Reminiscência de Almada Negreiros


Lisboa, Julho de 2017

Adaptado da obra Auto-reminiscência de José de Almada Negreiros por Catarina Almada Negreiros e Rita Almada Negreiros, Abril de 2014.
Nos 120 anos de Almada Negreiros.

Um São José de azulejos T2:7


Braga, Julho de 2017

Há dias, tive de ir, em trabalho, a Braga, cidade onde, inexplicavelmente nunca tinha estado. Fui umas horas mais cedo, para poder passear um pouco, certa de que iria enriquecer as minhas colecções. E não me enganei, não, que em Braga há de tudo um pouco, ou mesmo muito. É uma cidade belíssima, com muito barroco, muitas igrejas, cataventos, fontes, placas de homenagem, um coreto, uma Praça da República, um castelo, cruzeiros, Monumentos Nacionais, sei lá eu que mais. Imaginei que fosse encontrar uma quantidade impressionante de azulejos hagiográficos, porém, para meu espanto (e prova de que ainda tenho muito que aprender sobre a religiosidade popular), a cidade dos arcebispos tem muitos santos, sim, mas é nas igrejas. A meio da tarde, encontrei uma Nossa Senhora da Conceição, a fazer pendant com esta cena bucólica:



De resto, a falta de apreço pela santa também era notória no descuido com a montagem do painel:



cujo resultado final deveria ser este:



Mas não vale a pena tentar tirar daqui alguma conclusão, porque a cena bucólica também carecia de cuidados:





Voltando ao que interessa, já no final do passeio, tropecei neste Santo Isidro Lavrador e, finalmente, encontrei outra Nossa Senhora da Conceição, numa casa em vias de demolição, e que fotografei de uma distância excessiva:





E foi tudo. De regresso a Lisboa, no fim-de-semana, fui dar uma volta pela Ericeira, antiga vila piscatória, onde esperava ver, sobretudo, turistas, surfistas e banhistas. E o que será que lá encontrei, em grande quantidade?

Musas (5)














Braga, Julho de 2017

Mais musas: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6

#TBT: Kerimäki, 2003


Kerimäki (Savónia do Sul, Finlândia), Agosto de 2003

Passámos pela igreja de Kerimäki numa tarde de passeio pelos lagos. Construída em meados do século XIX, é considerada a maior igreja de madeira do mundo.
Dez anos depois, uma reorganização administrativa ditou a fusão de Kerimäki com Savonlinna.

Um São José de azulejos T2:6
















Castelo Branco, Junho de 2017

A terminar os de Castelo Branco, que, como se costuma dizer, atrás vem gente, e já vai havendo um belo engarrafamento.

Love me tender








Lisboa, Julho de 2017

Por Hugo Lucas, integrado numa das primeiras fases do projecto "Reciclar o Olhar" (2011). Foi projectado para a Rua Alexandre Herculano, mas encontrei-o agora aqui, onde antes vi este.
Mais fotos aqui.

Um São José de azulejos T2:5














Castelo Branco, Junho de 2017

É claro que o último não está bem montado: se nos entretivermos a refazer o puzzle, o resultado final será este:

Dia bom






Ericeira (Mafra), Julho de 2017

Coreto do Jardim da Estrela


Lisboa, Dezembro de 2015

O Coreto do Jardim da Estrela é mesmo muito bonito. Tenho de lá voltar para o fotografar melhor.

#TBT: Atami, 2004


Atami (Prefeitura de Shizuoka, Japão), Agosto de 2004

Ao fim de quatro dias em Hakone, resolvemos que estávamos fartas de montanhas e de chuva, que Agosto faz-se é de praia, e apanhámos o comboio para Atami. É um conhecido destino balnear, geminado com a nossa vila de Cascais.
Ficámos alojadas num hotel grande e moderno, com excelentes instalações de banhos.
Saímos para dar uma volta, mas a humidade persistia e a temperatura era pouco agradável, pelo que estava fora de questão usufruir da praia, que, de resto, se encontrava deserta. Uma caminhada pela marginal, ao longo da baía, deixou-nos ver pouco mais do que hotéis e edifícios modernos e incaracterísticos. Além de que os sinais informativos que fomos encontrando no murete da marginal (e em ruas paralelas) não nos deixaram muito tranquilas:



Aos poucos, fomos sentindo saudades de Tóquio, onde, apesar do forte calor húmido, havia sol e animação. Por isso, decidimos ficar só essa noite e regressar pela manhã à capital, onde haveríamos de permanecer mais dois dias, com muita animação, mas sem sol, que a chuva também já lá tinha chegado.
Nessa noite, a minha amiga decidiu que não haveria de me deixar sair da região dos onsen sem que eu experimentasse um verdadeiro banho japonês. Arranjei mil e uma desculpas, e ela foi sozinha. Voltou deslumbrada, que aquilo era uma maravilha, uma experiência inolvidável, um bálsamo para o corpo e para a mente, que, àquela hora, estava praticamente vazio, que era um privilégio, que eu tinha porque tinha de ir experimentar. Eu, já sem argumentos, agarrei nas toalhas e fui.
Eram, de facto, umas instalações excelentes, com duas grandes banheiras, em forma de piscinas, onde a penumbra e o vapor permitiam um ambiente discreto. Além disso, estavam divididas por sexos, e, de facto, tão perto da hora do fecho (passava das 11 da noite), já só lá havia uma senhora, que eu decidi observar, para poder imitar. Após as abluções da ordem, dirigi-me à tina onde ela se encontrava, imersa até ao pescoço. Fiz, com a cabeça, uma pequena vénia de respeito e entrei, calmamente. A água estava bastante quente, mas eu não vacilei e continuei a descer, degrau após degrau, com a elegância de uma lady. Sentei-me, deixei que o corpo se habituasse à temperatura, e agradeci mentalmente à minha amiga pela insistência. Parecia-me ver as toxinas a fugirem, e eu a ficar mais saudável e mais bela. Despertei com a senhora a levantar-se e a dirigir-se para a outra tina. Aguardei um pouco e segui-a. Porém, ao pousar o meu pezinho no primeiro degrau, senti que estava a mergulhar no Árctico. Mantive, exteriormente, a pose de lady, mas senti-me uma personagem de Tex Avery, a estilhaçar como vidro. Foi uma das situações da minha vida em que senti o coração parar. Ao fim de um bocado, o corpo lá se ajustou à temperatura, mas não é que a senhora se levantou e voltou à primeira tina, depois à segunda, e assim sucessivamente? E eu, que não lhe podia ficar atrás, a segui-la. Depois de algum tempo, acabei por me habituar, já não era nem bom nem mau, era uma experiência radical, a não repetir, enquanto me lembrasse.
Por acaso, dois anos e meio depois, em Budapeste, já esquecida deste percalço, também me aventurei pelas salas de sauna do Hotel Gellért: a primeira estava tão cheia que a minha colega e eu continuámos para a segunda, e para a terceira, percebendo que, quanto mais andássemos mais espaço livre havia. Fomo-nos aventurando, que não éramos nenhumas preguiçosas acomodadas, que aquilo era como nas praias do Algarve: quem não quer sair da zona de conforto não tem onde estender a toalha. Quando chegámos à última, a minha colega bradou: "Para mim, chega, já me estou a sentir mal, vou-me embora". Eu, sempre lady, não quis dar parte fraca à frente daqueles húngaros sisudos, que por acaso eram todos homens de constituição forte, e sentei-me. Foi então que, enquanto olhava discretamente à minha volta, me caíram os olhos numa inscrição na parede de azulejo, num tipo de letra muito Arte Nova, que indicava a temperatura, e que era alguma coisa na ordem dos 80º C. Aguentei estoicamente o mais que consegui, cerca de 30 segundos, e saí discretamente, atravessando as salas, cuja temperatura, só então percebi, descia progressivamente 5 ou 10º C.

Coreto de Nisa


Nisa, Janeiro de 2011

O Coreto de Nisa, data, ao que parece, de 1902.