Fortaleza de Juromenha


Juromenha (Alandroal), Janeiro de 2026

A Fortaleza de Juromenha é constituída por duas cinturas de muralhas, uma interna, onde se situa a torre de menagem, e outra externa, sendo esta de tipo abaluartado, com planta estrelada. No interior do recinto muralhado, existem duas igrejas, a da Misericórdia e a Matriz (Igreja de Nossa Senhora do Loreto), e também os antigos Paços do Concelho (cuja fachada ruiu um 1930) e respectiva cadeia (edifício cuja configuração actual data do século XVII), uma cisterna de planta rectangular que abastecia a população e diversas ruínas pertencentes ao aglomerado urbano. A estrutura defensiva sobrevive desde o período árabe, do qual perduram parte da muralha, uma porta e torres em taipa militar islâmica. Em termos paisagísticos, a antiga fortaleza possui uma localização privilegiada, no que respeita ao domínio visual dos territórios português e espanhol.


No sentido horário: Igreja da Misericórdia, Igreja de Nossa Senhora do Loreto e cadeia







Arquitectura militar, medieval e da restauração. Fortaleza de raiz medieval da qual mantém parte da muralha do castelejo com cubelos rectangulares, acrescentada e circundada por baluartes em forma de estrela e por revelins da época da Guerra da Restauração. Praça fronteiriça de grande importância estratégica, na centúria de seiscentos, considerada a chave do Guadiana e um dos poucos lugares identificados como azóia ou arrábida na época medieval.




Abandonada e em ruínas desde 1920, a Fortaleza de Juromenha foi alvo de obras de recuperação e estabilização, pela DGEMN, a partir 1950, que se prolongaram até 1996. Em 1957, foi, inclusivamente, classificada como Imóvel de Interesse Público. No entanto, nem isso impediu a progressiva degradação do monumento.



Em 2 de Agosto de 2017, a Resolução da Assembleia da República n.º 179/2017 recomendava ao Governo a inclusão da Fortaleza de Juromenha na lista de imóveis do Programa REVIVE. Porém, a intervenção já não foi a tempo de impedir o desmoronamento de uma das torres, em Abril de 2018, provocado por intensas chuvas e pelo avançado estado de degradação do edificado. A derrocada aconteceu na zona mais alta da fortificação, após anos de denúncias sobre o estado de abandono do monumento. O incidente revelou, na altura, a taipa militar islâmica original que se encontrava reforçada com pedra. Finalmente, em Julho de 2019, o edifício passa a integrar o Programa REVIVE.



Após o colapso, foram elaborados projectos de recuperação. Entre 2024 e 2025, a Fortaleza de Juromenha passou por um significativo processo de restauro e consolidação das muralhas. A intervenção, com um investimento de cerca de 5 milhões de euros, foi concluída em 2025, resultando na requalificação do perímetro abaluartado exterior e da cerca islâmica e medieval interior. As obras permitiram a visitação e valorização do património, marcando uma "reconciliação com o passado" da vila raiana. Prevê-se, igualmente, a sua valorização turística, com a eventual construção de um hotel.
Já em 2026, a Câmara Municipal de Alandroal aprovou o projecto de remodelação e restauro da Porta Norte da fortaleza, uma intervenção que representa a fase final da reabilitação das muralhas do monumento.

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