A rainha no Inverno




Portalegre, Fevereiro de 2015




Portalegre, Janeiro de 2015

1 | 2 | 3 | 4

Morro Dois Irmãos


Morro Dois Irmãos, visto da praia de Ipanema,
Rio de Janeiro (Brasil), Novembro de 1998
(imagem recuperada daqui)


Dois Irmãos, quando vai alta a madrugada
E a teus pés vão-se encostar os instrumentos
Aprendi a respeitar tua prumada
E desconfiar do teu silêncio

Penso ouvir a pulsação atravessada
Do que foi e o que será noutra existência
É assim como se a rocha dilatada
Fosse uma concentração de tempos

É assim como se o ritmo do nada
Fosse, sim, todos os ritmos por dentro
Ou, então, como uma música parada
Sobre uma montanha em movimento

Composição de Chico Buarque, do álbum Chico Buarque, RCA, 1989.
Interpretada pelo Chico, aqui, e pela Adriana, aqui.

Noite


Los Angeles, Novembro de 2019

Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!

Pois manda Amor que a ti somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel que a delirar me obriga.

E vós, ó cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.











Soneto de Manuel Maria Barbosa du Bocage, publicado em Rimas (três tomos, entre 1791 e 1804).
Imagens do filme Blade Runner, de Ridley Scott, 1982 (versão Director's Cut, DVD, 1997).

Miliar


Elvas, Janeiro de 2015

11 anos, 6 meses e 29 dias depois.

604 semanas e 3 dias.
4231 dias.
101.544 horas.
6.092.640 minutos.
365.558.400 segundos.

A uma média de 0,24 entradas por dia.

Grão a grão.

Recueillement



Sois sage, ô ma Douleur, et tiens-toi plus tranquille,
Tu réclamais le Soir; il descend; le voici:
Une atmosphère obscure enveloppe la ville,
Aux uns portant la paix, aux autres le souci.

Pendant que des mortels la multitude vile,
Sous le fouet du Plaisir, ce bourreau sans merci,
Va cueillir des remords dans la fête servile,
Ma Douleur, donne-moi la main; viens par ici,

Loin d'eux. Vois se pencher les défuntes Années,
Sur les balcons du ciel, en robes surannées;
Surgir du fond des eaux le Regret souriant;

Le Soleil moribond s'endormir sous une arche,
Et, comme un long linceul traînant à l'Orient,
Entends, ma chère, entends la douce Nuit qui marche.

Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal, ed. 1868
Edvard Munch, Aften på Karl Johan (Evening on Karl Johan Street), 1892
Óleo sobre tela, 84.5 x 121 cm
Bergen kunstmuseum (Rasmus Meyers samlinger)

Papa-unescos (IV)


Vista do Quebra-Mar da Barra da Tijuca, em dia cinzento
Rio de Janeiro (Brasil), Novembro 1998


(35) Rio de Janeiro: Paisagens cariocas entre a montanha e o mar (Brasil)

Descobri, recentemente, uma maneira deliciosa (e preguiçosa) de ver esta minha colecção aumentar: consiste em visitar sítios bonitos e esperar que a UNESCO os classifique.
Foi assim com o Rio de Janeiro, cidade bonita por natureza, dona de uma beleza que não deixa (não pode deixar) ninguém indiferente. Eu percebi isso em 1998, quando lá estive, mas a UNESCO só se rendeu à evidência em 2012.
Já por aqui falei bastante do Rio, quando desfiei as minhas lembranças (1, 2, 3, 4, 5, 6) e fotos cantadas (7, 8). Agora, deixo só mais alguns retratos, resgatados do pó.


Morros no nevoeiro


A Lagoa Rodrigo de Freitas, vista do Corcovado, por entre o nevoeiro


Avenida Atlântica, praia de Copacabana, Pão de Açúcar ao fundo, em dia cinzento


Praia de Copacabana, Pão de Açúcar ao fundo

Eles comem (quase) tudo


Volksdorf (Hamburgo, Alemanha), Agosto de 2014

E o Google, sempre pronto a divertir-nos:

Ich esse Grillmüll, aber keine glühende Kohle!
Ik eet BBQ vuilnis, maar geen hete kolen!
I eat BBQ garbage, but no hot coal!
Je mange barbecue ordures, mais pas de charbon chaud!
Mangio BBQ spazzatura, ma non il carbone caldo!
Mănânc BBQ gunoi, dar nu cărbune fierbinte!
BBQ comedam purgamentum, sed non calculus!
Jo com escombraries barbacoa, però no al carbó calent!
Yo como basura barbacoa, pero no al carbón caliente!
Eu comer churrasco de lixo, pero ningún carbón quente!
Eu comer churrasco de lixo, mas nenhum carvão quente!

Papa-unescos (III)


Holstentor, Lübeck (Alemanha), Agosto de 2007

(34) Cidade Hanseática de Lübeck (Alemanha)

No caminho de Hamburgo para a Dinamarca, fizemos uma curta paragem em Lübeck, ou Lubeca, na sua forma portuguesa. É uma cidade independente (kreisfreie Großstadt), do norte da Alemanha, localizada no estado de Schleswig-Holstein. É atravessada pelo rio Trave, possui um dos maiores portos da Alemanha e fez parte da Liga Hanseática, de quem lhe chamavam Rainha.
Quase tudo isto, aprendi-o na Internet, que da tal curta paragem retenho, em particular, o tempo cinzento, a chuva miudinha, a pastelaria onde tomámos o pequeno-almoço, a bela praça central da cidade antiga, a loja do museu das marionetas e o pequeno passeio em busca de imagens para mais tarde recordar.







A Câmara Municipal (Lübecker Rathaus), com a Igreja de Santa Maria (Marienkirche) a espreitar por trás, no seu estilo gótico báltico, ou gótico de tijolos (Backsteingotik):



Lübeck é também conhecida como a Mãe do Gótico de Tijolos, que tem como icónico exemplar o Holstentor (ou Porta de Holstein), ex-libris da cidade, que aqui podemos ver do lado de dentro:



Mais algumas vistas da cidade e do rio:







Aqui, os armazéns de sal (Salzspeicher), junto ao rio, também em tijolo, mas ao estilo renascentista e barroco: