradeço a visita fora do horário e as valiosas explicações.

Windwijzers (2)


Amesterdão (Holanda), Agosto de 2023

Como prometido, os galos. São muito comuns, sobretudo em igrejas, como símbolo cristão do arrependimento (de Pedro, que três vezes negou o Mestre) e da vitória da luz (da madrugada) sobre as trevas. O primeiro, porém, encima a Munttoren (aqui), enquanto a Capela de Santo Olavo (Sint-Olofskapel) exibe um cata-vento em forma de bandeirola (aqui).



No entanto, são os galos que mais se destacam sobre os edifícios religiosos.


Na torre da Oude Kerk, literalmente, a Igreja Velha (aqui)


Na torre da Zuiderkerk, literalmente, a Igreja do Sul (aqui)


Numa das torres da Posthoornkerk, oficialmente, Igreja
Paroquial de Nossa Senhora da Imaculada Conceição (aqui)



Sobre a Nieuwe Kerk, literalmente, a Igreja Nova (aqui)

Ainda encontrei outros, de simbologia mais aguerrida, como o leão real holandês (do brasão de armas do Condado da Holanda e, mais tarde, dos Países Baixos), sobre, respectivamente, o Rijksmuseum (aqui) e a Estação Central (aqui), e um Tritão armado, no cimo da Torre Montelbaan (aqui).




(Imagem mais nítida, aqui)


(Contornos mais claros, aqui)

Windwijzers (1)


Amesterdão (Holanda), Agosto de 2023

Quando o vento sopra em Amesterdão, levanta memórias de um passado glorioso. Isto porque, a par dos galos (lá iremos), são os navios que povoam os telhados da cidade.
Acima, o cata-vento da Scheepvaarthuis, acompanhado pela bandeira nacional e pela da cidade, vermelha e negra com três cruzes de Santo André. O mesmo símbolo pode ser visto sobre o Waag, abaixo.




Outra bandeira, mais simples (aqui)

Embarcações, há-as de várias formas, como as seguintes:


Sobre a Schreierstoren (aqui)


Mesmo atrás (aqui)


Sobre o edifício da Bolsa de Valores (aqui)

No entanto, o navio mais conhecido (e o mais imponente) é o que encima o Palácio Real. Habitualmente, pode ser visto aqui, mas, em Dezembro, foi retirado para restauro e levado para o interior do palácio, onde assume, este Verão, um lugar de destaque na exposição "Hoog! Kijk omhoog. Een dak vol verhalen" ("Look up! A roof full of stories to tell"), de 29 de Junho a 22 de Setembro.


Agosto de 2023


18 de Dezembro de 2023 (foto: ANP/Alamy Live News, daqui)


18 de Dezembro de 2023 (foto: ANP/Alamy Live News, daqui)


26 de Junho de 2024, durante a antestreia para a imprensa (foto: Xinhua/RSS, daqui)

Fasádní kameny (6)






















Praga (República Checa, ou Chéquia), Setembro de 2007

Mais umas quantas pedras de fachada, desta vez encontradas em Praga (algumas das quais inventariadas aqui).

Giebelsteine (5)






Hamburgo (Alemanha), Agosto de 2014

As pedras de fachada não são um exclusivo holandês. Espalhadas pela Europa, encontram-se em diversos formatos e modalidades, mas com finalidades idênticas. Na prática, torna-se difícil, em diferentes contextos culturais, distingui-las dos brasões de família e, até, dos painéis hagiográficos: que diferença fundamental existe entre a casa do S. Nicolau e a Quinta de S. João ou o Casal de Santa Teresinha? Um sítio holandês dedicado ao inventário das pedras de fachada alberga exemplares recolhidos em Portugal, que mais não são do que brasões e tabuletas.
Pela Europa fora, tenho registado diversas marcas identificativas de edifícios, algumas das quais percebi agora que estão inventariadas na categoria de gevelsteen (se o Google não me engana, Giebelstein ou Fassadenstein, em alemão, e facadesten, em dinamarquês), respectivamente, aqui e aqui.










Copenhaga (Dinamarca), Agosto de 2014

Gevelstenen (4)






Amesterdão (Holanda), Agosto de 2023

Com este último lote, termino a apresentação das pedras de fachada que encontrei em Amesterdão. Fidalgos, cavaleiros e castelos, como o malogrado Castelo Egmond, e o escudo de armas da cidade de Riga (Letónia).





Para terminar, dou maior destaque a uma que já tinha passado aqui e arrumo com as suas congéneres a da Scheepvaarthuis.