O império dos sentidos

Há tempos, encontrei no Turista Acidental um belíssimo texto sobre Marraquexe que me trouxe recordações de umas férias, em 1992.
Marraquexe encanta, sobretudo, pela profusão de sensações que nos desperta: o calor, os odores, a quantidade gritante de cores, formas e texturas, o movimento que nos envolve e nos arrasta. É muito diferente da Europa, com uma oferta quase exclusivamente visual. E fica aqui tão perto…

Jamaâ El Fna

Impressões:
> a tonalidade vermelha das casas e da terra;
> a medina labiríntica (património da humanidade), com os seus souks ou mercados divididos em profissões pelas diferentes ruas: o souk das especiarias, o dos tintureiros, o dos tapetes, o dos cobres e latões...
> a praça central, Jamaâ El Fna, onde, durante o dia, se foge do calor e que, ao cair da tarde, se enche de vendedores, clientes e turistas, num enorme mercado que dura até ao fecho das portas da cidade, pela meia-noite. No interior de uma cintura de carros de vendedores de sumo de laranja, podemos encontrar de tudo um pouco: vendedores de água, com os seus trajes típicos, amestradores de macacos, encantadores de serpentes, engolidores de fogo, vendedores de tudo e mais alguma coisa, sempre prontos a regatear, em frente a um aromático chá de menta;
> os minaretes, com os seus chamamentos cantados. O da Koutoubia (século XI), no centro, é o maior e o mais imponente (quase 70 metros);
> a beleza delicada dos mosaicos que adornam os túmulos Saadianos, criados, no século XVI, pelo sultão Ahmed el Mansour, com a finalidade de albergarem os seus restos mortais e os dos seus sucessores;
> as indicações, nas ruas em torno das mesquitas: «Interdito a não-muçulmanos», que reflectem o orgulho na preservação das tradições («Os tunisinos são uns vendidos»);
> a frescura do lago artificial e dos jardins da Menara, na periferia;
> a pobreza gritante, patente na grande quantidade de homens em idade activa que se ofereciam, em frente aos hotéis, como guias para turistas, cobrando, à época, 1 dirham diário (cerca de 0,60 euros). Ou nas condições de vida e de trabalho dos curtidores de peles. Ou na ânsia generalizada de dar o salto para a Europa.

Um souk coberto

Ligações de interesse:
> Guias e informação variada: site oficial do Ministério da Comunicação de Marrocos, em inglês e em francês; I love Marrakesh; outro I love Marrakech; LexicOrient; Moroccan Gateway; Columbus Guides; Mini-guia Fodor's; Rough Guides; The Travel Room; Tourism in Morocco; World66
> Fotos

Menara

Uma tarde em Amesterdão

Se há coisa que me incomoda, é aterrar em cidades que não posso conhecer. Esta era a minha quarta escala em Amesterdão, com a aparente desvantagem de ser a mais longa (cerca de 5 horas e meia). Mas, numa tarde de sol, quando se comemoravam os 150 anos de Van Gogh, aquela conexão longa veio mesmo a calhar.
Apanhámos o comboio, que passa no subsolo do aeroporto, até ao centro da cidade, onde passámos uma tarde deliciosa, antes de retomarmos a viagem com destino a Lisboa.
Amesterdão, com o seu ritmo muito próprio, é um choque para quem vem da calma dos lagos finlandeses. Milhares de bicicletas a circularem freneticamente, automóveis que nos perseguem por todo o lado, hordas de turistas, tudo nos pareceu atentar contra a nossa integridade física.

Amesterdão

Gostei:
> do pulsar da cidade;
> da beleza dos canais e das pontes;
> da arquitectura muito típica;
> das ruas estreitas do Bairro da Luz Vermelha;
> do Museu Van Gogh, onde, além de obras do pintor, reencontrei velhos conhecidos (de exposições temporárias no CCB e em Serralves, agora na exposição Gogh Modern) e conheci novos interesses (por exemplo, duas obras de Kiefer que me impressionaram bastante).

Anselm Kiefer, Innenraum, 1981

Não gostei:
> do fraco apoio turístico prestado por quem tem consciência de que não precisa de cativar. No posto de turismo, tudo era pago: um simples mapa da cidade custava 2 euros.

Amesterdão

Ligações de interesse:
> Fotos: Preview Amsterdam; Panoramsterdam; Amsterdam Webcams; Grachten (canais); visitas virtuais
> Guias: Simply Amsterdam; Amsterdam Hotspots; Time Out; Let's go Amsterdam; Amsterdam.info
> Hotéis e reservas: Official Amsterdam Reservation Center; Book a Hotel in Amsterdam; Amsterdam Hotels Discount; Amsterdam hotel guide; Amsterdam Hotels Tours; Amsterdam Hotel Service
> mais ligações

Cidades mimosas

Quando, há cerca de um ano, à mesa de almoço, discutíamos destinos de férias e eu disse que ainda não me tinha decidido entre a Escandinávia e o Benelux, a minha colega Maria José aconselhou-me o último: «Lá para cima, não há nada para ver. As cidades cá para baixo são mais mimosas».
É um facto que as cidades da Escandinávia têm um ar mais actual: foram originalmente concebidas em madeira, pelo que arderam e foram frequentemente reconstruídas ao longo da história. Mas não deixam de ter a sua personalidade. Outro facto é que, quando pensamos em turismo na Europa, vêm-nos à ideia monumentos, bairros históricos e museus recheados de pilhagens de guerras e invasões. Foi por isso que a minha amiga Marisa me disse que do que gostou mais na Finlândia foi da Estónia.

Tallinn

Tallinn, a cerca de uma hora e meia de barco de Helsínquia, ali mesmo em frente, do outro lado do Báltico, foi uma tentação: tirámos um dia de sol para um passeio simpático.
É uma perolazinha medieval, classificada como património da humanidade. Igrejas, edifícios medievais, ruas estreitas, miradouros, num centro histórico bem preservado. E um sentimento nacional que espelha o orgulho numa independência conquistada com dificuldade.
Uma visita guiada conduziu-nos aos locais mais turísticos da cidade:
> o recinto aberto, em Pirita, onde se realiza, de 5 em 5 anos, o Festival da Canção da Estónia, que, durante o domínio soviético, manteve vivo o espírito nacional;
> as muralhas da cidade, com as suas torres. Entre elas, a Kiek in de Kök (literalmente, "espreitadela na cozinha"), do alto de cujos 18 metros se acreditava poder ver, através das chaminés, o que se passava nas cozinhas da zona baixa;

Aleksander Nevski

> as várias igrejas: a catedral (Toomkirik); a igreja de Santo Olavo (Oleviste kirik), considerada, na Idade Média, um dos edifícios mais altos do mundo; a catedral ortodoxa de Aleksander Nevski; entre outras;
> a praça central, ou Praça da Câmara Municipal (Raekoja Platsi), rodeada por esplanadas e dominada pela Câmara Municipal (Raekoda), o edifício gótico não religioso mais antigo do mundo. Na praça, podemos encontrar também a segunda farmácia mais antiga do mundo (Raeapteek), ainda em funcionamento (ininterruptamente desde 1422, no mesmo lugar, mas não no mesmo edifício -- o actual tem cerca de 300 anos);
> as ruas chamadas Pikk jalg ("perna longa") e Lühike jalg ("perna curta"). Ligavam, na Idade Média, as duas cidades que, em 1889, foram unidas, dando origem a Tallinn: All-linn, a cidade baixa, pertencente à Liga Hanseática, e o monte de Toompea, o centro do poder e da nobreza. Pela Pikk jalg circulavam cavalos e carruagens, pelas escadas íngremes da Lühike jalg, os peões;
> o Museu da Cidade, que cobre a história de Tallinn, do século XIII aos anos 90. Gostei particularmente dos bonecos interactivos (com cordelinhos para puxar…), despretensiosos, e da sala sobre o domínio soviético, mordaz.

Pikk jalg

Nota (para quem ainda não reparou): Desde o último texto, as imagens passaram a ser legendadas por cima, basta pousar o rato.

Järvet ja Metsät

Lago Saimaa

Lagos e florestas são o mais marcante na Finlândia, pelo menos no Verão. Mil, não sei se serão, mas são muitos e são muito bonitos. O lago Saimaa é o maior: um puzzle de água, ilhas, pântanos, florestas e lagos interligados. É também o mais turístico, o que não constituiu qualquer problema, visto que já lá chegámos na época baixa, mais chuvosa, é verdade, mas muito mais calma.

Helsínquia, catedral ao centro

Antes, sucumbimos aos encantos de Helsínquia, que nos prendeu mais um dia do que o planeado. Uma cidade costeira, muito marcada pela presença do mar, pontilhada por grandes parques. Gostei, em particular, do parque de Sibelius, que rodeia o monumento ao músico. Belíssimos, os reflexos do pôr-do-sol na escultura...
Uma nota também para o parque da Casa da Finlândia (Finlandia-talo), esta, da autoria de Alvar Aalto. No parque, encontrámos uma curiosa exposição sobre a arte do sol e do vento (um conjunto de esculturas com efeitos móveis e sonoros), outra de arte viva: um coelho em terra e relva (como uma escultura de areia), uma mandala de arbustos... E finlandeses que se passeavam, a pé, de patins, de bicicleta. Uma instituição local, os parques.
Monumentos: a catedral, na Praça do Senado, muito branca, muito clássica; a igreja ortodoxa (Uspenski), monumental, a maior da Europa, fora da Rússia; a igreja na rocha (Temppeliaukio); a fortaleza de Suomenlinna, uma das maiores fortalezas marítimas do mundo, classificada como património da humanidade.

Monumento a Sibelius

Selecção de museus:
> o Ateneum, museu nacional de arte, onde se destacam pinturas e desenhos de artistas finlandeses como Akseli Gallen-Kallela, Hugo Simberg, Helene Schjerfbeck, Albert Edelfelt, entre outros;
> o Museu de Arte e Design, imprescindível, uma bela mostra de design escandinavo;
> o Kiasma, museu de arte contemporânea, que deixámos por ver (o tempo não chegou para tudo...).

Lago Saimaa

E zarpámos para a região dos lagos. Ficámos sedeadas em Savonlinna, uma cidade pequena, calma e muito bem situada. O seu ex-libris é o castelo medieval de Olavinlinna (século XV), onde todos os anos, no Verão, se realiza o Festival de Ópera. Curiosos, os narizinhos das torres, que eram as instalações sanitárias da época (as águas do lago funcionavam como autoclismos).

Olavinlinna

Demos bastantes passeios pela zona dos lagos. Linda, a estrada turística de Punkaharju, com uma vista fenomenal entre lagos.
Último poiso, Lappeenranta. Um dia chuvoso, muito perto da Rússia: as vistas, o castelo, o cemitério de guerra, o memorial aos soldados finlandeses caídos em Viipuri, uma das maiores cidades da Finlândia, tomada pela União Soviética e rebaptizada como Vyborg.

Lappeenranta

E foi assim a Finlândia, sem Pai Natal, renas ou neve...

Estocolmo à chuva

Dois diazinhos muito chuvosos apanhámos nós em Estocolmo... Mas foram bem aproveitados, dentro do possível (e dentro de portas, sempre que possível). No fundo, não foi mais do que uma escala entre a Noruega e a Finlândia, que eram os nossos destinos de eleição, mas pareceu-nos um pecado passar ao lado ou por cima de uma cidade que todos nos diziam ser muito bonita. E é.



Estocolmo é uma cidade construída sobre 14 ilhas, ligadas por 50 pontes, entre o lago Mälar e o mar Báltico. Como não podia deixar de ser, tem água por todo o lado, canais e baías, o que lhe dá um encanto muito especial e o cognome de "Veneza do Norte".
Ficámos alojadas num hotelzinho simpático, numa esquina da Olof Palmes Gata com a Drottninggatan, uma grande rua comercial. Muito central: Drottninggatan abaixo e estávamos na Gamla Stan, a cidade velha medieval.



Mesmo em frente, Riddarholmen, a ilha dos Cavaleiros, com igrejas e monumentos, muito bem preservados. Visitámos a Riddarholmskyrkan, igreja construída em 1270, que alberga os túmulos de reis e nobres suecos. Destaque para a torre de tijolo, rematada por uma estrutura pontiaguda em ferro forjado, delicadamente trabalhado (a primeira à esquerda, na primeira foto).
Com o tempo que estava, deixámos escapar poucas igrejas: a Catedral (Storkyrkan), a igreja alemã (Tyska kyrkan), a finlandesa (Finska kyrkan), implantada num antigo campo de ténis coberto, oferecido pelo rei, a Jakobskyrka, a Klara kyrka, qualquer uma delas serviu o ancestral propósito de nos proteger das condições adversas do exterior.
Fora de portas, destaque, sem dúvida, para a Gamla Stan, com o seu encanto medieval, os monumentos, as praças, as ruelas estreitas: a Mårten Trotzigs Gränd, a mais típica e estreita de todas, faz lembrar Alfama.



E, quando o tempo o permite, é de aproveitar para passear ao longo dos muitos canais e pontes que entretecem a capital de um país com uma história que oscilou entre fases de pobreza e de opulência e oferece hoje um dos melhores níveis de vida do mundo.



Quando não, ainda há os museus. Visitámos dois, na ilha de Djurgården, rodeados por belíssimos jardins: o Vasa e o Nordiska museet. Este último, o Museu Nacional de História da Cultura, alberga exposições sobre o quotidiano e as tradições suecas, e ainda moda, sapatos, casas de bonecas, mobiliário, pinturas e fotografias de Strindberg, entre muitas outras coisas.
No Vasamuseet, encontramos um navio com uma história deveras curiosa. O Vasa foi construído, no século XVII, a mando do rei Gustav Adolf, o II do nome, herdado do seu antepassado Gustav Vasa, que, em 1523, após liderar o movimento independentista, foi eleito rei de uma Suécia livre do poderio dinamarquês e do vizinho norueguês, dando início à dinastia hereditária dos Vasa. O navio com o mesmo nome foi concebido como o mais grandioso da grandiosa frota sueca, que estava prestes a entrar na Guerra dos Trinta Anos, em defesa do protestantismo. Contra a opinião dos mais experimentados construtores navais, o rei insistiu num navio alto, imponente, com dois andares de canhões. Tão esguio era o Vasa, que o lastro foi insuficiente para o manter muito tempo na vertical. Em 1628, no dia da sua viagem inaugural, entre pompa e circunstância, os presentes viram-no zarpar do porto de Estocolmo, tem-te-não-caias, até que se virou mesmo, 20 minutos e poucos metros à frente, velas enfunadas e bandeiras esvoaçantes. O inquérito subsequente foi, como não podia deixar de ser, inconclusivo e o Vasa manteve-se no fundo do mar, onde nem bactérias havia que lhe desfizessem o casco, foi recuperado em 1961, restaurado e conservado numa solução de parafina e mais não sei o quê, e é hoje a principal atracção do museu mais popular da Escandinávia.



Para quem gosta de histórias de navios e naufrágios, aconselho a instrutiva leitura do Marítimo.

Entre dos años, entre dos mundos

No dia 30 de Dezembro último, eu e a minha amiga Maria João partimos rumo a Madrid, para mudarmos, simultaneamente, de ano e de ares.
Madrid é uma cidade grande, com cerca de 3 milhões de habitantes, e a capital mais alta da Europa (mais ou menos 646 m acima do nível do mar). É uma cidade bonita, instituída, em 1561, como sede da corte, por Felipe II (o nosso I) e concebida à imagem das grandes capitais europeias.
Os grandes palácios, os museus, os arcos triunfais, os largos Paseos, as grandes ruas comerciais (oh, a Serrano!...), a ampla divulgação dos criadores nacionais (Agatha Ruiz de la Prada, Adolfo Domínguez, Jesús del Pozo...), as grandes cadeias internacionais (Starbucks Coffee, Planet Hollywood, IKEA...), as cadeias internacionalizadas (a Zara, já com a sua versão HOME, a Mango...), tudo nos faz sentir muito perto da Europa.



Depois, há todo um estilo de vida castelhano que tem muito pouco ou nada a ver connosco: os bons ordenados e os horários de trabalho muito favorecidos permitem uma descontracção que se passeia, calmamente, ao nosso lado, em enchentes, de todas as idades, a todas as horas do dia, Gran Vía acima, Alcalá abaixo... Sempre em amena cavaqueira, muitos decibeis acima do socialmente admitido pela cultura portuguesa.
E, ainda, a frivolidade alimentar dos pinchos, tapas e raciones, noite fora, churros com chocolate quente, madrugada dentro.
Nem o frio de Dezembro (apesar do Sol radioso) conseguiu afastar os madrileños da rua -- dir-se-ia que não se sentiam bem em casa (o que não admira, que essa mania europeia de sobreaquecerem os interiores no Inverno sufoca qualquer ser vivente).
Gostei muito de Madrid. Ficámos instaladas num hostal, meio hostel, meio hostil (esta é uma criação da Maria João, que eu devia estar distraída), em plena Puerta del Sol, mesmo em frente ao relógio. Curiosamente, devemos ter sido as únicas pessoas em Madrid que não presenciaram, ao vivo ou mediaticamente, as famosas 12 badaladas: a essa hora estávamos retidas num restaurante japonês (o único aberto no centro, naquele dia e àquela hora e cujo relógio estava atrasado), a comer tempura e 12 uvas brancas (que os espanhóis não querem nada com as passas). Depois de festejarmos a passagem GMT, seguimos a multidão que, da Puerta del Sol, se espalhava pelas ruas e acabámos a noite num bar de Chueca, um bairro muito característico, pelo ambiente artístico e homossexual.
Mas badaladas não nos faltaram, durante aquelas noites, nem tangos em acordeão, logo pela manhã (La vie en rose, imaginem!), ou canto lírico até às tantas. Ou seja, na Puerta del Sol, faz-se tudo menos dormir. Por toda a cidade, de resto.



Espantos e agrados:
> O botellón de nochevieja, na Puerta del Sol: uma instituição nacional, que eu já conhecia das quintas-feiras estudantis de Cáceres -- um amontoado aconchegadinho de gente, armado de copos e garrafas de plástico (a polícia montou barreiras à entrada, para controlar), a beber e a confraternizar, na rua.
> Outra instituição nacional, a Plaza Mayor: muito bonita, com lindos frescos num dos lados (mas a de Salamanca continua a ser a minha preferida).



> O espírito festeiro dos madrileños, de todas as idades e condições sociais, que circulavam pela cidade armados com barretes coloridos ou chifres de rena, com luzinhas a piscar; de resto, a Plaza Mayor estava transformada numa Feira do Relógio, com barracas de venda de artículos de broma, aqueles que os nossos miúdos usam no Carnaval: perucas, máscaras, bisnagas, sprays, serpentinas, etc.
> A organização dos batalhões de limpeza, que, à primeira meia hora do ano, estavam alinhados às entradas da Puerta del Sol, modernamente equipados e prontos para apagar qualquer vestígio do botellón (ou de possibilidade de alguém conseguir dormir naquelas redondezas, naquela noite e nas que se seguiram...).
> Os Paseos, muy parisienses: de Recoletos, de la Castellana, del Prado...
> A quantidade de casacos de peles a passearem pelas ruas: é mesmo outro mundo...
> Os museus (Prado, Reina Sofía, Thyssen-Bornemisza): destes, não temos nós...
> As Pinturas Negras de Goya, no Prado, e a exposição de mobiles de Calder, no Reina Sofía; falhámos a exposição de Manet, no Prado (1h30 de espera para comprar bilhete...).
> A belíssima rede de Metro: mas, também, 1,15 € cada viagem...
> O caos da M30: um misto de 2ª circular com circuito de Monza.
> 400 e tal km gratuitos de autovía, contra os quase 13 € de portagem, entre Lisboa e o Caia (cerca de 230 km).
> O urso, símbolo da cidade, recuperado de velhas tradições, do século XIII, cujo primo direito eu já conhecia de Berlim...
> O design sueco e os preços do IKEA: está quase a abrir em Lisboa, mais uns meses, mais uns meses!
> Espárragos trigueros y revuelto de setas: ¡siempre!

Ligações de interesse:
> Descubre Madrid: guia de lazer e turismo
> Madrid Turismo: Dirección General de Turismo
> Ayuntamiento de Madrid
> Comunidad de Madrid
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Lonely Planet; Simply Madrid; Virtourist: informações sobre Madrid em guias de viagem

Escandinávia e mais além: ligações de interesse



Os países:
> Norway: página oficial do turismo norueguês
> Sweden: página oficial do turismo na Suécia
> Svenska Turistföreningen: The Swedish Touring Club
> Finland ou Bem-vindos à Finlândia: páginas oficiais do turismo finlandês
> Virtual Finland: Finlândia virtual
> Estonia: página oficial do turismo na Estónia
> Estonica: Encyclopedia about Estonia: o que há a saber sobre a Estónia
> Holland: página oficial do turismo na Holanda

As cidades:
> Oslo Promotion: página oficial do turismo em Oslo
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Lonely Planet: informações sobre Oslo em guias de viagem
> Bergen: página oficial de Bergen
> Bergen-Guide: guia de Bergen, muito completo
> Columbus Guides; Fodor's: informações sobre Bergen em guias de viagem
> Stockholm Stad: página oficial da cidade de Estocolmo
> Stockholm: página oficial do turismo em Estocolmo
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Lonely Planet: informações sobre Estocolmo em guias de viagem
> City of Helsinki e Helsinki: páginas oficiais da cidade de Helsínquia
> Helsinki Expert: página oficial do turismo em Helsínquia
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Lonely Planet: informações sobre Helsínquia em guias de viagem
> Tallinn: página oficial da cidade de Tallinn
> Digital Tallinn: Tallinn virtual
> Tallinn: portal do turismo em Tallinn
> In Your Pocket: informações sobre Tallinn em guias de viagem
> Amsterdam.nl: página oficial da cidade de Amesterdão
> Amsterdam: página oficial do turismo em Amesterdão
> Columbus Guides; Fodor's; Frommer's; Let's Go; Lonely Planet; Simply Amsterdam: informações sobre Amesterdão em guias de viagem

Os fiordes:
> Fjord Norway: tudo sobre a Noruega dos fiordes
> Fjords of Scandinavia: mais sobre os fiordes
> Sognefjord: página oficial do Sognefjorden
> Sognefjorden: o maior fiorde do mundo
> Fjordinfo: tudo sobre a região de Sogn og Fjordane
> Sogn og Fjordane: página desta região turística
> SognaFoto: fotos de toda a região que circunda o Sognefjorden
> The Fjords: Aurland - Flåm - Lærdal: página desta região turística
> The Fjords: actividades nos fiordes, na Primavera e no Outono
> Jostedalsbreen Nasjonalparksenter Stryn: página do parque nacional de Jostedalsbreen
> Jostedalsbreen National Park: centro de visitantes de Breheimsenteret
> Jostedalen Breførarlag: visitas guiadas ao glaciar de Jostedalen, para os mais aventureiros

Os transportes:
* Ligações marítimas e fluviais:
> Fjord 1 / Fylkesbaatane: ligações fluviais no Sognefjorden
> Travel Information: informações e horários de autocarros, barcos e ferries da região de Sogn og Fjordane
> Viking Line; Silja Line; Eckerö Line; Nordic Jet Line; Tallink; Linda Line: ligações internacionais

* Comboios:
> Scanrail: comboios na Escandinávia
> NSB: comboios noruegueses
> Flåmsbana: comboio que percorre a linha férrea de Myrdal a Flåm
> SJ: comboios suecos
> Tåg Plus: horários dos comboios suecos
> Linx: comboio rápido entre Oslo e Estocolmo
> VR: comboios finlandeses

* Autocarros:
> Nor-way Bussekspress: autocarros noruegueses
> ExpressBus e Matkahuolto: autocarros finlandeses

O alojamento:
> Scandinavian City Hostels: página oficial das pousadas de juventude na Escandinávia
> Norske Vandrerhjem: pousadas de juventude na Noruega
> Sveriges Vandrarhem i Förening: pousadas de juventude na Suécia
> Destination Stockholm: 47 hotéis à escolha, em Estocolmo
> Suomen Retkeilymajajärjestö: pousadas de juventude na Finlândia
> Lomaliitto: alojamento e recreação na Finlândia

As igrejas de Vik

Num domingo de sol, resolvemos, contra todas as recomendações das funcionárias do posto de turismo, ir dar um passeio a Vik. Um passeio deveras arriscado, porque, aos domingos de manhã, não existe ligação entre Balestrand e Vik e, ao fim da tarde, o percurso inverso é igualmente complicado.
Assim, fomos de autocarro até Dragsvik, onde apanhámos o ferry para Vangsnes, e fizemos uma belíssima caminhada de 11 km até Vik, ao longo do fiorde, embevecidas com a vista e com as framboesas silvestres que cresciam nas estreitas bermas da Rv 13, a muito turística estrada panorâmica da região dos fiordes.
Em Vangsnes, ainda vimos, ao longe, a atracção local, a estátua de Fridtjov den frøkne, o destemido rei viking, oferecida em 1913 pelo imperador alemão Guilherme II, grande admirador das sagas nórdicas. Felizmente, a estátua, de 12 metros de altura, sobre um pedestal de 10,5 m, erigida numa elevação, vê-se bem da estrada, o que nos evitou um desvio no percurso, já de si longo e sinuoso.
Chegámos a Vik cansadas e cheias de calor, que o domingo fazia jus ao nome. Vik é uma vilazinha agrícola, situada numa planície entre a margem sul do Sognefjorden e as montanhas, sede da divisão administrativa de Vik i Sogn, que, com as suas 5 subdivisões (Arnafjord, Vik, Vangsnes, Feios e Fresvik), contava, em 2002, cerca de 2 900 habitantes. A sua principal atracção são as igrejas.
A igreja nova data de 1877. Em madeira, pintada de branco, com o telhado negro, lembrou-me as muitas igrejas semelhantes que encontrei na Nova Inglaterra, aí construídas pelos imigrantes do norte da Europa.



Não foi, pois, esta igreja que nos fez percorrer tão duros caminhos. Campo fora, encontramos a Hove Steinkyrkje, o mais antigo edifício de pedra da região de Sogn, construída em meados do século XII.



Atenção, que as datações, por aquelas bandas, nunca são de fiar. Esta mesma igreja foi restaurada por volta de 1880, no âmbito de um episódio histórico deveras curioso. Em finais do século XIX, o arquitecto e protector do património histórico Peter Blix (1831-1901) resolveu restaurar o Håkonshallen, em Bergen, para o que pôs um anúncio no jornal, encomendando pedra idêntica à original. Recebeu uma resposta oferecendo pedra já em blocos, o que o fez desconfiar da sua origem e quis conhecer a sua proveniência. Ficou, então, a saber que a mesma vinha de uma igreja medieval, de uma terriola perdida, a que a população, encantada com a construção de uma igreja nova e moderna, não dava o mínimo valor, tendo-a vendido, por 400 coroas a um construtor local, que se preparava para a demolir. Blix tomou o caso em mãos e, não conseguindo dissuadir a população de demolir a igreja, acabou por a adquirir. Tornou-se, imediatamente, protector do património local de Vik, onde, não longe desta, havia ainda outra pérola da arquitectura medieval: a Hopperstad Stavkyrkje.



Este tipo de igrejas de madeira é particularmente característico da Noruega. Stavkyrkje quer dizer, literalmente, algo como «igreja de vigas erguidas», já que a construção é suportada por uma estrutura de postes de madeira cravados na terra. Estas igrejas eram construídas em pinho e impregnadas de alcatrão, o que lhes dá um cheiro muito característico. Calcula-se que, na Idade Média, havia cerca de mil igrejas deste tipo espalhadas pela Noruega, originalmente católicas, convertidas ao luteranismo pela Reforma de 1536. O novo culto, exigindo instalações à altura, abandonou este tipo de construção. Actualmente, subsistem 28 destas igrejas no país.
A de Vik foi construída por volta de 1130 (o que não quer dizer rigorosamente nada, pois, como seria de esperar, ardeu e foi reconstruída diversas vezes ao longo da sua história -- experimentem contar a quantidade de sensores de fumo e de extintores estrategicamente colocados no interior da igreja), esteve em uso até à conclusão da igreja nova, em 1877, e foi restaurada por Blix, em 1890, igualmente às suas próprias custas e de acordo com o traçado original.
A igreja é extremamente bonita, cheia de pormenores delicadamente esculpidos na madeira, para além de alguns graffiti medievais, em forma de inscrições rúnicas. É rodeada por um cemitério, também ele muito interessante.
Interessante foi também o regresso a Balestrand, cheio de percalços e desencontros. Nada que a simpática boleia de um casal de italianos não tenha desenrascado.