Ideogramas mágico-religiosos


Juromenha (Alandroal), Janeiro de 2026

A religiosidade alentejana, em sentido lato, está muito patente nos elementos decorativos usados para protecção das casas, que vão desde os painéis hagiográficos até uma grande variedade de símbolos com função apotropaica, ou seja, que visam afastar o mal. Geralmente, encontramo-los junto às aberturas para o exterior, como portas, janelas e chaminés. Não lhes tenho prestado grande atenção (salvo esta magnífica decoração, em Vaiamonte), mas, já há tempos, deixei-me fascinar pela investigação de Luís Lobato de Faria. Em Juromenha, tive a sorte (sim, porque não levava o passeio planeado e não sabia que, todos os domingos de manhã, há visitas guiadas gratuitas à fortaleza) de encontrar o Luís e de poder usufruir do seu vasto conhecimento. Foi com ele que explorei os ideogramas mágico-religiosos da Igreja de Nossa Senhora do Loreto (aqui, na Figura 25) que agora mostro.
O nicho (antiga janela?) acima está protegido por duas rosetas hexapétalas. Abaixo, sobre uma porta, a cruz da Ordem de Avis (um tipo de cruz florenciada, com quatro flores-de-lis nas extremidades dos braços), acompanhada por dois lauburus (conhecidos como cruz basca ou tetrasquel, um tipo de suástica), quatro dos quais protegem os quatro cantos de uma janela.







Já na ombreira de outra porta se encontra o que parece ser uma cruz pátea (também cruz patada, um tipo de cruz templária ou cruz de Malta), dentro de um círculo, e um pentáculo (pentagrama, ou estrela de cinco pontas, dentro de um círculo).





Os símbolos representados são muito antigos (alguns deles remontam à Idade do Bronze) e a todos se atribuem propriedades mágicas de protecção contra o mal. Mas disto percebe mais o Luís Lobato de Faria, a quem muito agradeço a visita fora do horário e as valiosas explicações.

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