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Temesvar, a primeira


Praça da União (Piața Unirii), Timișoara (Roménia), Maio de 2025

Timișoara é a maior cidade da região histórica do Banato, na Transilvânia, por onde passaram agatirsos, getas, celtas, dácios, romanos, carpos, sármatas, ostrogodos, hunos, gépidas, ávaros, pechenegues, eslavos, búlgaros, húngaros, tártaros, otomanos e muitos outros. A região pertenceu, sucessivamente, ao Reino Dácio (82 a.C-106 d.C.), ao Império Romano (106-ca. 350), ao Império Ávaro (553-790), ao Primeiro Império Búlgaro (até ca. 1000), ao Reino da Hungria (ca. 1000–1526, 1551–1552, 1779–1849), ao Reino da Hungria Oriental (1526–1551), ao Império Otomano (1552–1716), à Monarquia de Habsburgo (1718–1779), ao Império Austríaco (1849–1867), ao Império Austro-Húngaro (1867–1918), à República do Banato (1918), ao Reino da Sérvia (1918), ao Reino da Jugoslávia (1918–1919), ao Reino da Roménia (1919–1947), à República Popular da Roménia (1947–1965), à República Socialista da Roménia (1965–1989) e, desde 1989, à Roménia.


Praça da Liberdade (Piața Libertății), antiga Praça da Parada

A primeira referência que se conhece a um povoamento nesse lugar data de 1212 (como castrum regium Themes), embora o estatuto de cidade só lhe tenha sido reconhecido em 1342, sob o nome húngaro de Temesvár, que significa, literalmente, "castelo no rio Temes" (referência a uma fortaleza atestada desde 1175).


Palácio da sucursal regional de Timiş do Banco Nacional da Roménia
(const. 1903-1904, arq. Josef Hubert)


Durante o século XIV, a cidade ganha importância, depois de, entre 1315 e 1323, o rei Carlos I da Hungria aí ter fixado a sua corte e feito construir um palácio real. O desenvolvimento da urbe atrai artesãos e comerciantes italianos e mais húngaros. Chegam, depois, croatas, búlgaros, romenos, sérvios e, com a anexação ao Império Otomano, muitos muçulmanos e judeus sefarditas. No século XVIII, durante o domínio de Habsburgo, foram expulsos os turcos e teve início um processo de colonização em larga escala, com a deslocação para a região de católicos, provenientes, sobretudo, da Alemanha (Vurtemberga, Suábia, Palatinado, Luxemburgo, Hesse, Alsácia, Lorena, Suíça, Áustria, etc.), os quais ficaram conhecidos, globalmente, como Suábios do Banato. Vieram também espanhóis e italianos (comunidade reforçada, nos primeiros anos do século XXI, em virtude do investimento local por parte de empresas italianas).


Palácio Széchenyi, const. 1900-1914, arq. László Székely

Serve esta introdução para explicar o carácter cosmopolita e multicultural da cidade, visível na arquitectura, na religião, nas artes e na gastronomia. As estatísticas demográficas mostram que, em 1880, a população local era constituída por 53,02% de alemães, 19,45% de húngaros, 13,02% de romenos e 6,24% de sérvios. Em 1930, havia 32,39% de alemães, 31,03% de húngaros, 24,62% de romenos e 7,09% de judeus. A partir da II Guerra Mundial, aumenta a percentagem de romenos, em detrimento dos restantes grupos étnicos. Finalmente, em 2021, foram contabilizados 70,41% de romenos, 3,31% de húngaros, 1,11% de sérvios, 0,87% de alemães, 0,3% de ciganos e diversas outras minorias, com menos de 0,3%, como búlgaros, ucranianos, eslovacos, checos, judeus e croatas. Além disso, em 2017, o então Presidente da Câmara estimava em cerca de 100 mil a população flutuante, não contabilizada nas estatísticas, constituída por estudantes e trabalhadores.


Praça da Victória (Piața Victoriei)

Timișoara é hoje o principal centro económico e cultural da Roménia Ocidental, perto das fronteiras com a Hungria e a Sérvia. É a quinta cidade mais populosa do país (cerca de 250 mil habitantes, mais de 400 mil na sua área metropolitana, segundo o censo de 2021) e a capital do distrito de Timiș.


Strada Alba Iulia

Segundo dados oficiais do Banco Mundial, em 2018, Timișoara foi a cidade com maior crescimento económico da União Europeia, sendo um importante centro industrial, comercial, médico, cultural e universitário no país. Em 2023, um ranking mundial de qualidade de vida colocou-a em primeiro lugar na Roménia, 84.º lugar no mundo e 53.º lugar na Europa, acima de capitais como Lisboa e Bruxelas.


Palácio Lloyd (const. 1910-1912, arq. Lipót Baumhorn),
reitoria da Universidade Politécnica, fundada em 1920


A importância histórica de Timișoara revela-se em efemérides que ainda hoje orgulham os seus habitantes: foi a primeira cidade de Habsburgo com iluminação pública (com recurso a velas de sebo e candeeiros alimentados a óleo e gordura), em 1760, e a primeira da Europa Continental iluminada com luz eléctrica, em 1884; teve a primeira biblioteca pública de empréstimo numa cidade húngara, em 1815; o primeiro jornal em língua alemã no Sudeste Europeu (o Temeswarer Nachrichten), em 1771; a primeira linha telegráfica no território da atual Roménia, ligando Temeswar a Viena, em 1852; foi paragem do Expresso do Oriente, desde o seu lançamento, em 1883; teve o primeiro serviço de ambulâncias da Hungria, em 1886; e um hospital municipal, 24 anos antes de Viena. Já na Roménia, foi aí fundado o primeiro clube de futebol profissional do país (o Ripensia), em 1928; o primeiro grupo de teatro profissional da Roménia, em 1945; o primeiro computador alfanumérico romeno (o MECIPT 1), em 1961; e foi a primeira Cidade Livre do Comunismo, em 1989.


Alameda das Personalidades (Aleea Personalităților), no Parque Central da cidade
(Parcul Central „Anton Scudier”)


Timișoara é um dos principais destinos turísticos da Roménia. A cidade possui o maior conjunto arquitectónico de edifícios históricos do país (aproximadamente 14.500), resultado de uma longa tradição de planeamento urbano moderno, que começou no século XVIII, com a chegada dos austríacos (e em consequência da destruição provocada pelas guerras austro-turcas). O centro histórico da cidade está estruturado em torno de três praças urbanas (ilustradas acima), únicas no país, apresentando cada uma dimensões, soluções plásticas e estilos de inestimável valor arquitectónico. A diversidade arquitectónica, representada pelo Barroco, Historicismo, Neoclassicismo, Art Nouveau e Secessão Vienense, rendeu a Timișoara a reputação de "Pequena Viena". Mas os epítetos não se ficam por aqui: Timișoara é também conhecida como a "cidade das flores", em virtude dos seus inúmeros parques e espaços verdes. Entre os mais famosos, destaca-se o Parque Central (retratado acima) e o Parque das Rosas, com mais de 1.200 variedades de rosas, que, no início do século XX, deu a Timișoara a reputação de "cidade das rosas".
É, sem dúvida, uma cidade que merece ser visitada.

Heavens above (83)






Portalegre, Maio de 2025




Timișoara (Roménia), Maio de 2025


Arad (Roménia), Maio de 2025






Munique (Alemanha), Maio de 2025






Portalegre, Maio de 2025

Para uns são alegrias (33)




Arad (Roménia), Maio de 2025


Timișoara (Roménia), Maio de 2025

A última caixa parece-me um modelo mais antigo, mas muito vandalizado.

Fora do centro


Baia Mare (Roménia), Fevereiro de 2007

Fora do centro, Baia Mare é assim. Na memória, ficou-me cinzenta, talvez do tempo chuvoso, porque notas de cor não faltavam, nem que fosse no envelhecido parque automóvel, cheio de Dacia.



Austera, sim, na arquitectura residencial, nos edifícios públicos e no ar grave das estátuas.
A primeira imagem com que fiquei, da janela do meu quarto, foi esta:



Depois, saímos, fomos até à Universidade, pelas margens do rio Săsar, e voltámos por largas avenidas, até ao centro. Pelo caminho, fui disparando para alguns motivos que me chamaram a atenção.











Os heróis, vi-os homenageados assim:





Já no caminho para Baia Mare, passando por Carei, tinha tropeçado neste Monumento ao Soldado Romeno (Monumentul Ostașului Român):


Carei (Satu Mare, Roménia), Fevereiro de 2007

A bem da verdade, não há nada que bata a minha experiência com o Parque das Estátuas, no Memento Park, em Agosto de 2002. Digna de um filme. Mas vai ter de ficar para outra vez.

#TBT: Baia Mare, 2007


Baia Mare (Roménia), Fevereiro de 2007

Algumas imagens de Baia Mare, a cidade capital do distrito (județ) de Maramureș, atravessada pelo rio Săsar.
Tem um centro histórico medieval, classificado como Monumento Histórico da Roménia, que se desenvolve-se em redor da Praça Velha. É dominado pela Torre de Estêvão (Turnul Ștefan), que foi em tempos a torre sineira da igreja dedicada ao santo do mesmo nome, e cujo telhado verde foi danificado por uma tempestade e substituído por um de cobre, ainda durante o ano de 2007.
Fora do centro, avenidas de edifícios cinzentos, rectos e austeros, de inspiração soviética, que ficarão para outra oportunidade.













A alegria dos cemitérios


Săpânța (Maramureș, Roménia), Fevereiro de 2007

A terminar esta incursão pelo Turismo Tétrico, fomos visitar o Cemitério Alegre, o Cimitirul Vesel de Săpânța.
Datado de 1935 e inscrito em 2004 na lista de Monumentos Históricos da Roménia, é um verdadeiro museu ao ar livre de arte popular que agrupa cerca de 800 cruzes de sepultura, esculpidas em madeira de carvalho pintada de azul (a cor do céu que espera os defuntos) e de outras cores garridas (verde, significando a vida; amarelo, a fertilidade; vermelho, a paixão; preto, a morte). Cada cruz tem uma imagem com uma cena da vida do morto, acompanhada por uma pequena narrativa em versos populares que, na primeira pessoa, relata a sua morte, de forma humorística ou irónica.
Foi criado por Stan Ioan Pătraș, escultor de madeira, que começou este seu projecto aos 14 anos e o desenvolveu ao longo da vida.
Ao arrancar-nos um sorriso aqui, uma gargalhada ali, esta visita foi uma boa forma de aliviarmos o peso que tínhamos trazido de Sighet, e de nos prepararmos para o almoço, antes de seguirmos em busca de Património da Humanidade.