Uma tarde em Amesterdão

Se há coisa que me incomoda, é aterrar em cidades que não posso conhecer. Esta era a minha quarta escala em Amesterdão, com a aparente desvantagem de ser a mais longa (cerca de 5 horas e meia). Mas, numa tarde de sol, quando se comemoravam os 150 anos de Van Gogh, aquela conexão longa veio mesmo a calhar.
Apanhámos o comboio, que passa no subsolo do aeroporto, até ao centro da cidade, onde passámos uma tarde deliciosa, antes de retomarmos a viagem com destino a Lisboa.
Amesterdão, com o seu ritmo muito próprio, é um choque para quem vem da calma dos lagos finlandeses. Milhares de bicicletas a circularem freneticamente, automóveis que nos perseguem por todo o lado, hordas de turistas, tudo nos pareceu atentar contra a nossa integridade física.

Amesterdão

Gostei:
> do pulsar da cidade;
> da beleza dos canais e das pontes;
> da arquitectura muito típica;
> das ruas estreitas do Bairro da Luz Vermelha;
> do Museu Van Gogh, onde, além de obras do pintor, reencontrei velhos conhecidos (de exposições temporárias no CCB e em Serralves, agora na exposição Gogh Modern) e conheci novos interesses (por exemplo, duas obras de Kiefer que me impressionaram bastante).

Anselm Kiefer, Innenraum, 1981

Não gostei:
> do fraco apoio turístico prestado por quem tem consciência de que não precisa de cativar. No posto de turismo, tudo era pago: um simples mapa da cidade custava 2 euros.

Amesterdão

Ligações de interesse:
> Fotos: Preview Amsterdam; Panoramsterdam; Amsterdam Webcams; Grachten (canais); visitas virtuais
> Guias: Simply Amsterdam; Amsterdam Hotspots; Time Out; Let's go Amsterdam; Amsterdam.info
> Hotéis e reservas: Official Amsterdam Reservation Center; Book a Hotel in Amsterdam; Amsterdam Hotels Discount; Amsterdam hotel guide; Amsterdam Hotels Tours; Amsterdam Hotel Service
> mais ligações

Cidades mimosas

Quando, há cerca de um ano, à mesa de almoço, discutíamos destinos de férias e eu disse que ainda não me tinha decidido entre a Escandinávia e o Benelux, a minha colega Maria José aconselhou-me o último: «Lá para cima, não há nada para ver. As cidades cá para baixo são mais mimosas».
É um facto que as cidades da Escandinávia têm um ar mais actual: foram originalmente concebidas em madeira, pelo que arderam e foram frequentemente reconstruídas ao longo da história. Mas não deixam de ter a sua personalidade. Outro facto é que, quando pensamos em turismo na Europa, vêm-nos à ideia monumentos, bairros históricos e museus recheados de pilhagens de guerras e invasões. Foi por isso que a minha amiga Marisa me disse que do que gostou mais na Finlândia foi da Estónia.

Tallinn

Tallinn, a cerca de uma hora e meia de barco de Helsínquia, ali mesmo em frente, do outro lado do Báltico, foi uma tentação: tirámos um dia de sol para um passeio simpático.
É uma perolazinha medieval, classificada como património da humanidade. Igrejas, edifícios medievais, ruas estreitas, miradouros, num centro histórico bem preservado. E um sentimento nacional que espelha o orgulho numa independência conquistada com dificuldade.
Uma visita guiada conduziu-nos aos locais mais turísticos da cidade:
> o recinto aberto, em Pirita, onde se realiza, de 5 em 5 anos, o Festival da Canção da Estónia, que, durante o domínio soviético, manteve vivo o espírito nacional;
> as muralhas da cidade, com as suas torres. Entre elas, a Kiek in de Kök (literalmente, "espreitadela na cozinha"), do alto de cujos 18 metros se acreditava poder ver, através das chaminés, o que se passava nas cozinhas da zona baixa;

Aleksander Nevski

> as várias igrejas: a catedral (Toomkirik); a igreja de Santo Olavo (Oleviste kirik), considerada, na Idade Média, um dos edifícios mais altos do mundo; a catedral ortodoxa de Aleksander Nevski; entre outras;
> a praça central, ou Praça da Câmara Municipal (Raekoja Platsi), rodeada por esplanadas e dominada pela Câmara Municipal (Raekoda), o edifício gótico não religioso mais antigo do mundo. Na praça, podemos encontrar também a segunda farmácia mais antiga do mundo (Raeapteek), ainda em funcionamento (ininterruptamente desde 1422, no mesmo lugar, mas não no mesmo edifício -- o actual tem cerca de 300 anos);
> as ruas chamadas Pikk jalg ("perna longa") e Lühike jalg ("perna curta"). Ligavam, na Idade Média, as duas cidades que, em 1889, foram unidas, dando origem a Tallinn: All-linn, a cidade baixa, pertencente à Liga Hanseática, e o monte de Toompea, o centro do poder e da nobreza. Pela Pikk jalg circulavam cavalos e carruagens, pelas escadas íngremes da Lühike jalg, os peões;
> o Museu da Cidade, que cobre a história de Tallinn, do século XIII aos anos 90. Gostei particularmente dos bonecos interactivos (com cordelinhos para puxar…), despretensiosos, e da sala sobre o domínio soviético, mordaz.

Pikk jalg

Nota (para quem ainda não reparou): Desde o último texto, as imagens passaram a ser legendadas por cima, basta pousar o rato.

Järvet ja Metsät

Lago Saimaa

Lagos e florestas são o mais marcante na Finlândia, pelo menos no Verão. Mil, não sei se serão, mas são muitos e são muito bonitos. O lago Saimaa é o maior: um puzzle de água, ilhas, pântanos, florestas e lagos interligados. É também o mais turístico, o que não constituiu qualquer problema, visto que já lá chegámos na época baixa, mais chuvosa, é verdade, mas muito mais calma.

Helsínquia, catedral ao centro

Antes, sucumbimos aos encantos de Helsínquia, que nos prendeu mais um dia do que o planeado. Uma cidade costeira, muito marcada pela presença do mar, pontilhada por grandes parques. Gostei, em particular, do parque de Sibelius, que rodeia o monumento ao músico. Belíssimos, os reflexos do pôr-do-sol na escultura...
Uma nota também para o parque da Casa da Finlândia (Finlandia-talo), esta, da autoria de Alvar Aalto. No parque, encontrámos uma curiosa exposição sobre a arte do sol e do vento (um conjunto de esculturas com efeitos móveis e sonoros), outra de arte viva: um coelho em terra e relva (como uma escultura de areia), uma mandala de arbustos... E finlandeses que se passeavam, a pé, de patins, de bicicleta. Uma instituição local, os parques.
Monumentos: a catedral, na Praça do Senado, muito branca, muito clássica; a igreja ortodoxa (Uspenski), monumental, a maior da Europa, fora da Rússia; a igreja na rocha (Temppeliaukio); a fortaleza de Suomenlinna, uma das maiores fortalezas marítimas do mundo, classificada como património da humanidade.

Monumento a Sibelius

Selecção de museus:
> o Ateneum, museu nacional de arte, onde se destacam pinturas e desenhos de artistas finlandeses como Akseli Gallen-Kallela, Hugo Simberg, Helene Schjerfbeck, Albert Edelfelt, entre outros;
> o Museu de Arte e Design, imprescindível, uma bela mostra de design escandinavo;
> o Kiasma, museu de arte contemporânea, que deixámos por ver (o tempo não chegou para tudo...).

Lago Saimaa

E zarpámos para a região dos lagos. Ficámos sedeadas em Savonlinna, uma cidade pequena, calma e muito bem situada. O seu ex-libris é o castelo medieval de Olavinlinna (século XV), onde todos os anos, no Verão, se realiza o Festival de Ópera. Curiosos, os narizinhos das torres, que eram as instalações sanitárias da época (as águas do lago funcionavam como autoclismos).

Olavinlinna

Demos bastantes passeios pela zona dos lagos. Linda, a estrada turística de Punkaharju, com uma vista fenomenal entre lagos.
Último poiso, Lappeenranta. Um dia chuvoso, muito perto da Rússia: as vistas, o castelo, o cemitério de guerra, o memorial aos soldados finlandeses caídos em Viipuri, uma das maiores cidades da Finlândia, tomada pela União Soviética e rebaptizada como Vyborg.

Lappeenranta

E foi assim a Finlândia, sem Pai Natal, renas ou neve...

Estocolmo à chuva

Dois diazinhos muito chuvosos apanhámos nós em Estocolmo... Mas foram bem aproveitados, dentro do possível (e dentro de portas, sempre que possível). No fundo, não foi mais do que uma escala entre a Noruega e a Finlândia, que eram os nossos destinos de eleição, mas pareceu-nos um pecado passar ao lado ou por cima de uma cidade que todos nos diziam ser muito bonita. E é.



Estocolmo é uma cidade construída sobre 14 ilhas, ligadas por 50 pontes, entre o lago Mälar e o mar Báltico. Como não podia deixar de ser, tem água por todo o lado, canais e baías, o que lhe dá um encanto muito especial e o cognome de "Veneza do Norte".
Ficámos alojadas num hotelzinho simpático, numa esquina da Olof Palmes Gata com a Drottninggatan, uma grande rua comercial. Muito central: Drottninggatan abaixo e estávamos na Gamla Stan, a cidade velha medieval.



Mesmo em frente, Riddarholmen, a ilha dos Cavaleiros, com igrejas e monumentos, muito bem preservados. Visitámos a Riddarholmskyrkan, igreja construída em 1270, que alberga os túmulos de reis e nobres suecos. Destaque para a torre de tijolo, rematada por uma estrutura pontiaguda em ferro forjado, delicadamente trabalhado (a primeira à esquerda, na primeira foto).
Com o tempo que estava, deixámos escapar poucas igrejas: a Catedral (Storkyrkan), a igreja alemã (Tyska kyrkan), a finlandesa (Finska kyrkan), implantada num antigo campo de ténis coberto, oferecido pelo rei, a Jakobskyrka, a Klara kyrka, qualquer uma delas serviu o ancestral propósito de nos proteger das condições adversas do exterior.
Fora de portas, destaque, sem dúvida, para a Gamla Stan, com o seu encanto medieval, os monumentos, as praças, as ruelas estreitas: a Mårten Trotzigs Gränd, a mais típica e estreita de todas, faz lembrar Alfama.



E, quando o tempo o permite, é de aproveitar para passear ao longo dos muitos canais e pontes que entretecem a capital de um país com uma história que oscilou entre fases de pobreza e de opulência e oferece hoje um dos melhores níveis de vida do mundo.



Quando não, ainda há os museus. Visitámos dois, na ilha de Djurgården, rodeados por belíssimos jardins: o Vasa e o Nordiska museet. Este último, o Museu Nacional de História da Cultura, alberga exposições sobre o quotidiano e as tradições suecas, e ainda moda, sapatos, casas de bonecas, mobiliário, pinturas e fotografias de Strindberg, entre muitas outras coisas.
No Vasamuseet, encontramos um navio com uma história deveras curiosa. O Vasa foi construído, no século XVII, a mando do rei Gustav Adolf, o II do nome, herdado do seu antepassado Gustav Vasa, que, em 1523, após liderar o movimento independentista, foi eleito rei de uma Suécia livre do poderio dinamarquês e do vizinho norueguês, dando início à dinastia hereditária dos Vasa. O navio com o mesmo nome foi concebido como o mais grandioso da grandiosa frota sueca, que estava prestes a entrar na Guerra dos Trinta Anos, em defesa do protestantismo. Contra a opinião dos mais experimentados construtores navais, o rei insistiu num navio alto, imponente, com dois andares de canhões. Tão esguio era o Vasa, que o lastro foi insuficiente para o manter muito tempo na vertical. Em 1628, no dia da sua viagem inaugural, entre pompa e circunstância, os presentes viram-no zarpar do porto de Estocolmo, tem-te-não-caias, até que se virou mesmo, 20 minutos e poucos metros à frente, velas enfunadas e bandeiras esvoaçantes. O inquérito subsequente foi, como não podia deixar de ser, inconclusivo e o Vasa manteve-se no fundo do mar, onde nem bactérias havia que lhe desfizessem o casco, foi recuperado em 1961, restaurado e conservado numa solução de parafina e mais não sei o quê, e é hoje a principal atracção do museu mais popular da Escandinávia.



Para quem gosta de histórias de navios e naufrágios, aconselho a instrutiva leitura do Marítimo.

Entre dos años, entre dos mundos

No dia 30 de Dezembro último, eu e a minha amiga Maria João partimos rumo a Madrid, para mudarmos, simultaneamente, de ano e de ares.
Madrid é uma cidade grande, com cerca de 3 milhões de habitantes, e a capital mais alta da Europa (mais ou menos 646 m acima do nível do mar). É uma cidade bonita, instituída, em 1561, como sede da corte, por Felipe II (o nosso I) e concebida à imagem das grandes capitais europeias.
Os grandes palácios, os museus, os arcos triunfais, os largos Paseos, as grandes ruas comerciais (oh, a Serrano!...), a ampla divulgação dos criadores nacionais (Agatha Ruiz de la Prada, Adolfo Domínguez, Jesús del Pozo...), as grandes cadeias internacionais (Starbucks Coffee, Planet Hollywood, IKEA...), as cadeias internacionalizadas (a Zara, já com a sua versão HOME, a Mango...), tudo nos faz sentir muito perto da Europa.



Depois, há todo um estilo de vida castelhano que tem muito pouco ou nada a ver connosco: os bons ordenados e os horários de trabalho muito favorecidos permitem uma descontracção que se passeia, calmamente, ao nosso lado, em enchentes, de todas as idades, a todas as horas do dia, Gran Vía acima, Alcalá abaixo... Sempre em amena cavaqueira, muitos decibeis acima do socialmente admitido pela cultura portuguesa.
E, ainda, a frivolidade alimentar dos pinchos, tapas e raciones, noite fora, churros com chocolate quente, madrugada dentro.
Nem o frio de Dezembro (apesar do Sol radioso) conseguiu afastar os madrileños da rua -- dir-se-ia que não se sentiam bem em casa (o que não admira, que essa mania europeia de sobreaquecerem os interiores no Inverno sufoca qualquer ser vivente).
Gostei muito de Madrid. Ficámos instaladas num hostal, meio hostel, meio hostil (esta é uma criação da Maria João, que eu devia estar distraída), em plena Puerta del Sol, mesmo em frente ao relógio. Curiosamente, devemos ter sido as únicas pessoas em Madrid que não presenciaram, ao vivo ou mediaticamente, as famosas 12 badaladas: a essa hora estávamos retidas num restaurante japonês (o único aberto no centro, naquele dia e àquela hora e cujo relógio estava atrasado), a comer tempura e 12 uvas brancas (que os espanhóis não querem nada com as passas). Depois de festejarmos a passagem GMT, seguimos a multidão que, da Puerta del Sol, se espalhava pelas ruas e acabámos a noite num bar de Chueca, um bairro muito característico, pelo ambiente artístico e homossexual.
Mas badaladas não nos faltaram, durante aquelas noites, nem tangos em acordeão, logo pela manhã (La vie en rose, imaginem!), ou canto lírico até às tantas. Ou seja, na Puerta del Sol, faz-se tudo menos dormir. Por toda a cidade, de resto.



Espantos e agrados:
> O botellón de nochevieja, na Puerta del Sol: uma instituição nacional, que eu já conhecia das quintas-feiras estudantis de Cáceres -- um amontoado aconchegadinho de gente, armado de copos e garrafas de plástico (a polícia montou barreiras à entrada, para controlar), a beber e a confraternizar, na rua.
> Outra instituição nacional, a Plaza Mayor: muito bonita, com lindos frescos num dos lados (mas a de Salamanca continua a ser a minha preferida).



> O espírito festeiro dos madrileños, de todas as idades e condições sociais, que circulavam pela cidade armados com barretes coloridos ou chifres de rena, com luzinhas a piscar; de resto, a Plaza Mayor estava transformada numa Feira do Relógio, com barracas de venda de artículos de broma, aqueles que os nossos miúdos usam no Carnaval: perucas, máscaras, bisnagas, sprays, serpentinas, etc.
> A organização dos batalhões de limpeza, que, à primeira meia hora do ano, estavam alinhados às entradas da Puerta del Sol, modernamente equipados e prontos para apagar qualquer vestígio do botellón (ou de possibilidade de alguém conseguir dormir naquelas redondezas, naquela noite e nas que se seguiram...).
> Os Paseos, muy parisienses: de Recoletos, de la Castellana, del Prado...
> A quantidade de casacos de peles a passearem pelas ruas: é mesmo outro mundo...
> Os museus (Prado, Reina Sofía, Thyssen-Bornemisza): destes, não temos nós...
> As Pinturas Negras de Goya, no Prado, e a exposição de mobiles de Calder, no Reina Sofía; falhámos a exposição de Manet, no Prado (1h30 de espera para comprar bilhete...).
> A belíssima rede de Metro: mas, também, 1,15 € cada viagem...
> O caos da M30: um misto de 2ª circular com circuito de Monza.
> 400 e tal km gratuitos de autovía, contra os quase 13 € de portagem, entre Lisboa e o Caia (cerca de 230 km).
> O urso, símbolo da cidade, recuperado de velhas tradições, do século XIII, cujo primo direito eu já conhecia de Berlim...
> O design sueco e os preços do IKEA: está quase a abrir em Lisboa, mais uns meses, mais uns meses!
> Espárragos trigueros y revuelto de setas: ¡siempre!

Ligações de interesse:
> Descubre Madrid: guia de lazer e turismo
> Madrid Turismo: Dirección General de Turismo
> Ayuntamiento de Madrid
> Comunidad de Madrid
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Lonely Planet; Simply Madrid; Virtourist: informações sobre Madrid em guias de viagem

Escandinávia e mais além: ligações de interesse



Os países:
> Norway: página oficial do turismo norueguês
> Sweden: página oficial do turismo na Suécia
> Svenska Turistföreningen: The Swedish Touring Club
> Finland ou Bem-vindos à Finlândia: páginas oficiais do turismo finlandês
> Virtual Finland: Finlândia virtual
> Estonia: página oficial do turismo na Estónia
> Estonica: Encyclopedia about Estonia: o que há a saber sobre a Estónia
> Holland: página oficial do turismo na Holanda

As cidades:
> Oslo Promotion: página oficial do turismo em Oslo
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Lonely Planet: informações sobre Oslo em guias de viagem
> Bergen: página oficial de Bergen
> Bergen-Guide: guia de Bergen, muito completo
> Columbus Guides; Fodor's: informações sobre Bergen em guias de viagem
> Stockholm Stad: página oficial da cidade de Estocolmo
> Stockholm: página oficial do turismo em Estocolmo
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Lonely Planet: informações sobre Estocolmo em guias de viagem
> City of Helsinki e Helsinki: páginas oficiais da cidade de Helsínquia
> Helsinki Expert: página oficial do turismo em Helsínquia
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Lonely Planet: informações sobre Helsínquia em guias de viagem
> Tallinn: página oficial da cidade de Tallinn
> Digital Tallinn: Tallinn virtual
> Tallinn: portal do turismo em Tallinn
> In Your Pocket: informações sobre Tallinn em guias de viagem
> Amsterdam.nl: página oficial da cidade de Amesterdão
> Amsterdam: página oficial do turismo em Amesterdão
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Let's Go; Lonely Planet; Simply Amsterdam: informações sobre Amesterdão em guias de viagem

Os fiordes:
> Fjord Norway: tudo sobre a Noruega dos fiordes
> Fjords of Scandinavia: mais sobre os fiordes
> Sognefjord: página oficial do Sognefjorden
> Sognefjorden: o maior fiorde do mundo
> Fjordinfo: tudo sobre a região de Sogn og Fjordane
> Sogn og Fjordane: página desta região turística
> SognaFoto: fotos de toda a região que circunda o Sognefjorden
> The Fjords: Aurland - Flåm - Lærdal: página desta região turística
> The Fjords: actividades nos fiordes, na Primavera e no Outono
> Jostedalsbreen Nasjonalparksenter Stryn: página do parque nacional de Jostedalsbreen
> Jostedalsbreen National Park: centro de visitantes de Breheimsenteret
> Jostedalen Breførarlag: visitas guiadas ao glaciar de Jostedalen, para os mais aventureiros

Os transportes:
* Ligações marítimas e fluviais:
> Fjord 1 / Fylkesbaatane: ligações fluviais no Sognefjorden
> Travel Information: informações e horários de autocarros, barcos e ferries da região de Sogn og Fjordane
> Viking Line; Silja Line; Eckerö Line; Nordic Jet Line; Tallink; Linda Line: ligações internacionais

* Comboios:
> Scanrail: comboios na Escandinávia
> NSB: comboios noruegueses
> Flåmsbana: comboio que percorre a linha férrea de Myrdal a Flåm
> SJ: comboios suecos
> Tåg Plus: horários dos comboios suecos
> Linx: comboio rápido entre Oslo e Estocolmo
> VR: comboios finlandeses

* Autocarros:
> Nor-way Bussekspress: autocarros noruegueses
> ExpressBus e Matkahuolto: autocarros finlandeses

O alojamento:
> Scandinavian City Hostels: página oficial das pousadas de juventude na Escandinávia
> Norske Vandrerhjem: pousadas de juventude na Noruega
> Sveriges Vandrarhem i Förening: pousadas de juventude na Suécia
> Destination Stockholm: 47 hotéis à escolha, em Estocolmo
> Suomen Retkeilymajajärjestö: pousadas de juventude na Finlândia
> Lomaliitto: alojamento e recreação na Finlândia

As igrejas de Vik

Num domingo de sol, resolvemos, contra todas as recomendações das funcionárias do posto de turismo, ir dar um passeio a Vik. Um passeio deveras arriscado, porque, aos domingos de manhã, não existe ligação entre Balestrand e Vik e, ao fim da tarde, o percurso inverso é igualmente complicado.
Assim, fomos de autocarro até Dragsvik, onde apanhámos o ferry para Vangsnes, e fizemos uma belíssima caminhada de 11 km até Vik, ao longo do fiorde, embevecidas com a vista e com as framboesas silvestres que cresciam nas estreitas bermas da Rv 13, a muito turística estrada panorâmica da região dos fiordes.
Em Vangsnes, ainda vimos, ao longe, a atracção local, a estátua de Fridtjov den frøkne, o destemido rei viking, oferecida em 1913 pelo imperador alemão Guilherme II, grande admirador das sagas nórdicas. Felizmente, a estátua, de 12 metros de altura, sobre um pedestal de 10,5 m, erigida numa elevação, vê-se bem da estrada, o que nos evitou um desvio no percurso, já de si longo e sinuoso.
Chegámos a Vik cansadas e cheias de calor, que o domingo fazia jus ao nome. Vik é uma vilazinha agrícola, situada numa planície entre a margem sul do Sognefjorden e as montanhas, sede da divisão administrativa de Vik i Sogn, que, com as suas 5 subdivisões (Arnafjord, Vik, Vangsnes, Feios e Fresvik), contava, em 2002, cerca de 2 900 habitantes. A sua principal atracção são as igrejas.
A igreja nova data de 1877. Em madeira, pintada de branco, com o telhado negro, lembrou-me as muitas igrejas semelhantes que encontrei na Nova Inglaterra, aí construídas pelos imigrantes do norte da Europa.



Não foi, pois, esta igreja que nos fez percorrer tão duros caminhos. Campo fora, encontramos a Hove Steinkyrkje, o mais antigo edifício de pedra da região de Sogn, construída em meados do século XII.



Atenção, que as datações, por aquelas bandas, nunca são de fiar. Esta mesma igreja foi restaurada por volta de 1880, no âmbito de um episódio histórico deveras curioso. Em finais do século XIX, o arquitecto e protector do património histórico Peter Blix (1831-1901) resolveu restaurar o Håkonshallen, em Bergen, para o que pôs um anúncio no jornal, encomendando pedra idêntica à original. Recebeu uma resposta oferecendo pedra já em blocos, o que o fez desconfiar da sua origem e quis conhecer a sua proveniência. Ficou, então, a saber que a mesma vinha de uma igreja medieval, de uma terriola perdida, a que a população, encantada com a construção de uma igreja nova e moderna, não dava o mínimo valor, tendo-a vendido, por 400 coroas a um construtor local, que se preparava para a demolir. Blix tomou o caso em mãos e, não conseguindo dissuadir a população de demolir a igreja, acabou por a adquirir. Tornou-se, imediatamente, protector do património local de Vik, onde, não longe desta, havia ainda outra pérola da arquitectura medieval: a Hopperstad Stavkyrkje.



Este tipo de igrejas de madeira é particularmente característico da Noruega. Stavkyrkje quer dizer, literalmente, algo como «igreja de vigas erguidas», já que a construção é suportada por uma estrutura de postes de madeira cravados na terra. Estas igrejas eram construídas em pinho e impregnadas de alcatrão, o que lhes dá um cheiro muito característico. Calcula-se que, na Idade Média, havia cerca de mil igrejas deste tipo espalhadas pela Noruega, originalmente católicas, convertidas ao luteranismo pela Reforma de 1536. O novo culto, exigindo instalações à altura, abandonou este tipo de construção. Actualmente, subsistem 28 destas igrejas no país.
A de Vik foi construída por volta de 1130 (o que não quer dizer rigorosamente nada, pois, como seria de esperar, ardeu e foi reconstruída diversas vezes ao longo da sua história -- experimentem contar a quantidade de sensores de fumo e de extintores estrategicamente colocados no interior da igreja), esteve em uso até à conclusão da igreja nova, em 1877, e foi restaurada por Blix, em 1890, igualmente às suas próprias custas e de acordo com o traçado original.
A igreja é extremamente bonita, cheia de pormenores delicadamente esculpidos na madeira, para além de alguns graffiti medievais, em forma de inscrições rúnicas. É rodeada por um cemitério, também ele muito interessante.
Interessante foi também o regresso a Balestrand, cheio de percalços e desencontros. Nada que a simpática boleia de um casal de italianos não tenha desenrascado.

Para cá e para lá: muita terra, muita água, muito ar...

Aviso à navegação: este texto assemelha-se, em tudo, à espada d'El Rei D. Afonso Henriques. Se não estiverem sequiosos de informação sobre viagens na Escandinávia, limitem-se a ver as imagens e a sonhar...

Se observaram com atenção o nosso itinerário e tiveram em consideração as distâncias reais envolvidas, aperceberam-se, com certeza, de que elas implicaram uma grande quantidade de deslocações e de tempo despendido com as mesmas.
Para evitar mais uma deslocação (circular, ainda por cima), optámos por voos com destino e proveniência diferentes, ou seja, fomos de Lisboa para Oslo e voltámos de Helsínquia para Lisboa. As companhias aéreas, desde há algum tempo, possibilitam este tipo de trajectos, sem aumento dos custos, relativamente a uma ida e volta normal, desde que, obviamente, tenham ligações regulares aos destinos pretendidos. Nas agências de viagens, costumam torcer o nariz a estas esquisitices, mas, com alguma insistência,... A maioria das grandes companhias de aviação já o faz, é questão de escolher pelas tarifas. Nós fomos com a KLM, com escala em Amesterdão (oh, Amesterdão!...). Correu tudo sobre asas, só um pequeno reparo ao catering (estão a ver aquele anúncio radiofónico em que um passageiro diz: "Não quero mais nada, obrigado. A metade do amendoim deixou-me satisfeito"?). Pois é, cada vez mais, quem vai para o (m)ar deve abastecer-se em terra...
Nos centros urbanos, utilizámos sempre os transportes públicos (autocarros, eléctricos e metro). Os cartões para turistas (Oslo Pass, Bergen Card, Stockholmskortet, Helsinki Card, Tallinn Card) são uma boa opção, pois permitem, pelo período contratado (1, 2 ou 3 dias), utilizar toda a rede de transportes públicos e ainda ter entradas gratuitas na maior parte dos museus e obter descontos em muitos eventos culturais.
Na Noruega, os transportes, apesar de carotes (como tudo, de resto -- parece uma nova forma de exploração viking dos povos do sul), são bons e alguns percursos são fascinantes. De comboio, fizemos a linha de Bergen (linda!), de Oslo a Myrdal (cerca de 4h30, 5h00 de viagem), onde apanhámos o Flåmsbana, o comboiozinho que percorre, dizem, uma das linhas férreas mais bonitas do mundo, de Myrdal a Flåm. A paisagem é deslumbrante, ao longo de cursos de água, por entre montanhas, florestas, quedas de água (uma, com direito a "photo stop") até chegar ao Aurlandsfjorden. 20,20 Km, numa horinha de viagem muito bem aproveitada.



Em Flåm, apanhámos o Express Boat para Balestrand (cerca de 1h30). Três dias depois, fizemos o resto da viagem, até Bergen (cerca de 4 horas). A companhia que explora as ligações fluviais no Sognefjorden, a Fjord 1 / Fylkesbaatane, disponibiliza ferries, barcos rápidos (para trajectos maiores) e, no Verão, excursões organizadas, como aquela que fizemos ao glaciar. Tem um site internético muito informativo, com todas as ofertas disponíveis, para turista ver, e ainda horários e tarifas (estes, em norueguês).



O trajecto de Flåm a Bergen é fascinante, quase 6 horas de viagem, a uma velocidade alucinante, ao longo de uma paisagem maravilhosa.
De Bergen, voltámos a Oslo (cerca de 6h30, 7h00 de viagem), no comboio nocturno, em couchette, porque já tínhamos feito parte da viagem de dia (vale, francamente, a pena, que a paisagem é linda) e sempre poupámos uma noite de dormida. Em Oslo, apanhámos o comboio rápido para Estocolmo, explorado pela companhia ferroviária sueca: o Linx, uma espécie de Alfa a preços de TGV. Cinco horas de viagem, num dia chuvoso, nada a salientar.



De Estocolmo a Helsínquia, fizemos a viagem nocturna da Viking Line, a bordo do Mariella, um navio titânico, de oito andares, com casinos, restaurantes, bares, discotecas, corredores imensos, com cabinas muito confortáveis (recomendo vivamente a nossa opção -- a cabina mais barata, interior, com duas camas em beliche e casa de banho totalmente equipada, um luxo). Partida às 16h50, chegada às 9h55, hora finlandesa (Estocolmo +1, Lisboa +2). A viagem diurna, consta que é fascinante, porque o trajecto atravessa o arquipélago de Åland (um dos mais bonitos do mundo, ao que dizem), com escala em Mariehamn. Mas a viagem nocturna é mais concorrida, pela animação, pelas fenomenais bebedeiras e pelos namoricos que aí se arranjam. Sim, que a maior parte daquela malta faz a viagem por duas razões: a diversão e o açambarcamento de bebidas alcoólicas, mais escassas e caras em terra (as ilhas Åland são zona franca). Apercebi-me de que muitos fazem a viagem de noite e apanham o barco da manhã, de regresso a casa, carregadinhos de cervejas!
O mesmo vale para os passeios a Tallinn, capital da Estónia, uma cidade lindíssima, património da Humanidade (de que vos falarei um dia), onde os finlandeses se vão abastecer a preços de Leste.
Há várias companhias a operarem as ligações marítimas: a Viking Line e a Silja Line são as maiores. Para Tallinn, há ainda a Eckerö Line, a Nordic Jet Line, a Tallink -- nós fomos de catamaran com a Linda Line (1h25 de viagem), mais barata e com horários mais convenientes para nós.



De Helsínquia, fomos de comboio para Savonlinna (cerca de 5 horas), o destino mais turístico do lago Saimaa (o maior dos ditos mil). Porém, encontrámos tudo muito calmo, que a época baixa, na Finlândia, começa a 15 de Agosto, com o regresso às aulas e à chuva.
Para darmos uns passeios ali à volta, que o lago bem o merece, alugámos um carrito: 103 € / dia!
Comboio para Lappeenranta (2h30, 3h00 de viagem, a Rússia mesmo ali ao lado e um dia muito chuvoso e desagradável), onde pernoitámos, antes de tomarmos o autocarro para o aeroporto de Helsínquia, cheiinhas de saudades de casa e do sol e ansiosas por um belo passeio em Amesterdão...

Reservas: de Lisboa, levámos apenas os bilhetes de avião e da ligação Estocolmo-Helsínquia (comprada na Nordictur, o agente oficial, em Portugal, da Viking Line e do turismo escandinavo), porque, nos fins de semana, aquelas viagens esgotam depressa. Das restantes ligações, fomos tratando à medida que chegávamos a cada poiso, uma de cada vez, com calma. Os alojamentos, reservámo-los quase todos com antecedência, por e-mail, deixámos só em aberto os últimos dias na Finlândia, que decidimos com a preciosa ajuda de uma funcionária do posto de turismo finlandês em Helsínquia.
Só mais uma nota, para elogiar o empenho nórdico na informação e no apoio ao turismo. 5 estrelas!

Entre Balestrand e Valhalla

Quando decidimos explorar o Sognefjorden, pensámos fixar-nos em Flåm, mas duas palavrinhas num imeile ("Sorry. Full") obrigaram-nos a alterar os planos. Já nem sei bem como nem porquê, resolvemos atravessar o fiorde para norte, equacionámos a proximidade ao Jostedalbreen, as ligações a Vik e Bergen e optámos por Balestrand.



Balestrand é uma terra pequena, à beira do Sognefjorden, encaixada entre montanhas, com glaciares ao fundo e florestas a perder de vista. O skog é uma instituição local, com percursos mais ou menos bem organizados para caminhadas (peçam informações no posto de turismo, mas comprem o mapa colorido, não vão na treta da fotocópia em pb, que nos fez andar em círculos durante horas -- bom, sempre aproveitei para colher framboesas).



A vila em si tem um porto pequeno, com uma magnífica vista sobre o fiorde, uma igreja anglicana dedicada a Santo Olavo, construída em madeira, nos finais do século XIX, ao estilo norueguês (Stavkyrkje), um hotel enorme, também de madeira, de estilo suíço, que parece tirado de um filme dos anos 20, um Aquário, três restaurantes (que só servem até às 21h -- um deles funciona, depois dessa hora, como bar), um supermercado, uma ou duas lojas para turistas, mais um ou dois hotéis menos estrelados, uma escola, um edifício moderno onde funciona a câmara municipal e o posto de polícia, e pouco mais, que nós víssemos.
De resto, vivendas de madeira, com os seus jardinzinhos, muito bem cuidados, muito floridos (no Verão, pelo menos). Consta que Balestrand, devido à sua situação geográfica privilegiada, é, de há muito, um pólo de atracção e inspiração para artistas e, actualmente, também para turistas, mas mantém-se uma terrinha sossegada.



O hotel grande tem uns jardins à beira da água, com uma vista fabulosa, onde se dão belíssimos passeios ao serão, desde que se ignore o aviso "For guests only". É claro que não íamos delapidar os nossos eurinhos portugueses nas diárias brutais do Kvikne's Hotel: as pousadas de juventude (Vandrerhjem) revelaram-se, na Noruega como na Finlândia, uma excelente opção (relação qualidade/preço, asseio, sossego, acessibilidade) -- agradeço o conselho à Fabienne e à Karen. A propósito, se a opção vos agradar, não se esqueçam de tirar, em Portugal, o cartão de alberguista, que sempre dá mais uns descontos nas diárias. E digam lá se não ficámos bem instaladas? A frente do edifício pertence ao hotel Kringsjå, a pousada fica na parte mais recuada, à esquerda (reparem no pormenor da varanda individual para cada quarto, com vista para o fiorde...):



Os passeios ao serão, em Balestrand, são memoráveis: em Agosto, o pôr-do-sol parece interminável e prolonga-se numa luminosidade fantasmagórica, numa neblina de um azul indescritível, que deixa imaginar velhos drakkars a velejarem para Valhalla. Às onze da noite, era possível andar na rua sem iluminação pública e até ler e escrever!
E não vos falo do meu cantinho favorito: uma rocha de onde se tem uma vista absolutamente feérica, onde se ouve o bater lento da água, sem ondas nem marés, onde a água é muito verde e muito límpida, onde as algas trepam pelas rochas até à superfície, como pequenas florestas aquáticas, e ficam a boiar, na linha de água e na minha memória.

Fjorden og skogen

O maior fascínio da Noruega está, inegavelmente, na beleza natural.
Os fiordes aparentam ser rios, de caudal variável, que serpenteiam entre montanhas de granito e florestas. Na verdade, são sulcos escavados, ao longo dos tempos, pelo degelo dos glaciares (que vai aumentando progressivamente, com o aquecimento global). O mais espantoso é que a altura impressionante que as montanhas atingem acima do nível da água é idêntica à profundidade submersa!



Com tantas montanhas e glaciares, a Noruega tem a costa toda ela recortada por fiordes. A escolha é variada, mas, para quem não conseguir decidir-se, há sempre a possibilidade de um cruzeiro costa acima, de Oslo ao Cabo Norte. Esta alternativa não nos seduziu, por um lado, pela ideia de ficarmos presas numa embarcação durante mais de uma semana, numa zona de clima muito instável, e, por outro lado, pela enormidade de euros que essa opção envolveria. Assim, a escolha recaiu no Sognefjorden, o maior fiorde do mundo (204 km de comprimento e 1308 m de profundidade) e em alguns dos seus afluentes (Aurlandsfjorden, Esefjorden, Færlandsfjorden...), o que nos permitiu múltiplos passeios deliciosos, por água e por terra.



Sediadas em Balestrand, demos um pulinho ao Supphellebreen e ao Bøyabreen, dois braços do Jostedalbreen, o maior glaciar da Europa continental (487 km2). Impressionante, toda aquela quantidade de gelo azul (percebi, finalmente, o significado de "azul glaciar"), branco e cinzento (quando sujo pelos sedimentos arrastados), que vai escorrendo, pingando, devagar ou, pontualmente, derrocando em avalanches (como uma, pequena, a que tivemos o privilégio de assistir), aumentando, pouco a pouco, o caudal do fiorde. Aconselho, vivamente, uma visita ao Museu do Glaciar, didáctico e interactivo.



Água a escorrer é o que não falta nas montanhas norueguesas, por entre uma quantidade impressionante de florestas, selvagens, naturais e, sobretudo, limpas, onde abundam o musgo, os cogumelos e as bagas silvestres. As amoras são amargas, agora as framboesas...



Fiquei rendida às "skogadas", os nossos passeios de fim de tarde nos bosques, à doçura das framboesas silvestres e à variedade de cogumelos.



Atenção: nas páginas internéticas, não se esqueçam de procurar uma bandeirinha inglesa, ou outra forma de opção linguística. Se não, uma no cravo outra na ferradura, que é como quem diz, com uns conhecimentozinhos de alemão e de inglês, vão ver que até dá para perceber qualquer coisita, que o norueguês não é nenhum bicho de sete cabeças!