Ciência viva


Parque das Nações, Lisboa

Feriados. Já nem me lembro quantos houve este ano, nem como os aproveitei. Insisto, teimosamente, em esquecer que o próximo mês só tem cerca de quinze dias de trabalho e que traz um dos períodos de interrupção lectiva (vulgo férias) mais ansiados e merecidos do ano. Relevante, a crueldade de um calendário que dissolve dois dias de santo descanso em idêntico número de fins-de-semana anónimos, sem história, aposto que com chuva.
O último ainda o recordo mais risonho, uma quinta-feira de sol a justificar um fim-de-semana prolongado. Aproveitei-o para explorar o Pavilhão do Conhecimento, um espaço que ainda não me tinha chamado suficientemente a atenção. Foi precisa a ênfase publicitária a cheiros e ruídos nojentos, e lá fui eu, confirmar com os meus próprios sentidos.
Mais palavras para quê, o Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva apresenta-se a si mesmo como "um museu interactivo de ciência e tecnologia que visa tornar a Ciência mais acessível para todos, estimulando a exploração do mundo físico e a experimentação".
A exposição temporária Knojo! A Ciência Indiscreta do Corpo Humano é a nova atracção para crianças mais e menos pequenas. Aproveitei a hora de almoço, do que não me arrependo nada: cerca das 16 horas eram muitas dezenas as pessoas à espera para entrar, pelo que imagino que a possibilidade de experimentação acabasse frustrada. O módulo dos maus cheiros foi o que mais me marcou, e mais não digo.



As exposições permanentes são, porém, ainda mais marcadas pelo fascínio da descoberta e da experimentação. Explora, Vê, Faz, Aprende! e Matemática Viva brindam-nos com elipses e camas de faquir, caleidoscópios e espectros de luz, hologramas, resistências, parábolas, sons e mil e uma razões para nos perdermos no tempo e na nossa própria curiosidade. E o reencontro com o enigma favorito do meu avô, o dos cavaleiros que eu nunca tinha conseguido sentar nas respectivas montadas, que, como todos os enigmas realmente interessantes, tem uma solução demasiado simples para parecer séria.
Ainda a exposição temporária A Fí­sica no Dia-a-Dia - O Livro Vivo de Rómulo de Carvalho com as suas 73 experiências ao alcance do povo, como pretendia o autor.

Grandes passeios de domingo (III)


Do lado de lá, Bacoco


Do lado de cá, Alegrete


Alegrete

Outubro


28 de Outubro de 2007, São Salvador da Aramenha


28 de Outubro de 2007, São Julião


28 de Outubro de 2007, São Julião, Marvão ao fundo


5 de Outubro de 2007, Casa das Carpas, Olhos d'Água - São Salvador da Aramenha

Grandes passeios de domingo (II)

Desta vez no sábado, pela barragem de Póvoa e Meadas.


Fonte Fria




Chafurdão do Vale de Cales (mais sobre chafurdões, aqui)




Barragem da Póvoa, Castelo de Vide ao fundo

Al Mossassa



Terminou, no último fim-de-semana, em Marvão, a 2ª edição do Festival Islâmico que relembra a fundação de Badajoz e de Marvão, respectivamente, em 875 e 877, por Ibn Marwan.



Abd'Al Rahman Ibn Muhammad Ibn Marwan Ibn Yunus Al Djillîqî (algo como Abderramão filho de Maomé filho de Marvão filho de João o Galego), de seu nome completíssimo, conhecido por Ibn Marwan (ou Ibn Maruán), o Galego, foi um muladi sufista que, no último quartel do século IX, se rebelou contra o emir de Córdova, tendo criado o seu próprio reino, com capital em Badajoz. Reza a história que a Fortaleza de Amaia, também conhecida, no século X, como Amaia de Ibn Maruán (e, posteriormente, como Marvão, apenas), lhe servia de refúgio estratégico, sempre que não se sentia seguro na sua capital.



A fundação (Al Mossassa) das duas localidades foi celebrada em dois momentos distintos, em Badajoz e Marvão, com eventos vários, como conferências, animação de rua, comércio tradicional medieval das culturas co-existentes ("Mercado das 3 Culturas"), exibições e workshop de dança do ventre, espectáculos de serpentes e de falcoaria, actividades para crianças, passeios de burro, animais exóticos e da quinta, artesanato de cariz islâmico, comidas, bebidas e música.



Momentos e ambiências agradáveis, ainda para mais com o tempo a ajudar.

Setembro


18 de Setembro de 2007, nevoeiro matinal


20 de Setembro de 2007, trovoada nocturna


23 de Setembro de 2007, fim do dia na barragem da Apartadura

Art Déco

O Sintra Museu de Arte Moderna é um espaço de que eu não tenho usufruído tanto quanto poderia. Visitei a Autobiografia de Júlio Pomar e, no ano passado, a mostra Sedução, Cinema e Pintura, durante o intervalo do espectáculo Daqui em diante, da Companhia Olga Roriz. Desde Março que, sempre que lá passava à porta, dizia para comigo que tinha de lá ir - diziam-me que valia bem a pena -, mas foi preciso ler que a mostra de Art Déco terminava hoje para me decidir. Fui lá ontem.
A exposição agrupa objectos da Colecção Berardo, da colecção do Musée des Annés 30, vestuário e adereços do Museu Nacional do Traje e um automóvel do Museu do Caramulo. Ainda algumas peças e imagens do escultor francês Paul Belmondo, pai do conhecido actor de cinema.
Alguns reencontros: uma cadeira Wassily, de Marcel Breuer, a tal que foi a famosa precursora da cadeira Paimio, de Alvar Aalto, que está representado, mesmo ao lado, por uma mesa; o simpático Bugatti, que me recordou uma deliciosa visita de infância ao Caramulo.
A exposição vale, de facto, a visita e afinal vai lá estar ainda até ao final deste mês. É de aproveitar.


Da esquerda para a direita, de cima para baixo:

1. Demetre Chiparus, Tanara, França, 1930s
Bronze e marfim sobre base em mármore, 41 x 66 x 20 cm
Colecção Berardo

2. Longwy, Jarra, França, início 1920s
Faiança vidrada, 29 cm
Colecção Berardo

3. Jean-Michel Frank, Banqueta (parte de um par), França, 1930s
Bronze dourado, estofado a cabedal vermelho, 45 x 50 x 38 cm
Colecção Berardo

4. Evariste Jonchère (1892-1956), Habib Benglia, 1934
Bronze, base em madeira pintada e esculpida, 33 x 17 x 23 cm (ou 64,5 x 23 x 23 cm)
Boulogne-Billancourt, Musée des Années 30

5. Gilbert Poillerat, Portão, França, c. 1935
Aço trabalhado e forjado, 210 x 119,5 cm
Colecção Berardo

6. Schneider, Jarra de vidro, França, 1920
Vidro, 25 cm
Colecção Berardo

7. Alvar Aalto, Mesa auxiliar, Finlândia, 1940s
Freixo, 56,5 x 90 x 90 cm
Colecção Berardo

8. Bruno Zach, Grupo de figuras Messilla Debonaire, França, 1920s
Bronze e marfim sobre base em mármore belga preto e ónix, 154,5 x 185,5 x 52,5 cm
Colecção Berardo

9. Marcel Breuer, Cadeira Wassily, França, c. 1925
Metal tubular cromado e cabedal, 73 x 79 x 71 cm
Colecção Berardo

10. Boch Frères, Jarra, França, 1920s
Faiança e casquinha, 31 x 27 x 12 cm
sobre
Mesa de sala, França, c. 1935
Raiz de nogueira, 61 x 60 cm
Colecção Berardo

11. Baccarat, Frapé, França, 1930s
Cristal com prata, 22,5 cm x Ø 19,7 cm
Colecção Berardo

12. Paul Kiss (atribuído a), Biombo, França, 1920s
Ferro forjado, 231 x 120 cm
Colecção Berardo

13. Pormenor do quarto egípcio de Ismaël de la Serna

14. Paul Belmondo (1898-1982), Jeune fille à la natte, 1938
Bronze
Colecção Jean-Paul Belmondo

15. Acessórios de senhora, 1920s

16. Vestido, c. 1925
Tafetá de seda cor-de-rosa, bordado a vidrilhos prateados e facetados e lantejoulas cor-de-rosa e prateadas
100 x 47 (costas) cm
Lisboa, Museu Nacional do Traje

17. Bugatti 40, 1929
50 HP, 4 cil., 1496 cc, 4500 rpm, 4 veloc., 900 kg, 135 km/h, chassis n. 40 795, 12 válvulas, um veio-de-cames à cabeça, carburador Solex
Caramulo, Museu do Caramulo

18. Vestido, 1925-30
Crepe de seda creme, totalmente bordado a lantejoulas transparentes irisadas cor-de-rosa e pedras facetadas prateadas
100 x 43 (costas) cm
Lisboa, Museu Nacional do Traje