Figuras


Lübeck (Alemanha), Agosto de 2007

O vento e a escola (3)


Urra (Portalegre), Abril de 2011

Mesmo depois do Plano dos Centenários, a tradição dos cataventos escolares manteve-se, pelo menos aqui na zona. No concelho de Portalegre, no âmbito do Projecto de Requalificação das Escolas Rurais, concluído em 2005, as escolas das freguesias rurais foram dotadas de cataventos modernos e coloridos, mas ainda evocativos das actividades económicas locais (ou, em linguagem técnica, da "comunicação bilateral com os contextos humanizados/naturalizados que as integram, ou seja, em conformidade com os cenários sócio–económicos e com os agrobiossistemas tradicionais existentes em cada freguesia intervencionada"): animais de traços infantis, a fazer lembrar personagens de desenhos animados, cerejas sorridentes, castanhas e bolotas, além de outros que ainda não encontrei.
O colorido apresenta um senão para a fotografia: como os cataventos devem ser fotografados em contra-luz (o reflexo na placa metálica produz um efeito inestético), perde-se grande parte da cor. As imagens destes que aqui mostro enfermam desse e de outros problemas, que vão da má exposição solar ao péssimo equipamento. Mas, enfim, como foram todos encontrados por acaso, tive de me valer do que tinha à mão.


Fortios (Portalegre), Julho de 2010


Vargem (Ribeira de Nisa, Portalegre), Outubro de 2011


Alagoa (Portalegre), Outubro de 2011


Monte Carvalho (Ribeira de Nisa, Portalegre), Julho de 2010


Vale de Cavalos (Alegrete, Portalegre), Outubro de 2012


Montinho (São Julião, Portalegre), Maio de 2012

Aparentemente, a avaliar pelas fotografias de José Rasquinho (que também tem uma bela colecção de cataventos), a tradição dos cataventos escolares mantém-se, também, em Montemor-o-Novo:


São Gens (Montemor-o-Novo): pormenor de uma fotografia
carregada em Novembro de 2007 e encontrada aqui



Silveiras (Montemor-o-Novo): pormenor de uma fotografia
carregada em Outubro de 2008 e encontrada aqui



São Mateus (Montemor-o-Novo): pormenor de uma fotografia
carregada em Junho de 2008 e encontrada aqui



São Mateus (Montemor-o-Novo): pormenor de uma fotografia
carregada em Junho de 2008 e encontrada aqui


E ainda mais outro, duma escola privada, em Caparide:


Caparide (São Domingos de Rana, Cascais), Julho de 2010

Homenagem (3)


Amieira do Tejo (Nisa), Outubro de 2011






Marvão, Maio de 2011


Marvão, Junho de 2011






Marvão, Outubro de 2011

Muito agradecido, o povo de Marvão. Curiosa, esta última placa, cuja versão actualizada encontrei um ano depois (também aqui):


Marvão, Outubro de 2012

Hei-de lá voltar para confirmar se foi uma substituição e, quem sabe, descobrir o porquê. E já agora, ver se também trocaram a curiosa placa de rua:


Marvão, Outubro de 2011

O vento e a escola (2)


Escola da Corredoura, Portalegre, 20 de Fevereiro de 2010 (esta já tinha passado
por aqui)


O Plano dos Centenários constituiu um projecto de construção de escolas em larga escala, levado a cabo pelo Estado Novo em Portugal, entre 1941 e 1974. A designação pretendia ligar o projecto à comemoração do Duplo Centenário da Fundação (1140) e da Restauração de Portugal (1640), em cujo âmbito decorreu, igualmente, a Exposição do Mundo Português. Foi, porém, uma pretensão um tanto forçada, visto que, à data do lançamento do projecto, as comemorações tinham já sido encerradas.
O Plano desenvolveu-se em diversas fases, a primeira das quais iniciada em 1944; as fases seguintes sucederam-se até finais de Setembro de 1969.
Dada a urgência de iniciar os trabalhos, e como os novos projectos ainda não estavam prontos, numa fase preliminar, foram construídos, conforme a região, os projectos-tipo regionalizados de 1935, de Rogério de Azevedo e Raul Lino, com as alterações exigidas pelo Plano, entre as quais geminação de edifícios, de forma a poderem garantir a separação total dos sexos, e simplificação de pormenores das fachadas, para contenção de despesas.
Os projectos definitivos foram aprovados em 1944 e basearam-se nos estudos apresentados pela Direcção dos Edifícios Nacionais do Norte. Foram assim distribuídos:

Direcção dos Edifícios Nacionais do Norte: projectos da autoria do arquitecto Manuel Fernandes de Sá, 1944;
Direcção dos Edifícios Nacionais do Centro: projectos da autoria do arquitecto Joaquim Areal, 1944;
Direcção dos Edifícios Nacionais de Lisboa: projectos da autoria do arquitecto Eduardo Moreira dos Santos, 1944;
Direcção dos Edifícios Nacionais do Sul: projectos da autoria de Alberto Braga de Sousa, 1944;
Açores: projectos-tipo da autoria do arquitecto Luís de Mello, 1945;
Madeira: projectos-tipo da autoria do arquitecto Fernando Peres, 1949.
Os novos edifícios escolares do Plano dos Centenários acabaram por se tornar numa imagem de marca de Portugal, num estilo menos Casa Portuguesa e mais Português Suave.


Pero Moniz (Cadaval), Maio de 2010


Marmeleira (Rio Maior): fotografia datada de Junho de 2010 e encontrada em sítio
que não posso já precisar (outra imagem aqui)



Samora Correia (Benavente): imagem encontrada aqui



A Direcção dos Edifícios Nacionais de Lisboa tinha a cargo o desenvolvimento dos tipos Ribatejo, Estremadura e Alto Alentejo. E vai ser nestes tipos que, apesar da austeridade no uso de materiais, se vai manter a tradição dos cataventos de Raul Lino. Os novos cataventos são mais diversificados, pretendendo ilustrar as actividades económicas locais. São também menos estilizados que os de Raul Lino, têm mais pormenores figurativos e mais trabalho em ferro forjado.


Carnaxide (Oeiras), Abril de 2012


Paço de Arcos (Oeiras), Março de 2012


Pero Moniz (Cadaval), Maio de 2010


Cajados (Palmela): pormenor de uma fotografia de José
Rasquinho, carregada em Setembro de 2010 e encontrada aqui
(outro, de Pinheirinhos, Setúbal, aqui; ainda outro, de Alviobeira,
Tomar, aqui)



Samora Correia (Benavente): pormenor de uma fotografia
carregada em Maio de 2008 e encontrada aqui



Atalaia (Seixal): pormenor de uma fotografia de Setembro de
2006, encontrada, em Outubro de 2010, no antigo sítio da
associação Aldraba



Mosteiros (Arronches): fotografia de Junho de 2006, encontrada aqui

Fontes principais:
BEJA, Filomena; SERRA, Júlia; MACHÁS, Estella; SALDANHA, Isabel (1996). Muitos anos de escolas. Volume II: Edifícios para o ensino infantil e primário, anos 40 - anos 70. Lisboa: Ministério da Educação/DGAE.

LE CUNFF, Françoise; SEGURO, Maria João (2012). Os edifícios escolares do Plano dos Centenários. Exposição do Museu Virtual da Educação, Coordenação Geral da Divisão de Documentação e Património Cultural. Secretaria-Geral do Ministério da Educação e Ciência.

Em obras


Alpalhão (Nisa), Janeiro de 2011

O vento e a escola (1)


Figueira e Barros (Avis), Junho de 2011

Foi com Raul Lino que surgiu, em Portugal, a tradição de encimar as escolas com cataventos. Raul Lino foi um dos grandes nomes da arquitectura do Estado Novo, defensor das formas tradicionais e teórico da Casa Portuguesa, à qual não faltavam pombinhas nos beirais e catavento.
Em 1935, o Ministro das Obras Públicas e Comunicações, Duarte Pacheco, encarregou Raul Lino e Rogério de Azevedo, outro nome maior da arquitectura portuguesa da época, de elaborar projectos-tipo de edifícios escolares para o ensino primário. Estes projectos eram regionalizados, adaptados ao clima, às linhas e aos materiais em uso em cada uma das sete regiões delimitadas:

Região A – Algarve
Região B – Alentejo
Região C – Estremadura
Região D – Beira Litoral
Região E – Beira Baixa do Sul
Região F – Beira Baixa do Norte, Beira Alta e Minho
Região G – Trás-os-Montes
Rogério de Azevedo elaborou os projectos relativos às regiões do Norte e Centro do país; Raul Lino executou os projectos para os distritos de Faro, Beja, Évora, Portalegre, Setúbal, Lisboa, Santarém e Leiria, divididos em três tipos (cada um dando origem a quatro soluções, consoante o número de salas considerado, de uma a quatro): Algarve, Estremadura, Alentejo-Ribatejo:


Tipo Algarve - 1 sala


Tipo Estremadura (cantaria) - 1 sala


Monte Real (Leiria) (imagem encontrada aqui)


Tipo Alentejo-Ribatejo (tijolo) - 1 sala


Figueira e Barros (Avis), Junho de 2011

Foram construídos, no total, 56 edifícios Rogério de Azevedo e 32 edifícios Raul Lino (3 tipo Algarve, 17 tipo Alentejo-Ribatejo e 12 tipo Estremadura). Os cataventos faziam parte dos projectos de Raul Lino, que os detalhou nos desenhos de pormenores de serralharia:



Encontram-se ainda alguns destes cataventos, e respectivas escolas, aqui pelo Alentejo. Além do de Figueira e Barros, apanhei também o de Santo Aleixo:


Santo Aleixo (Monforte), Dezembro de 2012

Em Outubro de 2010, vislumbrei este da estrada, nas imediações de Pedrógão Grande:


Perto de Pedrógão Grande, Outubro de 2010

Outro catavento de Pedrógão Grande, num pormenor de uma fotografia de Agosto de 2008, da autoria de Manuel Celestino, encontrada aqui:



O catavento da escola de Courelas da Amoreirinha (Coruche), num pormenor de uma fotografia de Amílcar Pereira, carregada em Setembro de 2010 e encontrada aqui:



NOTA: Os desenhos de Raul Lino pertencem ao acervo da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian e estão disponíveis aqui. As imagens que reproduzo, assim como boa parte da informação, foram retiradas de uma belíssima obra sobre a História da escola em Portugal, a saber:

BEJA, Filomena; SERRA, Júlia; MACHÁS, Estella; SALDANHA, Isabel (1990). Muitos anos de escolas. Volume I: Edifícios para o ensino infantil e primário até 1941. Lisboa: Ministério da Educação/DGAE.

Ogivas (3)


Alegrete (Portalegre), Novembro de 2007