Manufaktura


Łódź (Polónia), Setembro de 2006

O complexo fabril de Izrael Poznański foi construído entre 1872 e 1892, segundo projecto do arquitecto Hilary Majewski. Era um gigante da indústria têxtil que prestava serviço completo de processamento de algodão; ocupava quase 30 hectares e incluía: uma tecelagem, uma fiação, uma fábrica de branqueamento e acabamento, uma tinturaria, uma fábrica de impressão de tecidos e acabamento, um departamento de reparação e construção de máquinas, uma serralharia, uma fundição e um centro de operação de locomotivas a vapor, uma fábrica de gás, um quartel de bombeiros, armazéns, um desvio ferroviário e uma casa de câmbio, além do palácio do proprietário e habitações para trabalhadores.


Fotografia de Bronisław Wilkoszewski, cerca de 1895 (daqui)

O edifício principal do complexo era uma fiação de algodão de cinco andares feita de tijolos vermelhos sem reboco, ao longo da Rua Ogrodowa, construído em 1877-1878 e transformado em hotel em 2009.









A Sociedade Anónima de Produtos de Algodão Poznański em Łódź (Towarzystwo Akcyjne Wyrobów Bawełnianych I. K. Poznańskiego w Łodzi) começou por ser uma pequena empresa familiar que Izrael Poznański foi ampliando até se tornar um dos motores da cidade: em 1865, empregava 70 operários; em 1879, 426; em 1906, dava trabalho a cerca de 6.800 pessoas.
Originário de uma família desafogada de comerciantes judeus, o magnata (conhecido na cidade como um dos Reis do Algodão) gabava-se de ter começado do zero: em adolescente, recolhia sucata numa carroça miserável puxada por um cavalo velho (mais tarde, para exagerar a amplitude do seu currículo, alegava que nem cavalo tinha, que eram cães que atrelava ao carrinho). No auge da carreira, mandou construir, para si e para a sua família, um palácio e, mais tarde, o maior mausoléu judaico do mundo, onde está sepultado, ao lado da esposa.





O Palácio de Izrael Poznański, construído em 1877, também segundo projecto de Hilary Majewski, em estilo neo-renascentista francês, é conhecido como o "Louvre de Łódź". Desde 1975, alberga o Museu da Cidade; em 2015, foi incluído na Lista de Monumentos Históricos da Polónia.
Após o fim da era industrial, o complexo fabril foi adquirido por empresas estrangeiras e transformado num grande centro de comércio, artes e lazer, com 300 lojas, restaurantes, museus, discotecas, equipamentos desportivos e lúdicos (bowling, paintball, escalada, bilhar), escola de dança, cinema e um hotel. A Manufaktura foi inaugurada a 17 de Maio de 2006, pelo que, em Setembro, era ainda uma grande novidade.







ACP #167 e #168




Baião, Janeiro de 2023

Mais uma colaboração da colega Graça Regueiras, a quem estou muito grata. Já eu, não encontro nada de novo: o melhor que consegui foi reencontrar uma velha conhecida (aqui e aqui) e confirmar que vai resistindo às intempéries.


Vila Viçosa, Janeiro de 2023

Ulica Piotrkowska


Łódź (Polónia), Setembro de 2006

A Rua Piotrkowska é a principal artéria de Łódź e uma das maiores ruas comerciais da Europa, com cerca de 4,2 km de comprimento. É uma das maiores atracções turísticas da cidade, com as suas muitas lojas, cafés, bares, esplanadas, riquexós, edifícios históricos, o Passeio da Fama e sei lá mais o quê, sendo que até um banco português lá encontrei.














(imagem daqui)

Heavens above (56)




Portalegre, Dezembro de 2022


















Portalegre, Janeiro de 2023

Baldaya




Benfica, Lisboa, Dezembro de 2022

Inspiração Arte Nova num mural de Rui Ferreira 'RAF', numa empena do Palácio Baldaya, 2017.

"A história do palácio começa em 1783, data da primeira referência escrita que confirma a existência da Quinta do Desembargador, que viria a ser a Quinta da Baldaya.
O Palácio foi dado a D. Maria Joanna Baldaya, que lhe deu nome, como presente de casamento, em 1840. Por morte da proprietária e não tendo deixado herdeiros diretos, o palácio teve diferentes usos: nos finais do século XIX funcionou como hotel e no início do século XX foi vendido ao Estado, que ali instalou o Laboratório Nacional de Investigação Veterinária em 1913.
Reabriu em Setembro de 2017 como pólo cultural e de inovação. Além de uma biblioteca, uma ludoteca infantil, um espaço coworking e a sede do Qualifica, o palácio tem magníficos jardins."

#TBT: Łódź, 2006




A Igreja do Espírito Santo (Kościół Zesłania Ducha Świętego)
e o monumento de homenagem a Tadeusz Kościuszko, na Praça
da Liberdade (Plac Wolności), Łódź (Polónia), Setembro de 2006


Depois de Belfast, em Dezembro de 2005, o projecto inter-institucional de que já aqui falei levou-nos, a mim e aos meus três colegas da equipa portuguesa, a Łódź. (Segundo nos explicou o nosso colega Szymon, pronuncia-se como, em inglês informal, wouldja, sem o A final.)


A Praça da Liberdade, em 1930 (imagem daqui)

Aquela que é actualmente a quarta maior cidade da Polónia -- atrás de Varsóvia e Cracóvia e sensivelmente a par de Breslávia (Wrocław) -- começou por ser uma pequena aldeia medieval, à qual foram atribuídos direitos de cidade, em 1423. A sua população foi crescendo e minguando, ao sabor de guerras, anexações e surtos de peste, nunca ultrapassando os 1000 habitantes, sendo que, no final do século XVIII, não contava com mais de 190. No século XIX, no âmbito de um programa nacional de industrialização, foi transformada numa grande cidade industrial do sector têxtil. Antes da Primeira Guerra Mundial, em 1913, tinha 500.000 habitantes, era a segunda maior cidade da Polónia, uma das cidades industriais mais densamente povoadas do mundo (13.280 hab/km2) e uma das mais poluídas. A sua demografia contava (e conta ainda hoje) com uma maioria de mulheres, em consequência da atractividade da indústria têxtil. Em 1939, entre mais de 600.000 habitantes, cerca de 200.000 eram judeus.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade ficou conhecida por albergar o segundo maior gueto da Europa nazi (só ultrapassado pelo de Varsóvia), e o mais longevo.





A partir de 1989, com a transição de uma economia socialista para uma economia de mercado, e com a crise económica subsequente, a indústria têxtil entrou em declínio, assim como a cidade. Os cerca de 854.000 habitantes que tinha então, estavam, no início de 2022, reduzidos a 664.071. Em 2007, perdeu o lugar de segunda maior cidade do país.
Hoje, não há em Łódź nenhuma grande fábrica têxtil a laborar, tendo a economia sido dirigida para o sector dos serviços e logística, beneficiando da sua localização no centro do país e da rede de transportes e auto-estradas, assim como da quantidade de trabalhadores qualificados e da cooperação entre as universidades locais e as empresas.


Letreiro no antigo edifício da estação ferroviária de Łódź Fabryczna, inaugurado,
em 1866, sob projecto do arquitecto Adolf Schimmelpfennig, e substituído, em
2016, por uma alternativa mais moderna



Grande Teatro (Teatr Wielki), inaugurado em 1967

A agenda era apertada, mas, entre reuniões, conseguimos algum tempo para iniciar a nossa via-sacra pelo Turismo Tétrico e para caminhar um pouco pelo centro da cidade. De momento, ficam algumas imagens soltas, que ilustram vários pormenores da cidade, como era então, com marcas arquitectónicas de diferentes épocas.