Lembranças do Rio de Janeiro (IV)

As praias do Rio são lindas. Nos primeiros dias, devido ao mau tempo, estavam um tanto desconsoladas, vazias e cinzentas. Mas houve uma coisa que me chamou a atenção, que foi a extrema limpeza dos areais. Não havia uma beata, um pau de gelado, um papelinho, um vidrinho a conspurcar ou desestabilizar tamanha calma.
Tratei logo de bradar contra a falta de civismo dos portugueses, que, pondo o rótulo de biodegradável em todos os detritos, enterram-nos escrupulosamente na areia, com os riscos subsequentes para os mais desprevenidos. No Rio, nem caixotes do lixo avistáveis. Notável! Imaginei os cariocas a levarem para casa os restos do dia, para os depositarem nos ecopontos domésticos.
No fim-de-semana, o tempo melhorou e as praias encheram-se de gente. De gente e de lixo. Os caixotes eram, de facto, dispensáveis, porque todos os detritos eram espalhados pela areia, que, no final do dia, mal se podia vislumbrar. Fiquei sem fala...
E fiquei à espera de ver aparecer, pela noite, a fada ecológica que miraculosamente devolveria às praias a pureza ancestral. Em vez dela, vi surgir um batalhão de homens e mulheres, armados de ancinhos e sacos de plástico, que, alinhados do calçadão até à beira da água, varreram escrupulosamente as praias, intensamente iluminadas por holofotes. Depois da sua passagem, as luzes apagaram-se e as praias ficaram calmamente à espera. Talvez de Iemanjá, ou dos banhistas do dia seguinte.


Praia de Ipanema

Česká republika = srdce Evropy

República Checa = coração da Europa

A República Checa é um país muito bonito. Fica entre a Alemanha, a Polónia, a Eslováquia e a Áustria. 10 milhões de habitantes moram lá.
Praga, a sua capital, fica no coração da Europa. É uma cidade muito antiga e impressionante. Em Praga, muitos turistas visitam o Castelo de Praga (a residência do Presidente, hoje em dia), a Catedral de S. Vito (catedral gótica), a Ponte de Carlos sobre o rio Vltava, a Praça de Venceslau, com a estátua do rei Václav, o santo padroeiro da nação checa. Há muitas coisas e edifícios para fazer turismo, como em toda a República Checa. Podem visitar-se castelos e palácios de estilos diferentes (de rotundas românicas e igrejas barrocas até arquitectura do século XX).


No castelo de Praga

A paisagem é muito bonita e diferente. Há vales fluviais, florestas e montanhas onde fazer desportos de Inverno.
A República Checa é famosa pelas tradições culturais. Compositores checos bem reconhecidos em todo o mundo são: Antonín Dvořják, Bedřick Smetana, Leoš Janáček...
Por exemplo, a palavra "robot" é de origem checa: o escritor Karel Čapek inventou esta palavra.
Hoje em dia, muitos desportistas famosos trabalham no estrangeiro, em clubes importantes.
Uma bebida típica é a cerveja, que é exportada para muito países. Porco, couve e bolinhos cozidos é o prato típico.
Ostrava é a terceira maior cidade da República Checa. É uma cidade industrial e muitos estudantes moram e estudam em Ostrava. Os jovens encontram-se na rua Stodolni, onde há quase cem bares, clubes e discotecas.
Gostamos muito da República Checa, das pessoas, da cultura e da língua checa.


A Rotunda de S. Martinho (Vyšehrad, Praga)

Texto de Olga Jiříčková e Veronika Šotová
Imagens de About Czechia

Mais ligações de interesse:
> Czech Tourism, My Czech Republic
> Prague Information Service, Visit Prague

Lembranças do Rio de Janeiro (III)

Entre as folgas que o congresso permitiu e as que nós forçámos, conseguimos arranjar tempo para passear bastante no Rio...

> Pão de Açúcar: a mais estranha das colinas invulgares que circundam a cidade. Oferece uma vista magnífica sobre todo o Rio e a baía da Guanabara, pelo menos quando o tempo o permite. Um sistema de teleféricos (o bondinho) leva-nos da Praia Vermelha até ao Morro da Urca e dali ao cimo do Pão de Açúcar. A viagem em si já é encantadora.

> Cristo Redentor: no cimo de outro morro, o do Corcovado, oferece outra vista privilegiada. O acesso, pelo Trem do Corcovado, é também de interesse. Na base da estátua, a capela de Nossa Senhora Aparecida.

> Metrô: é pequeno, tem só duas linhas, pelo que, para a maioria das deslocações, tem de ser conjugado com outro meio de transporte. Mas, se bem me lembro, a arquitectura das estações vale a visita.


O Pão de Açúcar e a Guanabara: vista do morro da Urca

> Floresta da Tijuca: a maior floresta urbana do mundo, é um belíssimo exemplar de mata atlântica. Simultaneamente, é uma frustração para quem, na sua ingenuidade tola de turista, espera coqueiros e bananeiras bem no meio do Rio. Palmeiras, só mesmo no calçadão, ao longo das praias, a rimar com os quiosques de bebidas frescas e as esplanadas.

> Feira Hippie: aos domingos, em Ipanema, tem de tudo, desde artes plásticas até artesanato, doces e os mais variados artigos.

> Feira de artesanato: em Copacabana, ao longo da Avenida Atlântica. Um óptimo sítio para comprar souvenirs, foi também o destino privilegiado de vários dos nossos serões, apesar do cheiro provocado pelas obras que então decorriam na zona, com vista à remodelação do sistema de tratamento de esgotos.


O Mosteiro de S. Bento

> Mosteiro de São Bento: austero por fora, barroco por dentro, muitos anjinhos, muitos dourados...

> Confeitaria Colombo: uma espécie de Pastelaria Versailles em tamanho grande (de resto, fiquei com a impressão de que no Rio há tudo o que há em Lisboa, mas numa escala diferente): Arte Nova, espelhos, dourados...

> Café das Artes: um dia, depois de muito termos falado no assunto, a Tânia e o Roberval ofereceram-se para nos levarem a conhecer uma gafieira. Antiquário durante o dia, espaço de dança à noite. Muito agradável e animado.


O calçadão de Copacabana e o contador para o 5º centenário do Achamento
(faltavam 530 dias)


> Museu Histórico Nacional: foi o único museu que visitámos. Uma grande colecção de material bélico e de numismática.

> Centro Cultural Banco do Brasil: não o visitámos, verdadeiramente, foi mais entrar, para admirar o edifício, e sair. Estávamos já muito cansados, nesse dia.

> E, como não há passeio cultural sem espectáculos, um concerto da Orquestra Filarmônica do Rio de Janeiro, no Hotel Copacabana Palace, e uma comédia leve, no Teatro Clara Nunes: Só pra divertir, de Gugu Olivemecha, dirigida por Herval Rossano e protagonizada por alguns nomes conhecidos das novelas da Globo.

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Olá, Prof. Teresa Oliveira!
Como sempre, espero que tudo esteja a correr da melhor forma por Portalegre. Por aqui, tudo continua a correr bem. Ainda não estou a contar os dias que faltam para regressar (são 30!), mas, de facto, a minha estadia aqui já entrou na contagem decrescente. Desde a semana passada semana que as 'lectures' recomeçaram e prolongar-se-ão durante as próximas 3 semanas, até ao final da minha estadia por cá.
A propósito do último texto que enviei, só me esqueci de referir como reencontrei os outros estudantes Erasmus... Foi fácil!... Quando ia a passar por uma zona de bares, vi um polícia a mandar sair da estrada duas pessoas que estavam aos pulos mesmo no meio, perturbando o trânsito, cada qual com sua caneca na mão... Vi logo que aquelas caras me eram familiares... eram dois dos holandeses... e o resto estava a curta distância, dentro de um pub chamado O'Sullivan's. Escusado será dizer que não cabia um cabelo dentro do pub, pois se é verdade que durante o desfile de St. Patrick não vi ninguém a consumir bebidas alcoólicas (e muito bem!), mal este terminou, as gargantas sequiosas dos irlandeses depressa tiraram a desforra!!
Para grande pena nossa, o nosso autocarro partiu às 18h, mas certamente que para muitos dos cada vez mais eufóricos (e inebriados) irlandeses, a noite terá sido muito longa...


Foto de quando fui a Downpatrick, com a sepultura (segundo se supõe) do santo padroeiro da Irlanda, St. Patrick

Agora vou falar um pouco sobre dois 'tours' que fiz, organizados por St. Mary's, e em que participaram muitos dos estudantes Erasmus. O primeiro decorreu na terça-feira, 22 de Março. Logo pela manhã, visualizámos um filme intitulado H3, que, para quem não saiba, era um dos blocos prisionais onde se encontravam detidos irlandeses (muitos dos quais detidos por conduta violenta e crimes de sangue), que pretendiam que lhes fosse atribuído o estatuto de presos políticos, pois justificavam (e legitimavam) as acções de violência por eles praticadas por considerarem o Reino Unido como potência ocupante. A greve da fome foi a sua tomada de atitude que mais repercussão teve a nível mundial: perto de 400 prisioneiros iniciaram a greve da fome, dos quais 10 viriam a morrer no decurso desta, entre os quais o seu líder, Bobby Sands. Aliás, este tema é o principal tema e encontra-se presente em muitos dos murais que se podem encontrar espalhados por Belfast, e as suas sepulturas encontram-se na parte Republicana do Milltown Cemetery (que posteriormente visitei), junto a um memorial erigido em sua homenagem, inaugurado alguns anos atrás.
Posteriormente, tivemos a oportunidade de conversar com dois desses presos políticos: Dr Laurence Mc Keown e Michael Culvert, o primeiro dos quais esteve em greve de fome por mais de 60 dias, tendo estado à beira da morte (mas, a partir do momento em que perdeu a consciência, a família deu autorização para a greve da fome se interromper). Coloquei-lhes algumas questões pertinentes e foi interessante ver como o percurso de vida deles passou de um radicalismo extremo e violento às batalhas verbais da actualidade, sem recurso a armas e derramamento de sangue, realizando palestras e debates onde possam dar a conhecer às gerações mais novas tudo aquilo por que passaram. Continuam a defender uma Irlanda unida, mas, ao contrário do passado, desta vez procuram alcançar os seus objectivos por meios pacíficos. No entanto, também notei amargura e algum desencanto na voz deles, talvez por tudo aquilo por que passaram, ou pelos sonhos desfeitos que nunca viram realizados. Um deles, à altura pai de duas crianças com 2 e 3 anos, esteve preso durante 20 anos, e esteve esse tempo todo sem os ver, perdendo por completo o seu crescimento. Trata-se de um pequeno drama familiar, mas tenho a certeza que existem muitos casos semelhantes a este, espalhados um pouco por toda a ilha.


O edifício do Parlamento

Durante a tarde, fizemos um passeio ao Milltown Cemetery e às campas Republicanas com um outro ex-prisioneiro politico, Padraig Mc Cotter. Este informou-nos sobre os principais detalhes e a sucessão de eventos que levaram à morte das pessoas enterradas nas sepulturas mais relevantes. Apanhámos um pouco de chuva no início, mas lá conseguimos fazer a visita sem problemas de maior, apesar de o tempo não ter estado grande coisa durante o dia inteiro (como de resto é apanágio por aqui). Contudo, fiquei um pouco deprimido com todas as sepulturas que visitámos. Por toda a parte, sempre o mesmo denominador comum: morte violenta. No entanto, os cemitérios aqui não têm o mesmo ar lúgubre e pesado que é costume encontrar aí em Portugal. São espaços relvados, em que o verde impera, pode-se levar as viaturas para o seu interior, inclusive têm parques de estacionamento e diferentes tipos de árvores e arbustos, que contrastam profundamente com os sinistros ciprestes portugueses. A profusão de cruzes célticas, numa grande percentagem de sepulturas, também permite identificar claramente em que zona do mundo nos encontramos. E, curiosamente, algumas das primeiras pessoas sepultadas foram judeus, provenientes de Portugal.
Uma breve nota interessante foi a nossa visita ao cemitério ter sido alvo do interesse da imprensa local, pelo que, na quinta-feira seguinte, a página 5 do Andersonstown News, nos era dedicada, com foto de grupo e entrevista a condizer, feita a um estudante grego… Teve sorte em ter sido ele o escolhido, pois os atributos físicos da repórter eram muitos e variados (-: … escusado será dizer que me encarreguei rapidamente de comprar o jornal quando chegou a quinta-feira (-:


Foto de grupo em frente a Stormont

No dia seguinte, após um breve visionamento de um documentário sobre a situação política irlandesa (passada e actual), em que interviemos e comentámos as cenas visionadas, fizemos uma visita a Stormont, onde o Parlamento da Irlanda do Norte se localiza. Tivemos encontros com os principais partidos políticos representados no parlamento: Sinn Fein (esta palavra gaélica significa 'nós juntos', em português), DUP (Democratic Unionist Party) e SDLP (Social Democrat Liberal Party). O UUP (Ulster Unionist Party) manifestou a sua indisponibilidade por motivos de agenda, o que, a meu ver, foi um pouco deselegante. Já os restantes partidos políticos foram muito cordiais e enviaram um representante, a quem fizemos inúmeras perguntas, e eu fui o inquisidor mais persistente, pois interessava-me saber um pouco mais sobre a situação política actual, uma vez que vão decorrer eleições a nível nacional e local no próximo 5 de Maio. Por todo o lado é possível encontrar propaganda política e os tempos de antena dos diferentes partidos relembram constantemente o avizinhar das eleições.
Como eles aqui têm as circunscrições eleitorais divididas em 'constituencies', apesar de o processo de formação destas, a meu ver, me parecer algo injusto, pois permite disparidades muito grandes (muitos votos, mas poucos 'members of parliament', pois estes encontram-se dispersos por varias áreas), os eleitores têm a oportunidade de eleger directamente os seus representantes e, em virtude disso, cada campanha local é individualizada e recorre apenas à imagem dos respectivos candidatos a 'members of parliament' locais. Já tive a oportunidade de ver alguns dos cartazes espalhados por algumas 'constituencies' em que os candidatos eram aqueles representantes com quem tivemos a oportunidade de falar em Stormont (e alguns outros com que nos cruzámos por lá), e estes aparecem amiúde na televisão local, também, e é sempre engraçado reconhecê-los nos cartazes e na televisão. Para grande pena minha, não encontrámos o Gerry Adams, pois creio que não estava no Parlamento na altura, mas ao menos sempre tirei uma foto à porta do escritório dele, para mais tarde recordar (-:


Foto minha em frente ao gabinete do Gerry Adams (o presidente actual do Sinn Fein)

Texto e fotos de Pedro Bicho

Excursão a Lisboa

No fim-de-semana passado, os estudantes Erasmus foram a Lisboa.
Nós saímos de Portalegre às seis horas da manhã de sábado. Fomos de autocarro.
Visitámos a vila de Sintra. Aqui vimos o Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros, muito antigo.


O Palácio da Pena, em Sintra

À tarde fomos ao restaurante almoçar. Comemos pão e queijo da Serra, salada, frango com batatas fritas e arroz, café e bolo.
Depois fomos de autocarro até ao Oceano Atlântico. Fomos fazer uma visita ao Cabo da Roca, o ponto mais ocidental do continente europeu. Tirámos muitas fotos, porque a costa é muito bonita (mas perigosa). Depois, fomos ver a Boca do Inferno. Gostámos muito do oceano e do pôr-do-sol.
Nós pernoitámos em Oeiras, na Pousada de Juventude. À meia-noite, fomos de comboio às docas, em Lisboa. Fomos à discoteca Havana. Nós dançámos toda a noite e bebemos muito álcool. Divertimo-nos, mas ficámos muito cansados.


O Cabo da Roca

No domingo de manhã, tomámos o pequeno-almoço na pousada. Comemos pão e queijo e iogurte de frutas e bebemos café com leite.
Fomos de autocarro para Lisboa. Vimos os Jerónimos, a Torre de Belém, a Ponte 25 de Abril, por cima do rio Tejo, o castelo de S. Jorge e o Parque das Nações. Aqui fomos ao centro comercial Vasco da Gama, onde fizemos compras. Vimos uma ponte muito impressionante em Lisboa: a Ponte Vasco da Gama.
À noite voltámos para Portalegre. Ficámos muito cansados. Chegámos a Portalegre às 11 horas.
Gostámos imenso da nossa estadia em Lisboa. Gostámos muito de visitá-la.


Parte do grupo, em Lisboa

Texto de Angela Breen, Caoimhe Murray, Eimear White, Elaine Murphy, Niamh Cooke, Martina Škapincová, Olga Jiříčková e Veronika Šotová
Fotos de Olga Jiříčková e Veronika Šotová

Lembranças do Rio de Janeiro (II)

Nunca me senti verdadeiramente insegura no Rio de Janeiro, talvez por ter tomado toda uma série de precauções: não usar adornos, relógio, roupas ou calçado de marca, ocultar a máquina fotográfica e a carteira. Mas lembro-me da ansiedade que nos causou uma saída mais demorada da Susana e da Otília, que, um serão, nos disseram que iam ao supermercado, coisa de 10 minutos, e só voltaram ao fim de uma hora.
Uma tarde, a caminho da praia de Ipanema, presenciámos uma cena de rua em que uma mulher discutia com um polícia à paisana que levava pelo braço um adolescente que, alegadamente, teria roubado na praia um par de chinelos de dedão. Coisa pouca.
Impressionante era a quantidade de graffiti e pichamentos em tudo quanto era parede. Para mais, como é uso corrente proteger as janelas com grades, estas serviam de pontos de apoio, pelo que todos os edifícios estavam marcados até à altura a que os autores conseguiam chegar: 1º, 2º andar... Cheguei a ver uma igreja cujas esculturas e baixos-relevos permitiram aos moleques trepar até ao topo!
Mas verdadeiramente marcantes foram as silhuetas das crianças caídas no massacre de 23 de Julho de 1993, junto à igreja da Candelária, desenhadas no chão a tinta vermelha e rodeadas de velas e flores.


Mais uma vista do Pão de Açúcar

As minhas imagens\Grécia


O Erecteion, na Acrópole de Atenas


O pôr-do-sol no cabo Sounion, no extremo sul da Ática


O Olimpo


O mosteiro de Osios Loukas


O Mar das Oliveiras, perto de Delfos


A baía de Hania, em Creta


Uma ruela na cidade de Rodes

Tendo adquirido autonomia imagética, não quero deixar de prestar o meu agradecimento ao Google e a todos aqueles que, involuntária e anonimamente, contribuíram para a ilustração deste espaço durante largos meses (mais precisamente, de Julho de 2003 a Julho de 2004).

St. Patrick's parade

Olá, Prof. Teresa!
Voltando um pouco atrás no tempo, recordo a manhã de 17 de Março. Partimos cedo para Dublin, de autocarro, numa viagem que durou perto de 2h, pelo que, ainda não eram bem 11h00, já dávamos nós os primeiros passos pelas ruas de Dublin. Durante a viagem, ao olhar para uma tabuleta indicativa da distância entre as duas cidades, lembro-me de a ter achado muito pequena, mas depois lá me lembrei de onde estava e converti a distância em quilómetros, pois depressa constatei que só podia estar em milhas. A distância entre as duas cidades é de 104 milhas, mas não vou fazer a conversão em quilómetros, apenas deixo a indicação aos mais curiosos que possam ler o texto de que o factor de conversão é de 1.6. As contas não são difíceis de fazer!!
Quando chegámos, o motorista deixou-nos na Parnell Street, a 5 minutos de distância da O'Connell Street, uma larga artéria onde decorreu a parada e onde nós assistimos ao desfile de St. Patrick. O desfile tinha todas as condições para ser um sucesso. Ao contrário do habitual, o dia apresentava-se radioso, o que me deixou agradavelmente surpreendido... e a pensar nas fotografias que podia tirar! Foi muito colorido, principalmente em tons de verde (a cor dominante), branco e laranja, as cores nacionais da Irlanda. No total, éramos 22 estudantes, encabeçados pela sempre bem-disposta armada holandesa, seguida de perto pela numerosa falange belga e, depois, as minorias: uma espanhola, dois gregos e eu, representando as cores nacionais.
No entanto, devo referir que os irlandeses pecam um pouco pela falta de vivacidade tão característica do povo brasileiro e do seu Carnaval. Julgo que isso se deve, em grande medida, ao facto de se tratar de culturas muito distintas uma da outra, do clima tropical brasileiro, que elimina a necessidade de tanta roupa, o que, por sua vez, dá muito mais liberdade de movimentos... A própria música, no caso irlandês, não puxa tanto pela vertente lúdica, pois inclui muitas músicas características de marchas, que, apesar de serem muito interessantes, não conferem o ritmo mais desejado ao desfile. Adorei especialmente as gaitas de foles escocesas, com o seu trautear hipnótico, que num mero piscar de olhos nos parecem transportar a eras distantes. Reparei igualmente que a parada se tem tornado mais internacional nos últimos anos, existindo pequenas secções provenientes de diversos países, das quais destaco as dos EUA e as da Alemanha.
O desfile durou perto de 2h, mas devo referir uma situação engraçada (ou não tão engraçada, depende do ponto de vista), ocorrida durante a parada. Por andar sempre a tentar tirar as melhores fotos, pois a multidão entupia literalmente as ruas e era muito difícil encontrar um local elevado para tirar uma boa foto, acabei por me perder do resto do grupo... Ainda tentei, no meu desespero, subir a um poste, mas fui rapidamente desencorajado por um dos seguranças, que depressa me deu ordem de descida! Deste modo, acabou por ser de forma natural que me perdi durante cerca de duas horas do resto do grupo (mas depois soube que alguns também se tinham separado).
Durante esse tempo, enquanto os procurava, localizei algumas das principais atracções turísticas de Dublin. De entre as que encontrei, destaco: Dublin Castle (onde têm lugar reuniões ao mais alto nível da UE), Dublin Writers Museum (que posteriormente, numa outra ida a Dublin, visitei e, apesar de ter gostado, confesso que me desiludiu um pouco, até pelo preço praticado, 6.5€ - paguei 4.5€ por ser estudante, mas, mesmo assim, achei muito caro), Trinity College (onde se encontra o muito conhecido Book of Kells), National Wax Museum, as pontes sobre o rio Laffey, que atravessa transversalmente Dublin, the St. Patrick's Cathedral and the Christ Church cathedral (onde os sinos nunca se calaram enquanto lá estive), entre outros.
Para grande pena minha, não consegui localizar a fábrica onde se produzem as mundialmente consagradas Guinness!! Mesmo apesar de já ter voltado a Dublin, ainda não consegui satisfazer esse desejo, mas como ainda vou permanecer na Irlanda durante mais seis semanas, vou ver se ainda o satisfaço... Vale bem a pena o esforço... especialmente desde que encontrei um autocarro a fazer o trajecto Belfast/Dublin por 8£, ida e volta! (-:
Saudações Irlandesas,
Pedro Bicho


Foto de grupo tirada em Dublin, antes da parada. Dá para ver alguns dos estudantes Erasmus de verde. A rua por detrás é a O'Connell Street, uma das mais importantes de Dublin, e foi onde terminou a parada realizada a 17 de Março.
Texto e foto de Pedro Bicho

Au Trou Normand

O mais difícil, ao chegar a Bordéus no início de Janeiro de 1990, foi arranjar alojamento. As residências universitárias estavam lotadas, desde o início do ano lectivo, e os quartos e os apartamentos mais aceitáveis estavam já ocupados. Foi necessário recorrer a uma agência imobiliária, e mesmo assim as escolhas foram muito limitadas.
Acabei por alugar um quarto numa pensão, na rue Pelleport, perto da gare St Jean. Chamava-se Le Trou Normand. Era um edifício antigo, de dois andares, como os que se viam por toda a cidade. Os quartos eram uns 10 e ficavam no andar superior, por cima de um bar, mais ou menos tasca, tipo bistrot. Cada quarto estava equipado com aquecimento (indispensável, porque o Inverno foi rigoroso) e casa de banho (lavatório e duche). O WC, colectivo, ficava no corredor.
Era um sítio curioso, onde se passavam coisas estranhíssimas.
Às vezes, era a polícia que aparecia, à procura ora da jovem do quarto ao lado, que tinha fugido com o namorado, um tipo esquisito, que lhe batia (ouvia-se tudo, através daquelas paredes...); ora, creio eu, de todo o género de objectos, trazidos por pessoas muito estranhas, e que o patrão, um bretão enorme e manhoso, passava a outras pessoas ainda mais estranhas.
Quando lá cheguei, fez-me o discurso do ambiente familiar e decente: que não gostava muito de aceitar raparigas, porque já tinha tido uma má experiência, mas que abria uma excepção, porque eu lhe parecia uma boa menina. De qualquer forma, deixou bem claro que era estritamente interdito levar rapazes para o quarto. E fazer barulho durante o dia, porque a maioria dos inquilinos trabalhava de noite.
A mulher do patrão (a 3ª, por acaso), 30 anos mais nova do que ele, morria de ciúmes de mim.
A filha de ambos era uma criança de uns oito ou nove anos, muito branca, muito calada e de aspecto doentio.
O cão, Aldo, era preto, enorme, feroz e odiava-me. Uma vez atirou-se a mim, pensava eu que para me lamber a cara. Pelo ar aterrorizado do dono, que voou pelo bar, para o agarrar, percebi que o assunto podia ter-se tornado sério. Contaram-me depois que, dias antes, o bom do Aldo tinha mandado um homem para o hospital. Nunca mais voltei a descer as escadas sem perguntar, alto e bom som, se o cão estava preso. E confirmava, com os meus próprios olhos, se ele estava atrás do balcão, sempre virado na minha direcção, com um olhar assassino.
Um dia, descobri que andava, inadvertidamente, a partilhar um camembert com um rato, que, uma manhã, ainda a esfregar os olhos, vi atravessar o meu quarto a toda a velocidade. Quando me queixei aos senhorios, a reacção não podia ter sido pior: «Aqui não há ratos! Pensas que estás em Portugal? Este é um país do 1º mundo! Temos água quente e tudo!», disse ela. E, revoltada, ainda insinuou que eu devia andar a tomar coisas esquisitas, que devia ter visto era o cão, que era o único animal permitido no estabelecimento. Ele sorriu, sugeriu que devia ser uma barata grande, o que não me deixou muito mais descansada. Para me tranquilizar, foi pôr um isco envenenado no meu quarto. No dia seguinte, apareceu um ratinho morto à entrada.
Nunca percebi o escarcéu em torno do bicho: nada mais natural, em edifícios antigos, de estrutura de madeira, do que a fauna indesejada. Mas a patroa deve ter pensado que eu estava a criticar a higiene doméstica, que, a avaliar pelo asseio dos donos, não devia ser muita. Por acaso, lembro-me de ter ficado contratualizada a limpeza semanal do meu quarto e de ela, um dia, me ter dito que, como eu era muito limpinha e arrumadinha, a intervenção dela era desnecessária. Além de que não devia achar muito próprio ser criada de uma portuguesa.
Não me lembro do nome dela, ele chamava-se Jacques. Ela chamava-me Têrrêsá, ele chamava-me Márriá, porque dizia que é o nome de todas as portuguesas. E chegou a oferecer-me trabalho como mulher-a-dias, entre outras propostas estranhíssimas.


Da janela do meu quarto, a igreja do Sacré-Cœur

Cartes postales

Porque o meu espólio fotográfico de Bordéus não é grande.


L'église St-Michel, le pont de Pierre et le port de la "Lune" sur la Garonne
© Combier / Mâcon



La Cathédrale Saint-André et la Tour Pey-Berland
© Yvon / S.P.A.D.E.M.



La porte Cailhau
© La Cigogne



La place de la Victoire - La porte Aquitaine
© Combier / Mâcon



La gare St-Jean
© Combier / Mâcon


PS: A Ana já tem o seu próprio espaço cibernético! Não deixem de visitar a Ana in Belfast. E, já agora, podiam passar também pela Ilha do Homem, que no caso é o Tiago, que eu não conheço pessoalmente, mas é irmão do Paulo e estudante ERASMUS em Carlisle.