O vento e a escola (2)


Escola da Corredoura, Portalegre, 20 de Fevereiro de 2010 (esta já tinha passado
por aqui)


O Plano dos Centenários constituiu um projecto de construção de escolas em larga escala, levado a cabo pelo Estado Novo em Portugal, entre 1941 e 1974. A designação pretendia ligar o projecto à comemoração do Duplo Centenário da Fundação (1140) e da Restauração de Portugal (1640), em cujo âmbito decorreu, igualmente, a Exposição do Mundo Português. Foi, porém, uma pretensão um tanto forçada, visto que, à data do lançamento do projecto, as comemorações tinham já sido encerradas.
O Plano desenvolveu-se em diversas fases, a primeira das quais iniciada em 1944; as fases seguintes sucederam-se até finais de Setembro de 1969.
Dada a urgência de iniciar os trabalhos, e como os novos projectos ainda não estavam prontos, numa fase preliminar, foram construídos, conforme a região, os projectos-tipo regionalizados de 1935, de Rogério de Azevedo e Raul Lino, com as alterações exigidas pelo Plano, entre as quais geminação de edifícios, de forma a poderem garantir a separação total dos sexos, e simplificação de pormenores das fachadas, para contenção de despesas.
Os projectos definitivos foram aprovados em 1944 e basearam-se nos estudos apresentados pela Direcção dos Edifícios Nacionais do Norte. Foram assim distribuídos:

Direcção dos Edifícios Nacionais do Norte: projectos da autoria do arquitecto Manuel Fernandes de Sá, 1944;
Direcção dos Edifícios Nacionais do Centro: projectos da autoria do arquitecto Joaquim Areal, 1944;
Direcção dos Edifícios Nacionais de Lisboa: projectos da autoria do arquitecto Eduardo Moreira dos Santos, 1944;
Direcção dos Edifícios Nacionais do Sul: projectos da autoria de Alberto Braga de Sousa, 1944;
Açores: projectos-tipo da autoria do arquitecto Luís de Mello, 1945;
Madeira: projectos-tipo da autoria do arquitecto Fernando Peres, 1949.
Os novos edifícios escolares do Plano dos Centenários acabaram por se tornar numa imagem de marca de Portugal, num estilo menos Casa Portuguesa e mais Português Suave.


Pero Moniz (Cadaval), Maio de 2010


Marmeleira (Rio Maior): fotografia datada de Junho de 2010 e encontrada em sítio
que não posso já precisar (outra imagem aqui)



Samora Correia (Benavente): imagem encontrada aqui



A Direcção dos Edifícios Nacionais de Lisboa tinha a cargo o desenvolvimento dos tipos Ribatejo, Estremadura e Alto Alentejo. E vai ser nestes tipos que, apesar da austeridade no uso de materiais, se vai manter a tradição dos cataventos de Raul Lino. Os novos cataventos são mais diversificados, pretendendo ilustrar as actividades económicas locais. São também menos estilizados que os de Raul Lino, têm mais pormenores figurativos e mais trabalho em ferro forjado.


Carnaxide (Oeiras), Abril de 2012


Paço de Arcos (Oeiras), Março de 2012


Pero Moniz (Cadaval), Maio de 2010


Cajados (Palmela): pormenor de uma fotografia de José
Rasquinho, carregada em Setembro de 2010 e encontrada aqui
(outro, de Pinheirinhos, Setúbal, aqui; ainda outro, de Alviobeira,
Tomar, aqui)



Samora Correia (Benavente): pormenor de uma fotografia
carregada em Maio de 2008 e encontrada aqui



Atalaia (Seixal): pormenor de uma fotografia de Setembro de
2006, encontrada, em Outubro de 2010, no antigo sítio da
associação Aldraba



Mosteiros (Arronches): fotografia de Junho de 2006, encontrada aqui

Fontes principais:
BEJA, Filomena; SERRA, Júlia; MACHÁS, Estella; SALDANHA, Isabel (1996). Muitos anos de escolas. Volume II: Edifícios para o ensino infantil e primário, anos 40 - anos 70. Lisboa: Ministério da Educação/DGAE.

LE CUNFF, Françoise; SEGURO, Maria João (2012). Os edifícios escolares do Plano dos Centenários. Exposição do Museu Virtual da Educação, Coordenação Geral da Divisão de Documentação e Património Cultural. Secretaria-Geral do Ministério da Educação e Ciência.

1 comentário:

Casimiro Gonçalves disse...

Gostei muito de encontrar este post sobre os antigo cataventos das escolas. è uma pena aos posto andarem a retira-los das escolas. Os daqui de Alhandra ainda me lembro deles, eram dois campinos, iguais aos de Samora Correia (Benavente). Muito Obrigado. Casimiro Gonçalves